Desvalorizando quem não tem carro

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Vejam aqui a propaganda que algum “criativo” resolveu fazer nos pontos de ônibus da cidade. Não vou me alongar descrevendo a campanha aqui, pois já está bem documentada com fotos nessa matéria.

Eu achei o fim da picada. Desvaloriza o usuário de transporte público e o próprio sistema de transporte coletivo da cidade. Pra você ver como pagando você pode até humilhar o usuário do sistema, que a Prefeitura não liga.

É como colocar anúncio de moto no bilhete único, ou na “Bus TV”. A propaganda acaba passando aos usuários a imagem de que o automóvel particular ou a motocicleta são a “evolução natural” para quem usa transporte coletivo. Como diz a propaganda da moto, “só não é pop andar à pé”.

O transporte público precisa ser valorizado, melhorado e utilizado cada vez mais, para ajudar os próprios motoristas dos carros. Afinal, cada usuário de ônibus é potencialmente um carro a menos… Ou vamos incentivar cada vez mais gente a usar carros e entupir mais ainda as ruas? Não tem mais espaço!! Sem contar a poluição, pois uma moto levando no máximo duas pessoas polui mais que um ônibus levando cinqüenta ou cem! (e não venham me dizer “ah, mas o ônibus roda o dia inteiro e a moto só meia hora”, porque nesse dia inteiro ele deve transportar no mínimo umas mil pessoas)

Como dizem nos comentários desse post do Apocalipse Motorizado, seguindo essa linha poderiam começar a colocar anúncios de planos de saúde privados no teto dos corredores de hospitais públicos. Ou qualquer outra coisa que faça o usuário do serviço se sentir mal de estar ali, pagando pode qualquer coisa. Põe no teto acima do leito: “O fulano aqui da foto está curtindo as férias na Bahia. E você, vai ficar aí parado?”

Essa propaganda que põe o transporte público na privada só serve pra mostrar que a empresa de publicidade está “cagando” pra quem usa transporte coletivo. A propaganda é feita pra quem passa de carro, às custas de quem está ali esperando um ônibus. Como se os 70% da população que NÃO TÊM transporte particular, mais os sabe-se lá quantos que só usam o carro no final de semana, não comprassem nada, nem o tal laxante que tentam vender com aquilo ali. Acho que essa “pequena” fatia da população paulistana não interessa para a empresa que fabrica o tal produto. Os 30% que passam de carro devem produzir mais dejetos que os outros 70%, ou pelo menos ficam mais entupidos.

Não sei quem é pior, o publicitário que teve a brilhante idéia, a empresa que aprovou e pagou pra fazerem isso, ou a Prefeitura que permite que se humilhe os usuários do transporte público em nome do dinheiro.

E pra não virem dizer que esse post é off-topic, também tem quem faça propaganda para mostrar que a moto é a “evolução natural” de quem usa a bicicleta como meio de transporte, ou dizendo que andar à pé é coisa de carteiro.

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1 comentário para Desvalorizando quem não tem carro

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