Em Audiência Pública, comerciantes pretendem pedir remoção de estrutura que já está praticamente pronta. Foto: Thomas Wang/Bike Zona Sul

Essa ciclofaixa precisa de sua ajuda para não ser removida!

Precisamos agir AGORA para garantir a estrutura. Obra foi suspensa e vereador conseguiu Audiência Pública para tentar remoção.

Mesmo com placas proibindo, motoristas estacionam na ciclofaixa, confiantes na impunidade. Foto: Thomas Wang/Bike Zona Sul

Há placas indicando ciclofaixa e proibindo estacionamento, bem como faixas separadoras no chão. Faltam apenas uma faixa lateral vermelha e os tachões. Mas a obra foi interrompida e a sinalização que já foi implantada corre risco de remoção, gerando custos desnecessários ao erário público e transformando tempo, esforço humano e dinheiro já investidos em um completo desperdício para a cidade. Sem falar no retrocesso.

A implantação de estrutura de proteção na Rua Luis Góis, Zona Sul de São Paulo, foi interrompida em janeiro de 2021. Ao que tudo indica, essa interrupção atendeu ao pedido de um vereador que alega representar os comerciantes da região – que parecem ter algum tipo de poder especial (talvez econômico?) para decidir o que se deve fazer na via pública, negando políticas de proteção à vida e decisões de audiências públicas anteriores.

Com três meses de obra suspensa, motoristas voltaram a estacionar na área agora destinada a ciclistas, ignorando a sinalização vertical que deixa clara a proibição de estacionamento e parada. E a ciclovia ainda corre o risco de ser desfeita.

Vereador Aurelio Nomura convocou Audiência Pública para rediscutir uma ciclovia já aprovada. Foto:Divulgação

Audiência Pública para endossar remoção

O vereador Aurélio Nomura (PSDB) solicitou uma Audiência Pública para discutir publicamente se a ciclovia deve ser removida, o que usaria recursos públicos para desfazer a obra em vez de concluí-la.

Cabe a nós participarmos em peso, exigindo que a estrutura de proteção seja completada, para não sofrermos mais ameaças no local e termos nossa vida protegida em alguma medida pela sinalização de trânsito.

Uma Audiência Pública não é nenhum bicho de sete cabeças: ela é uma reunião pública e aberta para discutir determinado tema ou política pública. E, nesse caso, será realizada pela internet, facilitando a participação.

Todas as falas ficam registradas, tanto dos vereadores que componham a mesa quanto dos cidadãos que se manifestarem. E os que são contrários certamente se manifestarão, pois a audiência foi convocada para atender seus interesses.

Essa Audiência Pública acontece na quinta-feira 8 de abril de 2021, às 10h, e pode selar o destino da ciclofaixa.

Nossa participação é extremamente necessária!

Obs: essa audiência havia sido marcada anteriormente para o dia 15 de março, mas precisou ser adiada por problemas técnicos e foi remarcada apenas agora, com poucos dias de antecedência.

Ajude em 4 passos

1 Participe do abaixo-assinado que pede uma ciclovia na Rua Luis Góis

2 Manifeste-se a favor da ciclofaixa por este formulário. Seu texto ficará registrado como participação popular na audiência pública (não esqueça de indicar a subprefeitura correta, Vila Mariana).

3 Inscreva-se aqui agora mesmo para conseguir garantir sua participação virtual na Audiência Pública, que será feita via internet. Faça um esforço para participar, é muito importante! Você receberá um link que deve ser acessado na quinta-feira 8/4, às 10h. Também será possível acompanhar a Audiência pelo canal da Câmara Municipal no Youtube.

4 Prepare-se assistindo o vídeo que está no final da página (ou neste link), onde você encontra argumentação mais que suficiente para defender a implantação de estruturas como essa, que acima de tudo protegem vidas.

Desrespeito ao rito democrático

Estrutura cicloviária da região já foi aprovada em 2019, em outra Audiência Pública. Foto: Thomas Wang/BZS

Em 2019, antes do início da implantação do Plano Cicloviário do prefeito Bruno Covas (também do PSDB, mesmo partido do vereador), foram feitas Audiências Públicas para discutir as ciclovias que seriam criadas em todas as subprefeituras da cidade. E em 24 de junho daquele ano aconteceu a Audiência que tratou da área convencionada como “Região Sul 1”, englobando as subprefeituras do Ipiranga, Jabaquara e Vila Mariana.

Se o vereador Aurélio Nomura tivesse comparecido ao Auditório da Subprefeitura Ipiranga naquela noite, poderia ter feito seus questionamentos e se posicionado contrário à implantação.

Não faz o menor sentido tentar negar em uma nova Audiência Pública o que já foi definido em outra Audiência Pública. É um desrespeito ao rito democrático.

Ao aceitar como válido e correto criar novas reuniões públicas para rediscutir o que já foi decidido em anteriores, a Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente (da qual o vereador Nomura faz parte), cria precedente para que fiquemos eternamente fazendo Audiências Públicas sem decidir nada, cancelando continuamente decisões anteriores e travando o progresso da cidade.

A Comissão e o Vereador deveriam legislar sobre o tema, não interromper uma obra do Poder Executivo que já foi aprovada anteriormente.

Mapa da estrutura cicloviária discutida e aprovada na Audiência Pública de 2019. Esse mapa estava afixado em um mural durante a reunião, para consulta de todos e, no início da Audiência, foram lidos os nomes das vias que receberiam as estruturas. Em verde escuro, as ciclovias propostas pela Prefeitura; em verde claro, as sugeridas pela população. A seta indica a Rua Luis Góis, com ciclovia prevista de ponta a ponta, sem interrupção alguma. Imagem: Bike Zona Sul

Argumentos que não se sustentam

Quem prejudica o comércio?

Os argumentos que são apresentados por quem tenta negar uma ciclovia costumam variar entre “vou perder clientes” e “como os fornecedores vão descarregar”, passando pelo famoso “há uma escola/hospital/cabeleireiro nessa rua” e até pelo inusitado “pensem em quem transporta um cadeirante no carro”.

Mas quase todos podem ser resumidos a um único ponto: a comodidade de estacionar exatamente em frente a um ponto de interesse, em vez do outro lado da rua ou virando a esquina.

No vídeo que está mais abaixo nessa página esclarecemos todos os equívocos desses argumentos. Mas para além de todas as incoerências e falsas afirmações, há um ponto que deveria tornar todas as outras alegações discussões menores: a proteção à vida.

Com carros estacionados, temos que circular no que seria a segunda faixa da via, com motoristas nos pressionando principalmente nos trechos de subida. Quem circula de bicicleta pela Luis Góis sabe o quanto são comuns as situações perigosas, causadas por motoristas imprudentes e egoístas. São finas, fechadas, xingamentos e ameaças diretas às nossas vidas com o tamanho e peso dos automóveis, que muitas vezes são atirados em nossa direção em uma situação de quase-morte.

Estacionamento versus circulação

A ciclofaixa é uma estrutura de circulação. O que se está fazendo é transformar áreas parcialmente usadas hoje como estacionamento em áreas que recuperem o objetivo principal da via: deslocamento.

Viário usado como estacionamento é espaço ocioso, que reduz a capacidade de fluxo da via. A ciclofaixa transforma esse espaço ocioso em área que permita o deslocamento de mais veículos e de mais pessoas.

Por características como inclinação e conectividade, a Rua Luis Góis é muito usada por ciclistas – inclusive entregadores, que realizam um trabalho importantíssimo em tempos de pandemia. É justo negar estrutura que os separem dos carros e lhes deem segurança? Foto: Thomas Wang/BZS

Área de estacionamento atrapalha a circulação, com carros manobrando constantemente. Uma ciclovia ou ciclofaixa, não. Pelo contrário, desafogam as demais faixas, colocando as bicicletas, que são veículos naturalmente mais lentos, em área onde não reduzam a velocidade de motoristas que estejam com pressa.

E se um empresário depende de usar o espaço público para seu objetivo privado, está fazendo errado. A via não é estacionamento particular de loja alguma, é uma área pública e o objetivo é circulação. Esses comerciantes devem procurar entidades como o Sebrae, para receber orientação sobre como tocar seu negócio sem se apropriar de espaço público de uso coletivo e sem prejudicar o deslocamento e a segurança de pessoas em benefício próprio. 

Não se pode negar uma ciclofaixa, que é estrutura de segurança, com argumentos pessoais. É como dizer que não quer uma travessia de pedestres na porta da loja, porque precisa estacionar um carro ali. Faz sentido? É ético? Merece apoio?

Quem se posiciona contra a ciclofaixa está dizendo claramente que nossas vidas não valem nada e que está tudo bem se continuarem fazendo isso conosco. Desde que não atrapalhem seu privilégio de usar o espaço público para estacionar de forma mais cômoda. Ou como extensão de sua residência ou de sua loja.

Como desbancar afirmações contrárias às ciclovias

Que ciclovias são importantes para proteger a vida das pessoas, quase todo ciclista já sabe. Mas quando entram na pauta de discussão de uma cidade, há sempre uma parcela da sociedade que se se posiciona de forma contrária, por vezes fazendo forte oposição.

“Prejudica o comércio! Atrapalha o trânsito! Onde vou estacionar?” Quem nunca ouviu esse tipo de coisa? Nesse vídeo mostramos os principais argumentos contrários, qual seu motivo e como combatê-los, sobretudo em uma audiência pública, de forma que ciclistas de todo país possam fazer essa defesa quando surge a discussão.

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No vídeo citamos alguns links, que complementam a informação:

1 comentário em “Essa ciclofaixa precisa de sua ajuda para não ser removida!

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