Constrangendo para educar

O lixo jogado nas calçadas e ruas, incluindo bitucas/guimbas de cigarro, vai parar nos bueiros. Dali, vai para os rios e para o mar. Polui as águas, prejudica plantas, mata animais e mostra falta de educação, consideração e respeito por parte de quem o descarta dessa maneira. Foto: Steven Damron, via Flickr

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Estava andando a pé na rua, conversando com um amigo, quando paramos para esperar o sinal de pedestres. Na nossa frente, uma moça também aguardava o momento de atravessar.

Na mão que está abaixada junto ao corpo, ela amassa um pedaço de papel. Então, “distraidamente”, ela deixa o cair no chão de forma disfarçada, como se ele tivesse escapado de sua mão. Levanta a mão para fazer qualquer outra coisa, como se nada tivesse acontecido.

Não me contive. Pedi licença, me abaixei na sua frente e peguei o papel, explicando com um sorriso: “vou jogar numa lixeira pra você”. Coloquei no bolso e continuei a conversa com o amigo, como se nada tivesse acontecido. Ela gagueja um “oh”, morrendo de vergonha, na tentativa de simular que não tinha percebido o papel cair, e atravessa a rua rápido e sem olhar pra trás, para escapar da situação desagradável.

Um sorriso sempre torna a abordagem menos agressiva. Falar em tom de brincadeira, de forma educada, ajuda a evitar uma reação inadequada. E constranger delicadamente pode até não mudar de pronto aquele comportamento que se pretende criticar, mas faz a pessoa refletir sobre ele.

É plantada uma semente de mudança que, se regada com alguns reforços psicológicos em outras ocasiões (informações, situações, conversas), poderá germinar, crescer e espalhar seus frutos.

O colega que estava ao meu lado não conseguiu continuar a conversa e riu o resto do caminho. É, mudar o mundo pode ser divertido… 😉


14 comentários para Constrangendo para educar

  • Fabrício

    Muito legal, cara…rs!

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  • Carlos

    É este tipo de ação que também educa as pessoas, porque é direto e envolve interação. É mais efetivo que propaganda de conscientização, porque envolve cobrança. Ajuda as pessoas a tomarem atitudes e comportamentos voltados para a convivência pacífica e melhoria da qualidade de vida. Isto leva a mais respeito e gentileza.

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  • Nícolas

    Já fiz a mesma coisa e quase fui agredido. Fui chamado de 1 zilhão de palavrões.
    Mas é isso aí, como diz um amigo meu, tem gente que tem que ser adestrada.

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  • fernandinhokbcao

    Já fiz algo igual. Duas mulheres conversavam sobre vendas ao lado de minha loja, conversa vai conversa vem e de repente a garrafa de 1,5 l de água delas acabou, uma delas só fez jogar na rua, eu pedi licença e perguntei se poderia pegar a garrafa e jogar em um lixeiro, elas ficaram envergonhadas pediram desculpas e acreditem, disseram que já iam fazer isso. Pode não mudar o mundo de uma vez, mas plantar uma semente de consciência em alguém já é um pequeno passo pra isso.

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  • Luiz Afonso V. Figueiredo

    Olá pessoal. Eu sou professor universitário da área de Educação Ambiental e Práticas Interdisciplinares. Entre as várias atividades temos organizado uma bicicletada (chama BICICLANDO-ABC), assim vamos entrando cada vez mais no tema da mobilidade urbana, cicloativismo e qualidade ambiental. Bom, eu acho que esse tipo de abordagem educativa é super interessante e promove reflexões, sem dúvida. Eu prefiro algo que leve a alguma atitude, como sorrir e entregar o papel para a própria pessoa, e dizer…viu, vc deixou cair sem querer isso aqui na calçada, quer uma ajuda? Assim, o constrangimento, gera também um necessária mudança de atitude. De qualquer forma, temos que usar todas as táticas possíveis para mudar posturas. Fantástico, super abraço, Afonso. (Luiz Afonso Vaz de Figueiredo, Prof. Dr. da área de Educação e Ciências Ambientais do Centro Universitário Fundação Santo André).

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  • Luan Bernardi

    Não tem jeito, não vai mudar o mundo e nem o comportamento da pessoa. Quem tem espírito de porco continuará tendo. Brasileiro é mal educado, não tem noção de cidadania e isso ainda vai mudar… pra pior!

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  • Fabio

    Bom dia, Willian.
    O fato é que toda a sociedade tem o péssimo hábito de achar que o governo tem a obrigação de resolver todos os problemas da coletividade. Outro dia ouvi uma pessoa dizer que joga lixo na rua para que os varredores de rua tenham emprego! O governo tem sua responsabilidade e em muitos casos, se omite, mas cabe a população fazer a sua parte. Em épocas de enchentes, vemos notícias de pessoas desabrigadas mas, na maioria das vezes, são elas mesmas que ajudam a acontecer, jogando lixo nas ruas, móveis velhos e pneus nos córregos, etc. Se o problema fosse só o papelzinho no chão, seria fácil, mas o problema é cultural.

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  • Victor

    boa ideia, vou fazer isso com as pessoas “distraidas” agora.

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  • Rosana

    O lixo da rua também entope os bueiros e causa o alagamento das ruas que é “normal” quando chove… Normal mesmo é a água escoar pelas galerias…

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  • Gregory

    Sempre faço assim tambem e na maioria das vezes a pessoa fica bem envergonhada.

    Em um casa eu estava de carro por uma rua e uns 20 metros a frente vejo um papel voando pela janela de um carro parado. Quando cheguei perto, parei o carro e falei para o motorista: Boa tarde, o senhor deixou cair alguma coisa pela janela. Na hora o cara respondeu: nossa, muito obrigado por avisar. dai abriu a porta e pegou!

    Em um outro caso que fui mais abusado, estava eu descendo a rua da minha casa quando vejo um homem descendo do carro e jogando umas sujeiras na rua. Na hora parei o carro no meio da rua, puxei o freio de mão, abri a porta, desci, olhei no olho dele e dei um sorriso. Ele respondeu me cumprimentando e abaixei peguei o lixo, joguei no lixinho do carro, entrei no carro e antes de ir embora olhei pra ele e disse boa tarde! O cara ficou roxo de vergonha!

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  • Tiago

    O máximo que já fiz foi recolher o papel, levar até a pessoa e falar “olha, deixou cair”

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  • massa!!! melhor do que chamar a atenção dando um pagadão…rs…
    e muito mais engraçado também!
    cruel é quando jogam pela janela do carro….

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  • Adriano

    Puta sacada!
    Isso é cidadania, parabéns.

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