Florianópolis: sai uma vaga de carro, entram dez bicicletas

Com formato de carro, paraciclo da Zona Verde tem capacidade para receber oito bicicletas simultaneamente. Foto/Divulgação

Com formato de carro, bicicletário da Zona Verde tem capacidade para receber dez bicicletas. Na foto, um primeiro protótipo, com 8 vagas. Foto: Divulgação

Os ciclistas de Florianópolis (SC) ganharam recentemente a segunda unidade da Zona Verde, paraciclo em formato de carro onde podem ser presas até dez bicicletas simultaneamente. Instalado na rua Arcipreste Paiva, na esquina com a rua Tenente Silveira e ao lado da praça XV de Novembro, no centro, o paraciclo tem uso gratuito e foi inspirado em um projeto semelhante executado em Londres (Inglaterra). Iniciativa semelhante foi realizada pela prefeitura de Vitória/ES, no final de 2013.

O formato de carro serve para conscientizar a população quanto espaço um automóvel ocupa em relação à bicicleta e como este espaço pode ser melhor aproveitado, além de incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte. “Consideramos de excelente localização. A adesão virá com o tempo, pois seus pontos de ancoragem são em “N”, considerados os mais seguros para paraciclos abertos, sem falar no formato do seu delimitador de área, com a clara sugestão de que no local de um só carro estacionado cabem dez bicicletas ou mais”, afirma Sergio Fregolão, integrante do coletivo Bike Anjo Floripa.

Até o final de maio deverão ser instaladas mais 15 unidades na região central. A empresa responsável é a Dom Parking, de Joinville, que venceu a licitação para operar a Zona Azul na capital catarinense pelos próximos 10 anos.

Instalação de paraciclo em rua do centro de Florianópolis. Foto/Divulgação

Instalação de paraciclo em rua do centro de Florianópolis. Foto: Divulgação

Conquista

A conquista dos paraciclos é fruto da lei n. 9.364, de 17 de outubro de 2013, que criou o setor de Zona Verde nos estacionamento de Zona Azul. A iniciativa do vereador Edmilson Pereira (PSB) permitirá que até 200 Zonas Verdes sejam criadas. “Enxergamos na Zona Verde a possibilidade de um início de mudança para a mobilidade por bicicleta”, diz Walmy Bittencourt Neto, assessor do vereador, também conhecido como Pin.

Os locais a serem escolhidos serão definidos por um grupo formado por técnicos do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e de ciclistas locais que integram os coletivos Bike Anjo e Bicicletada Floripa.

Não haverá publicidade no espaço, que em breve terá um totem com dicas para a mobilidade segura por bicicleta. “A adesão será maior se junto com os paraciclos da Zona Verde vierem mais políticas que incentivem o uso da bicicleta de modo eficiente, como cartilhas sobre os direitos de ciclistas, mapa das ciclovias e ciclofaixas da cidade (impresso e no formato de placa do tipo “você está aqui”), e instruções que tornem mais eficiente o uso da bicicleta por todas as pessoas, instruções de segurança e assim por diante”, acrescenta Fregolão.

Como começou

A primeira estrutura instalada (na rua Deodoro, também no centro) foi uma ação do vereador que conseguiu recursos privados para construí-la. “Pedimos liberação para o IPUF para implementar de maneira experimental a Zona Verde com o objetivo de ganhar força junto à população”, conta Pin.

O projeto recebeu algumas críticas de ciclistas devido ao formato “entorta roda” dos primeiros paraciclos (saiba mais sobre formatos adequados). Após reunião com representantes dos coletivos, uma nova estrutura em “N” foi feita e substituiu a anterior. Outra sugestão que será seguida nas próximas Zonas Verdes é a instalação das estruturas nas esquinas, atrás das faixas de pedestres. Dessa maneira, os ciclistas terão apoio para descanso enquanto esperam o semáforo abrir.

As duas unidades de Zona Verde contam com câmeras de vigilância 24 horas. Segundo Pin, parcerias com empresas de monitoramento serão discutidas para estender isso a todas as instalações futuras.

Suportes semelhantes ao Zona Verde são comuns em países da Europa onde o uso da bicicleta como meio de transporte é natural e ações de despertar para o espaço ocupado por carros acontecem há mais tempo. “Aqui tivemos a vantagem de ser o primeiro também com um paraciclo, mesmo que acidentalmente. São ações assim que melhoram a convivência e o bem estar de todos na cidade”, conclui Fregolão.

Estrutura é instalada atrás da faixa de pedestres, e pode servir de apoio e descanso a ciclistas que esperam o semáforo abrir. Foto: Vinícius Rosa Leyser

Estrutura é instalada atrás da faixa de pedestres, e pode servir de apoio e descanso a ciclistas que esperam o semáforo abrir. Foto: Vinícius Rosa Leyser

Modelo original foi criado para um festival de design em Londres

O modelo dos “bike racks” instalados em Florianópolis é bastante semelhante aos criados pela Cyclehoop para o Festival de Arquitetura de Londres (abaixo). A empresa de arquitetura e design, que tem vários modelos criativos e funcionais de bicicletários, explica em sua página que o formato de carro “transmite a mensagem de que bicicletas são mais eficientes no uso do espaço urbano que os automóveis”, além de funcionar como uma barreira que protege as bicicletas dos carros.

O modelo da Cycle hoop tem ainda uma bomba de ar manual embutida na estrutura.

Bicicletário em forma de carro da Cyclehoop, empresa de arquitetura e design do Reino Unido. Foto: Divulgação

Bicicletário em forma de carro da Cyclehoop, empresa de arquitetura e design do Reino Unido. Foto:Divulgação


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