Eurobike 2015: saiba como foi a maior feira ciclística do mundo

Apoie nosso trabalho,
doe um libre!
Um dos estandes a Eurobike. Foto: Raquel Jorge

Um dos estandes na Eurobike. Foto: Raquel Jorge

Durante minha cicloviagem tive a oportunidade de visitar a Eurobike 2015, a maior feira ciclística do mundo, que aconteceu em Friedrichshafen, na Alemanha, entre os dias 26 e 28 de Agosto.

Apesar de pedalar há mais de 25 anos e entender de mecânica o suficiente para poder viajar (leia-se: trocar pneu furado), eu não sou uma profunda conhecedora nem dos produtos e nem do mercado. Não sei o nome das peças e há muitas marcas que desconheço. Costumo usar uma nomenclatura leiga para me referir às partes que necessito ou que se quebram, como “treco”, “traquitana”, “aquela coisa” e etc. Sou uma visitante comum que teve o privilégio de perambular por uma feira altamente especializada.

Veja a galeria de fotos no final da página

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o tamanho e a organização da feira. Os estacionamentos são gratuitos, assim como os ônibus que fazem o traslado entre os estacionamentos e a entrada do pavilhão principal. O estacionamento que fica mais próximo à entrada é só para bicicletas, com grade, segurança e também não cobra nada. Há tantos caixas e pontos de acesso que mesmo nos horários de pico não se formam grandes filas. É também nos estacionamentos que eles permitem test rides das bicicletas e disponibilizam um espaço enorme. É a parte mais divertida da feira!

Então você entra e começa a andar tentando seguir por um caminho lógico, na ilusão de que uma rota permitirá que você veja tudo. Claro que isso não aconteceu. Caminhei em zigue-zague, em linha reta e em círculos. São tantos produtos, tantos estandes, tanto tudo que chega a dar tilt naquela parte do cérebro que registra o que o globo ocular está transmitindo.

Todas as marcas que eu conheço ou que já ouvi falar estavam lá, e mais uma infinidade que até então eram um mistério para mim. Após dois dias intensos posso dizer que cinco itens se destacaram: as cores, a diversidade dos acessórios, as elétricas, as fatbikes e as infantis.

Foto: Raquel Jorge

Foto: Raquel Jorge

As cores

Sou do tempo em que as bicicletas vinham com meia dúzia de opção de cores, modelos e tamanhos. Algo impensável nos dias atuais. Hoje é possível montar uma bicicleta tendo cada peça de uma cor, incluindo o quadro que pode ser até furta-cor. Raios, câmbios, pedais, pedivelas, rodas, pneus…. pense em qualquer parte da bicicleta e saiba que ela está disponível em várias cores, até mesmo os parafusos.

Os modelos urbanos ganham no quesito decoração, bicicletas com as mais variadas e criativas estampas. O corredor das bicicletas femininas da Electra era de deixar qualquer mulher com lágrimas nos olhos. Uma mais linda que a outra.

Foto: Raquel Jorge

Foto: Raquel Jorge

Os acessórios

A paleta infinita de cores não ficou limitada às magrelas. Ela se estendeu aos acessórios e às roupas. Muita coisa em amarelo fluorescente e muita coisa refletiva, tudo visando a segurança e o conforto do ciclista. Detalhes que fazem a diferença e produtos multifuncionais, como a corrente que vem revestida de material refletivo. O capacete com luz traseira acoplada. Mochilas e alforjes que já vêm com espaço para guardar a u-lock.

Vi uma bicicleta em que as luzes já vinham embutidas nos para-lamas, era apenas um protótipo. Ainda assim, uma excelente ideia. E claro, paredes forradas com campainhas para todos os gostos e idades – um acessório que é obrigatório (e muito usado) nos países que visitei.

Os carretos, trailers, caixas, engates e suportes são um mundo à parte. Pense em algo que você quer carregar na sua bicicleta. Pensou? Saiba que existe um meio para levar isso, seja um caiaque, os trigêmeos ou comida congelada!

Foto: Raquel Jorge

Foto: Raquel Jorge

As elétricas

Conversei com um fabricante português que mora na França. Ele produz máquinas que montam rodas, está no mercado há mais de 25 anos e me contou um pouco sobre o porquê do sucesso das bicicletas elétricas na Europa, ou e-bikes, como são chamadas por aqui.

Com uma população de idosos ativos e estáveis economicamente, a e-bike surgiu e rapidamente ganhou espaço no mercado. Eu, pessoalmente, tinha um certo preconceito em relação às bicicletas elétricas, até vir para cá e ver o quanto elas são inclusivas. Pessoas que do contrário não optariam por uma bicicleta, hoje pedalam na cidade e viajam em duas rodas graças às facilidades que a bike elétrica proporciona.

Algo que pude comprovar na prática, observando a enorme quantidade de pessoas transitando com elétricas, principalmente na Alemanha. E o mercado, que não é bobo nem nada, responde à altura. Marcas como Giant, GT e Gazelle, entre outras, já oferecem produtos na versão elétrica. E não são só modelos urbanos, há mountain bikes e speeds que contam com a ajuda de uma bateria. Ou seja, subir piramba pedalando agora é uma questão de opção, seja qual for a modalidade. Gostem ou não gostem, o fato é que as elétricas vieram para ficar.

Foto: Raquel Jorge

Foto: Raquel Jorge

Fatbikes

São bicicletas com pneus muito largos. Originalmente criadas para pedalar sobre a neve ou sobre a areia do deserto, hoje já podem ser vistas em outras regiões, inclusive urbanas. Encontrei vários modelos. Confesso que as acho esquisitas, mas pelo que pude constatar são excelentes para terrenos instáveis como lama, praia, neve, deserto e até para alguns downhills de montanha.

Foto: Raquel Jorge

Foto: Raquel Jorge

Infantis

O mercado infantil cresce a todo vapor e as crianças estão encarando a magrela cada vez mais cedo. Chamou minha atenção a quantidade de modelos de bicicletas sem pedal, em que a criança vai dando impulsos com os pés. É o primeiro passo para aprender a pedalar. E aqui você vê crianças que mal saíram das fraldas deslizando sobre duas rodas.

A estrela da festa

Entre os inúmeros produtos expostos, um chamou muito a atenção. O novo câmbio XTR Di2 da Shimano veio para, mais uma vez, inovar o conceito das duas rodas. É o primeiro câmbio digital disponível no mercado. Olhando para ele dá a impressão de que funciona wireless, mas não: embutido discretamente há um fiozinho que liga as partes. A mudança de marcha é precisa e faz um barulhinho que remete à robótica (veja vídeo abaixo).

O cassete é de 11 velocidades e o biker opta por ter coroa simples, dupla ou tripla. A bateria tem autonomia aproximada de 275km. O produto já está disponível no mercado brasileiro, por cerca de R$ 16 mil, incluindo pedivela, cassete e pedais.

Foram dois dias intensos em que pude ver e aprender muita coisa. Descobri, por exemplo, que uma marca de roupas esportivas bastante conhecida tem uma linha inteira para ciclismo, mas não a disponibiliza para o mercado brasileiro. Vi vários outros produtos (incluindo bicicletas) que simplesmente não chegam até nós. E outros que chegam pelo dobro (ou triplo) do preço. Daí só nos resta muvucar na mala o que cabe e torcer para que as taxas de importação sejam revistas, pois desconfio que a ausência destes produtos em nosso mercado não se dá por falta de demanda. Mas, se é este o caso… vamos aumentar a demanda! 😉

Galeria de fotos

Gostou da matéria? Doe um libre
e ajude nosso projeto a continuar!

Enviar resposta

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>