Novas Ciclorrotas em São Paulo: Lapa e Mooca

Sinalização de solo em rua do bairro da Lapa. Foto: Raphael Monteiro de Oliveira

Duas novas ciclorrotas serão inauguradas na segunda quinzena de dezembro: uma na região da Lapa (Zona Oeste) e outra na Mooca (Zona Leste). Na Mooca, a Ciclorrota dá acesso ao Sesc Belenzinho. Na Lapa, se estende desde o Parque Villa Lobos até o Parque da Água Branca.

“A ideia é que as pessoas que fazem pequenas viagens dentro dos bairros, como para ir à padaria ou levar os filhos à escola, usem essas vias para andar de bicicleta, em vez de carro”, afirmou a Gerente de Planejamento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Daphne Savoy, ao Estadão. É animador ver declarações como essa vindo da CET, demonstrando que a cidade finalmente está mudando.

Conheço bem a região da Lapa por onde foi sinalizada a Ciclorrota e posso afirmar que as vias foram muito bem escolhidas. São ruas que já usei muitas vezes nos meus deslocamentos, evitando avenidas mais movimentadas e as subidas matadoras existentes na região.

Repercussão

Novamente, surgem críticas que demonstram falta de conhecimento sobre o que é deslocar-se de bicicleta na cidade. Nessa mesma matéria, afirma-se que cruzamentos com grandes avenidas colocam o ciclista em risco. Ora, como cruzar qualquer bairro do centro expandido de São Paulo sem cortar uma grande avenida?

“A cidade inteira tem de se adequar à movimentação dos ciclistas”, disse Renata Falzoni ao jornal. “Onde hoje o trânsito é carregado e rápido, deve-se diminuir a velocidade, quer os motoristas queiram ou não”. Falzoni está certa. A cidade deve incluir TODOS seus cidadãos, não apenas os que se deslocam em automóveis. Ciclistas, usuários de transporte público, pedestres e cadeirantes precisam todos terem suas necessidades atendidas. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio, justamente o compartilhamento das ruas.

Uma ciclorrota não retira espaço dos carros, apenas sinaliza o direito de trafegar em bicicletas. Não coloca os ciclistas em risco, chama atenção dos motoristas para sua presença. Se fossem feitas ciclovias segregadas nessas ruas, em muitos pontos seria necessário retirar toda a área de estacionamento, tornar a via de mão única ou até mesmo bloquear totalmente a passagem dos carros. É impossível implementar ciclovias em todas as ruas da cidade, como é impossível ignorar que os ciclistas já circulam pela cidade às centenas de milhares e precisam ter esse direito oficializado.

Entenda aqui o que são as Ciclorrotas, para que servem, quais críticas vêm recebendo e veja no mapa elaborado pelo Vá de Bike onde elas já foram sinalizadas na cidade de São Paulo (incluindo Lapa e Mooca).


15 comentários para Novas Ciclorrotas em São Paulo: Lapa e Mooca

  • Adriano Salvio

    Aproveitando que citaram o SESC na matéria sempre penso na falta que faz bicicletários nas unidades.

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  • Eduardo

    Você pode usar essa rota, é a mais tranquila que conheço: http://www.bikemap.net/route/1386699. Recomendo que você imprima o mapa para lembrar de cor, são muitas viradas, mas vale a pena. O caminho não passa por nenhum viaduto.

    http://www.bikemap.net/route/1386699

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  • Tonimar

    Aproveitando o assunto, alguem sabe me dizer um caminho de bike para vir de São Miguel Paulista até o Sesc Pompéia?
    Estou interessado em começar a fazer esse trajeto de bike para vir trabalhar.
    Eu sei que consigo ir de Itaquera até o Tatuapé pela ciclovia da radial, agora queria saber qual seria o caminho para completar o trajeto.

    Abraços..

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  • Helena

    Pego a maior pare da Turiassu para ir pro trabalho de bike (desde a sumaré até o pacaembu), vai ser bom ter esse trecho sinalizado! Apesar de que ainda não sei se faz mesmo diferença para os motoristas :/
    A hora que eu vou tem pouco carro, então eles costumam andar em maior velocidade, as vezes quando tem onibus eu acabo indo para a calçada.
    Se fosse mais seguro, iria todo dia para o trabalho de bike. Uma ciclofaixa aí iria ser interessante!

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  • anderson Diego Gama Reis

    Um dos maiores problemas apontados pelos demais aqui reflete-se também em uma grande preocupação a qual tenho e é por essas e outras que fico um pouco receoso quanto a implementação de ciclorrotas, qual seja, a falta de educação dos motoristas de automóvel. Essa sinceramente é uma excelente iniciativa que vem se adotando pela capital, porém, sem o devido respeito a sinalização por parte dos motoristas, oc ciclistas tornam-se alvos fáceis dessa grande guerra diária da metrópole, pois, enquanto não houver conscientização não haverá educação no trânsito. A fiscalização nestes locais devem ser intensas e diárias, pois, só assim haverá um mínimo de viabilidade a utilização das ciclorrotas.

    Atenciosamente,

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    • Rafael

      Anderson, já usamos essas ruas sem sinalização e ciclorrota. Elas já são viáveis, apesar dos maus motoristas. A implementação das ciclorrotas sinalizados só reforçam junto aos motoristas nosso direito de pedalar, com ou sem fiscalização.

      Comentário bem votado! Thumb up 4 Thumb down 0

  • Fábio Moreirão

    Passei ontem no trajeto volta (Coriolano-Padre Chico/João Ramalho e quebrei para a Aimberé), e não tem nada sinalizado ainda.

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  • Laudari

    Sensacional!!! Vou de Perdizes à Ponte do Piqueri (Lapa de Baixo) como trajeto casa/trabalho. E não é que fui surpreendido positivamente com bicicletas brancas pintadas no asfalto ontem?!? Tão bom que vim aqui conferir e não é que Sr. Willian Cruz já estava com a notícia pronta? Realmente faço o caminho mais plano possível para maior conforto no trajeto e boa parte dele está coberto pela ciclorrota. Notei que não há ainda a sinalização vertical, porém entendo pelo que o Willian colocou que o término está previsto para a segunda metade de dezembro. Portanto, em breve, além dos olhares desconfiados “Que doido esse cara de social de bike!”, teremos também olhares de “Esse cara é tão bom que até fizeram um caminho pra ele!” Ehehehe

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  • Edson Murakami

    Acho que é um pedal muito pesado a transição da R. Bartira p/ a R. Min. Ferreira Alves. Seria mais tranquilo seguir um pouco mais pela R. Turiaçú e acessar a Min. Ferreira Alves pela R. Caraibas. De qualquer forma é mais uma ótima noticia p/ a cidade.

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    • Laudari

      Edson, concordo plenamente. Muito pesado foi generosidade da sua ascedência oriental: aquilo é impossível(entre a Caiowaa e a Diana)! Sigo pela Diana e entro à esquerda na Ministro Ferreira Alves, onde apesar de curta subida, é totalmente possível! E faço uma ressalva: Pego a Ministro até a Coriolano e ela tem um dos piores asfaltos da região. Sinto-me como se estivesse andando sobre um telhado de Eternit… Só vai melhorar na Coriolano, aí é uma delícia pedalar.

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  • Leonardo Mendes

    Ano que vem deixarei de trabalhar em pinheiros para trabalhar na mooca. Não conheço muito do bairro, será bom ter uma ciclorota para começar a me habituar.

    Concordo com o Fábio sobre a entrada da marrey jr. Os carros nesse trecho não se respeitam, muito menos ao ciclista, é um caos.

    William, uma dica sobre o texto, quando você diz “sinaliza o direito” passa a impressão de que a bicicleta não tem direito a tráfegar onde não há ciclorota. Seria melhor se você dissesse algo como “orienta para os melhores caminhos”.
    Abraços

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  • Fábio Moreirão

    Moro nas proximidades da nova ciclorota da Lapa. Voltando do trabalho hoje vou dar uma passada por lá.
    Pelo mapa, um trecho complicado é o que fica entre a Turiassu e a Aimberé. A passagem pela praça Marrey Jr obriga as bicicletas a cruzarem a via para pegar a esquerda. Passo todos os dias por lá sem problemas, mas ciclistas mais inexperientes podem se atrapalhar nessa transição, a praça é bastante movimentada e é costume dos automóveis furar os semáforos ou fazerem conversões bruscas. A entrada da Av. Sumaré, exatamente nesse trecho, é perigosa pois ônibus e carros fazem a curva aberta em alta velocidade. Alí a sinalização precisará ser ostensiva.

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  • Eduardo Panko

    Dizerem que “cruzamentos com grandes avenidas colocam o ciclista em risco” é aceitar o fato que as vias colocam em risco os ciclistas e pedestres.
    Ficar de braços cruzados e apenas aceitar esse fato é burrice, temos que mudar isso… diminuir a velocidade da via, exigir semáforo, faixa de pedestre, radar/câmera para fiscalizar os “pilotos”, etc.

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  • Alex

    Ótima notícia. Porém, elas devem contar também com um esquema de fiscalização. Eu costumo usar a ciclorrota do Brooklin e os carros não estão respeitando os limites de velocidade.

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