Especial da Veja sobre o trânsito em São Paulo

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Hoje em dia, citar a Veja como fonte de informação depõe contra qualquer um, mas vale a pena assistir esse especial em vídeo que eles fizeram sobre o trânsito na cidade de São Paulo, que para minha surpresa até que está coerente.

A primeira parte, “a origem do caos nos anos 30“, fala sobre a decisão de Faria Lima de construir um complexo de avenidas e priorizar o transporte sobre rodas, em detrimento do sistema de trilhos que vigia à época.

Esse primeiro bloco pode ser resumido nessa frase, de um dos entrevistados (Jaime Waisman, engenheiro de trânsito):
“De uma forma geral, o que a administração pública fez foi optar por um um modelo que acabou se demonstrando [sic] errado, que foi aquele de se privilegiar o uso do automóvel, enquanto que se [ininteligível] não se faziam os mesmos investimentos em transporte público”.

A segunda parte fala sobre “a expulsão para a periferia e o deslocamento urbano“. Raquel Rolnik, urbanista, diz:
“Uma política que tenha em conta toda a complexidade da mobilidade, ela tem que integrar os vários modos, de tal maneira que alguém possa sair a pé ou de bicicleta da sua casa, poder chegar a um corredor de transporte, onde entra com a sua bicicleta ou estaciona a sua bicicleta, ou onde confortavelmente entra pra poder se deslocar e ter sistemas alimentadores para dentro dos bairros”

A parte três tem o título “O futuro: como e onde vamos trafegar“. A urbanista afirma com veemência: “A pior coisa que podemos fazer diante dessa situação é reiterar o modelo dos investimentos viários. Mais túneis! Mais vias expressas! Mais avenidas! Pra quê? Elas acabam atraindo, se transformando em pólos geradores de tráfego, agravando a situação” (só faltou citar mais pontes).

Raquel diz ainda que “os cidadãos paulistanos estão muito dispostos a transformar inclusive seu modo de vida, seus hábitos, desde que sejam convencidos de que isso vai mudar radicalmente sua possibilidade de circulação”.

Já o engenheiro de tráfego acredita que “todos nós podemos colaborar”, mas o que ele descreve como “colaboração” é apenas uma receita para ser um bom motorista: não estacionar em local proibido, não fechar cruzamento, etc. Nem pensou em sugerir para deixar o carro em casa e usar o transporte coletivo, a bicicleta, os pés ou mesmo a carona. Pelo contrário, afirmou que o transporte público é de péssima qualidade e deu sua opinião pessoal de que o que existe hoje nunca vai atrair o motorista a sair do carro. Acho que ele quer metrô com serviço de bordo. Foi o ponto baixo da reportagem.

Os outros dois blocos estão bem melhores, esse bloco final não agregou muito. Os dois primeiros falaram sobre as causas do problema; o último se propunha a falar sobre a solução, mas falhou nesse intento. Fica subentendida a solução de aumentar a malha do metrô, o que não se faz de um dia para o outro. Não se falou claramente em tirar espaço dos carros para abrir caminho para ônibus, que é o que a cidade mais precisa nesse momento (apesar de fazer o contrário).

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