Documentário sobre Ghost Bikes

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Ghost Bikes são bicicletas brancas instaladas em locais de acidentes fatais com ciclistas, como um memorial em homenagem a quem perdeu a vida para a pressa de alguém. Também têm o objetivo de lembrar o que aconteceu ali para que a morte não caia no esquecimento e não seja considerada apenas um inconveniente temporário ao trânsito de uma tarde qualquer.

As Ghost Bikes servem como um alerta aos donos de veículos automotores, para que tomem mais cuidado com as vidas que pedalam bicicletas pelas ruas. A ação é realizada em várias cidades de todo o mundo e também no Brasil. Aqui em São Paulo, já foram instaladas quatro Ghost Bikes (veja quadro no final da página). Pude participar da instalação de três delas, uma das quais em homenagem a uma amiga, a Márcia Prado.

Com esse mesmo espírito, uma equipe de Nova Iorque está preparando um documentário sobre as Bicicletas Brancas ao redor do mundo, para sensibilizar sobre a consequência da falta de infraestrutura e de apoio ao uso da bicicleta nas grandes cidades. A equipe já passou esse ano por São Paulo e pedalou com a Bicicletada daqui. Também coletarão imagens de San Francisco, Chicago, Seattle, Portland e Londres. Assista ao trailer.

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Produções independentes como essa, feitas com a cara e a coragem de quem tem um ideal de mundo melhor, costumam ter dificuldade em captar recursos. Por isso, os autores criaram uma página na internet para arrecadar fundos para pagar os custos com equipamento, equipe e gastos de viagem.

Qualquer pessoa pode colaborar, com um valor mínimo de UM DÓLAR. Basta ter um cartão de crédito internacional. A transação é segura, garantida pela Amazon. Claro que se você doar mais de um dólar eles não vão reclamar. Pelo contrário: doando US$ 5 você tem acesso a uma área restrita do site para acompanhar a produção de perto e ver trechos dos vídeos que serão editados. Com US$15 você recebe uma cópia do documentário por download quando estiver pronto, com US$25 um DVD e, dependendo do valor da doação, pode até aparecer nos créditos do filme. Mas a maior recompensa é, sem dúvida, ter ajudado a divulgar essa mensagem pelo mundo afora.

Atualizado em 16/08/2010: A equipe conseguiu arrecadar até mais fundos do que precisava para completar a produção, graças a pessoas comuns no mundo inteiro que colaboraram com pequenas quantias. Logo ouviremos falar desse filme. A quem colaborou, muito obrigado.

As Ghost Bikes de São Paulo

A primeira Ghost Bike foi instalada no final de 2007, na Av. Luis Carlos Berrini, um dos principais eixos comerciais e de negócios da cidade. Foi retirada em poucos dias (acredito que tenha sido retirada até no dia seguinte). Ficava em um bairro nobre, em frente a um banco de luxo e não foi bem compreendida. Era feia, ruim para os negócios. Sumiu rapidamente.

A segunda Ghost Bike foi instalada em homenagem à nossa amiga Márcia Prado, assassinada por um motorista de ônibus em janeiro de 2009. A bicicleta branca encontra-se até hoje na Av. Paulista, no que se tornou um memorial onde ciclistas frequentemente ainda prestam suas homenagens. Márcia era muito querida na Bicicletada e é sempre lembrada por todos nós.

Márcia Prado foi homenageada com a criação de uma Rota Cicloturística com seu nome, ligando São Paulo e o litoral. Essa rota teve uma abertura experimental no início desse ano e está em vias de ser tornar oficial, aberta permanentemente. Hoje os ciclistas não têm nenhuma opção para chegar ao litoral, são totalmente proibidos, uma violação de direitos flagrante e impune. A Ecovias, concessionária que se acha dona das rodovias que levam à baixada santista, não permite o tráfego de bicicletas, impedindo a passagem de ciclistas com apoio da Polícia Rodoviária e até, pasmem, da Artesp, justificando que “não é seguro”. Não é, mas deveria ser. E a Ecovias não faz nada para torná-lo seguro. Afinal, ciclista não paga pedágio, que se danem seus direitos.

A terceira Ghost Bike foi instalada em novembro de 2009, em homenagem ao ciclista Fernando Martins Couto e ao gari Antônio Ribeiro. Para incluir o gari na homenagem, foi afixada uma vassoura de varrição de rua junto à bicicleta. Ambos estavam conversando na calçada, aguardando para realizar a travessia, quando foram “colhidos” por um ônibus em alta velocidade. Na instalação dessa Ghost Bike / Ghost Broom, estavam presentes ciclistas, garis, familiares da vítima e bastante gente que passava pelo local. Essa bicicleta branca também continua lá até hoje.

A quarta Ghost Bike, em homenagem a Manoel Pereira Torres, foi instalada em março de 2010. Seu Manoel, um senhor de 53 anos que usava a bicicleta para ir ao trabalho, atravessava na faixa, com o sinal aberto para os pedestres. Um motociclista vindo em alta velocidade pela pista do ônibus, com o sinal fechado para ele, atingiu Seu Manoel e o arremessou contra o semáforo, a três metros de altura. Sua bicicleta foi lançada contra o poste de aço e dobrou ao meio, tal a força da colisão. Os familiares não foram encontrados a tempo para a homenagem, que foi realizada por vários ciclistas. Um deles carregou a bicicleta branca nas costas por todo o percurso da Praça do Ciclista até a Av. Vereador José Diniz, onde ela foi instalada e ainda permanece, em local alto e visível.

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7 comentários para Documentário sobre Ghost Bikes

  • Rodrigo Langeani

    Cruzei com uma dessas bikes na paulista! Achei muito louco mesmo pensando que era uma ação isolada. Mas sabendo que tem outras….ficarei atento.

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  • Rodrigo

    Acabei de receber um e-mail deles. A idéia é licenciar o filme usando uma licença livre. Eles ainda não sabem exatamente qual e estão abertos a sugestões.

    Mais pontos para o pessoal que está fazendo esse filme 🙂

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  • Rodrigo

    Fala Willian, você tem contato com os caras que estão produzindo esse filme? Eu queria saber se eles estão pensando em usar uma licença livre. Acho que tem tudo haver, ainda mais no caso de produções que contam com suporte comunitário. Mandei um e-mail para eles no fim da semana passada perguntando sobre isso mas até agora não me responderam.

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  • Leonardo chamovitz

    Bom te-lo de volta ao blog.

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  • Aline Cavalcante

    infelizmente precisamos tentar manter na memoria das pessoas as tragedias provocadas por elas, pelo poder publico e pelo sistema. A rapidez com que a sociedade ‘limpa’ suas historias ruins é assustadoramente cruel e desumana.

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  • paulo delfino

    gostaria de ingrossar o coro!e como pedalo diariamente,aconpanho,o desrespeito,por parte de muitos motoristas,agem como se fossem donos das estradas,nos fecham a passagem,quando nao passam literalmente por cima!nao consigo saber orazao de tanta presa!ou tanto desrespeito com a vida de seus semelhantes!e se fosse um filho deles que estive ali ou alguem de sua familia!voce gostaria que isto fosse feito com eles!acorda motorista se voce tem preguica!respeita quem ultiliza este meio de transporte alternativo!

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