O que são Zonas Verdes, Vagas Vivas e parklets?

A primeira Vaga Viva de São Paulo, em 2006. De lá para cá, vêm sendo realizadas todos os anos. Foto: Willian Cruz/VdB

A Vaga Viva consiste em uma ocupação temporária de algumas vagas de estacionamento de carros, transformando-as em área de convivência, de lazer e área verde. O objetivo é provocar uma reflexão sobre o uso atual do espaço urbano, cada vez mais dedicado aos automóveis, em forma de avenidas, viadutos, estacionamentos, etc. Recentemente, começaram a ser chamadas de Zonas Verdes em São Paulo. Quando oficializadas permanentemente, passam a ser denominadas parklets.

As vagas de estacionamento para carros nas ruas representam espaço público que os cidadãos não podem usar coletivamente, servindo apenas como apoio e incentivo a um uso cada vez maior do automóvel. Esse tipo de uso também aumenta a insustentabilidade da cidade, devido à impermeabilização do solo derivada da falta de áreas verdes nas ruas, o que acaba elevando as temperaturas do ambiente urbano e tornando os espaços desconfortáveis, afastando o convívio entre as pessoas.

Dentro da programação da Semana da Mobilidade, em setembro, são sempre montadas Vagas Vivas em diversas cidades do Brasil, para atividades de lazer e convivência entre as pessoas. O objetivo é estimular o debate sobre a relação entre a cidade, o automóvel e as pessoas. Eventualmente, Vagas Vivas são montadas em outras ocasiões, como a Semana do Meio Ambiente, por exemplo.

Novo nome, velhos conceitos

Realizada no Brasil desde 2006 com o nome de Vaga Viva, a ação foi rebatizada de Zona Verde em 2013 pela iniciativa privada e tratada como novidade pelos meios de comunicação, gerando buzz e beneficiando-se das tintas da sustentabilidade.

Não há mal em haver apoio institucional à iniciativa, mas se ela não trouxer consigo a discussão sobre uma melhor utilização do espaço público e a redução do uso do automóvel, perde-se o objetivo original da manifestação e toda a discussão positiva sobre as mudanças necessárias à cidade. A quebra de conexão com as iniciativas anteriores, simulando uma suposta inovação, é bastante questionável e claramente desnecessária.

Zonas Verdes e parklets representam muito mais do que trocar alguns metros de asfalto por espaço de convivência. Vão muito além do design e paisagismo. Simbolizam uma amostra do que a cidade pode vir a ser – e essa discussão não pode ser diluída à luz dos holofotes.

Origem

A Vaga Viva surgiu em São Francisco, nos Estados Unidos, em 2005, com o nome de “Park(ing)”, como uma iniciativa do Rebar, estúdio que se declara trabalhar “na intersecção da arte, design e ecologia, criando projetos que inspiram as pessoas a reimaginarem o ambiente e seu lugar nele”.

A primeira Vaga Viva do mundo, feita em 2005 em São Francisco, nos Estados Unidos. Por duas horas, a vaga de estacionamento virou parque, numa iniciativa que inspirou o mundo. Foto: Rebar/Divulgação

Pôster da Rebar sobre o PARK(ing) Day.

Do site da Rebar: “em 16 de novembro de 2005, identificamos um local no centro de São Francisco que é mal servido de espaço público aberto e é lugar ideal e ensolarado entre meio-dia e duas da tarde. Lá, instalamos um pequeno e temporário parque público, fornecendo natureza, bancos e sombra. Nosso objetivo era transformar uma vaga de estacionamento em um ‘PARK(ing) space’ ” – um trocadilho entre parking (estacionamento) e park (praça).

Rapidamente, a iniciativa ganhou adeptos em todo o mundo, inclusive no Brasil. Em São Paulo, foi realizada pela primeira vez no Dia Mundial Sem Carro de 2006 e vem sendo repetida regularmente, todos os anos.

PARK(ing) Day: 21 de setembro

O dia “oficial” de se fazer a Vaga Viva é o 21 de setembro, quando a iniciativa é reproduzida em todo o mundo. Há até site oficial. Em alguns lugares há uma maior flexibilidade de datas, associando a iniciativa à Semana da Mobilidade e especialmente ao Dia Mundial Sem Carro, que ocorre no dia 22.

No Brasil

A primeira Vaga Viva do Brasil foi feita no Rio de Janeiro, em 12 de setembro de 2006. Poucos dias depois, foi montada uma em São Paulo. De lá para cá foram muitas, em todo o país, geralmente com duração de um dia. Algumas tiveram apoio da prefeitura quanto ao uso do espaço, muitas não, mas a característica de retomada do espaço público pelas pessoas sempre foi preservada.

Veja fotos de algumas das ações, realizadas por iniciativa popular e de grupos e entidades que buscam cidades mais humanas:

São Paulo, 2009. Foto: João Lacerda

São Paulo, 2009. Foto: João Lacerda

Aracaju, 2012. Foto: Ciclourbano/Divulgação

Aracaju, 2012. Foto: Ciclourbano/Divulgação

São Paulo, 2012. Foto: Ricardo Young/Divulgação

São Paulo, 2012. Foto: Ricardo Young/Divulgação

Campinas, 2011 - com direito a ciclofaixa! Foto: Wilder Stanrley Degan/Divulgação

Campinas, 2011 – com direito a ciclofaixa! Foto: Wilder Stanrley Degan/Divulgação

Florianópolis, 2011. Foto: Coletivo Sem Fronteiras/Divulgação

Florianópolis, 2011. Foto: Coletivo Sem Fronteiras/Divulgação

São Paulo, 2010. Foto: Sesc/Divulgação

São Paulo, 2010. Foto: Sesc/Divulgação

Campinas, 2009. Foto: Vagner Praça do Coco/Divulgação

Campinas, 2009. Foto: Vagner Praça do Coco/Divulgação

Florianópolis, 2008. Foto: ViaCiclo

Florianópolis, 2008. Foto: ViaCiclo/Divulgação

Rio de Janeiro, 2007. Foto: Divulgação

Curitiba, 2008. Foto: Bicicletada Curitiba/Divulgação

Porto Alegre, 2010. Foto: Vaga Viva POA/Divulgação

São Paulo, 2010. Foto: Divulgação.


12 comentários para O que são Zonas Verdes, Vagas Vivas e parklets?

Enviar resposta

  

  

  

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>