Em Recife, ciclistas LGBTTs se unem por mais representatividade e igualdade – é o BiciQueer

Passeio ciclístico pelo empoderamento feminino reuniu aproximadamente 35 pessoas. Foto: Reprodução Facebook BiciQueer

Encontros acontecem semanalmente. Foto: Reprodução/Facebook

Uma conversa entre amigos e um desejo em comum: sentir-se bem consigo mesmo e nos espaços públicos do Recife (PE). Essa foi a premissa para que Thulio Santos, professor, e Caio Mahin, designer, dessem início ao “BiciQueer”, movimento que auto-afirma o direito dos ciclistas ao mesmo tempo em que empodera cada indivíduo.

O nome dado ao grupo pode até soar estranho, e é o que realmente sugere uma tradução literal do termo queer, em inglês – utilizado para designar pessoas que se sentem “estranhas” ao padrão normativo social de sexualidade e que por isso não se encaixam nele. A palavra foi associada ao termo bici, em uma referência direta à bicicleta. A cada pedalada, um novo espaço é conquistado e um alívio por se sentir seguro consigo mesmo e com a sociedade toma conta dos participantes. “A bike é um transporte que politicamente tem tudo a ver com o que a gente concorda. Ela cria um espaço móvel pela cidade e nos permite criar um espaço itinerante de defesa e segurança”, informa Caio.

Por meio de um grupo no Facebook, encontros semanais são marcados e rotas são traçadas para pedalar pelas ruas da cidade e também cobrar da sociedade e do poder público mais respeito e dignidade para os ciclistas e à população queer. “A nossa ideia é justamente poder dizer que também queremos ser respeitados fora dos espaços que geralmente são associados ao público LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros). Todo mundo tem uma vida normal e merece ser respeitado”, afirma Thulio.

Durante cada passeio uma bandeira com as cores do arco-íris é carregada como símbolo e caracteriza a “ocupação” dos espaços que geralmente não são tão acolhedores para com a população LGBTT. “Como a gente é ciclista, cada vez que saímos para pedalar, estamos lutando por mais respeito e inclusão. Como LGBTTS, cada vez que saímos também travamos uma luta pelo respeito”, enfatizam os membros do grupo.

Criado em agosto de 2015, o BiciQueer ainda enfrenta o preconceito, mas também encontra pelo caminho muito apoio e encorajamento por parte de populares. “A gente quer em grupo criar mais espaços de segurança LGBTT e motivar as pessoas a pedalar”.

Para participar é necessário apenas disposição. Todas as terças, às 20h, o grupo se reúne na Praça do Derby, no bairro homônimo, localizado na área central da cidade e define a rota que inclui eventos relacionados ao universo dos ciclistas e dos queers. “Decidimos o percurso na hora e procuramos estar mais próximos dos serviços de bike compartilhada para que todos que possuam bike ou não, possam se integrar ao grupo”.


8 comentários para Em Recife, ciclistas LGBTTs se unem por mais representatividade e igualdade – é o BiciQueer

  • Sami

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  • Tarantino

    A Constituição já garante direitos iguais para todos os cidadãos brasileiros, independente de sexo, cor, credo, etc.

    É a própria sociedade que rejeita tais ou quais pessoas. Para isso, somente a educação resolve.

    Para mim, não me importo nem um pouco com o que o sujeito faz com sua vida ou seu corpo, desde que não invada minha privacidade ou queira me impor padrões. Cada um na sua.

    Comentário bem votado! Thumb up 10 Thumb down 1

    • Cícero Soares

      [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

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      • Tarantino

        O que os ativistas das chamadas “minorias” querem não é igualdade, mas sim, privilégios.
        E sim, a educação ajuda sim a acabar com preconceitos, pois forma pessoas com maior e melhor senso crítico e capacidade de se colocarem no lugar dos outros.
        Não acho que orientação sexual seja um luxo, não sei de onde tirou essa idéia…Se o art. 5º já diz claramente “todos são iguais perante a lei, sem distinção DE QUALQUER NATUREZA”, já entende-se que estão aí inclusas as diferenças relativas a orientação sexual, credo, etc.
        Agora, ilusão é querer mudar os pensamentos dos outros. O fato de existir leis não impedem que a pessoa ainda tenha discriminação. Para todos os efeitos, cada mente de cada indivíduo é insondável. E vai continuar sendo, quer queiram ou não.
        Quanto à questão da família…bem, não sou dono da verdade, em minha opinião, se o objetivo é perpetuar a espécie humana, criando humanos que futuramente irão também se perpetuar (a não ser que sejam homossexuais), o casamento homem-mulher é o mais adequado. Em outros casos, também merecem o mesmo respeito que qualquer outra união, oras, por que haveria de ser diferente? É uma questão de respeito à individualidade das pessoas (o que não parece ser o modus operandi de certas organizações, que querem impor pontos de vista…), ou seja, em português claro CADA UM FAZ O QUE QUER DA SUA VIDA E NINGUÉM TEM NADA A VER COM ISSO; obviamente, isso é um caminho de duas vias, e a sua liberdade não deve interferir na minha e na de ninguém.
        E também sou a favor da liberdade de pensamento total. Eu posso sim não gostar de qualquer atitude ou ideologia, é meu direito inalienável. O que não posso é externalizar, discriminar e ir contra a lei estabelecida, pois constituiria crime. Mas NINGUÉM pode controlar o pensamento alheio, embora esse seja o sonho de muitos, se é que me entende…

        Citando Walter Williams:

        “Contrariamente à crença amplamente difundida nos meios universitários, no meio artístico e na grande mídia, o verdadeiro compromisso com a liberdade de expressão não está em permitir que as pessoas sejam livres para expressar apenas aquelas idéias com as quais concordamos. O verdadeiro teste para se saber o comprometimento de uma pessoa para com a liberdade de expressão é ver se ela permite que outras pessoas digam coisas que ela considera profundamente ofensivas, seja sobre raça, gênero ou religião.

        Em suma, ou a liberdade de expressão é absoluta, ou ela não existe.

        A liberdade requer coragem – inclusive para ver e ouvir o que não quer

        Um problema muito maior envolvendo a liberdade de expressão está na questão da difamação, a qual é definida como o ato de fazer uma falsa afirmação (oral ou escrita) sobre a reputação de uma pessoa. A difamação é criminalizada. Mas deveria ser?

        Essa questão pode ser respondida de maneira mais direta fazendo-se outra pergunta: a sua reputação pertence a você? Em outras palavras, as idéias e os pensamentos que outras pessoas têm a seu respeito são sua propriedade? Teria você o direito de obrigar terceiros a pensar a seu respeito apenas aquilo que você quer?

        Por outro lado, práticas discriminatórias em estabelecimentos públicos — como bibliotecas, parques e praias — não devem ser permitidas, pois tais localidades são financiadas com o dinheiro de impostos pagos por todos. Porém, negar a liberdade de associação em clubes privados, em empresas privadas e em escolas privadas viola o direito que um indivíduo tem de se associar apenas a quem ele quer.

        Nos EUA, por exemplo, empreendedores cristãos têm sido perseguidos por se recusarem a fornecer serviços de bufê para casamentos de pessoas do mesmo sexo. As pessoas que apóiam esse tipo de coerção deveriam se perguntar se elas também defenderiam ataques ao judeu proprietário de uma loja de iguarias que se recusasse a fornecer serviços para o casamento de simpatizantes neonazistas.

        O negro dono de um bufê ou mesmo o negro que é garçom deste bufe deveriam ser forçados a prestar serviços para supremacistas brancos? ONGs que defendem políticas de ação afirmativa em prol dos negros deveriam ser obrigadas a aceitar em seus quadros skinheads racistas? O chef homossexual de um restaurante deve ser obrigado a cozinhar e servir um cliente avesso a gays? A cozinheira feminista deve ser obrigada a atender um cliente machista?”

        Capisce?

        Polêmico. O que acha? Thumb up 6 Thumb down 4

        • Cícero Soares

          Liberdade de expressão total e absoluta, Tarantino? Esse é um erro primário e recorrente daqueles que se dizem defensores de uma liberdade assim (talvez para, nas entrelinhas, desejar que a “igualdade parcial e relativa”, ou seja, a desigualdade sob todas as suas formas, perpetue?) Se não, vide seu último parágrafo:

          Ah, discriminação no espaço público não pode, mas no privado pode? Só se com privado você quis se restringir a essa coisa de foro íntimo (isso sim eu admito como insondável, e é só). Porque um bufe pra ser bufê, restaurante pra ser restaurante, etc. têm que ter chancela do público (Estado e sociedade) pra funcionar, ONG idem, “clubes privados, empresas privadas e escolas privadas” idem. Se não…

          “Ah, só entra no meu clubinho quem é racista, homofóbico, sexista…” E tudo bem? Tudo bem então o Estado/sociedade legitimarem essa liberdade total e absoluta de associação? “Uai, tudo bem, é só não partir pra porrada.” Ah, mas o “inimigo” delas tá pra lá de sinalizado, e do organizado pra porrada pode se dar num pulinho, né?

          E atente na pegadinha: “Não, só entra no meu clubinho quem NÃO é racista, NÃO é homofóbico, NÃO é sexista…” E aí tudo bem. Porque pra estes as diferenças não são baseadas na hostilidade, então pra saírem na porrada há léguas de distância. A não ser por necessidade de auto-defesa, claro.

          Então, sim, políticas de ação afirmativa, até quando for, são necessárias sim. Ao que me consta, o legado de nossa civilização não é o da opressão de desprovidos contra abastados, nem de escravos contra “senhores”, nem de homens contra mulheres, nem de gays contra heteros…

          Olha, Tarantino, não sei, não posso dizer, nem te conheço pra saber: se você se encaixa em um ou outro perfil desses que têm sido historicamente privilegiados, se você, sua família, seus amigos, seus próximo não carregam “marcas” por terem lutado por isso, e esse(s) privilégio(s) apenas lhe chegaram linda e naturalmente. Se for esse o caso, talvez por isso é que você fique horrorizado de ver pessoas “diferentes” de você com coragem de se exporem, de exporem as raízes de uma situação flagrantemente desigual e exigirem alguma medida de reparação.

          Só que reparação também é o seguinte, Tarantino: sendo ela através da lei (da Maior ou de uma infra-constitucional, como as que versem sobre a ação afirmativa), não é pra mudar, é pra COMEÇAR a mudar. É uma via de mão dupla: a lei transforma os costumes, assim como os costumes mudam a lei.

          E se temos liberdade para expressar quais leis e costumes são desejáveis, não sou e nunca serei daqueles que defenderá as que expressem o desejo de (ou se omitam diante da) destruição moral e/ou física das minorias assim já penalizados constantemente no decorrer da História, ok?

          Agora, disso de “se o objetivo é perpetuar a espécie humana”, nem vou comentar, né? A não ser que eu me sinta livre e desimpedido a opinar pelo banimento total do instituto da adoção…rs.

          Captou?

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          • Tarantino

            Caro Cícero:

            Em primeiro lugar, um ótimo 2016 para você!

            Bem, como foi afirmado, a liberdade requer coragem para ver o ouvir o que não se quer, inclusive, rs…e cá estamos nós!

            Você disse sobre o instituto de adoção, certo? Mas se não me engano, as crianças a serem adotadas tiveram que ser geradas em primeiro lugar, não? Creio que o resto dispensa explicações.

            Quanto ao resto…eu diria que talvez falte um pouco de algum outro tipo de leitura que lhe faça ver tudo de outro ponto de vista. Seria muito longo colocar aqui todos os pontos, mas posso recomendar:

            http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=950

            http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2118

            Isso é uma pequena amostra…mas para equilibrar a balança, eu ficaria feliz se você pudesse me indicar alguma leitura que você considere boa, afinal, temos de enxergar os dois lados da moeda, não?

            Um abraço.

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          • Tarantino

            Cícero, a igualdade tanto idealizada não existe. Imagine, por exemplo, que no dia 1º de Janeiro de 2017 todas contas serão zeradas, e todos irão dispor de exatamente as mesmas quantias. No dia seguinte, um grupo musical anuncia um show; obviamente, milhares de pessoas irão vê-los, DE LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE, só que para isso deverão pagar ingresso, que é a remuneração dos músicos. No dia seguinte ao show, a banda estará alguns milhares de “dinheiros” mais rica, e todos que foram ao show estarão um pouco mais pobres. É justo?

            Quando digo “privado”, refiro-me a um espaço o qual eu sou proprietário, como minha casa, onde obviamente só entra quem eu quero.

            Quanto aos “clubinhos”…bem, ninguém é obrigado a entrar onde não queira, não? Mas seria muito ingênuo entrar em um clube de simpatizantes da axé music e esperar encontrar na parede um poster do AC/DC, assim como é ingenuidade entrar em um bar gay e se surpreender com as cantadas. Claro que a liberdade do próximo é sagrada, assim como a minha, roqueiros não têm direito de espancar sambistas, e heterossexuais não podem espancar gays…quando falta o bom senso, aí entram as leis.

            Quanto à minha origem, não vejo problemas em dizer. Sou descendente de italianos e alemães, e meus antepassados chegaram aqui fugindo da guerra, e graças ao esforço próprio (não, não tenho parentes na política) conseguiram que as gerações seguintes fossem melhorando de vida. Embora meus avós já tenham morado em cortiços, deixaram uma herança cultural que permitiu que seus filhos vivessem melhor. Sim, naqueles tempos a desigualdade era muito maior do que hoje, mas as pessoas não falavam muito nisso, elas preferiam se sacrificar trabalhando e estudando arduamente, já que esperar ajuda do estado é ilusão…pelo visto elas atingiram seus objetivos.

            Quanto à questão da “reparação”, já digo que nem eu e nem meus antepassados jamais escravizaram e nem exploraram ninguém, pelo menos nos últimos 500 anos. Agoar, se formos voltar ao tempo da Babilônia, com certeza acharemos algum antepassado remoto que provavelmente “oprimiu” alguém. Aliás, aproveito para colocar duas questões que farão você pensar:

            1) Os negros vendidos como escravos aos portugueses eram originários de tribos dominadas por outras tribos mais fortes, que os vendiam aos europeus. Pergunto: você acha que os descendentes desses povos dominadores teriam direitos à reparação, se foram eles próprios parte do problema da escravidão? Como saber hoje em dia quem é descendente de quem?

            2) Qualquer tipo de opressão ou escravidão é condenável. Mas vendo as coisas desapaixonadamente, pergunto: Se não tivesse havido o tráfico escravagista, onde é que estariam os descendentes dos escravos? Estariam ainda na África, levando uma vida sofrida como ainda é hoje? Sob este ponto de vista, os descendentes atuais dos escravizados no Brasil, apesar de toda pobreza do país (não só dos negros) ainda assim vivem melhor do que na África. Sinceramente, eu não sei a resposta, e acredito que poucas pessoas possam realmente saber. E antes que digam, não estou afirmando que os portugueses “fizeram um favor” em trazer ao Brasil os escravos, o objetivo deles na época era puramente comercial.

            São perguntas polêmicas, mas nem por isso desprovidas de interesse.

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  • Jessica de Almeida

    É muito importante estarmos em espaços onde as pessoas se reconheçam umas nas outras e se identifiquem. Se aproximar de quem tem vivências parecidas com as nossas é empoderador demais. Fico feliz que tenham se encontrado para pedalar, BiciQueer <3

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