Além de bikes e acessórios urbanos, Brasil Cycle Fair trouxe cores como tendência

Priscila Moreno, da Alforjaria: cores e funcionalidade em suas bolsas e alforjes. Foto: Willian Cruz

Priscila Moreno, da Alforjaria: cores e funcionalidade nas bolsas e alforges. Foto: Willian Cruz

O aumento do uso da bicicleta como meio de transporte tem animado os fabricantes e lojistas mais antenados do segmento. É o que pudemos perceber na Brasil Cycle Fair desse ano, que trouxe bem mais bicicletas e artigos para uso urbano que nas edições anteriores – apesar da falta, ainda, de itens como vestuário e proteção contra a chuva (para ficarmos em dois exemplos).

Conversamos com alguns dos fabricantes e distribuidores que tinham em seu portfólio produtos para o ciclista urbano, para entender como está sendo o impacto nos negócios e como vêem a questão das ciclovias.

Ciclovias são boas para os negócios

Fernando Silva, da Northpak, conta que sua empresa começou a fazer alforges no ano passado. “Antes fazíamos mais mochilas e mala-bikes”, conta o empresário. E as ciclovias têm estimulado as vendas? “Ah, demais”, exclama o mineiro. “O que está incentivando as vendas são as ciclovias. Isso está incentivando o consumo desses produtos. Em Belo Horizonte também estão fazendo ciclovias e está aumentando a aceitação [da bicicleta como transporte]”, esclarece.

A popularização da bicicleta tem trazido um público cada vez mais diversificado às ruas, com um aumento bastante perceptível no número de mulheres pedalando. Foto: Willian Cruz

A popularização da bicicleta tem trazido um público cada vez mais diversificado às ruas, com um aumento bastante perceptível na quantidade de mulheres pedalando. Foto: Willian Cruz

Vinicius, gerente de vendas da Thule, concorda. A tradicional marca de racks para transportar bicicletas em automóveis vem aumentando sua gama de produtos para ciclistas urbanos. “Na verdade nós não tínhamos nada muito voltado para o ciclismo urbano, para o uso diário. Mas de um ou dois anos pra cá, a gente vem trazendo coisas para esse mercado e fomos surpreendidos positivamente com a as ciclovias que estão surgindo nas cidades, com essa mobilidade urbana maior e com a conscientização da população sobre o uso da bicicleta. Isso tem sido muito bom para nós, está impactando diretamente nessa fase em que estamos implantando esses produtos no mercado. Então isso foi muito bom, porque esses produtos vieram bem na fase em que está havendo essa expansão [do uso da bicicleta].”

Valéria Lobba, da CicloArte, afirma perceber essa expansão desde que começou nesse mercado há quatro anos. “A gente percebe um aumento, um crescimento do mercado – mas pra essas bikes [de uso urbano]. Tem uma demanda hoje que não tinha antes”, afirma. E completa: “Essa onda de ciclofaixa, ciclovia, é a cara dessas bikes. Ainda tem muita coisa pra acontecer, mas com certeza as ciclovias beneficiam o mercado de bicicleta, sim.”

Outra empresa que percebeu um crescimento nas vendas é a Alforjaria, que produz alforges e bolsas para bicicletas. “Sim, teve um reflexo direto nas vendas, porque finalmente as pessoas se sentem mais seguras para sair de bicicleta na rua”, afirma a proprietária, Priscila Moreno. “Finalmente a gente tem um público maior.”

E o perfil do público também mudou, segundo a empresária. “No começo, quem usava o meu produto já andava de bicicleta e já tinha alforge, então queria o meu produto porque era diferente de tudo que existia. Hoje em dia quem me procura é porque está começando mesmo a andar de bicicleta e precisa levar suas coisas para ir trabalhar. Mudou o perfil do meu consumidor. Era mais estilo e agora é mais necessidade.”

Palestra para entender o mercado

selo vá de bikeNo último dia da feira, o Vá de Bike deu uma palestra para esclarecer a fabricantes e lojistas como se comunicar com o ciclista urbano e quais são suas necessidades. Dentre o público presente, alguns empreendedores que pretendem se tornar lojistas – e saíram da apresentação cheios de inspiração e planos para o futuro.

A palestra começou com um panorama do mercado consumidor, com dados que mostravam o crescimento espantoso do uso urbano nos últimos anos, o aumento do público feminino e a grande quantidade de crianças – que hoje usam a bicicleta para lazer, mas já crescem com o conceito de mobilidade formado. Em seguida, chamamos atenção para mitos que não podem ser reforçados ou propagados, esclarecendo como deve ser a abordagem, o contato e a atenção com o cliente que usará a bicicleta como meio de transporte. Mostramos características específicas de bicicletas de uso urbano, além de equipamentos, acessórios e itens de vestuário, contemplando alguns modelos importantes de trancas e alforges, finalizando com recomendações simples e claras para fidelizar o ciclista urbano.

O Vá de Bike presta consultoria sob demanda para seu negócio. Entre em contato para saber como podemos ajudá-lo.

Bicicletas da Nirve, no stand da CicloArte. Foto: Willian Cruz

Bicicletas da Nirve, no stand da CicloArte. Foto: Willian Cruz

Muito mais mulheres

Os fabricantes e comerciantes também perceberam outra mudança bastante positiva: o aumento de mulheres que usam a bicicleta.

Valéria Lobba revela que 70% do público da CicloArte é feminino. Ela conta que todos na feira paravam, curiosos, para ver as bicicletas com design diferenciado e/ou urbano, mas as mulheres ficavam apaixonadas. “Elas realmente ‘piram’ nesse tipo de bicicleta”, define.

Na Alforjaria, não é diferente. “Tem muito mais mulheres”, afirma, com segurança, Priscila Moreno. “No começo vendíamos muito mais os alforges masculinos, mas agora já temos muitas mulheres fazendo encomenda, muito mais do que tinha cinco anos atrás.”

O chileno Antonio Villalobos, da Gama Bikes, conta que boa parte de suas bicicletas é voltada ao público feminino. “Fazemos um link entre o mercado da moda e as bicicletas. Todo ano a gente faz um estudo do mercado da moda. Além dos designers industriais e dos designers gráficos, temos designers de vestuário, que trabalham como cool hunters, vão buscando tendências. Isso resulta num relatório do que vem na tendência da moda e a gente lança essas coleções de bicicletas todo ano. Tudo que você está vendo aqui em termos de composição de cores e estampas vem de um estudo bem profundo do mercado da moda.”

Estande da Gama Bikes: 100% bicicletas urbanas, com especial atenção à ergonomia e ao design. Foto: Willian Cruz

Estande da Gama Bikes: 100% bicicletas urbanas, com especial atenção à ergonomia e ao design. Foto: Willian Cruz

Bicicleta urbanas

A CicloArte é distribuidora de marcas como Nirve e XDS, que têm como diferencial seu design, cores e características de uso urbano. “Vimos as bicicletas urbanas como alguma coisa que o mercado estava carente”, explica Valéria. “O apelo dessas bicicletas é transporte urbano, estilo e conforto. Esse tipo de bike, coloridinha, delicada, com um detalhe, estava faltando no mercado. E com a XDS conseguimos trazer uma solução mais completa, com bagageiro, cesta, alforge, uma bicicleta leve, toda de alumínio, com um preço adequado”, resume.

Um estande que nos surpreendeu foi o da Gama Bikes, empresa que aposta todas suas fichas nas bicicletas urbanas. “A gente se dedica 100% ao mercado de mobilidade urbana”, explica Villalobos. E a empresa leva a sério o uso da bicicleta como transporte. “A gente trabalha também com muito cuidado a ergonomia da bicicleta. A questão da geometria é importante para entregar a ergonomia correta e necessária para pedalar na cidade, para passear, se locomover, para ir à escola, ao trabalho, o que é uma tendência global que estamos vendo. Nossas bikes vêm com bagageiro, cestinha, campainha. Todas as bikes vêm com marchas, porque na cidade a gente precisa, sim, de marchas. E o cobre-corrente é tão importante que a gente tem um destaque especial para ele, sendo um dos elementos diferenciadores da marca em relação ao design, porque nele vai a aplicação das estampas.”

O design é um fator importante para a Gama. “Temos mais de 50 modelos e combinações de cores”, conta Antonio. E ele afirma que seu público não se preocupa tanto com detalhes técnicos. “As pessoas querem uma bike que funcione, que não dê problema. Ela tem que ser simples, mas ter o que a pessoa precisa para se deslocar na cidade. A qualidade dos componentes é uma coisa que a gente entrega para o usuário, porque ele precisa, mas focamos atenção no que ele pode fazer na cidade: você pode ir para o seu trabalho, para sua faculdade. Em toda nossa comunicação estamos focados no lifestyle, não em aspectos técnicos.”

Acessórios

A Thule é uma tradicional marca de racks para transportar bicicletas em automóveis, que vem aumentando sua gama de produtos para ciclistas urbanos. E algumas das novidades são os alforges, bagageiros e até um suporte para prender o smartphone no guidão da bicicleta. Com modelos traseiro e dianteiro, os bagageiros são presos por fitas, para que possam ser instalados mesmo em quadros sem furação.

A empresa veio à feira com vários modelos de alforges. Alguns modelos estanques lembram os da alemã Ortlieb. “Temos alguns alforges que viram mochila ou pasta para o dia a dia e isso ajuda muito quem está nos grandes centros urbanos, para deixar o carro em casa, pegar a bicicleta e ir para onde precisa”, explica o gerente de vendas da marca, Vinicius, que nos atendeu no estande.

Fernando Silva, da Northpak: "o que está incentivando as vendas são as ciclovias". Foto: Willian Cruz

Fernando Silva, da Northpak: “o que está incentivando as vendas são as ciclovias”. Foto: Willian Cruz

A Northpak também trouxe vários modelos de alforges e bolsas para bicicletas, com um design mais tradicional e discreto. Um deles parece uma pasta executiva, com bolsos externos e em couro preto, que combina perfeitamente com um executivo trajado em paletó e gravata, entrando em uma reunião de diretoria após estacionar sua bicicleta.

A já tradicional Alforjaria, conhecida de boa parte dos ciclistas urbanos paulistanos, usava o colorido de seus alforges como parte da decoração de seu espaço. Com o modelo mais básico a R$ 150, a empresa aposta na popularização do uso da bicicleta como transporte, buscando o público que quer se deslocar ao trabalho, à faculdade e a outros compromissos e precisa transportar seus pertences.

Trailer da Thule, acoplado a uma bicicleta. Foto: Willian Cruz

Trailer da Thule, acoplado a uma bicicleta. Foto: Willian Cruz

Crianças

Bicicletas infantis estavam espalhadas pela feira, das tradicionais com imagens de personagens até os modelos sem pedal, indicadas para ensinar primeiro o equilíbrio, depois as pedaladas. Também havia diversos modelos de cadeirinhas nos estandes, das mais simples às mais reforçadas.

“Cadeirinhas para bicicletas e trailers estão saindo bem mais”, conta Vinicius, da Thule. “Na parte de produtos para bicicletas, as cadeirinhas e os bike trailers são o que vem tendo maior demanda.”

A empresa também trouxe trailers para a feira. “Temos várias lojas no Brasil inteiro que já têm esses trailers, pela demanda que vem aumentando.” E tem quem compre para levar o animal de estimação para passear no trailer? Vinicius sorri e responde: “olha, o pessoal até pergunta, a gente explica que não foi feito pra isso, que foi projetado para levar duas crianças, mas se ele for comportado e se sentir bem ali dentro, não tem problema nenhum!”

Vela, bicicleta elétrica nacional. Foto: Willian Cruz

Vela, bicicleta elétrica nacional. Foto: Willian Cruz

Bicicletas elétricas

Sabemos que bicicletas elétricas são uma tendência mundial. Por mais que alguns ciclistas “puristas” torçam a boca para as e-bikes, elas vieram para ficar e é melhor se acostumar com a presença delas nas ruas.

Duas marcas se destacaram na Brasil Cycle Fair: a Sense, com seu estande grande e bastante chamativo, e a Vela, por seu design e inovação. Com modelos de quadro tradicional, urbano (rebaixado) e dobrável, a Sense tinha um painel iluminado representando o funcionamento do sistema, que tem o motor no eixo da roda dianteira.

Já a Vela é uma elétrica nacional criada a partir de uma campanha de financiamento coletivo. Com seu visual retrô, tem bateria de rápida recarga (é possível enchê-la em menos de duas horas) e rastreador GPS embutido no quadro.

Food Bikes

As Food Bikes estiveram presentes na feira de duas formas: na praça de alimentação, onde 6 dos 8 fornecedores serviam seus produtos em bicicletas adaptadas, e em alguns estandes, que ofereciam soluções para o empreendedor que pretende transformar a bicicleta em comércio móvel. Veja na galeria de fotos.

Foto: Willian Cruz

Foto: Willian Cruz

Cores, muitas cores

O colorido “deu os tons” dessa edição da feira – e não só nas bicicletas urbanas. Até marcas tradicionais como a Scott abusavam das cores em modelos esportivos, geralmente voltados ao público feminino (em alguns casos, desconsiderando que muitos homens também gostam de bicicletas e acessórios coloridos).

Pedais, selins e outras peças que dão um detalhe a mais na bicicleta, além de caramanholas, bolsas e alforges também mostravam grande variedade de cores e padrões, numa tendência mundial que vimos recentemente na Eurobike, a maior feira do mundo do mercado de bicicletas (veja matéria aqui no Vá de Bike).

No caso da Alforjaria, o colorido tem objetivo claro: atrair quem está começando a andar de bicicleta. “É para a galera que está usando a bicicleta pra ir trabalhar mesmo, é uma popularização”, esclarece Priscila Moreno.

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