“Vagas vivas” permanentes podem virar realidade em São Paulo

A primeira Vaga Viva de São Paulo, em 2006. Foto: Willian Cruz

A primeira Vaga Viva de São Paulo, realizada no Dia Mundial Sem Carro de 2006. Foto:Willian Cruz

Prática regular de cidadãos e organizações voltadas à humanização das cidades, as vagas vivas são uma ocupação de vagas de estacionamento de carros transformadas em espaço para convivência, lazer e até áreas verdes, com plantas, bancos, entre outros elementos, como uma extensão da calçada. A transformação é temporária, geralmente durante um dia em especial, como o Dia Mundial Sem Carro, em 22 de setembro. Quando esse tipo de espaço é oficializado, passa a se chamar parklet. Em São Paulo, o estabelecimento dos parklets pode se tornar realidade, pois o prefeito Fernando Haddad (PT) prometeu a publicação de uma chamada pública convocando empresas interessadas em instalar deques sobre vagas para veículos em ruas da cidade.

O regramento da instalação dos parklets envolverá somente vias com velocidade máxima de 40km/h e onde não haja trânsito intenso de veículos motorizados. Em alguns locais será necessária a extinção da Zona Azul, que cobra uma taxa para o estacionamento de automóveis na rua de hora em hora. Um dos locais apontados por Haddad como candidatos à alteração urbanística é a Vila Madalena, na Zona Oeste da Cidade. Independentemente da localização, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano deverão se encarregar da avaliação individual das solicitações e de sua viabilidade física, levando em conta aspectos como o número de pessoas que circularão pelo local, por exemplo.

Parklet na Valencia Street, em São Francisco. Foto: Mark Hogan/Wikimedia Commons

Parklet na Valencia Street, em São Francisco. Foto: Mark Hogan/Wikimedia Commons

Por que os parklets são importantes?

Mesmo com tamanho reduzido, a Vaga Viva quebra um padrão visual do espaço urbano que, muitas vezes, provoca reflexão sobre o modelo de cidade em que vivemos atualmente. Onde havia o cinza do asfalto com um carro por cima, passa a haver pessoas conversando, confraternizando e convivendo em um espaço que, em dias normais, parece tão pequeno. Quanta coisa não poderia acontecer se houvesse áreas como essa, em maior número e tamanho? E se elas fossem próximas e estivessem ao alcance da esquina de casa? E se as calçadas inteiras fossem mais largas do que realmente são? A existência desses espaços mostra como as cidades atuais, principalmente as metrópoles brasileiras, poderiam ser mais inclusivas às pessoas e finalmente ser alçadas à escala humana.

Exemplos pelo mundo

A primeira Vaga Viva foi instalada por cidadãos em São Francisco, nos Estados Unidos, em 2006. Posteriormente, tornou-se uma política urbanística local e é atualmente a cidade americana que possui o maior número de estruturas. Desde então, houve instalações de parklets em cidades como Boston, também nos Estados Unidos, Puebla de Zaragoza, no México, e Vancouver, no Canadá.

Saiba mais sobre a história das vagas vivas e veja vários exemplos

Enviar resposta

  

  

  

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>