
Mate sua velocidade, não uma criança: mensagem estampa traseira de carro de vendedor de sorvete na capital inglesa. Foto: Sabrina Duran
Aumento de velocidade contribui para mortes de crianças no trânsito
Trânsito é a principal causa de morte “acidental” de crianças até 14 anos. Na contramão dos dados, cidades insistem no aumento dos limites de velocidades

No Brasil, o trânsito é a principal causa de morte “acidental” de crianças de zero a 14 anos de idade. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2014, 1.654 crianças dessa faixa etária morreram devido a esse tipo de incidente no país.
Um estudo realizado pela ONG Criança Segura mostrou que, naquele ano, a média nacional de mortes no trânsito desse segmento da população foi de 3,76 a cada 100 mil crianças e adolescentes de zero a 14 anos. Entretanto, alguns estados e capitais apresentam dados superiores a esse.
“No Brasil, aproximadamente quatro crianças morrem todos os dias vítimas de acidentes de trânsito. Esse número poderia ser muito menor se algumas medidas de prevenção fossem adotadas, como a redução do limite máximo de velocidade nas vias e o aumento da fiscalização do uso da cadeirinha”, explica Mariana Lorencinho, coordenadora de projetos da Criança Segura.
De acordo com um ranking produzido pela organização, as 12 capitais brasileiras com os piores indicadores são, respectivamente: Palmas (TO); Macapá (AP); Brasília (DF); Goiânia (GO); Rio Branco (AC); Belo Horizonte (MG); Campo Grande (MS); Belém (PA); Teresina (PI); Porto Velho (RO); Curitiba (PR) e Rio de Janeiro (RJ). São Paulo (SP) aparece na 13ª colocação – confira o ranking abaixo.

Limite de velocidade
Os dados da pesquisa incluem incidentes ocorridos com pedestres, ciclistas, ocupantes de automóveis e ocupantes de motocicleta e outros (incidentes não identificados). A pesquisa se baseou nos dados publicados pelo DATASUS – Base de dados do Ministério da Saúde.
Para os organizadores da pesquisa, o aumento do limite de velocidade é um dos pontos que colaboram com o aumento dos números. Questionada sobre a mudança nos limites das marginais paulistanas, Mariana explica o motivo de preocupação. “É um retrocesso que estejamos indo contra um movimento global para segurança viária e que voltemos atrás a uma medida que poderia prevenir a fatalidade em muitos acidentes”, diz.
Assim como a orientação da Organização Mundial de Saúde, a ONG Criança Segura se posiciona sobre o que deveria ser padrão. “Sugerimos que o limite de velocidade em vias urbanas seja de 50 km/h e em vias que estejam em áreas escolares a velocidade máxima seja de 30km/h”, explica.
Segundo os organizadores da pesquisa, a diversificação de modais é uma medida que foi adotada em várias cidades do mundo para prevenção de incidentes de trânsito. “Vemos de forma positiva a expansão da malha cicloviária. Certamente traz benefícios para a segurança da criança e do adulto”, elucida Mariana, que no entanto sugere que as pessoas reforcem sua proteção com o uso do capacete.
Sobre a pesquisa
Essa pesquisa faz parte do projeto Walk This Way, uma parceria da Criança Segura com a FedEx, que irá desenvolver ações para prevenção de incidentes no trânsito com crianças e acompanhar a evolução dos indicadores de segurança viária nesses municípios pelos próximos quatro anos. “Queremos mostrar o impacto que a educação para prevenção de acidentes pode causar na realidade das crianças do país”, explica a coordenadora de projetos da Criança Segura.
Para isso, a organização enviou uma carta a todas as Secretarias de Educação, Transporte e Saúde dos municípios que estão no topo do ranking convidando-os para que participem do projeto. Nesse documento, foram apresentados os dados referentes aos óbitos infantis no trânsito de cada localidade e a Criança Segura se disponibilizou a unir forças com o poder público para transformar essa triste realidade, oferecendo uma formação online para prevenção de incidentes no trânsito aos profissionais desses municípios que atuam com o atendimento de crianças e adolescentes. Além disso, um Guia de Boas Práticas deve ser produzido e entregue a todas as cidades participantes.
