Como foi a homenagem a Julie Dias, na Av. Paulista

Cerca de 200 pessoas estiveram presentes na homenagem a Juliana Dias. Foto: Rachel Schein

Cerca de duzentas pessoas estiveram presentes na homenagem. Foto: Rachel Schein

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Na noite de 2 de março de 2013, aproximadamente 200 pessoas caminharam pela Av. Paulista para homenagear a bióloga Juliana Ingrid Dias, a “Julie”, atropelada ali um ano antes por um motorista de ônibus que não gostou de vê-la em seu caminho.

Saindo da Praça do Ciclista por volta das 20h30, caminharam até o local onde lhe tiraram a vida. Familiares e amigos de Julie também faziam parte do grupo e acompanharam o cortejo, em meio aos ciclistas que caminhavam. “Estamos tentando viver um pouco do mundo que ela vivia”.

A manifestação foi silenciosa e pacífica. Apesar de ocupar apenas uma faixa da avenida, deixando outras três livres para a circulação dos carros, ouvia-se buzinas de motoristas apressados querendo furar o grupo.

Flores foram colocadas em sua ghost bike. Velas foram acesas, bicicletas e pássaros foram pintados ao lado da bicicleta branca. Algumas pessoas deitaram no chão em forma de protesto, simulando as mortes de ciclistas, em uma manifestação conhecida como “die-in”.

Vídeo

Assista ao vídeo com algumas cenas da manifestação:

Em protesto, manifestantes simularam ciclistas caídos no asfalto. Foto: Rachel Schein

Durante o protesto, manifestantes simularam ciclistas caídos no asfalto. Foto: Rachel Schein

Um ano passou e nada mudou

O evento, criado no facebook com o título: “ Pedalada e caminhada Julie Dias – um ano passou e nada mudou”, convidava todos os cidadãos, ciclistas ou não, para o protesto. “Vivemos em sociedade e é através da união que vamos mudar o que está errado na nossa cidade”, dizia a página. “Até quando o trânsito matará mais que uma guerra?”. E, convocando para o ato, o texto afirmava: ”o julgamento cabe à justiça, mas cabe a nós demonstrarmos nossa insatisfação em relação às mortes no trânsito”.

Uma quadra antes do local onde Juliana morreu, a ciclista Márcia Prado foi tragicamente morta em janeiro de 2009, também por um ônibus. De lá para cá, a cidade teve poucos avanços significativos em relação à segurança dos ciclistas, principalmente nas avenidas, embora a malha voltada ao lazer tenha sido bastante ampliada.

Em fevereiro de 2013, a última de uma série de manifestações pedindo a implantação da ciclovia da Av. Eliseu de Almeida resultou na abertura de diálogo com o poder público, a fim de avaliar a melhor maneira de implantar a estrutura naquele local, no menor tempo possível.

Julie Dias durante o Pedal Verde. Foto: Pedal Verde/Divulgação

Julie Dias durante o Pedal Verde. Foto: Pedal Verde/Divulgação

Juliana pedalava e plantava árvores

Bióloga e pesquisadora do Hospital Sírio-Libanês, Juliana Dias dedicava-se a pesquisas com células-tronco e exercia seu papel de cidadã de diversas formas. Uma delas era como integrante do Pedal Verde, grupo que promove passeios de bicicleta plantando árvores pela cidade e conscientizando as pessoas sobre a importância da preservação do meio ambiente.

Julie pedalava por um mundo melhor e teve sua vida interrompida pela imprudência e pela falta de respeito de quem deveria zelar por ela.
Segundo o Código de Trânsito, “os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres”.

Relembre o caso

Na manhã de 2 de março de 2012, Julie estava pedalando para o trabalho, tendo a Avenida Paulista, símbolo da cidade, como parte de sua rota diária. Analisando as imagens veiculadas pela Rede Globo, percebe-se que a ciclista circulava pela segunda faixa, deixando a primeira livre para os ônibus, quando o motorista de ônibus Reginaldo Santos forçou passagem, tentando ultrapassar a ela e a outro coletivo ao mesmo tempo.

Durante a ultrapassagem irresponsável, Santos a fechou e terminou por prensá-la contra o outro veículo, fazendo com que caísse sob suas rodas. O condutor desse ônibus parou imediatamente, mas já não podia fazer mais nada. Desceu do veículo correndo e, consternado, levou as mãos à cabeça quando viu o corpo inerte da menina.

O motorista irresponsável seguiu seu caminho como se nada tivesse acontecido. Detido pela polícia, pagou fiança de R$ 1.500 e foi liberado. Foi indiciado por homicídio culposo, mas não há mais informações sobre o caso desde então.

Willian Cruz


11 comentários para Como foi a homenagem a Julie Dias, na Av. Paulista

  • Adriano Ribeiro

    Juntos por uma cidade sem violência e mais CICLITAS.

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  • Rafael

    Força à família e aos amigos de Julie…

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  • eser

    Quem já sofreu com motoristas de onibus intermunicipais pode enviar uma reclamação , pois quanto mais gente reclamar é melhor , veja a minha reclamação a seguir: ” Trafegava de bicicleta pelo bordo direito da estrada de itapecerica sentido centro e o motorista do onibus de numeral 15678, passou por mim tao perto que quase me atropelou como se eu não estivesse ali, tive que praticamente quase subir na calçada, me senti com senão tivesse o direito a trafegar pela rua, direito este consolidado pelo código de transito brasileiro, por isso venho por meio deste canal pedir que como acontece na sptrans, seja realizado um treinamento aos profissionais motoristas de empresas intermunicipais em relação a velocidade e respeito a pedestres , ciclistas , outros motoristas, enfim , afinal nós somos o transito , pois tenho como meio de transporte a bicicleta como uma alternativa que nao congestiona e deve ser considerada parte do transito. Percebo muita agressividade, direçao ofensiva e não defensiva por parte dos motoristas de empresas intermunicipais e, bem menos respeito do que os motoristas de empresas de onibus da sptrans, sem mais , Obrigado.” link para a ouvidoria: http://www.emtu.sp.gov.br/emtu/ouvidoria/entre-em-contato/por-formulario-eletronico.fss

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  • Paulo

    Uma dica de segurança para reduzir os perigos do trânsito. Surgiu uma idéia de acoplar na bicicleta uma antena corta cerol que é utilizada em motos, para fazer com que os carros distâncie do guidão da bicicleta, utilizando uma fita colorida para que o condutor do veículo veja que há algo na lateral da bicicleta e distâncie para que não risque o carro. Assim acho que evita aqueles motoristas que gostam de tirar finas da bicicleta e como a antena é pequena cerca de 70cm fica distanciada da manopla do guidão cerca de 35cm, bem abaixo dos 1.5 metros que o veículo precisa distânciar da bicicleta ao ultrapassar. Quando o ciclista precisa recolher a antena é só dobrar(algumas antenas possuem esse recurso) ou colocá-la em pé. Fica aqui uma idéia útil para aumentar a segurança.
    Veja a imagem abaixo no Youtube de como irá melhorar a segurança.
    http://www.youtube.com/watch?v=fcCkCDgVh0k

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  • wilson

    E olha só esta notícia… segundo o site, o ciclista bateu no ônibus…
    Quando vão deixar de tratar atropelamentos de ciclistas como “acidentes”?

    http://www.oajundiai.com.br/cidade/cotidiano/acidente-com-onibus-mata-jovem-ciclista-na-ferroviarios

    Já pedalei em Jundiaí algumas vezes, mas me sinto mais seguro andar nas ruas de São Paulo que nas ruas de Jundiaí. Já ouvi motoristas me mandando pedalar na calçada!

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  • Maria Eugênia

    Infelizmente, queridos ciclistas, estamos no BRASIL e não na Suécia!! Aqui nada funciona…É o país das “vergonhas”. Deixo aqui meu repúdio às autoridades, às leis e ao monstro Alex bêbado ao volante.

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    • Paulo

      Mas poderemos ser uma nova Suécia, melhor e com leis que funcionam. Como? fazendo pequenas ações reclamando, protestando, informando, melhorando nossa educação, respeitando o próximo,… foi assim com vários povos(exemplo Europa) no mundo antigamente que eram reprimidos e não tinham seus direitos respeitados, mas com luta, protestos, união,… hoje são países com qualidades de vida boa.

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  • Kong

    Triste viver num país onde a impunidade é amplificada e perpetuada com leis penais retrográdas e a falta de total responsabilidade de motoristas de ônibus que não respeitam os pedestres e ciclistas. Penso na dor da família dessa pessoa que se foi por causa de um assassino que simplesmente provocou o acidente de forma dolosa (intencional). Uma pessoa do bem, querendo promover o bem comum, com ideais bonitos, mas a maldita espécie humana e ignorante que vem sendo amplificada num contexto social de baixo nível social e cultural acaba sendo o mal que destrói a humanidade. Com certeza, ela deve ter evoluído para um mundo melhor, onde a justiça, a paz e a harmonia imperam num ambiente sábio. Não a conhecia, mas foi um grande exemplo de vida e deixou sua marca pra humanidade.

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