As correntes de e-mail politicamente corretas e seus efeitos pouco práticos

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(publicado em 19 de dezembro de 2004)

Lembram daquela corrente que dizia para não abastecer o carro num certo dia como forma de protesto, para fazer com que baixassem o preço dos combustíveis? Agora apareceu outra, que diz ser melhor que aquela, pedindo para não abastecer nos postos da Petrobrás, que é a principal distribuidora, para pressioná-los a baixar os preços através da baixa procura, forçando em cascata os concorrentes a baixarem seus preços também, para competir com a Petrobrás.

Tá, concordo que se existisse uma adesão em massa haveria chance disso surtir algum efeito com a Petrobrás. Mas depois que eles baixassem seu preço, todo mundo que não estivesse participando do boicote, além de muita gente que estava, correria para abastecer lá. Ou, numa hipótese mais otimista e bem menos provável, mesmo que todos continuassem sem abastecer nos postos Petrobrás depois da queda de preços, os concorrentes não teriam porquê baixar seus preços, já que suas vendas teriam aumentado…

Não adianta inventar analgésico, tem que entender qual realmente é o problema para tentar resolvê-lo de vez. Quero ver alguém conseguir cenvencer os caras lá de fora a baixarem o preço do barril. Enquanto eles não baixarem, o preço aqui não tem como cair muito não, até porque pode chegar a ser mais rentável vender para fora do que usar aqui dentro, como já acontece faz tempo com as variedades mais nobres do café. Ou por que não tentar diminuir o preço do produto diminuindo a demanda, em outras pelavras diminuindo o uso do automóvel e o consequente uso de combustível? Parar de dirigir ninguém quer, né?

Portanto, meu conselho sobre essas correntes é: usem sua energia com algo que realmente vá ter resultado.

Ou, se você quer mesmo lutar por essa causa, faça do jeito certo: uma manifestação de verdade, física e presencial, reclamando seus direitos nas ruas e mostrando a todos, principalmente aos governantes, sua insatisfação com este ou aquele aspecto do modelo atual. Mas atenção: brigar com a lei da oferta e da procura é bobagem! Só se obtém resultado aumentando a oferta (que é controlada para manter o preço estável) ou diminuindo a procura.

Repassar um e-mail desses é fácil e dá por alguns minutos a sensação de que se está fazendo a coisa certa, mas o máximo que você vai conseguir é irritar alguns dos destinatários. Se você realmente quer resolver, não seja hipócrita e não engane a si mesmo: faça do jeito certo, faça de verdade. Tome uma atitude.

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