Bicicletário do Largo da Batata, em São Paulo, deve ser inaugurado em maio

Bicicletário será gratuito, 24 horas, e contará com bancos, bebedouros e ferramentas de mecânica básica. Pressão popular foi fundamental para construção do estacionamento. Imagem: Divulgação/SPUrbanismo

Bicicletário será gratuito, aberto 24 horas e contará com bancos, bebedouros e ferramentas de mecânica básica. Pressão popular foi fundamental para construção do estacionamento para bicicletas. Imagem:Divulgação/SPUrbanismo

Situação da obra em 26 de março de 2014. Foto: Rachel Schein

Situação da obra em 26 de março de 2014. Foto:Rachel Schein

Após três meses de obras, o bicicletário do Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, está praticamente pronto e aguarda apenas trâmites burocráticos para ser inaugurado e começar a operar. A previsão é que até maio esteja pronto e com o modelo de operação definido. A área externa está entregue, porém ainda falta ser instalado o mobiliário interno.

Com projeto sob responsabilidade da SPUrbanismo, empresa pública ligada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano de São Paulo (SMDU), o bicicletário vai atender à demanda dos ciclistas com 80 a 108 vagas de estacionamento, bancos, bebedouros e um espaço para manutenção de bicicletas equipado com ferramentas. O funcionamento será 24 horas.

Estão sendo estudados dois modelos de operação, um com funcionário prendendo as bicicletas, outro com o próprio ciclista trancando o veículo. No caso do próprio usuário prender, haverá a oferta de 18 vagas em paraciclos no formato “U” invertido, sendo as demais em forma de gancho; caso a guarda seja feita por um funcionário, haverá mais vagas, todas em gancho. Para utilização do local será necessário um cadastro simples, com nome e documento, para coibir furtos.

O banco Itaú encaminhou à Subprefeitura de Pinheiros uma proposta de Termo de Cooperação para a operação e gestão da estrutura, que precisa ser aprovado pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), órgão que regula a publicidade na cidade.

Junto ao bicicletário irá funcionar uma floricultura, que teve a licitação finalizada na última semana, porém não houve interessados. Um novo edital será lançado nos próximos dias. A prefeitura prometeu ainda conexão Wi-Fi no Largo da Batata e mobiliário urbano para que a praça possa ser melhor usufruída pelos cidadãos.

Coletivo CicloLiga criou petição online para pressionar poder público a construir bicicletário. Foram conseguidas mais de 22 mil assinaturas. Imagem: Reprodução/CicloLiga

Coletivo CicloLiga criou petição online para pressionar poder público a construir bicicletário. Foram conseguidas mais de 22 mil assinaturas. Imagem: Reprodução/CicloLiga

Demanda popular

O espaço é fruto da demanda popular de ciclistas e moradores da região, que se juntaram para dialogar com a SPUrbanismo. “A ciclovia da Pedroso e Faria Lima era inicialmente meu foco com outros colegas ciclistas e de associação de bairro”, explica Joana Canedo, integrante do grupo Ciclovia da Pedroso. “Enquanto trabalhávamos para entender por que a ciclovia não era concluída, nos demos conta de que não havia projeto para bicicletário ao lado do metrô Faria Lima. Entre todos os contrassensos do projeto, esse parecia um dos maiores: como fazer uma ciclovia passar pelo metrô e não criar opções para o ciclista deixar a bicicleta e pegar o metrô – a tal da ‘conexão entre modais’?”

De acordo com ela, depois que os ciclistas descobriram que não havia projeto nem interesse da ViaQuatro (empresa que administra a linha amarela do metrô) na construção de um bicicletário junto à estação Faria Lima, o coletivo CicloLiga criou um abaixo-assinado na plataforma virtual Change.org e conseguiu mais de 22 mil assinaturas. “Com essa pressão e muita negociação com a subprefeitura de Pinheiros, SPUrbanismo, metrô e ViaQuatro, conseguimos sentar para desenvolver a ideia”, diz Joana. A prefeitura resolveu assumir o projeto e a construção do bicicletário em discussão conjunta com membros da sociedade civil e outros entes do poder público.

Vale lembrar que a legislação municipal obriga a construção de bicicletário em locais com grande afluxo de pessoas.

História

Coletivo "A batata precisa de você" realiza eventos culturais públicos e periódicos no Largo. A ideia é reocupar e revigorar o espaço deteriorado pelas obras imobiliárias do ex-prefeito Paulo Maluf (PP). Foto:Reprodução/Facebook

Coletivo “A batata precisa de você” realiza eventos culturais públicos e periódicos no Largo. A ideia é reocupar e revigorar o espaço deteriorado pelas obras imobiliárias do ex-prefeito Paulo Maluf (PP). Foto: Reprodução/Facebook

Há registros da ocupação da região do Largo da Batata por indígenas por volta de 1560, ano que marca a fundação do bairro de Pinheiros. Já no século XX, o local recebeu a instalação do “Mercado dos Caipiras” em 1910. Também ali foi construído um galpão para ser usado pela Cooperativa Agrícola de Cotia, que se dedicava ao cultivo de batatas e fornecia seus produtos ao Mercado de Pinheiros. Daí se originou o apelido Largo da Batata, pelo qual ficou conhecida a região. Somente em julho de 2012 teve seu nome reconhecido oficialmente.

O Largo da Batata manteve sua vocação comercial ao longo dos anos e só mudou sua história quando, em 1995, o então prefeito Paulo Maluf (PP) deu início à Operação Urbana Consorciada Faria Lima, que transformaria para sempre a região. Comerciantes foram obrigados a se mudar e o espaço, que sempre teve vida ligada ao comércio popular, foi transformado em uma grande área vazia, cimentada e morta.

Mas as iniciativas de coletivos como A Batata precisa de você, entre outros, têm mudado essa história com a reocupação do largo por meio de atividades culturais. Em entrevista à Gazeta de Pinheiros, o urbanista João Sette Whitaker diz:

“O Largo da Batata tem uma enorme importância urbanística como espaço de conexão. Mas essa confluência não pode ser pensada apenas para os carros, mas sim para as pessoas, que vão para seus trabalhos ou suas casas. Ele continua sendo um lugar de encontro, de parada. Como uma área de respiro na cidade, tem a função maior do espaço público, que é a confluência, a aglomeração, a manifestação.”

Aos poucos o Largo da Batata começa a ganhar vida. Vida inteligente.

Imagem: Divulgação/SPUrbanismo

Imagem: Divulgação/SPUrbanismo


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