Assédio a ciclistas também faz vítimas nas ruas

Ciclista em Curitiba. Foto: Aline Cavalcante

Recebemos algum tempo atrás na lista de e-mails das Pedalinas – Coletivo Feminino de Ciclistas de São Paulo – mais um relato triste e repugnante sobre um problema que afeta muitas mulheres, tem consequências avassaladoras e que, infelizmente, não conseguimos discuti-lo com a seriedade e responsabilidade que merece:  o assédio.

Você sabia que existem pessoas (entre homens e mulheres) que têm receio de encarar a cidade (seja a pé ou de bicicleta) pelo simples medo de serem assediados? De terem seus espaços invadidos com uma piadinha, gesto e até contato físico?

Pode parecer bobagem ou exagero, mas esse assunto é sério e exige reflexão constante. E talvez seja um dos temas mais difíceis e complexos de se discutir, exatamente em função de sua aceitação e tolerância social.

Nesses alguns anos pedalando e conversando com muitas mulheres, arrisco dizer que o assédio é – de longe – uma das principais reclamações e motivos de desestímulo das meninas. A quantidade de histórias que ouvimos e recebemos na internet chega a ser desanimadora.

Leia no blog das Pedalinas alguns posts interessantes sobre o assunto,
entre eles o “vai coisa gostosa” e toda a discussão nos comentários

Atropelamento proposital

Leia também
Preconceito contra ciclistas

Pedalando nas ruas de forma segura

Documentário mostra a relação de
ciclistas com a cidade São Paulo

Escolhi hoje contar para vocês o que aconteceu com a Pedalina Vivian Souza. Ela é mãe, animada e bastante persistente por nunca ter desistido de andar de bicicleta. “Em 2010, quando eu estava pra desistir de usar a bike como meio de transporte em sampa, você disse em um dos encontros das Pedalinas que nós tínhamos que fazer a nossa parte pedalando, porque os motoristas só passariam a respeitar mais os ciclistas conforme fossem se acostumando conosco no dia-a-dia, e para isso era preciso continuar”, contou Vivian em uma das nossas trocas de e-mails.

A história a seguir é relatada com as palavras da própria Vivian que me autorizou a publicá-la na íntegra. Ela sofreu uma tentativa de assassinato, sendo atropelada propositalmente e tendo sérios ferimentos, por ter – pasmem! – reagido negativamente a um assédio na rua.

Com grifos meus:

Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012

Vivian e sua fixa. Foto: Acervo pessoal

Olá meninas!

Há tempos tenho tido saudades dos assuntos femininos ou não, q eram muito debatidos nesta lista, na maioria das vezes eu ficava nesta lista como espectadora, mas sempre filtrando e aproveitando muito. Hj em especial procurei e-mails antigos da lista sobre uso do capacete, que roupa usar para pedalar e o olhar masculino (machista) sobre a mulher andando de bicicleta. Como algumas de vcs devem saber eu fui atropelada na 2ª feira, e o fato de ter sido atropelada me faz nessa situação uma vítima!

Tenho recebido muitas felicitações por estar viva e que bom que estou me recuperando, mas desde antes do atropelamento até agora tenho ouvido muitos comentários machistas e maldosos, o que me deixa revoltada, tenho ouvido muitas críticas em um momento no qual eu esperava mais apoio e menos julgamento. Para quem me julga, eu não sou a vítima do atropelamento e sim a culpada, isto pq não pude ouvir calada uma gracinha soltada em alto tom pelo monstro que me atropelou. Dizem que se eu saí para pedalar de shorts curto eu já deveria estar preparada para ouvir asneiras na rua, e o fato de eu ter dado uma resposta ao motorista eu estava provocando e o induzindo a fazer o q fez.

Fico indignada com homens e ate mesmo mulheres que pensam dessa forma. Há momentos que fico sem argumentos, e simplesmente deixo essas pessoas falando sozinhas, pois acho q nao valerá discutir sobre! Quer dizer então que eu não tenho a liberdade de usar a roupa que eu quiser?!? Eu estou agredindo alguém usando um shorts curto em plena primavera quase verão, onde as altas temperaturas nos convidam a usar roupas mais curtas e mais confortáveis??

Me sinto como muitas vezes li nos e-mails da lista, como um pedaço de carne pendurada no açougue…Infelizmente, vivemos todas numa sociedade que não é livre. Homens e mulheres são reféns da violência, do vício, do fanatismo, da politicagem e da exploração. Mas o fato é que as mulheres sempre sofreram e ainda sofrem bem mais que os homens. Dizem que eu nao posso dar a minha vida, a minha cara a tapa para mudar o mundo! Se alguém souber me diga o q eu posso fazer, pq eu sei que o nosso mundo machista apesar de estar bem menos machista do que já foi ainda esta bem longe de ser uma igualdade entre sexos. Eu quero um mundo mais humano, mais igual!

Vivian Souza

De vítima para culpada

Primeiramente gostaria de agradecer à Vivian por permitir compartilhar a sua história aqui no Vá de Bike. Sinta-se abraçada por todos nós. Mais uma vez vou te falar o que já disse lá em 2010: NÃO DESISTA NUNCA! Pessoas como você fazem toda diferença no mundo e não podem se calar nem intimidar jamais. Força e conte com a gente!

De todos os relatos que eu já ouvi sobre assédio, esse foi um dos que mais me chocou porque, enfim, foi realizada uma tentativa de assassinato proposital. O motivo? Ela não ter silenciado, como muitas mulheres fazem, e ter respondido a uma abordagem invasiva e desrespeitosa.

“Acho que o que mais me abalou nessa situação toda foi a crítica recebida de quem eu realmente não esperava, algumas pessoas do meu convívio virem me dizer que eu, de certo modo, provoquei o verme que me atropelou. Isso me deixou muito indignada”.

Esse tipo de ocorrência é, infelizmente, bastante comum e atinge não só as mulheres que usam bicicleta, mas também as que andam a pé e até as que dirigem – mesmo sabendo que o carro muitas vezes tem justamente o papel de isolar e dar a falsa sensação de proteção para as pessoas. As respostas que vieram na sequência do e-mail da Vivian são a prova concreta disso, praticamente  todas de meninas que já sofreram algum tipo de abordagem incômoda da qual não reagiram por medo de represália.

 

Durante a "Pedalada Pelada" de São Paulo, mensagens pelo corpo pediam o fim do assédio. Foto: Santiago Luz

Assédio ou Elogio?

Ilustração: Valdinei Calvento (Cabelo).

Sempre, SEMPRE que abordamos esse tema em qualquer roda de discussão, a conversa cai num ponto bastante delicado, normalmente questionado por homens: como diferenciar o que é assédio de uma simples paquera, elogio, contemplação ou até mesmo uma brincadeira (ainda que de mau gosto)?

Essa pergunta é bem difícil e não tem uma resposta muito clara (me ajudem a respondê-la nos comentários deste post). Particularmente, costumo responder essa questão com uma outra: o que você acharia se a mesma abordagem, palavras ou gestos fossem feitos ou ditos para alguém que você ama (sua mãe, irmã, namorada, amiga)? Como você reagiria se visse/ouvisse alguém fazendo a mesma coisa com elas? A resposta dessas perguntas parece ser um bom começo para tentar achar uma saída ao questionamento inicial.

Claro que é possível – e bastante saudável – que as pessoas interajam nas ruas. Inclusive porque essa é uma das melhores características da bicicleta, ao ‘expor’ e mostrar quem pedala sem filtros, como sendo alguém normal, de carne e osso, permitindo ver (e comentar) sobre sua roupa, postura, cor dos olhos, corte de cabelo.

Em geral, gostamos de elogios, de sermos reparados e até paquerados. Essas interações sociais humanizam as relações, criam vínculos e pacificam as ruas tão frias, hostis, impessoais e violentas das cidades, na medida em que se passa a enxergar no outro alguém como você.

Pelo direito de sermos livres. Foto: Arquivo Pessoal

A diferença entre as abordagens está justamente no tom e intenção que ela é proposta. O mesmo “bom dia” pode ter insinuações bastante distintas, assim como as suas respostas. A relação se estabelece a partir dessas “reações” que vão sendo construídas no processo, sejam elas faladas ou não. Ou seja, o limite de um acaba quando começa o do outro. Se a pessoa não se mostrar interesse no comentário, elogio, olhar, palavra e até na piada, dificilmente se estabelece alguma relação saudável a partir daí.

Mas esse tal limite e bom senso são sempre uma variável bastante pessoal, intangível e ligadas à questões histórico-culturais-educacionais, inclusive quando se fala nas atitudes das mulheres.

A postura delas diante da sociedade também é um terreno bastante complexo, visto que na mesma medida que conquistamos o direito de simplesmente fazer o que quiser com os nossos próprios corpos (usando burca ou biquíni, guardadas as devidas questões religiosas e culturais), nos tornamos também as principais responsáveis pelas atitudes dos outros sobre nós mesmas. Ou seja, se uma mulher que aparece seminua em um programa de TV, rebolando e fazendo o uso comercial do seu corpo, ela passa a ser fatalmente a responsável por tudo que acontece a partir disso, desde propostas de emprego até assédios e agressões.

Pelo direito de pedalar em paz. Foto: Acervo pessoal

Vítima ou Culpada?

No caso da Vivian, por exemplo, dizer que ela provocou a reação do seu agressor por pedalar com um short curto em pleno verão de 40 graus de um país com clima tropical é algo que beira a estupidez. O mesmo país que sabe apreciar as belezas do nu durante o carnaval, vendendo-as e sendo internacionalmente conhecido por elas, é também claramente mal resolvido com a questão do corpo. Nele, as mulheres ainda são culpadas pelo próprio estupro, porque “provocaram” a reação primata de seres incontroláveis que não sabem lidar com seus próprios hormônios.

Se existem alguns cuidados que nós, mulheres, precisamos tomar enquanto andamos na rua, é sinal de que não somos livres o suficiente para fazer as nossas vontades, por que alguém ainda tem o poder de cercear qualquer direito.

É mais ou menos o tipo de sensibilidade que precisamos ter quando vamos passar pela cracolândia ou no minhocão de madrugada: ninguém pode te impedir, mas é preciso avaliar os riscos. Só que em vez do viciado, craqueiro, “nóia” querendo dinheiro pra manter o vício, temos que lidar com pessoas invadindo nossos corpos e ouvidos, tomando para si uma liberdade que não lhe foi concedida, mas que por convenção social nos acostumamos a achar corriqueiro e comum.

Vamos discutir esse assunto?

A história da Vivian é só um dos exemplos utilizados para ilustrar os sintomas de um problema muito grave e que atinge milhares de pessoas diariamente. A intenção é continuar discutindo e trazendo para cá outros olhares sobre a mesma questão. Se você já passou por situação parecida, conte aqui nos comentários, ainda que de forma anônima.

Enquanto o assédio ainda for tratado sem seriedade entre homens e mulheres, muito menos pessoas deixarão de usufruir as ruas e o espaço público. A “segurança no trânsito” que tanto pedimos passa também pelo respeito e cuidado que temos pelo outro.


52 comentários para Assédio a ciclistas também faz vítimas nas ruas

  • Tarantino

    Parece estar em andamento uma conspiração para exterminar os seres humanos da face da Terra.

    A agenda gay, apoiada pela esquerda política, que tenta estimular o homossexualismo desde a mais tenra infância, os movimentos feministas que, ao invés de lutar pela igualdade de direitos da mulher, tenta transformar as mulheres em criaturas que odeiam os homens, e de uns tempos pra cá, a demonização das paqueras, que são a forma mais antiga de um homem sd aproximar de uma mulher. Concordo que assédio é bem diferente de paquera, ouso dizer que seriam até antagônicos, mas chamar um assobio de “demonstração de poder” soa forçado. Depende muito de quem e sob quais circunstâncias tal “assédio” ocorre. Da maneira exposta no artigo, generaliza-se tal atitude, rotulando todos os homens como assediadores imorais, o que obviamente não corresponde à verdade. Mesmo porque, se tal atitude fosse considerada sob a mesma abordagem atual em tempos antigos, a chance de que não viéssemos a sequer nascer seria extremamente elevada.

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  • Cyra Malta

    Assédio é um trem muito chato. Uma pena que a expressão de nossa sociedade ainda seja patriarcal/machista, onde mulheres devem pertencer a alguém e/ou ter um comportamento especifico para ser respeitadas… Isso é insano nos dias de hoje e é um absurdo o que ocorreu com Vivian. Esse fato me remete a situação do estupro coletivo de meninas indianas. A diferença entre uma paquera e um assédio é muito claro. Após um “não” em uma abordagem, se houver persistencia torna-se assédio. Agora, após um “não” vir um atropelamento isso é outra coisa. Isso é bullyng do pior tipo. Isso é a expressão e reforço que se “vc não me serve, então merece ser punida”… me remete a frase de um politico famoso que disse “estupra, mas não mata”… Uma infelicidade o que ocorreu. Culpabilizar a vitima é mais absurdo ainda… Porque é tão dificil das pessoas entenderem que a minha liberdade não pode suplantar a sua liberdade… Não, não gosto de ouvir assovios, palavras de baixo calão e gracinhas… Me respeite.

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  • Marina

    Em janeiro fui tirar satisfações de um cidadão que tirou fina de mim e a primeira coisa que ele disse era que estava de saia andando em zigue-zague na rua. Eu estava apenas ocupando o meio da faixa da direita na Rua Groenlândia e estava com um vestido que vai até o meio da canela. Eu até hoje não consegui entender pq ele quis tirar uma “fina educativa” se estava “preocupado” com o meu bem-estar caso eu caísse da bicicleta. E o melhor de td é que tinha uma mulher no carro com ele, não sei se era sua esposa, mas que beleza poder presenciar tamanha atitude machista! Lamentável.

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  • Enne

    Aqui em BH criamos a Massa Crítica feminista , para deliberar sobre este tema e outros sofridos pelas ciclistas, infelizmente até dentro do movimento pro bike vimos muito discurso patriarcal , o que propomos nas nossas ações é mostrar o outro mulher, negro , gay , trans … toda a marge que é oprimida… infelizmente a luta ainda é longa!

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  • Mateus Andrade Locatelli

    Muito triste. A situação é pior de q eu imaginava.

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  • [...] um dado significativo. Algumas discussões sérias sobre assédio, mulheres e bike na internet como aqui e aqui nos fazem ver como esse é um problema generalizado e [...]

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  • Vendo os comentários eu percebo o quanto os homens são uma raça maldita mesmo.
    País muito machista o nosso, me lembra a Índia.

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  • Rodrigo

    Acho um absurdo assedio em qualquer sentido ainda mais quando se está praticando uma atividade onde buscamos um momento de Paz. Já tive amigas que tombaram de suas bikes devido uma passada de mão e eu mesmo sendo homem já sofri assedio só pelo fato de estar vestido com roupa de ciclista.
    Como muitos escreveram a solução é Educação e Fraternidade, mas em uma sociedade que tem valores distorcidos onde os meios de comunicação,ou mesmo musical, deturpam a imagem feminina, isso tudo não irá mudar.
    Espero sinceramente que a mentalidade do nosso povo mude e passe a ver os ciclistas(mulheres e homens) como criaturas humanas e que merecem seu devido respeito.

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  • tem algumas frases que gosto de refletir sobre esse tema:
    Não faça com o outro o que não gostaria que fizessem com você
    Gentileza gera Gentileza

    Independentemente das frases, se o cara não tem educação, o cara não tem nada. Outro ponto muito bem levantado, não temos punição pra nada, se o cara mata outra pessoa e não tem policial vendo isso, não é flagrante então o cara pode ser solto. A partir do momento que fazer merda, matar alguém, descumprir as regras começar a ter punição de verdade ai a galera para. Um exemplo real, banal, mas que funciona: Quando pequeno, eu queria muito um dinossauro, mas minha mãe não tinha dinheiro, estava na loja, o dinossauro era pequeno então eu peguei. Eu era pequeno e não sabia o quanto valia exatamente, mas eu queria o dinossauro. Só que minha mãe viu que eu peguei e ela me deu um tapa na mão e me fez não só devolver no lugar mas devolver pro dono e pedir desculpas e voz alta pra todo mundo ouvir. Como eu reclamei depois, levei um tapa na boca. Muitos podem achar que minha mãe foi exagerada, nervosa de mais, entretanto eu agradeço, pois se ela não tivesse feito isso, eu poderia ter continuado roubando e pior afrontando ela.

    O cara rouba e mata, por que ele sabe que se for pego no maximo fica 30 anos, mas como ele se comporta la dentro, como ele faz varias amizades la dentro e como la dentro ele não trabalha e ainda ganha comida e tal, ele nao se importa. Ele ainda tenta fazer algo ruim de verdade, vai que vira filme né!

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  • Nego Albino

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  • Simone

    Correção: a cicliista quase assassinada, pois pelo que entendo ela foi atropelada. Desculpe a confusão.

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  • Simone

    Nunca fui assediada andando de bicicleta. Tá certo, não ando todos os dias de bike (e comecei a andar recentemente, nos últimos 6 meses aprox.), apenas 2 ou 3 vezes por semana quando preciso trabalhar perto de casa pois adoro bike e faz sentido também utilizar esse meio de transporte.

    Acho que é necessário definir melhor o que é assédio. Claro, que a gente (mulher, principalmente) sabe quando está sendo assediada. Mas é necessário, acredito, até pra entender e poder definir melhor o que fazer em caso de ocorrer. Então, é o fato de alguém usar grosserias? É o olhar? Ou é a ação em sí?

    Já recebi vários elogios (pelo menos 3 de homens educados e relativamente bonitos), andando de bicicleta. Ok, talvez não elogios mas cumprimentos que pareciam ser uma espécie de paquera rápida. Dois estavam de bicicleta e um de carro. Não considero assédio e nem teria porque. Afinal, era apenas um reconhecimento, um “oi” ou “bom dia”, com um olhar de admiração. Me senti valorizada, até pq estava toda suada e me parece extraordinário que alguns homens achem isso legal. :)

    Disse que recebi vários “elogios”, porque muitas vezes recebi olhares e cumprimentos andando de bicicleta. A maioria de homens, mas tb mulheres, de todas as idades (de crianças a pessoas de mais idade) que me parecem respeituosos e não hostis. Talvez gentileza gere gentileza. Eu sorrio e sou paciente ao pedalar. Não sou arrogante apesar de, como todos nós ciclistas, às vezes perder a paciência e sim, já passei por alguns sustos (poucos) e sei que tem muito FDP por aí. Que não mediria esforço pra te jogar na rua ou atropelar. Enfim, acho que depende muito de sua atitude também. Não é só o vestir. Mas se você parece ser amigável e talvez não chame muito a atenção, as pessoas te respeitem. Talvez. Não sei. Ou talvez não seja tão linda assim… kkk Brincadeira, realmente não acho que beleza faça a menor diferença no assédio. Falando em roupas curtas, já andei de short bem curto e não tive problema. Mas foi só uma vez e num domingo saindo da Faria Lima para o Parque do Povo.
    Mas é isso, acho que é importante definir melhor o assédio, principalmente o assédio na bicicleta.
    Andando já sofri assédio algumas poucas vezes. Pra mim assédio é quando alguém ou te toca (agride físicamente) ou com o olhar, gesto e a fala te falta o respeito. Invade seu espaço físico mesmo de longe ao tocar na sua dignidade – ao te humilhar. No caso, o xingar é óbvio e também um gesto obsceno, mas às vezes até um olhar é já ofensivo e uma forma de assédio. Nesses casos, geralmente, eu confronto, dou aquele olhar venenoso e o cara fica com medo. Se não for isso, com certeza ele perde o tesão pois meu rostro se transforma. Já cheguei a responder de outra forma mas geralmente não o faço pq não sou muito boa com palavras, neste caso nunca sei o que responder. Agora se o faço é pq estou em lugar público e jamais sozinha ou em posição de menos vantagem. Talvez a cicilista quase atropelada em questão poderia pensar mais nisso antes de reagir. Não a estou julgando. A culpa não é dela e pessoalmente nem eu sei o que faria se fosse assediada ao andar de bicicleta, pois na hora as reações são bem diferentes e a gente encima da bike se acha em uma posição melhor do que andando. Mas acho que talvez esse é um ponto para reflexão, considerando os loucos que existem por aí..

    Concordo que tenhamos sempre que denunciar o assédio e confrontar, no caso de metrô, ônibus e até na rua, mas de novo, um pouco de cuidado em como responder nunca é demais. A questão é controlarmos o temperamento. Confesso que eu tenho pavio curto principalmente quando alguém me falta o respeito desta forma, mas é aquela coisa… se alguém te assalta você geralmente não quer reagir, mesmo sendo uma arma de plástico (já aconteceu comigo) pois nunca se sabe e tua vida vale mais do que qualquer outra coisa. No caso do assalto, eu reagi e tive muita sorte pois o cara que me ameaçou com uma faca de plástico tinha uma verdadeira escondida (com a qual partiu me guarda chuva ao meio). Isso não ocorreu no Brasil mas mesmo assim, é um risco, um risco que você corre ao confrontar… espero ter contribuído à discussão.

    Abraços

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  • Juliana

    Aline… muito obrigada por essa materia… estou emocionada de ver que alguem compartilha da minha “revolta”. Com 13 anos, andando na rua para comprar um sorvete, em plena Vila Madalena em SP fui assediada fisicamente…. a partir dai nunca mais me senti segura pra andar na rua…. escolhi na bike mibha solução. Pq na vike me sentia segura, ninguém me alcançava… mas o ciclo dos 18 anos, carta de motorista, carro e tal mudou tudo e retornei ao medo. Há poucos anos, retorbei á bicicleta… comecei aulas de jiu jitsu de defesa pessoal…. me tornei autoconfiante novamente. Jurei pra mim mesma que nunca mais usaria a fantasia de vítima. É isso que faço, todos os dias… pq todos os dias aparece uma batalha contra o assédio… mas agora eu não fico quieta. O mais “engraçado” é ver a atitude covarde do assediador, finge que não é com ele, tenta induzir que estamos exagerando…. querido assediador: o corpo é meu, o limite eu imponho, me respeite.
    Parabéns, Aline… amei…

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  • R Dois

    Um ponto que acho importante é que as mulheres deveria se mobilizar contra certas pessoas da mídia que as transformam em meros objetos, vide algumas funkeiras, dançarinas e assistentes de palco.
    Sei que pra quem tem consciência, isso não estrapola limites (em partes), nem cria estigmas, mas o mundo está feio galera, as pessoas estão alienadas e dopadas, e com estimulos assim, estamos criando um viver sem respeito, seja pelas mulheres ou pelo próximo como um todo.

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  • Achei o texto um saco de ser lido. É muita ladainha quando poderia ser um pouco mais objetivo. Com relação ao conteúdo a questão é a seguinte: o problema em si não é somente short curto, é o menosprezo pelo próximo e o preconceito contra uma mulher e ainda mais ciclista. Levando-se em conta que vivemos num país estupidamente machista e muitas vezes reacionário, a vítima está entre as minorias que deveriam ser esmagadas como insetos – segundo a lógica do opressor.

    Polêmico. O que acha? Thumb up 4 Thumb down 7

  • Lastimável, ver ser humanos se comportar desse jeito. Assediar mulheres. Desistem nunca. A gente não quer ver só hómens de bicicletas nas ruas!

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  • Hiudi, se só o seu portugues fosse ruim, agente até dava um desconto. Seu conceito de ética e cidadania é a pior possível.

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    • Vamos ver se entendi. “É assim, sempre foi assim, não vai mudar, não há nada que se possa fazer.”
      Os homens tem o “direito” de falar o que bem entendem, e são as mulheres que tem a “obrigação” de aguentar e saber lidar “devidamente” com a situação.

      Tem alguma coisa muito errada com esse raciocínio. Quando será que os homens verão as mulheres como PESSOAS com direito ao mesmo respeito que eles tem?

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    • Sisifo

      Da pra entender que é mais facil falar merda do que mudar de opinião. Ou se re-educar.

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  • Alynne Affonso

    Muito legal a iniciativa da Vivivan e do Vá de Bike em tratar o assunto. Costumava pedalar regularmente, e ultimamente abandonei o hábito por medo, já que passei por situações que me colocaram em risco por responder à algumas abordagens. E sei de amigas que passaram pela mesma situação, e que também reduziram o uso da bike por sofrerem constantes assédios.
    Muitas vezes, dependendo do meu humor, quando sou obrigada a ouvir barbaridades de homens abusados, respondo com um beijinho, um sinal de “me liga” ou um aceninho, e entro no clima de piada do “agressor”. Nunca tive problemas reagindo desse jeito, porque a maioria deles são cagões, e quando se deparam com mulher de atitude, se assustam e caem fora. Reagindo assim, já aconteceu comigo do babaca fechar o vidro e mudar de faixa, atravessar a rua, até entrar na padaria de vergonha. Mas reagir negativamente a um assédio verbal já me causou quedas e esfolões, por ter que jogar a bicicleta pra calçada e dar de frente num muro, portão ou pedestre, porque o idiota jogou o carro pra cima ao se “indignar” com o meu dedo do meio, vindo depois de um “de saia e bicicletinha hein, gostosa?” (que mulher ciclista nunca ouviu essa?).
    Estou espalhando o texto ao máximo de pessoas que eu conheço, porque é muito importante que essa corrente, e esse debate, siga adiante.

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  • Adriana

    Eu ainda hoje fico abismada com estas situações. Quando adolescente, eu usava a bicicleta como meio de transporte e um dia um carro passou do meu lado, freiou e o babaca que estava no banco de trás tentou passar a mão na minha bunda, mas errou. Aí eu parei e eles seguiram com o carro. Fiquei meio paralisada e não sabia como reagir nem por onde continuar pedalando, pois fiquei com medo de eles estarem me seguindo.
    Eu discordo firmemente de qualquer argumento relacionado a ser mulher que causa o assédio por causa da roupa que usa. Eu sou ciclista hoje e treino gosto de treinar nas ruas, mas sempre ouço as mulheres comentando de assédio. Eu não tive nenhum episódio de assédio desde que recomeçei a pedalar, pois, para minha segurança, eu só pedalo de calça e com blusas largas. Como disse, discordo que sejam as mulheres que causem isso, mas infelizmente as pessoas pensam assim e eu não gostaria de estar em uma situação de risco por nenhum motivo.

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  • Leandro OABC

    fico pasmo de como tem gente imbecil, e de como elas se tornam mais imbecis atras de um volante. O que faz uma pessoa se sentir no direito de “paquerar” grosseiramente alguem e se sentir num direito maior ainda de não ter que ouvir um reclamação ou algo como defesa da outra pessoa? se sentir no direito de falar a me*da que quiser e se sentir num direito maior ainda de achar que a a pessoa tem que gostar de ouvir aquilo.. não faz sentido… nem toda essa agressão que vejo diariamente no transito ou ate fora dele.

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  • [...] Vá de Bike.org – Assédio a ciclistas continua fazendo vítimas nas ruas [...]

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  • Manuel

    Isso é intimimamente relacionado com o movimento feminista no Brasil, que não existe – o machismo impera em toda a sociedade brasileira – nos debates politicos, nunca se fala de machismo, parece q ele não existe – é um dos vários elefante na sala do circo da sociedade capitalista que vivemos -

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  • Victoria

    Eu me lembrei de uma matéria que saiu em Londres sobre uma mulher que começou a colocar no mapa os locais em que ela era assediada. Além de ter aberto um canal para várias mulheres também dividirem suas experiências, ela conta que homens também se sensibilizaram com a violência sofrida pelas mulheres.
    Vale a pena ler a reportagem
    http://www.guardian.co.uk/environment/green-living-blog/2010/aug/18/cycling-sexist-abuse-female

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  • Carol Reis

    Poxaa, estou pilhando algumas meninas em Salvador para essa questão. Eu particulamente, já tomei DOIS tapas na bunda. Apesar de ter treinado kung fu, e defesa pessoal, ser colocoda na impossibilidade de reagi foi pior de tudo, pois meus agressores estão em várias escalas de relação de poder, especialmente a do trânsito – veículos mais pesados para os mais leves. Fui abusada por motociclista e motorista em carro. Ah, sem contar que aprendir andar de bike aos 26 anos, ou seja, não me sinto a mais segura do mundo sobre os pneus.

    Me sentir muito subestimada, gritei,disse que aquilo era uma assédio, mas por um momento aquela reação parece que não tinha sentido. Quem me ouvia, quem daria atenção a mim. Não ia fazer efeito no ocorrido, a marcar e a humilhação ficou em mim.

    Daí, como sei que isso não vai mudar da noite para o dia, gostaria de além dos relatos, compartilharmos estratégias de prevenção. Claro, dentro de perspectiva de autonomia.

    - Pensei, em pedalar com uma camisa com dizeres do tipo: “1,5 da bike, 1.5 do meu corpo”. Mas, será que isso gera segurança? Educaria?
    - Discutir e com mulheres/lésbicas para campanhas de incentivo de mulheres pedalando na cidade, tendo em vista, que muitas vezes parecemos uma aberração, um confronto sobre tudo no trânsito, por que de fato somos poucas, vistas como ousadas, e expostas. Faço a analogia que os homens que ver mulheres pedalando, criam associação a mulheres disponíveis, expostas.
    - Alguns exercício de habilidades poderiam ser interessantes, para maior segurança com guidão, e talvez alguns sprays.

    - Enfim, só elucidando com algumas ideias.

    Obrigada a Vivian e a todas que compartilham suas vivências, por mais duras que sejam.

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  • Niskama

    É necessário lembrar que o argumento de qua a mulher é “provocante” ou está vestida “de forma provocativa”, é o mesmo usado no oriente médio para fazer com que as mulheres usem véus, burkas, e se comportem de forma submissa. INADMISSÍVEL!!!

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  • Sofia

    Ah, eu sei que eu já abusei… mas tem uma página no facebook com relatos de quem já passou por esse tipo de assédio:

    https://www.facebook.com/CantadaDeRua?fref=ts

    (A medida em que vc for lendo, provavelmente vai ficando cada vez menos estranho que outros tipos de abusos, mais pesados, tb sejam relatados no site…)

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  • Sofia

    Oi,
    gostei muito de terem levantado o assunto, e da posição geral do texto : D

    Mas, então, a minha opinião sobre o assunto… Homens não são incapazes de controlar seus instintos. Quem temos que focar para diminuir esse tipo de assédio é justamente em quem o comete – e não quem o sofre. Se quem assedia pára de assediar, o problema acaba. Até porque, corremos o risco independente de que roupas estejamos usando, seja qual for o trabalho que tenhamos. O problema não passa por aí, passa por uma relação de poder.
    (Afinal, vc tem que ser muito egocêntrico pra achar que alguém que vc nunca viu, que está simplesmente andando na rua, vai estar interessado na sua opinião).
    Achar que uma mulher vai estar andando na rua tem é que ficar grata se receber uma “crítica positiva” sobre o seu corpo vem de uma crença cultural de que o valor da mulher é dado pela aparência dela, e que isso está aberto para discussão SEMPRE. Ser julgada por um completo estranho não parece assim invasivo, entende? Porque a principal função da mulher seria ser decorativa. Nossa concepção de “mulher” pende mais pra “mercadoria” ou “objeto-para-o-prazer-masculino” do que para “pessoa”.

    Então, não acho que os homens fazem esse tipo de coisa porque são animais incapazes de se controlar. Acho que eles fazem isso porque nós (enquanto sociedade) ensinamos que é bem visto, aceitável esse tipo de comportamento… Tanto é que a ocorrência desse varia muito dependendo de em que país se está:

    http://ativismodesofa.blogspot.com.br/2012/09/roupas-nao-previnem-estupros-em-lugar.html
    [traduzido daqui: http://www.womenundersiegeproject.org/blog/entry/the-myth-of-how-the-hijab-protects-women-against-sexual-assault ]

    (A sensação que tenho é que, quanto mais objetificamos o corpo feminino, exigindo um “padrão” de roupa para que seja digna de respeito, maiores vão ser os assédios. Não só porque estamos enxergando o mundo de mãos dadas com quem está causando o problema, da perspectiva dele. Mas porque estamos exigindo de quem já está apanhando nessa briga: “não seja um alvo”).

    [Só pra constar, não estou dizendo que esse tipo de comportamento não possua qualquer traço "animalesco". O que estou defendendo é que é algo que pode ser expressado dentro de diferentes culturas (e tempos) de diferentes formas].

    aproveitando que estamos na internet, rs, seguem textos com pontos diferentes de parte da argumentação usada em parte do texto:

    uma atriz ponô falando sobre como é ser uma mulher andando na rua:

    http://forum.outerspace.terra.com.br/index.php?threads/stoya-escreve-eu-sou-uma-atriz-porn%C3%B4-e-vou-te-chutar-o-saco-se-voc%C3%AA-me-assediar.307546/ [esse texto é antiiiigo, só consegui achar essa versão :/ mas, mesmo que fosse fake, ainda valeria muito muito a pena]

    embora seja sobre estupro, cai como uma luva aqui… (o texto todo vale, mas como é longo, não sinta nenhum peso na consciência em pegar só as partes que te interessarem… isso é, se vc for ler, claro, huashuashau ):

    http://www.bulevoador.com.br/2012/01/o-que-um-estupro-nao-e/

    Um vídeo em que Tony Porter discute o tipo de educação que damos para nossos meninos:
    http://www.ted.com/talks/tony_porter_a_call_to_men.html

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  • O que eu digo é que as ruas são lindas com as mulheres, e que as mulheres devem ser bem tratadas e bem vindas sempre…

    Lamentável seres bípedes de baixa auto-estima e egoísmo desrespeitar uma mulher como se ele mesmo desrespeitasse sua mãe ou irmã.

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  • Paulo K V Fernandes

    Muito bom o texto Aline e espero realmente que isso não aconteça de novo com a Vivian, de bicicleta, a pé, de carro ou em qualquer outro lugar. Fico feliz quando vejo mulheres pedalando na rua, pois dá uma sensação de segurança e tranquilidade bem grande. Tomara que ela continue nas suas pedaladas pois, afinal, isso aconteceu de bike, mas poderia ter sido com qualquer outro meio, em qualquer outra situação.

    Em relação ao último box azul, tente colocar nas imagens do google “qualquer objeto” e mulheres. Infelizmente, o que vai aparecer é bem parecido do que aparece com a palavra bicleta.

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  • Barbara

    Fico muito feliz em ver cada vez mais veículos abordando o problema do assédio nas ruas, já que ele é sim uma forma de violência contra a mulher e precisa ser discutido. Muitas vezes já deixei de sair de bicicleta por estar muito calor e eu ter medo de sair de shorts para pedalar, o que é um absurdo, tenho tanto direito quanto um homem de poder mostrar minhas pernas.
    Pensar que o assédio é uma forma de “elogio” é um pensamento muito ingênuo e, infelizmente, muito comum. O mais triste de tudo é que para o homem perceber que não é elogio, precisa pensar como seria caso fizessem com a irmã deles ou coisa parecida, ao invés de pensar como seria se fizessem com ele. Uma coisa é um estranho chegar para você com um sorriso, pedir desculpas por estar te abordando e te falar que achou bonita (e olha que isso eu já acho invasão de espaço pessoal, mas essa é a minha opinião pessoal, não são todas as pessoas que se sentem assim), outra coisa é um homem te chamando de gostosa no meio da rua, te humilhando com as palavras dele e fazendo você sentir medo pela sua segurança. Não entendo como no mundo alguém pode achar isso um elogio, ao invés de entender o que realmente é: o reflexo de uma sociedade que trata mulheres como sub-humanos, seres que podem simplesmente ser abordado ao bel-prazer masculino e que não precisam ser respeitadas. A necessidade de me respeitar como ser humano precisa ser maior do que a de me fazer um “elogio”.

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  • Flavia

    Nossa, achei muito conveniente o assunto abordado acima, pra começar, vivian, não desistA!!! PRecisamos de você, precisamos de mais mulheres pedalando!!!
    E segundo, eu acabo de voltar de um rolê na ciclovia da marginal com uma amiga, fomos as duas até jurubatuba pedalando e dois homens, com uniforme de pedal e tudo o mais, passaram por nós, mexendo e fazendo piadinha, dizendo que se quisessem no pegar, era fácil, pois eles eram fortes e mais ágeis, que lugar de mulher com shortinho era na praia, e de fato, estava com um short mais curto, poxa, tá maior sol, embora estivesse de camiseta, não queria ficar com aquela marcona na perna, que já adquiri por pedalar dentro da cidade. Ficamos assustadas, já que lá é bem vazio. Ignoramos e eles pararam, porém, fica aquela sensação. Eu tento nunca ir pedalar na marginal sozinha, pois vejo que alguns homens olham de forma desrespeitosa mesmo, com malícia. Quand cheguei em casa fiquei pensando, mas que saco né?! Sò quero pedalar, em paz… batendo papo com minha amiga, enfim… e tenh que ficar apreensiva com esse tipo de abordagem… o que fazer? Onde reclamar? COm quem? E esse assunto apareceu no facebook e pelo menos sei que não acontece só comigo e quem sabe, com mais mulheres na rua, pedalando, usando a roupa que quiser, exercendo seu direito de ir e vir, vamos conseguir nos tranquilizar com relaçaõ a isso.

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  • Fernando

    Realmente é um ponto delicado . Insulto ou elogio ? respondendo uma questão . Caso fossem dirigidos “elogios” a minha esposa ou mãe , tipo “Seu irmão (eu) mais velho?” , sentiria como um elogio aos cuidados que minha esposa tem por si mesma , realmente apesar de ser mais jovem que ela , aparento ser bem mais velho. Outra coisa é “Coroa , tem uma b… muito gostosa!” , ou tocar , realmente perderia a paciência com esta grosseria. O ponto é : Existem elogios , e digo elogios , pois cantada é cafagestagem ! Afinal , se uma mulher , homem ,qualquer orientação , é bela e se faz mais bela , deseja ser notada e elogiada , nunca atacada . Por fim , o limite entre “Elogio , respeito,educação,cantada,…” as vezes é muito delicado , muitas vezes me senti constrangido para pedir livros nos ônibus , ceder lugar , elogiar um belo rosto , um cabelo, uma roupa , a maioria toma (a não ser que tenha igual interesse) a maioria das iniciativas como “potencial agressão”. No mais , espero não ter um comportamento desrespeitoso para com as companheiras , e dizer a Vivian que espero que tudo esteja bem com vc , e que o marginal venha a ser punido devidamente.

    Polêmico. O que acha? Thumb up 4 Thumb down 4

    • Vitor

      O limite entre elogio e cantada é bem fácil de estabelecer: você o teceria a um homem desconhecido igualmente lindo/bem vestido sem medo de ser mal interpretado? Cederia seu lugar? Não? Então é cantada.

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  • Vivian, sinto muito que vc tenha tido que passar por isso, tomara Deus que vc se recupere tanto fisicamente como seu psicologico que com certeza foi abalado, nao da pra engolir esse tipo de situaçao, nós podemos nao ter filha, esposa, mas uma coisa todos tem, MAE, entao e inadmissivel que esse tipo de comportamento aconteça, pior ainda sao pessoas proximas a nós que temos carinho, que ao invez de nos apoiar num momento dificil, ainda tentam nos acusar e humilhar nao nos apoiando em uma situação tao delicada quanto essa.

    Vivian, sou um simples Cidadão, mas se precisar de apoio e o que mais for, conte comigo, pq vc foi VITIMA e nao a AUTORA do problema. Abços e FIque com Deus.

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  • Rafael

    Max Gehringer disse um coisa muito interessante em uma palestra que deu aqui em Santos:

    - É bem simples, não precisa de manual de conduta para empresa sobre assédio. A mulher SABE quando está sendo assedia e portanto criar mais manuais é só complicar (coisa de americano). Muito melhor é fazer uma reunião entre as mulheres para decidir o que pode do que não pode….

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  • Olá pessoas, Parabens pelo post e por publicar a história corajosa da Vivian. O problema principal reside na absoluta falta de ética, moral e educação de vivência em comunidade. O principio fundamental da ética é trate o outro, como gostaria de ser tratado. Dei aula muitos anos e sempre tive problemas de alunos insistentemente assediarem alunas. Fiz discursos e mais discursos sobre o assunto, sem muito resultado. Uma vez, tive um aluno realmente impossível. Assediava até as meninas que eram de outra classe, de forma muito assintosa. Ameacei puní-lo, sem resultados. Um dia, um aluno, assumidamente homossexual, fez um “fio-fio” para ele, quando ele se levantou. Ele ficou tão sem graça, tão sem graça. O outro garoto então gritou de seu canto – “Viu agora, como é bom?”. Como diria o velho ditado – “Pimenta nos olhos dos outros…”. Por outro lado, um dia eu estava fotografando um evento de ciclismo aqui na cidade e uma moça vinha em minha direção e comecei a fotografá-la. Ela ficou muito brava, mas muito brava mesmo. Queria saber o que eu pretendia fazer com aquelas fotos e saiu muito nervosa. Eu não sabia, mas ela não fazia parte do evento e não sabia quem eu era e achou que se tratava de um maluco com algum fetiche por fotos. E o bobão aqui, que achava que ela participava do evento e sabia quem eu era, tirou uma foto do pé dela no pedal (a foto ficou ótima, mas nunca será publicada por falta de autorização). “Tem um louco aqui querendo fotografar meu pé” dizia ela no telefone, enquanto ia embora. Não pude exclarecer o mal-entendido. É a vida.

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    • Leonardo

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      • Flávia

        Queridão, o seu fiu-fiu “inofensivo” é MANIFESTAÇÃO DE PODER, ok? Não é para mexer com mulher na rua. Não é para chamar, comentar, gritar ou assobiar. É para ficar quieto, e guardar para si as opiniões sobre o corpo alheio. Qualquer manifestação masculina a respeito de corpo de mulher que anda na rua dá MEDO, até o seu fiu-fiuzinho. Vamos ser mais civilizados, tá?

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      • ALEKSANDRO

        Seu fi-fiu inofencivo na alemanha renderia alguns meses na cadeia, pq a regra é simples, lá temos que ser respeitosos quando nos dirigimos a alguém.

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  • Parabens pela coragem da Vivian em não se calar diante da barbaridade e permitir que sua história fosse compartilhada. Parabens ao Vá de Bike mais uma vez por estimular uma discussão tão importante.
    Vale lembrar que, infelizmente, vivemos sim num mundo machista e covarde. Apesar de admirar a coragem da Vivian, sabemos do risco que homens, mulheres, crianças e idosos correm ao reagir a abordagens estúpidas como essa. Não queremos perder mais uma ciclista, muito menos nessas condições, por isso, todo cuidado é pouco. Não acho que ninguém deve se calar diante do absurdo, mas devemos lembrar que esse tipo de situação não se limita ao universo das ruas, do trânsito, das bikes. Esse é apenas mais um cenário onde se reproduzem os vícios sociais, o comportamento adquirido, a babaquice extrema. A solução não passa apenas por medidas sócio-educativas ou punitivas relativas ao trânsito, e sim dessas medidas aplicadas a todas as esferas públicas e sociais. Precisamos, mais do que nunca, de um comportamento exemplar por parte dos homens da nossa sociedade, e, com toda a certeza, da ação corajosa e destemida das mulheres que conseguirem reunir forças para combater, inclusive judicialmente, essa mediocridade. Nossa força sempre esteve no coletivo, só poderemos melhorar isso juntos!

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  • Vinicius Rodrigues

    A inversão de culpa é uma das idiotices mais comuns nessa sociedade doente, principalmente con o ciclista (ah, claro que você não deveria pedalar na Paulista). Uma babaquice sem tamanho.
    Ótimo texto Aline, parabéns.

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  • Deixa eu ver se entendi: o sujeito assediou a moça, que reagiu negativamente, tenta atropela-la e ainda tem homem botando a culpa na Vivan pq estava com uma roupa mais curta? É isso mesmo? Cara é nessas horas que sinto vergonha de ser homem viu… é o comportamento mais primitivo que pode ter! E ainda a culparam por isso! Seria como se eu estivesse passeando com um Rolex, fosse assaltado e na hora de fazer o BO o policial me diz: “Ah mas também quem mandou o senhor comprar um relógio tão caro?” Pqp kra! Bicho que absurdo, mas isso é coisa de homem frustrado, alias nem pode ser chamado de homem e sim de completo imbecil! Atacar uma mulher só pq ela não aceitou seu “elogio”. E mais outra, se for pra paquerar alguém que seja de forma correta, e não chamando na base do “psiu neném” que isso é coisa de macho frustrado.

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  • Oi, pessoal. Este é um tema que deveria ser debatido em todos os sites sobre bike, deveria até ter campanha no facebook para “educar” estes idiotas que nos assediam na rua. Vou contar um caso que aconteceu comigo, há exatamente um ano atrás: Eu estava indo com meu sobrinho de seis anos para a Lagoa da Pampulha, aqui perto de casa em BH. Era uma manhã de sol, pleno janeiro, calorão. Eu estava de short e camiseta. No caminho, parei para tirar a camiseta e ficar só de top, pois estava suando muito. Eis que surge um babaca de carro que começa a andar devagar, até parar. Ele disse alguma coisa que não ouvi enquanto tirava a camiseta. Aí eu fui arrancar com pressa e medo dele. Pus força no guidão, me desequilibrei e caí. Me machuquei um bocado. E o pior: o próprio babaca “me socorreu”. Fiquei com uma mistura de raiva, dor, vergonha, vontade de chorar. Foi horrível. E ainda tive que voltar pra casa toda esfolada com a bike empenada e o sobrinho triste. Foi a minha única queda no ano passado, no qual pedalava praticamente todo dia. Eu sofro muito assédio durante minhas pedaladas. A maioria não me incomoda, pois nem presto atenção. Mas detesto quando o veículo vem e de repente dá uma buzinada em cima de mim. Eu me assusto e quase sempre desequilibro, tentando jogar a bike para a calçada por medo de o carro me pegar. Os homens deveriam respeitar mais as mulheres e serem gentis e educados para demonstrar que estão admirando uma mulher. Buzinadas, piadas, cantadas toscas e assovios são desagradáveis e de mau gosto. Parabéns ao Vá de Bike por discutir este tema.

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  • Vanessa Andrade

    Sobre situações, eu já fui vítima dentro do ônibus e não estava com nenhuma roupa chamativa nem nada, mesmo porque estava voltando da faculdade. Estava sentada no banco do corredor, lendo um livro, quando um homem (de uns 50 anos) fica de pé ao meu lado… Até aí tudo bem, o onibus não tinha mais lugar, mas tb não estava lotado. Continuei lendo meu livro, quando sinto ele tentando se esfregar na minha mão. Olhei pra ver se era só paronóia feminina, se não tinha alguém atrás querendo passar, mas não. O cara tava me olhando com cara de fdp mesmo! Como sou muito bocuda, logo gritei bem alto pra TODO mundo ouvir: “Meu! Vc tá se esfregando em mim seu verme!? Vc tá tentando se esfregar em mim?!”. Daí lógico, como todo tarado, ele falou que não que era pra eu calar a boca e deixar de ser paranóica, mas vieram dois caras pra cima dele, o cobrador fez o motorista parar o onibus em plena 23 de maio e os caras jogaram esse idiota na rua.

    Outra situação, mais grotesca ainda, foi com a minha melhor amiga que estava no ponto de ônibus quando um cara passou correndo e apertou o peito dela e continuou correndo. Ela ficou completamente sem ação.

    Mas tudo isso, é pq vivemos num país onde a educação é menosprezada e o que passa na mídia, vende esse tipo de comportamento!

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  • Vanessa Andrade

    Como mulher e que anda de bike, digo que é extremamente desagradável ser assediada. Mas confesso que me sinto com menos medo na bike do que a pé. Acho que é porque já presenciei e fui vitima, e de bike nunca aconteceu nada mais grave a não ser “fiu fius” e outras frases.
    Fora que essa coisa de assédio não é SÓ na bike ou a pé… É no onibus, metrô, trem, até mesmo quando estamos dirigindo! Sempre tem aquele retardado (desculpe mas não achei definição melhor) que fica fazendo gracinha, soltando palavras que para nós mulheres, se tornam ofensivas…
    Esse é um dos motivos porque eu, quando estou a pé/onibus/metro uso fones de ouvido no máximo. Prefiro ignorar, mas no fundo no fundo queria esse infeliz caísse debaixo de um onibus.
    Isso só vai mudar quando houver punição, mudança na cultura e o mais importante: EDUCAÇÃO!

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