Saiba como foi a Pedalada Pelada 2016, em várias cidades do país

Foto: Flávio Bonanome

Foto: Flávio Bonanome

Por Carla Moraes e Ana Sniesko

Enquanto alguns trafegavam pela cidade e outros aproveitavam a noite de sábado para o lazer, ciclistas de várias cidades saíram de casa no sábado, 5 de março, com uma missão: alertar sobre a violência que sofrem todos os dias no trânsito.

A World Naked Bike Ride (WNBR), conhecida no Brasil como Pedalada Pelada, aconteceu simultaneamente nas capitais dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Sul, além das cidades de Niterói/RJ e Blumenau/SC. Florianópolis realizará sua edição no sábado 12; Vitória, no Espírito Santo, pedalou no dia anterior, a sexta-feira 4.

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São Paulo

Em São Paulo a concentração estava marcada para às 18h na Praça do Ciclista, localizada na avenida mais importante da metrópole. Apesar da nudez ser opcional, não foram poucos os que se encorajaram a tirar as suas roupas e mostrar como se sentem todos os dias no meio do trânsito caótico da cidade: completamente nus e desprotegidos. Boa parte dos participantes – estimados em cerca de 1000 pessoas – ainda pintou a pele com mensagens, para que não restassem dúvidas sobre o manifesto.

O grupo seguiu inicialmente pela Avenida Paulista, ocupando inteiramente a via em um dos sentidos. Em seguida, o comboio desceu a Rua Augusta rumo à Praça Roosevelt, para depois subir a Consolação. A manifestação seguiu pela Avenida Rebouças, Henrique Schaumann e por algumas ruas da Vila Madalena.

Passando a mensagem

Os ciclistas contaram com o apoio de populares, além de serem alvos de flashes e vídeos. Sob o lema “tão nu quanto você ousar”, ainda tiveram com o apoio de grupos nudistas, que aproveitaram o momento para entoar a bandeira do naturismo.

A estudante de Hotelaria Vanessa Nunes estava passeando com a família quando viu o grupo. “Não sabia que o evento seria hoje, mas achei a manifestação muito divertida. É importante que os ciclistas passem a sua mensagem”, apontou.

Esta foi a quinta Pedalada do ciclista Rogério Venturinelli, que dessa vez teve o apoio da esposa. “Ela nunca havia participado e nós pretendemos vir juntos todos os anos a partir de agora. O impacto dessa iniciativa na sociedade é muito importante para que percebam o risco que corremos todos os dias”, contou.

Sara Nomura, moradora de Santos, pedala 8 km todos os dias para chegar ao trabalho e veio engrossar o coro da manifestação que exige mais respeito. “Não vim preparada para tirar a roupa, mas quero manifestar todo o meu apoio ao movimento”, disse a geóloga.

Rafael Honorato, que levava a faixa com a frase “Obsceno é o Trânsito”, nunca havia participado do protesto, mas aproveitou a oportunidade para contar como se sente diariamente. “Pedalo todos os dias do Capão Redondo até a Paulista, onde trabalho como enfermeiro. Manifestações como essa são importantes para mostrar como nos sentimos todos os dias. O ciclista precisa ser visto!”

Escolta e segurança extra

Se os ciclistas se sentem inseguros no dia a dia, na Pedalada Pelada de São Paulo o apoio da Polícia Militar garantiu que o trajeto fosse percorrido sem grandes problemas, já que o trânsito sofreu intervenções para que os manifestantes pedalassem em segurança. Um motociclista tentou furar um dos bloqueios, mas foi repreendido. Na Vila Madalena, um motorista discutiu com alguns participantes, mas o atrito foi rapidamente solucionado.

Um mar de ciclistas

“Nunca vi tanta gente na Pedalada Pelada”, “um mar de ciclistas” e “jamais vou me esquecer desse dia” foram algumas das reações nas redes sociais, mostrando que o evento chamou a atenção da população e foi muito significativo para os ciclistas que ocuparam as ruas em pleno sábado à noite.

Alguns jovens saíram dos carros parados na Paulista e foram até a ciclovia fotografar e bater palmas para o grupo que passava na via oposta, enquanto outros motoristas fecharam seus vidros e não esboçaram nenhuma reação – ou usaram a buzina.

Outra situação curiosa ocorreu na subida da Consolação, com inúmeros flashes e gritos vindos de dentro do cemitério, onde cerca de 10 pessoas estavam apoiando câmeras e celulares sobre o muro para captar a passagem do grupo.

Pelo Brasil

Em Salvador, cerca de 70 ciclistas estiveram na primeira Pedalada Pelada na cidade. Segundo a ciclista Marcella Marconi, o evento foi um sucesso, apesar de ter sido organizado em cima da hora. Houve cobertura da mídia local, com repercussão positiva, e a reação dos motoristas e população em geral foi de apoio.

Já em Recife a adesão foi de 60 pessoas. Após a repreensão policial que marcou o evento em 2013, desta vez os participantes aderiram e tiraram a roupa. Eles pedalaram da área central da cidade até o centro histórico, passando na frente do Palácio do Governo do Estado e da Prefeitura, sempre gritando frases sobre a fragilidade do ciclista. No Marco Zero, fim da pedalada, foi feita uma foto junto do letreiro da cidade. Alguns policiais se aproximaram, mas não houve truculência.

No Rio de Janeiro, foram 142 pessoas na saída da pedalada de acordo com os participantes, com o pessoal de Niterói somando ao grupo. Durante o trajeto, um ciclista com a filha na garupa se uniu ao passeio, tirando a roupa e ficando só de cueca até o final da pedalada. A manifestação terminou no Leme, com um banho de mar coletivo, como no ano passado (fotos).

Samuel Lima, ciclista que participou da Pedalada Pelada de Belo Horizonte, contou que foi uma experiência marcante e que deseja quer repetir ainda muitas vezes. Houve um pouco de tensão com taxistas forçando passagem, mas ainda assim famílias se uniram ao protesto e o cortejo passou sob palmas da população.

Em Porto Alegre, 70 pessoas estiveram no evento. Um participante teve sua roda traseira atingida por um carro e a bicicleta teve danos. O ciclista não se feriu, já que saltou a tempo de evitar que algo mais grave acontecesse. Apesar do ocorrido, o evento teve uma repercussão positiva, com apoio dos espectadores.


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