“Estamos caminhando para uma cidade sustentável”, diz prefeito em inauguração de parklet em SP

Fernando de Melo Franco, secretário de Desenvolvimento Urbano, ao lado do prefeito Fernando Haddad, na inauguração do parklet da rua Oscar Porto. Foto: Rachel Schein

Fernando de Melo Franco, secretário de Desenvolvimento Urbano, ao lado do prefeito Fernando Haddad, na inauguração do parklet da rua Oscar Porto. Foto: Rachel Schein

Estrutura fica próxima à esquina com a R. Abílio Soares, no bairro do Paraíso. Foto: Rachel Schein

Estrutura fica próxima à esquina com a R. Abílio Soares, no bairro do Paraíso. Foto: Rachel Schein

São Paulo ganhou mais um espaço de convivência. Trata-se de um parklet, estrutura construída junto ao meio-fio das ruas – onde antes estariam carros estacionados – e que, entre outros atrativos, oferece mobiliário e pequenas áreas verdes. O objetivo dos parklets, além de ser uma área de convivência e lazer no meio da cidade, é provocar uma reflexão sobre o uso atual do espaço urbano, cada vez mais dedicado aos automóveis, em forma de avenidas, viadutos, estacionamentos, etc. O parklet recém-instalado fica na esquina das ruas Abílio Soares e Coronel Oscar Porto, no bairro do Paraíso.

A iniciativa é uma parceria entre a prefeitura de São Paulo, que cedeu a área para a construção da estrutura, e empresas do setor privado, que bancaram o custo da construção e ficarão responsáveis pela manutenção do espaço. Mas mesmo tendo sido financiado pela iniciativa privada, o espaço não pode ser privatizado. O projeto é fruto de uma parceria da ONG Instituto Mobilidade Verde e dos escritórios de arquitetura e design Zoom e H2C. O projeto é patrocinado pela construtora Cyrela e executado pela Contain’It.

Xmune Ipster, proprietária do restaurante responsável pela manutenção do espaço. Foto: Rachel Schein

Xmune Ipster, proprietária do restaurante responsável pela manutenção do espaço. Foto: Rachel Schein

Uso público

Xmune Ipster, proprietária do restaurante “Tenda do Nilo”, que fica exatamente na esquina do parklet, aprovou a medida. “As pessoas podem sentar pra tomar um café, ou mesmo quem trabalha pode trazer a marmita e comer lá. E além disso, ficou muito bonito”, disse.  Xmune conta que um dia o próprio prefeito Fernando Haddad (PT), que mora próximo ao local e passeia por lá nos finais de semana, comentou sobre o projeto. “Olha, eu tenho um projeto, tem alguém que vai fazer, vocês podem ajudar fazer a manutenção dele?”, perguntou o gestor. A comerciante topou na hora.

Moradores do prédio em frente a princípio resistiram à instalação do novo mobiliário urbano, mas depois de perceberem algumas vantagens, aprovaram. As barracas de pastel e caldo de cana que ficavam em frente passaram para o outro lado da rua, diminuindo o barulho; a rua ganhou uma vaga especial para idoso; estruturas para prender bicicletas (paraciclos) serão instalados.

A localização do parklet favorece quem está de bicicleta, já que a rua Abílio Soares é rota de ciclistas por ser a menos íngreme da região.

Essa é a segunda iniciativa desse tipo instalada na cidade este ano. O primeiro foi construído na rua Padre João Manoel com a avenida Paulista, no mês de abril. Veja aqui um ensaio fotográfico feito durante o horário de almoço no dia seguinte à inauguração deste parklet e perceba como o espaço foi rapidamente tomado pelas pessoas que moram ou trabalham por perto.

“Temos que praticar a urbanidade”

Fernando Haddad: "nós aprendemos a viver enclausurados, temos que praticar a urbanidade". Foto: Rachel Schein

Fernando Haddad: “nós aprendemos a viver enclausurados, temos que praticar a urbanidade”. Foto: Rachel Schein

A inauguração da estrutura no bairro Paraíso foi feita em 13 de agosto, embaixo de chuva, e contou com a presença de Fernando Haddad. O prefeito conversou com os jornalistas sobre as novas políticas públicas, que têm o objetivo de transformar São Paulo numa cidade sustentável. “Isso vai da iluminação pública, que vamos trocar por LED pra economizar energia, passando pelas centrais mecanizadas de triagem, que são as primeiras da América Latina”. Imediatamente, o gestor foi questionado quanto ao uso do carro na cidade. “Nossa visão de sustentabilidade vai muito além disso [do carro]. Estou dando exemplos de aspectos que se conectam com a visão de uma cidade sustentável. A mobilidade é apenas uma das dimensões da sustentabilidade”, observou Haddad.

O prefeito acredita que São Paulo está passando por uma mudança de cultura, na qual passamos da “clausura” dos espaços privados para o desfrute dos espaços públicos. “Nós aprendemos a viver enclausurados. A gente tem que praticar a urbanidade, que significa se apropriar do espaço público, que é transporte público, transporte não motorizado, mais praças com wi-fi”. Segundo o prefeito, a ideia não é desestimular a compra do carro, mas repensar o seu uso. “É inconcebível uma cidade em que as pessoas não possam ter um carro, nem eu desejo isso, mas a rotina das pessoas tem que se alterar”. A questão, disse o prefeito, não é ter ou não ter o carro, “mas mudar a rotina para a cidade funcionar melhor”.

Para Lincoln Paiva, diretor do Instituto Mobilidade Verde e responsável pela criação do projeto, o parklet tem a função de discutir a qualidade de vida na cidade. Ele lembra dos tempos em que as pessoas colocavam as cadeiras de praia nas ruas: “a diferença é que já não precisamos mais trazer as cadeiras porque elas já estão aí”, comemora.

Para saber mais sobre regulamentação e instalação de parklets, clique aqui.

A primeira Vaga Viva de São Paulo, em 2006. Ação vem sendo realizada por cidadãos todos os anos. Foto: Willian Cruz

A primeira Vaga Viva de São Paulo, em 2006. Ação vem sendo realizada por cidadãos todos os anos. Foto: Willian Cruz

Parklets e Vagas Vivas

Por Willian Cruz

O parklet segue o mesmo conceito das Vagas Vivas, manifestações populares de ocupação do espaço público realizadas de forma temporária. A diferença principal é que, por ser “adotado” pela iniciativa privada, o parklet possui uma estrutura mais resistente, visual caprichado e, quando não é permanente, ao menos tem longa duração (o tempo de ocupação previsto par aos parklets paulistanos é de três anos).

O conceito surgiu em São Francisco, nos Estados Unidos, em 2005, com o nome de “Park(ing)”, como uma iniciativa do Rebar, estúdio que declara trabalhar “na intersecção da arte, design e ecologia, criando projetos que inspiram as pessoas a reimaginarem o ambiente e seu lugar nele”. Em São Paulo, uma Vaga Viva foi realizada pela primeira vez no Dia Mundial Sem Carro de 2006 e a ação vem sendo repetida regularmente, todos os anos.

Vagas Vivas e parklets representam muito mais do que trocar alguns metros de asfalto por espaços de convivência. Vão muito além do design e paisagismo. Simbolizam uma amostra do que a cidade pode vir a ser.

Vídeo e fotos

Assista abaixo à videorreportagem, com nossa galeria de fotos logo abaixo.


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