Em Ribeirão Preto, um novo Ricardo Neis atropela e mata. Sairá impune?

Em vez de voltar e fazer outro caminho, o motorista preferiu dar sermão nos manifestantes. Em seguida, partiu para cima. Imagem: Reprodução

Em vez de voltar e fazer outro caminho, o motorista preferiu dar sermão nos manifestantes. Em seguida, partiu para cima. Imagem: Reprodução

Vejo muitas semelhanças entre o que aconteceu em Ribeirão Preto-SP em junho de 2013 e o ocorrido em Porto Alegre-RS, em fevereiro de 2011. Menos no comportamento da imprensa.

Assista ao vídeo e, logo abaixo, veja nossa comparação.

Acredito que não seja necessário me alongar nas explicações. Uma tabela comparativa é mais direta e eficiente:

Porto Alegre, 2011 Ribeirão Preto, 2013
Manifestantes ocupavam uma grande avenida Manifestantes ocupavam uma grande avenida
Manifestantes em movimento Manifestantes parados
Um motorista “de posses” força passagem em meio às pessoas Um motorista “de posses” força passagem em meio às pessoas
Manifestantes pedem para o motorista aguardar ou buscar outro caminho Manifestantes pedem para o motorista buscar outro caminho
Motorista começa a ficar agressivo e ameaçar com o tamanho do carro Motorista começa a ficar agressivo e ameaçar com o tamanho do carro
Pessoas reagem dando tapas no carro Pessoas reagem dando tapas no carro
Motorista acelera em meio a centenas de pessoas, sem se preocupar com as consequências Motorista acelera em meio a centenas de pessoas, sem se preocupar com as consequências
17 feridos 10 feridos e 2 mortes*
Imprensa e autoridades afirmam, sobre o motorista:

  • foi acidente
  • “chegou a buzinar uma vez antes de passar pelo grupo”
  • “supostamente” se irritou com o fechamento da rua
  • não agiu intencionalmente e estava se protegendo
  • dirigia um Golf
Autoridades não dão declarações sobre o atropelamento. Imprensa afirma, sobre o motorista:

  • foi atropelamento
  • acelerou para cima dos manifestantes
  • atropelou e matou
  • responderá por crimes
  • dirigia um utilitário, SUV ou jipe**
Imprensa e autoridades, sobre os manifestantes:

  • órgão de trânsito não foi avisado
  • não eram manifestantes, eram “atletas”
  • impediam o direito de ir e vir
  • não deveriam estar na rua
Imprensa e autoridades, sobre os manifestantes:

  • percorriam as principais avenidas
  • manifestantes, protesto
  • pediam por direitos
  • manifestação democrática, corria “sem incidentes”

* Informações sobre mortos e feridos ainda eram controversas até o fechamento desta matéria.
** Muitos afirmam que o veículo era uma Land Rover

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O que aconteceu com Ricardo Neis

O atropelador de Porto Alegre se entregou, alegando legítima defesa. Para não ser preso, alegou estar com problemas mentais e ficou internado em uma clínica particular. Um laudo atestou sua sanidade e ele chegou a ser preso, mas por pouco tempo. Continua com a habilitação suspensa.

O processo corre desde então. O atropelador de Porto Alegre irá a Júri Popular, mas ainda não há data marcada. Apesar de ter avançado contra centenas de pessoas, foi indiciado por apenas 17 tentativas de homicídio, referentes às pessoas que de fato se feriram. Esse número foi reduzido para 11, com mais cinco lesões corporais, por motivos absurdos, sendo um deles que algumas das pessoas se feriram com o impacto de outras bicicletas, não de seu carro.

As qualificadoras da tentativa de homicídio foram uma a uma derrubadas, declarando os desembargadores que não houve motivo fútil, perigo comum e nem dificuldade de defesa das vítimas que, por serem ciclistas, “sabem que, eventualmente, podem sofrer algum tipo de acidente, que correm esse risco”. O advogado de defesa diz que “existem elementos que ainda podem provar a inocência do Ricardo”.

Saiba mais aqui sobre os absurdos no julgamento de Ricardo Neis. Vamos ver quais serão as consequências do atropelamento ocorrido em Ribeirão Preto.


5 comentários para Em Ribeirão Preto, um novo Ricardo Neis atropela e mata. Sairá impune?

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