Nova York pretende zerar mortes no trânsito em dez anos; São Paulo sequer tem planos

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De acordo com especialista da Rede Nossa São Paulo, redução da velocidade é medida fundamental para reduzir crimes de trânsito. Foto: Janette-Sadik-Khan/Reprodução

De acordo com especialista da Rede Nossa São Paulo, redução da velocidade é medida fundamental para reduzir crimes de trânsito. Foto: Janette-Sadik-Khan/Reprodução

Incidentes de trânsito não são mais nem notícia na capital paulista – exceto pelo congestionamento, já que sempre tem um motorista parado em uma avenida lamentando a falta de fluidez. Falta muito ainda para São Paulo decretar guerra contra os crimes de trânsito, com fez Nova York (EUA). Em 2009, a cidade norte-americana computou 256 mortes. São menos de 3,5 ocorrências por grupo de 100 mil, o índice mais baixo desde 1910, quando começou a ser calculado.

Ainda assim, o prefeito da cidade, Bill de Blasio, estipulou o prazo de 10 anos para “zerar” as mortes no trânsito. “Serão 63 iniciativas. Algumas incluem mudança no traçado, como ruas mais estreitas ou outras estratégias de traffic calming”, explica Carlos Aranha, do grupo de trabalho de Mobilidade da Rede Nossa São Paulo. A ONG está propondo mudanças para a prefeitura paulistana que sigam os mesmos princípios de NY, para reduzir mortes no trânsito da cidade.

Esse tipo de mudança é feito com base no paradigma de transporte do Visão Zero, programa implementado na Suécia em 1997 e que redesenhou o sistema de transportes priorizando a segurança. A ideia central que norteia todos os princípios é que “nenhuma morte é aceitável”. O resultado é que incidentes de trânsito envolvendo pedestres no país caíram 50% nos últimos cinco anos. Os pilares são mudanças na infraestrutura viária, tecnologia de prevenção de acidentes nos veículos, educação e fiscalização.

Em São Paulo, Aranha acredita que duas mudanças já fariam uma diferença brutal no volume total de mortes. “É urgente aumentar radicalmente a fiscalização e punição de infratores, especialmente por não parar na conversão para dar passagem ao pedestre e ao ciclista, e por não parar pro pedestre na faixa sem semáforo. O segundo ponto é deixar a estrutura de circulação do pedestre mais segura fisicamente”, afirma.

Pedestres atravessam rapidamente a Av. Paulista. Foto: Rachel Schein

Apesar de ser o elemento mais frágil no trânsito, pedestre é o que recebe menor atenção do poder público em políticas de segurança viária. Foto: Rachel Schein

Prioridades

Lugares com grande índice de atropelamentos merecem prioridade. “O Projeto Travessia Segura já existe desde a gestão Kassab, mas não foi implementado”, diz Aranha. “A CET sempre teve abertura para alguns assuntos com a Nossa São Paulo, mas para falar de pedestre, não. Nunca conseguimos falar com a Gerência de Segurança de Trânsito. O problema é ainda olhar o trânsito como uma mecânica que tem que ser eficiente, não como parte da cidade que tem que ser harmônica”, afirma Aranha. “Temos quatro vezes mais mortes que em Nova York e ainda não estamos falando nem de redução.” Para se ter uma ideia, em 2012, São Paulo teve 1.231 mortes no trânsito. A frota de veículos é de 7,5 milhões, contra dois milhões em Nova York.

Os programas tipo Visão Zero protegem a todos os usuários da mobilidade de uma cidade, mas o foco principal é sempre em quem está a pé. “O pedestre é a maior vítima sempre, em qualquer lugar do mundo. As principais ações são de redução de velocidade máxima em todas as vias. Se fosse aplicar o conceito em São Paulo a minha proposta seria 40 km/h na cidade inteira, e 60 km/h ou 70 km/h nas expressas”, finaliza Carlos Aranha.

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