Bloqueio de instant messengers nas empresas

A Wired está com uma matéria interessante sobre empresas que bloqueiam instant messengers (ICQ, AIM, Y!, MSN, etc.). Eu sou totalmente contra essa atitude. Para mim, pelo menos, é uma ferramenta de trabalho excelente. Claro, tem nego que todo dia me manda piadinha e link (alguns acabam virando assunto aqui ou no outro Blog), mas é questão de se policiar e saber usar a ferramenta. Eu fico em São Paulo e converso por ICQ com os programadores que estão em Curitiba o dia todo. Converso com o administrador do web server. Converso com clientes, resolvo problemas na hora, minimizo algumas mensagens para resolver quando eu puder e agilizo muito meu trabalho.

Existem maneiras mais inteligentes de um gerente conseguir produtividade de seus funcionários, sem precisar recorrer a métodos ditatoriais. Eu considero o bloqueio de instant messengers como algo semelhante a ficar controlando quantas vezes fulano vai no banheiro, quanto tempo ele demora no café, ou se ele liga para a namorada durante o expediente. É como mandar pintar as janelas de preto porque o funcionário passa o dia olhando para fora. Se ele tem problemas de dispersão, de motivação ou outros parecidos, você tem que sentar com ele para conversar e tentar resolver. E reuniões coletivas não resolvem isso, tem que ser caso a caso. Cada um tem seus motivos, cada um tem seus problemas, cada problema tem sua abordagem.

Para conseguir produtividade é bem melhor, por exemplo, estimar quanto tempo o funcionário vai levar para fazer determinado job, de acordo com o tipo de trabalho e a experiência dele nos passos envolvidos, estabelecendo prazos e metas em cima disso. E fornecer os meios para que ele possa cumprir os prazos que você estabelece, senão não adianta. Por exemplo, para um programador que não tem muita experiência em definição de sistemas, você deve montar um documento que diga como você quer que o sistema funcione, se possível com uns rascunhos da interface. Se ele não manja muito de banco, modele o banco para ele e passe pronto.

“Assim eu vou perder muito do meu tempo com isso!” Mas um gerente tem que delegar, e não fazer! E tem que saber delegar de uma forma que saia tão bom (ou quase tão bom) como se você mesmo tivesse feito. Se você tem uma equipe maior, quebre a tarefa grande em pedaços e peça para cada um fazer o que tem mais aptidão. Peça para o José definir o sistema e passar para o João, que deve modelar o banco e passar para o Joaquim, que vai montar o sistema. Se você tem só um funcionário e ele não é lá essas coisas, invista seu tempo fazendo uma boa definição e um bom modelo de dados, passando as coisas para ele um pouco mais mastigadas e evitando problemas futuros. Ou você prefere perder tempo seu e do seu funcionário refazendo o que ficou errado, estourando o prazo, tendo que corrigir e refazer depois que o sistema já foi entregue e ainda ouvir reclamações do cliente porque o sistema não faz o que ele precisa? E o mais importante: faça ele participar do processo e entender o que você está fazendo e porque, assim ele vai se acostumando e quem sabe um dia até faz isso sozinho.

Se a sua equipe não trabalha direito e entrega os programas com problemas, sinto dizer mas a culpa é sua. Você é o responsável pela sua equipe. Afinal, o cliente ou o diretor pedem o sistema para você e como vai ser feito ou quem vai fazer é problema seu. Eu detesto quando alguém vem me dizer “não ficou pronto porque aquele meu funcionário, o Sunda é, um mané. O cara falta, não tá nem aí, atrasa pra entregar, o cara é f…”. Eu não tenho nada a ver com isso, se o funcionário é incompetente é problema seu. Resolva. É para isso que você tem um cargo de gestão. Ou você acha que o presidente da empresa vai ficar analisando o trabalho de cada office boy para ver se ele demora demais no correio porque fica duas horas no flipperama?

E como eu resolvo o problema com aquele meu funcionário que não rende nada? Aí é que entra a competência do gerente. Não tem fórmula mágica. Claro que tem gente que não tem conserto mesmo, precisa ser mandada embora. Mas nunca faça isso sem antes tentar resolver o problema. Ter que mandar o funcionário embora é uma derrota, mas cabe a você definir qual o lado derrotado. Se você desiste de início e manda o funcionário embora porque “ele não faz nada direito”, você é o derrotado. Se você tentou melhorar o desempenho dele, tentou passar tarefas que se adequem a seu desempenho e suas limitações, lutou pelo seu desenvolvimento profissional e mesmo assim não obteve sucesso porque o cara não tá mesmo a fim de nada, aí tudo bem, foi ele quem jogou a toalha.

Para conseguir o máximo de seus funcionários sem deixá-los estressados até a flor da pele você precisa de uma mistura de liderança, altruísmo e experiência. E isso não se aprende em faculdade, só se aprende errando. E acertando…


2 comentários para Bloqueio de instant messengers nas empresas

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