Ciclistas e prefeito tentam salvar da demolição o velódromo do Rio

Uma polêmica tomou conta do país nas últimas semanas: a Empresa Olímpica Municipal (EOM) e o Ministério do Esporte anunciaram a intenção de demolir o velódromo do Rio de Janeiro, a melhor pista de madeira existente hoje no Brasil e na América Latina. A notícia causou polêmica e indignação entre os ciclistas de pista e outros usuários do espaço, como ginastas e patinadores.

Velódromo possui duas pilastras que podem atrapalhar a visão do juiz

Com apenas cinco anos de inaugurada, a pista do Rio recebeu investimentos federais e municipais – uma bagatela de R$ 14 milhões – para conseguir sediar as competições dos jogos Pan-Americanos de 2007. Caso a estrutura seja desmontada, os equipamentos – como o piso feito de pinho siberiano tratado na Holanda – serão doados à União e repassados a outro Estado.

“Em qualquer cidade ter um velódromo é importante. Em uma cidade como o Rio então, com forte vocação pro ciclismo e que sediará uma Olimpíada, é essencial! Para a Transporte Ativo, o velódromo deve ser um bem da cidade, um berçário de ciclistas olímpicos e urbanos”, afirmou Zé Lobo, da Transporte Ativo, ao Vá de Bike.

A EOM confirmou, em nota, que o velódromo do jeito que está não poderá ser usado nas Olimpíadas. Veja na matéria de O Globo: “A federação internacional já afirmou que o velódromo construído para o Pan não atende aos requisitos técnicos para receber competições olímpicas”, informou a EOM.

O diretor-geral do Comitê Organizador da Rio 2016, Leonardo Gryner, disse recentemente que não vê problemas em reaproveitar o velódromo nos jogos de 2016, mas que a atual estrutura não apresenta a segurança necessária a atletas olímpicos. “Para um nível olímpico, em que as velocidades são muito altas, ele não apresenta os requisitos de segurança necessários para a segurança do atleta”, afirmou.


Problemas da estrutura

Em 2007, logo após o Pan, a União Ciclística Internacional (UCI) esteve no Rio e não reconheceu oficialmente a pista. O motivo é que o complexo tem duas pilastras centrais que seguram as estruturas e elas, segundo normas internacionais, não podem existir num velódromo olímpico. Os pilares impedem a homologação de recordes, pois os juízes não conseguem ver todos os pontos da pista.

Além disso, o velódromo tem capacidade para 1.500 espectadores, quando o COI exige cinco mil. Há necessidade, ainda, de alterar a inclinação da pista, mexer no sistema de climatização, no número de boxes e vestiários.

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Prefeito quer impedir demolição

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Apesar da Prefeitura do Rio reconhecer que o Velódromo não teria condições de ser usado nos Jogos Olímpicos, o prefeito Eduardo Paes anunciou em seu twitter que pretende mantê-lo construído e adaptá-lo para as Olimpíadas. Paes pede que as federações de ciclismo e o Comitê Olímpico pensem em uma forma de adaptar o complexo para os Jogos Olímpicos de 2016.

“A tese de que o velódromo já existente e construído para os Jogos Panamericanos deve ser demolido não dá para ser admitida”, diz um dos posts. “Tenho certeza que a Federação Internacional de Ciclismo, a Federação do Rio e o Comitê Olímpico terão condições de propor adaptações ao comitê organizador dos jogos que não seja a simples demolição de algo construído com recursos públicos”, completou.

Depois das declarações do prefeito, a Empresa Olímpica Municipal (EOM) informou que ainda não decidiu se vai adaptar a unidade feita para o Pan ou fazer outra instalação para 2016. A decisão final do que fazer será tomada até o início de setembro, antes da licitação, em conjunto com a prefeitura.


Presidente de Federação defende manter duas estruturas

Na imprensa, o presidente da Federação de Ciclismo do Rio, Cláudio Santos, tem defendido a manutenção do atual velódromo e a necessidade de erguer uma segunda estrutura no Parque Olímpico, para não prejudicar a preparação dos atletas brasileiros para os Jogos Olímpicos de 2016. A FECIERJ é quem organiza e comanda os treinos por lá.

Foto: Sérgio Francês /Divulgação


Romário se manifesta sobre o caso

O deputado federal Romário de Souza Faria declarou em sua página na internet que a demolição do velódromo é revoltante. “Seria um desrespeito com o dinheiro público! Desperdício de dinheiro e de tempo. Poderíamos ter usado adequadamente a instalação para formar uma nova geração de ciclistas de pista. Teríamos tido pelo menos 4 anos (um ciclo olímpico completo) para fortalecer uma modalidade que oferece um grande número de medalhas agora mesmo em Londres”.

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Petição online

Está rolando na internet uma petição pública online contra a demolição da estrutura, que hoje recebe, além dos ciclistas, patinadores e ginastas!

No texto, dá para notar a indignação sobre as dificuldades claras de se praticar esportes menos “tradicionais” aqui no Brasil. “O Rio ficou esquecido por muito tempo em relação ao ciclismo e o velódromo foi um troféu que conquistamos depois de muita luta. No início, a pista seria montada apenas para o Pan-Americano e desmontada logo após. Isso mostra o total desrespeito com esse esporte”, diz a petição.

O documento que tenta salvar o velódromo precisa de 1000 assinaturas. Participe, leva só um minuto!

Enquanto em outras cidades do mundo grandes eventos como Copa e Olimpíadas são aproveitados para deixar mais legados para seus cidadãos, no Brasil casos como o do velódromo demonstram a necessidade urgente de engajamento e participação da sociedade nos processos milionários em que estamos, direta ou indiretamente, envolvidos. Para que, no fim, não nos reste apenas migalhas, viadutos megalomaníacos, estádios de futebol e muita pizza.

Veja um pouco do velódromo do Rio no vídeo abaixo:


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