Leitor: bicicleta na calçada deveria ser removida

O leitor Carlos Shigueru Akamatsu deixou um comentário no artigo “Carro na calçada? Chame a CET” sugerindo que bicicletas na calçada também deveriam ser removidas pelo órgão, pois atrapalham o fluxo de pedestres:

Olá, sempre tento usar o SAC da Prefeitura de São Paulo ( http://sac.prefeitura.sp.gov.br ) para casos de ocorrência frequente, como caminhão de carga e descarga atrapalhando a avenida e visão de pontos de ônibus. Muitas vezes dá certo.

Tenho uma pergunta que é relacionado a estacionar carro na calçada.

Parar a bike no meio da calçada também deveria ser solicitado para CET remover, pois atrapalha a circulação de pedestres (CET/Circulação de pedestres). No google street view você vê muita bicicleta estacionada em postes de semáforo, indicação de rua, e até mesmo em ponto de ônibus (!) … claramente os ciclistas também tem que ter noção.

Calçada é para pedestres, embora muitos usem como ciclovia …

Carlos Shigueru Akamatsu

E atrapalha mesmo?

Carlos, entendo perfeitamente que bicicletas na calçada podem atrapalhar a circulação de pessoas. Já vi, por exemplo, uma bicicleta presa a um orelhão, de uma forma que dificultava bastante seu uso.

Mas veja bem: bicicletas PODEM atrapalhar a circulação, não significa que atrapalhem sempre. Aliás, na maioria das vezes NÃO atrapalham. Veja os exemplos abaixo:

 

Bicicleta presa em poste de sinalização. Foto: Luddista

Ao ser presa em um poste de sinalização, geralmente a bicicleta é colocadas na longitudinal, acompanhando o contorno do meio-fio, o que mantém livre a passagem de pedestres. Repare na foto: o ponto onde a bicicleta está presa não serviria mesmo para passagem de pedestres. A não ser que o objetivo seja atravessar a rua mas, nesse caso, o incômodo é mínimo, já que é possível andar um metro para o lado e atravessar normalmente.

Veja outro exemplo:

Bicicleta presa em poste. Foto: Luddista

Como na foto anterior, a bicicleta está presa em uma parte da calçada que já tem seu uso prejudicado pelo mobiliário urbano (nesse caso, o poste). Se a pessoa quiser passar entre os dois carros para atravessar a rua nesse local, terá que desviar da bicicleta, mas terá que desviar do carro também, que ocupa bem mais espaço que a bicicleta. E se os carros estacionados estiverem com os parachoques muito próximos, o pedestre pode ter que andar o comprimento de vários carros para conseguir chegar na via.

Outro exemplo:

Bicicletas presas a poste em frente a uma locadora. Foto: Luddista

As bicicletas dessa foto estão presas a um poste estreito, em frente a uma locadora de DVDs. Estão na área de estacionamento da locadora, ocupando alguns poucos centímetros do espaço que os carros usariam para estacionar, fora da área principal de circulação dos pedestres, que seria a entrada do estabelecimento.

Um último exemplo, um pouco diferente mas também muito comum:

Bicicletas presas em grade. Foto: Luddista

Se não me engano, essa foto foi tirada em uma estação de trem em Santo André (cidade vizinha a São Paulo). Muita gente vai pedalando até a estação para de lá pegar o trem. Veja que as bicicletas estão fora da ára de circulação de pessoas.

Por que as bicicletas são estacionadas assim?

Quando se precisa estacionar um automóvel, basta encostá-lo na via, próximo ao meio fio. Motos são colocadas a 90 graus, para que fiquem equilibradas e ocupem menos espaço.

Entretanto, não há como estacionar uma bicicleta dessa maneira:

  • A menos que ela tenha descanso (pezinho), não é possível deixá-la parada sozinha, em pé, sem estar apoiada em algum lugar.
  • Por ser leve, mesmo apoiada em um descanso ela pode cair com o simples deslocamento de ar dos carros que passam na rua. A minha já caiu assim, bateu o câmbio no chão e entortou a gancheira, que eu precisei trocar.
  • E, também por ser leve, se você a tranca apenas “nela mesma”, passando o cabo de aço pelas rodas e quadro mas sem prender a lugar nenhum, ela pode ser colocada em cima ou dentro de um carro grande e até carregada nas costas para algum lugar onde o cabo possa ser cortado com tranquilidade.

O que fazer?

Para não ter que apelar para postes de sinalização, grades e corrimões de escadas, é necessário encontrar algum lugar específico para estacionar a bicicleta. Ou seja, um bicicletário ou paraciclo. Em algumas cidades litorâneas isso é muito comum: em Ubatuba, por exemplo, até alguns restaurantes têm paraciclos na porta.

Na cidade de São Paulo, há uma lei municipal obrigando “terminais e estações de transferência do SITP, os edifícios públicos, as indústrias, escolas, centros de compras, condomínios, parques e outros locais de grande afluxo de pessoas” a ter local para estacionamento de bicicletas. Mesmo assim, raros são esses locais.

Paraciclos do Parque Mário Covas, na Av. Paulista, em São Paulo. Foto: Willian Cruz

Portanto, não havendo local específico para estacionar a bicicleta, ou você “dá um jeitinho” de parar dentro do estabelecimento, chora para algum dono de estacionamento fazer o favor de aceitar sua bicicleta ou prende em um poste. Ou vai para casa e volta de carro, já que automóvel pode parar em praticamente qualquer lugar e para a bicicleta dificultam tanto.

Como eu não vou deixar de usar a bicicleta por causa disso, não havendo alternativa paro em um poste mesmo, sem o menor constrangimento ou remorso, apenas tomando cuidado para não atrapalhar o fluxo de pedestres.

E sobre bicicletas nas calçadas…

Carlos comenta também que muita gente usa calçada como ciclovia. A respeito disso, leiam este texto, no qual abordo o assunto.

Qual sua opinião?

Você também acredita que bicicletas não devem ser presas aos postes e que atrapalham por estar na calçada? Ou concorda que, por não haver alternativa, elas podem ser presas ao mobiliário urbano? O município deveria instalar paraciclos nas ruas? Qual a alternativa? Dê sua opinião nos comentários e vamos evoluir esse assunto.


18 comentários para Leitor: bicicleta na calçada deveria ser removida

  • Felipe

    Pesquisando cheguei ao site.
    Quarta feira 17/02 comecei a trabalhar num lugar perto de casa e la não tem bicicletário.
    Ônibus e praticamente contra-mão, demoraria mais para chegar.
    deixei a minha bike numa rua próxima, onde a maioria das pessoas deixam pois tem um shopping e não querem pagar o valor de R$ 6,00 por dia e muitos trabalham lá
    Após meu primeiro dia de trabalho até as 22:00 não estava mais minha bike sofrida, já deixei em um lugar para não em comodar ninguém e numa placa de pare trancada.
    2 reais por dia ta caro para estacionar uma bike no shopping, agora deixo numa placa em frete ao shopping.

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Rubens Cano de Medeiros

    Começa que ninguém – literalmente “ninguém” – se incomoda com o habitual comportamento – dir-se-ia o modus operandi – de imprudência e desrespeito da grande maioria (é o que se nota) de ciclistas paulistanos.

    Bicicleta é modalidade de “mobilidade urbana” sui generis: não é alvo de fiscalização, cada ciclista procede como lhe dá na telha e não se submete a normas legais de trânsito. Todos.

    E não deve mesmo ser assim tão “simples” querer disciplinar bicicletas nas ruas – fiscalizá-las, como é feito com carros e motos.

    Daí que – como todo direito, aliás – quando alguém “reclama” de bicicletas – com tanta coisa muito, mas muito mais significativa – reclama de bicicleta… “estacionada”… na calçada – que “atrapalha”? Tem cara que põe moto!

    Ora, o que “atrapalha”, de fato, é o perigoso costume de pedalar-se nas calçadas, isto sim! Perigo de atropelar, por exemplo, um idoso, uma criança, um deficiente físico – qualquer de nós, não? Pedalar na calçada, claro, só crianças – a quem devemos ensinar, mais à frente, respeitar pedestres.

    No bairro, um exemplo, vemos PMs que patrulham pedalando – aliás, na calçada – eles também deixam suas bikes “estacionadas”, onde? Na rua? Claro que… na calçada! Tu reclamarias, da “otoridade”? Eu?! Só me faltava…

    Se for para “reclamar”, reclamemos de ciclista pedalar na contramão. Ou ignorar semáforo. Ou, ainda, ciclista não sinalizar e, consequentemente, fazer manobras perigosas. Não usar campainha nem farolete: imprudência. Enfim, tudo de ruim, para o próprio que pedala. E, mais ainda, para pedestre, de quem bicicleta é tão próxima. Tu “reclamas”? E resolve? Cadê fiscalização? Ah! Só “alguns” ciclistas são imprudentes, né?

    Outro “grave” exemplo – pior que bicicleta parada na calçada – de longe! Você vai cruzar a rua, na “segurança” do semáforo. Carros e motos, ônibus – todos param. Só que, você atravessando, então entremeando-se aos carros parados – você não pode ver – zuuummm!, passa um doidão pedalando, furando o sinal! Você também “quase” já foi colhido por bicicleta? Ah, não? Bem, você é de… outro planeta!

    Bem, declaro meu respeito à opinião alheia. Porém, com tanta coisa erradamente perigosa que, impunemente, a totalidade de ciclistas faz nas ruas… e se “reclama” de bicicleta paradinha na calçada, só disso? Isso é nada.

    “Reclamar”, no caso, é para o dono da bike, se… “O quê?! Cadê minha magrela? Me roubaram ela!!!”. Aí, de acordo! É justo.

    Olha, data venia, dessa reclamação – bicicleta deixada na calçada, “atrapalhando” nosso ir e vir de pedestre. Muito mal, eu, comparando, eu diria. Peçamos à CET que venha guinchar essa bicicleta. Seria um trabalho como jogar uma bomba atômica! Para matar… um camundongo. Buuummm!!!

    Comentário bem votado! Thumb up 20 Thumb down 0

  • J. Fernando Paiva

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 4 Thumb down 17

  • Carlos Shigueru Akamatsu

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 5 Thumb down 19

    • Willian Cruz

      Carlos, obrigado pela resposta! Agora, melhor explicado, concordo plenamente com seu posicionamento. 🙂

      Abraço,

      Willian Cruz

      Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 2 Thumb down 16

  • Isabel Cristina

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 2 Thumb down 10

  • jose pinheiro

    Bastaria cumprir o que dispõe o código de trânsito e a discussão nem faria sentido, porém, a vocação para a bagunça é carcterística nacional. Nada a fazer.

    Polêmico. O que acha? Thumb up 8 Thumb down 10

  • kano

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 1 Thumb down 25

  • kano

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 1 Thumb down 26

  • Priscila

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 1 Thumb down 13

  • Adriano Acioli

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 0 Thumb down 16

  • Rafael

    Quando algum carro estaciona apenas parcialmente na frente de garagens (pegando um pedacinho), comete irregularidade. No entanto, a CET NÃO remove o carro se ainda for possível a entrada na garagem parcialmente bloqueada. Isso já aconteceu várias vezes na minha rua, já que minha vizinha tem compulsão em ligar para autoridades (1188-CET e 190). (Eu também já usei o 1188, mas eficazmente, guinchando 1 carro estacionado sobre a calçada e outro bloqueando totalmente minha garagem).

    Enfim, tudo isso para dizer que, se a bike parada no poste NÃO atrapalha o fluxo de pessoas, na minha opinião, NÃO DEVE ser removida. Se estiver atrapalhando, deve ser. Simples. Até porque tem folgado em tudo que é veículo.

    O fato é que a cidade não tem bicicletarios suficientes, de modo que o estacionamento de bikes em equipamentos públicos, contanto que não atrapalhe o fluxo de pedestres e cadeirantes, deve ser tolerado.

    Comentário bem votado! Thumb up 5 Thumb down 1

  • LABÃO

    Não sei o quanto pode atrapalhar, evidente que abusos existem mas, é inegável o charme das bikes presas em todo lugar de Paris por exemplo, ou o estacionamento regulamentado para bikes e motos junto ao meio fio nas calçadas de Barcelona. Cito essas cidades por serem grandes metrópolis e que buscam incessantemente soluções para seus problemas de mobilidade o que faz apostarem sempre nas seculares bicicletas.

    Thumb up 1 Thumb down 3

  • Bruno

    Entao o comentario é ate relevante deve se pensar bem sobre o assunto, mas voce deve saber que nem toda cidade voce pode colocar sua bike de maneira segura na rua pois nao existem lugares apropriados para deiixa-las

    Thumb up 0 Thumb down 2

  • Tadashi

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 0 Thumb down 10

  • Phil

    Se instalaçem paraciclos na rua não seria na calçada?! POr isso é importante se preocupar com o transito dos pedestres…

    Como o Willian falou… Sempre que paro minha Sophitia tento colocar em um local que não tenha fluxo de pedestres por exemplo… entre dois postes de luz com espaço de 20 centimetros, SIM ISSO EXISTE E É NA FRENTE DO MEU TRAMPO.

    Otimo post Wilian

    Thumb up 1 Thumb down 3

  • josé

    O município instalar paraciclos nas ruas é uma excelente alternativa, pelo menos nos estabelecimentos de grande circulação de pessoas, isso poderia até estimular o uso de bicicleta no dia a dia não somente como algo relacionado ao lazer, mas também como um meio de transporte.

    Thumb up 3 Thumb down 3

Enviar resposta

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>