Conheça Aline Souza, nova repórter do Vá de Bike

Aline e suas bicicletas. Foto: Arquivo pessoal

Aline e suas bicicletas. Foto: Arquivo pessoal

O desafio de aprender a pedalar surgiu bem cedo, quando as crianças da minha rua ganharam suas bicicletas e faziam rodízio entre elas para dar a volta no quarteirão. Como eu ainda não sabia pedalar, não podia brincar. Ficava só olhando e morrendo de vontade. Foi assim durante um tempo, até quando fui passar férias numa cidade à beira do Rio São Francisco, em Minas Gerais. Lá, um primo da mesma idade me ensinou a andar de bicicleta nas ruas de areia em frente à sua casa. Eu me lembro de ter caído algumas vezes, mas aprendi logo. Consegui dar as primeiras pedaladas acreditando que ele ainda me segurava. Quando olhei para trás, ele estava pequeninho no horizonte daquele sol refletido no areial.

Em casa meu pai nunca teve carro. Amava as bicicletas. Teve muitas e todas muito bem enfeitadas com diversos adereços. Eram bicicletas muito pesadas para uma criança, mas mesmo sem saber pedalar eu subia nelas e ficava vendo tv da janela do quintal, sentada na bicicleta encostada na parede. Quando voltei à minha cidade após as férias, pude enfim dar inúmeras voltas no quarteirão com as outras crianças.

De lá para cá muitas férias se passaram, em muitas bicicletas eu pedalei, mas o maior desafio mesmo foi me tornar uma ciclista urbana na cidade do Rio de Janeiro. Seguia o ano de 2009 e ali eu comecei a ver o quanto é difícil ser mulher, ciclista e desafiar o mundo sob duas rodas.

​Naquele ano ainda morei em Niterói por alguns meses e participei do grupo que organizou a primeira Massa Crítica da cidade. ​

Enfrentei a relutância da família que ainda achava aquilo um lazer e não um meio de transporte; enfrentei o risco do trânsito violento, fiz amigos, aprendi a ter malícia e venci o medo.  Escrever para o Vá de Bike é uma verdadeira honra​.

A primeira pedalada. Foto: Arquivo pessoal

A primeira pedalada. Foto: Arquivo pessoal

As bicicletas ao longo da vida

A Rosinha foi a primeira bicicleta comprada com meu dinheiro e que hoje vive emprestada. Já passou por três donas temporárias.

Depois veio a dobrável, que me ajudou a superar uma dor de amor e a enfrentar o síndico do prédio onde trabalhei por mais de dois anos, subindo e descendo o elevador e a escada todo santo dia com ela em uma bolsa.

Quando comecei a organizar aqui no Rio o Tweed Ride em 2013 (um passeio à moda antiga que homenageia as bicicletas em seus tempos áureos) chegou até mim a Rita, que tem esse nome por ser pesada na arrancada, mas suave como um cadillac quando se pedala com ela.

No total, são seis anos de Rio de Janeiro e de bicicleta. A estrutura cicloviária da cidade melhorou muito nesse tempo, mas está bem longe de ser segura para todos, inclusive para nós mulheres. Usar a bicicleta no dia a dia me trouxe amigos, me levou a conhecer muitos lugares e a fazer muitos passeios, me deixou mais atenta, mais esperta e disposta.

​Não é de hoje que sem ela a minha vida não tem graça nenhuma.

Veja aqui as matérias da Aline no Vá de Bike


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