Belo Horizonte prefere mais carros na Copa de 2014

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O prefeito Marcio Lacerda, em companhia do governador Aécio Neves, em visita às obras da Av. Presidente Antônio Carlos no início deste mês.
Foto: Omar Freire/Imprensa MG

Uma das diretrizes estabelecidas pela Fifa para as cidades escolhidas para sediar a Copa de 2014 é a adequação do acesso aos estádios de forma a privilegiar o uso de meios de transporte alternativos ao automóvel particular. Entretanto, a prefeitura de Belo Horizonte preferiu, como de costume no país do futuro, priorizar o uso do automóvel.

Belo Horizonte foi uma das cidades escolhidas para sediar a Copa de 2014 e, por isso, está duplicando uma avenida da cidade, a Antônio Carlos, que se tornará a principal via de acesso ao estádio do Mineirão durante os jogos.

O problema é que a via está sendo ampliada exclusivamente para circulação de veículos motorizados. Perde-se com isso uma excelente oportunidade de inserir a mobilidade por bicicleta no contexto da adequação da cidade.

Opção vantajosa

Imagine quantos turistas, brasileiros e estrangeiros, não estarão por lá durante a Copa. Agora pense em quantos deles optarão por alugar um carro para ir do hotel ao estádio e para passear pela cidade. Conseguiu imaginar a quantidade de carros a mais que a cidade terá que suportar durante as semanas do evento?

Malias, via Flickr
Em Paris, as bicicletas públicas são muito utilizadas por turistas.
Foto: Malias, via Flickr

Se a bicicleta for inserida no planejamento das reformas na cidade, se a infra-estrutura necessária for criada e se for feita uma boa divulgação, muitos turistas, principalmente os estrangeiros, poderão optar pelo veículo não poluente, saudável e lúdico.

A cidade ganharia, como bônus, menos poluição e menos trânsito – que inevitavelmente se tornará mais complicado durante os jogos. Os moradores também usufruiriam da infraestrutura e sinalização que poderão ser criadas nessa avenida e por toda a cidade. E a administração municipal ainda ganharia reconhecimento por adotar iniciativas “verdes” e sustentáveis, cada vez mais valorizadas nos tempos atuais e aplicadas em grandes cidades no mundo todo.

Todos têm a ganhar com o incentivo ao uso da bicicleta nas grandes cidades. Até aqueles que preferirem continuar usando o carro.

Pedalada-Manifesto

Para reivindicar a inclusão de uma ciclovia no projeto de reforma dessa avenida e propor diversas medidas de baixo custo para incentivar o uso da bicicleta em toda a cidade, será realizada uma pedalada-manifesto no próximo sábado, dia 20 de junho.

Os ciclistas pedalarão pela região central da cidade, com uma parada em frente à Prefeitura para entregar uma carta ao Prefeito Márcio Lacerda. Dentre as sugestões ao prefeito, estão a instalação de paraciclos em locais seguros, sinalização e pintura de ciclofaixas e campanhas de conscientização e educação para motoristas e ciclistas, entre outras.

E então, prefeito? Vai encarar e inovar em relação às outras cidades, ou vai deixar a próxima gestão implementar a mobilidade por bicicleta e ficar com os louros da iniciativa verde? 😉

Participe!

Dia 20 de junho, com saída às 9h na Praça da Liberdade.
Entrega da carta ao Prefeito às 10h30, em frente à PBH.
Encerramento na Praça da Liberdade, às 11h.
Leia aqui a carta que será entregue ao Prefeito (em PDF)

Contatos:

Humberto Guerra – 8806-0075 – humbguerra@yahoo.com.br
Vinícius Mundim – 9133-7574 – viniciusmundimmz@gmail.com
Lucas Moreira – 9120-8338 – lucasmtbbh@gmail.com

Mais detalhes na página oficial da pedalada-manifesto.

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9 comentários para Belo Horizonte prefere mais carros na Copa de 2014

  • Como foi a pedalada-manifesto em BH | + Vá de bike! +

    […] entender melhor os motivos da manifestação, recomendo a leitura do texto da convocação para a manifestação. Vale também a pena ler a “aula” dada pelo cicloativista Vinícius Mundim […]

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  • Pedal Manifesto – Mais uma semente plantada em BH

    […] Blog Vá de Bike BH prefere mais carros na Copa de 2014 […]

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  • Vinicius

    PH, vamos por partes:
    1) Já ouviu falar em ações de marketing, geração de demanda…? Se ler atentamente a carta, verá que a ciclovia da Antônio Carlos é “apenas” um gancho para um conjunto de sugestões apresentadaspara a cidade.
    2) Não são poucos os ciclistas que se arriscam na Antonio Carlos e Cristiano machado diariamente: trabalhadores e estudantes seguem esses caminhos para a UFMG, para o centro, para a região da Pampulha e Venda Nova. São vias de trânsito rápido e nem por isso foi pensada a possibilidade de uma ciclovia, ou no minimo, ciclofaixa. E olha que as obras foram inicadas há dois anos, quando o Pedala BH (projeto da BHTrans) já tinha pelo menos 1 ano de vida.
    3) Novamente, leia a carta. O que os ciclistas reivindicam nao é investimento “exclusivo em nossa causa” mas investimento também para o modo de transporte Bicicleta. Fala-se “A distância é muito grande do Centro à Pampulha”. São 10km. Não é um trajeto plano, é verdade. Já viu a ciclovia que liga Coronel Fabriciano e Ipatinga? São alguns km de sobe-desce na divisa das duas cidade, utilizada por centenas (ou milhares) todos os dias. E como é um trecho de BR (trânsito rápido), os ciclistas estão protegidos. Hoje, a única ciclovia teoricamente não-recreativa da cidade é a da Tereza Cristina (via de trânsito rápido). Antonio Carlos, Cristiano Machado, Linha Verde… são exemplos de locais muito utilizados por ciclistas e que necessitam de ciclovias. Outras ciclovias e ciclofaixas podem e devem ser rprojetadas, ligando corredores e estações de onibus/metrô. A Linha Verde, fora de BH tem uma ciclovia em suas pistas marginais. Não é a melhor do mundo, mas já atende a população dos vários bairros lindeiros à estrada.
    4) Morros. Reportagem no nosso blog (http://mountainbikebh.com.br/manifesto/), do Jornal Pampulha de 2007, sobre as regiões cicláveis da cidade. Por que não lembrar de Bogotá (8 milhões de hab, 300km de ciclovias), ou de São Francisco (eleita uma das 10 cidades mais amigáveis para o Ciclista no mundo), onde o relevo também é marca registrada da cidade?
    5) A ciclovia não será unica e exclusivamente utilizada na Copa. Atenderá, mais uma vez, a trabalhadores do dia a dia, estudantes da UFMG, quem mora na região e tem medo de enfrentar a Avenida para ir se divertir pedalando na Lagoa, enfim só traz benefícios.

    Gostei muito do seu argumento. Mas temos que lembrar que nós “ciclistas da classe média/alta”, pouco ou nada sabemos sobre quem realmente pedala na cidade: trabalhadores e estudantes de baixa renda, cujo maior sonho é ter um carro para “sair dessa vidinha”. Mal sabem eles que essa estrutura e campanhas educativas, se realizadas, os tornarão personagens ainda mais importantes para o bem estar de toda a cidade.

    Abraço

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  • PH

    Caros:
    sou ciclista. Apoio qq medida que amplie a utilização da bicicleta. Mas sou de BH e conheço bem a Av. Antônio Carlos em questão. Ninguém em sã consciência vai sair do centro da cidade e ir pedalando assitir jogos da copa no Mineirão. Tem muito morro e a distância é grande. Somente ciclistas inverterados se arriscariam. Aliás, pra chegar no Mineirão da av. tem-se pelo menos 1,5 km de subida pura. Sejamos realistas. Faz muito mais sentido ampliar a oferta de transporte público, como sugere a Patricia em seu comentário. Ciclovia, sempre é legal ter. Mas por favor, Paris é plana como uma tábua.

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  • Willian Cruz

    André, não é verdade que nenhuma obra viária respeitou a lei. Quando o Maluf fez a Avenida Águas Espraiadas (me recuso a chamar pelo nome do empresário), ele fez ciclovia sim, esqueceu?

    http://www.ciclobr.com.br/diasemcarro/noticias30.asp

    Uma ciclovia de 200 metros e com um poste bem no meio dela, mas fez! Assim ninguém pode dizer que ele não cumpriu a lei! 😀

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  • Vinícius

    http://mountainbikebh.com.br/blog/index.php/ciclistas-fazem-manifestacao-e-entregam-carta-a-prefeito-de-bh

    Coloquei no Blog uma reportagem de 2 anos atrás sobre novas ciclovias que estavam pra sair do papel. Já foram licitadas, mas ainda são promessa para Julho…

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  • André Pasqualini

    Que eu saiba, diferente de São Paulo onde já existe uma lei que obriga todas obras de novas avenidas ou reformas a ter ciclovia, em Belo Horizonte isso não deve existir.

    Tudo bem que aqui em São Paulo isso não quer dizer nada, pois desde 95, quando a lei foi aprovada, NENHUMA obra viária respeitou a lei.

    Aqui em São Paulo será criada uma ciclovia no bairro do Butantã, de 15 km que dará para o ciclista ir até a porta do estádio por ciclovias. Seria perfeito, isso se essa obra já tivesse começado no ano passado, como prometeram há uns 2 anos atrás.

    É muito complicado construir uma ciclovia, exige técnicos de alto gabarito, uma obra super cara e muito dificil de licitar. Já a construção de uma freeway na Marginal Tietê é bem mais fácil. Quando divulgaram na mídia ela já havia até sido licitada, que impressionante não é?

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  • Renato Mangini

    Excelente post, William! Estamos contando com todo o apoio para essa causa – que não é só dos ciclistas, mas de todos os moradores de Belo Horizonte. A Copa é só uma das beneficiadas, mas imagine os benefícios para os estudantes da UFMG, os moradores que gostam de passear na Pampulha e os torcedores que vão todo final de semana ao Mineirão.
    Uma ciclovia na Antônio Carlos é algo tão natural que me surpreende ninguém ter pensado nisso antes. Ou melhor, sabendo do desconhecimento da causa por parte dos legisladores e governantes, não me surpreendo não.

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  • Patrícia Souza

    A idéia é excelente! Belo Horizonte realmente precisa de alternativas no trânsito. Cidades européias, como Paris, possuem diversos pontos onde se pode alugar bicicletas, uma opção para aqueles que não as possuem.
    A prefeitura também deveria se preocupar com a instalação de um metrô seguindo as avenidas Antônio Carlos e Carlos Luz que dão acesso ao Mineirão.

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