Empresas de bike courier adotam aplicativos para atender clientes

Tecnologia otimiza trabalho de bikeboys. Foto: Divulgação

Tecnologia otimiza trabalho do bike courier. Foto: Divulgação

O caótico trânsito das grandes cidades tem sido bem explorado por empresas de bike courier que se locomovem com agilidade e rapidez. E a tecnologia tem agregado ainda mais facilidades ao serviço com a chegada de aplicativos para pedido de bikers – os chamados “apps”.

Em São Paulo, a Bikentrega – Entregas não poluentes, firmou parceria com a VaiMoto, plataforma para pedido de motoboys por meio de aplicativo de celular. Lançado no fim de 2013, a startup cresceu rapidamente e vai desembarcar em breve no Rio de Janeiro. “Atualmente a tendência é ter tudo sempre à mão, todos querem tudo na hora e no caso das entregas é a mesma coisa, porém com um diferencial: poder acompanhar em tempo real onde seu pacote está”, explica o proprietário da empresa, Emerson Violin. “Como a onda de aplicativos explodiu para todos os setores, nossa área também aderiu ao mundo digital”, completa.

A Bikentrega também é parceira da Rapiddo e, para não haver conflito de interesses, possui duas equipes distintas para atender aos clientes de ambas. Entre as vantagens de aderir ao mundo dos aplicativos, Violin destaca o investimento zero e o aumento no número de pedidos graças ao novo canal.

A tecnologia segue parte da lógica de funções dos aplicativos de táxi. Com o aplicativo (disponível apenas para iOS por enquanto) o usuário ganha facilidades para fazer o pedido e o pagamento, além de poder acompanhar remotamente o transporte da sua carga. Os bikers são identificados e o cliente escolhe entre o motofretista ou o ciclista, podendo escolher pelo preço que será cobrado e pela avaliação de serviços anteriores do portador. Violin explica que a cobrança de preços para os motofretistas é livre, cada um coloca o preço que achar justo. “No caso das bikes criamos uma tabela, onde nosso preço é fechado, dependendo de quantos quilômetros teremos que pedalar. Geralmente nossos valores são próximos aos das motos”, diz.

Victor Castello Branco, diretor da Ecolivery Courrieros, destaca a importância de não ficar de fora desse canal de demanda. “Temos parceria com a plataforma de logística Loggi, que utiliza um aplicativo próprio para pedidos, e já representa 3% das nossas viagens semanais”, diz. Branco informa que a Ecolivery Courrieros já possui uma versão própria de aplicativo, mas está segurando o lançamento por receio de não dar conta da demanda.

Alexandre Bazzi, da Smart Entrega. Foto: Gabriela Brazão

Alexandre Bazzi, da Smart Entrega: “colocamos GPS nos bikers”. Foto: Gabriela Brazão

Autônomos

Ciclistas que atuam como autônomos e freelancers também estão na mira de empresas de transporte de documentos e cargas por bicicleta. Foi lançado recentemente para Android o aplicativo Smart Entrega, que se propõe a agregar motofretistas e, principalmente, ciclistas.

“Colocamos GPS nos bikers para medir as distâncias mais confortáveis para deslocamentos e tempo”, explica o CEO da empresa, Alexandre Bazzi. Foram colhidos dados de velocidade média, distância, número de paradas, tempo gasto e influência de horário para determinar como a empresa pode atuar de maneira mais eficiente. A avaliação foi feita com 30 ciclistas autônomos indicados pelo Sindicato dos Mensageiros, Motociclistas, Ciclistas e Mototáxis de São Paulo (Sindimoto).

Bazzi explica que todos são Microempreendedores Individuais (MEI), e como a profissão não é regulamentada a empresa criou uma lista de itens de segurança obrigatórios. A partir das informações fornecidas pelo cliente o sistema determina se o transporte será feito por bike ou moto. “Ainda existe preconceito com o ciclista e muitos clientes nem sabiam que tinham contratado um biker.”

A cobrança é, em média, R$ 26 com dois pontos de parada. “Os clientes pagam direto na plataforma e os ciclistas recebem a parte deles no quinto dia útil”, diz Bazzi. A Smart Entrega fica com 15% a 20% de comissão. A empresa está estudando a possibilidade de fazer parcerias com empresas de courier. “Apostamos na bicicleta como solução ao caos urbanos das grandes cidades por sua eficiência e sustentabilidade. O Rio de Janeiro será o próximo destino.”

Responsabilidade compartilhada

O diretor da EcoBike Courier, Cristian Trentin, traz à tona uma preocupação com a chegada dos aplicativos. Em caso de extravio ou perda de documentos ou mesmo o envolvimento do portador em algum acidente durante o trajeto, a empresa dona do aplicativo será responsabilizada junto com o portador. “No direito civil isso é chamado de responsabilidade compartilhada e acontece quando eu faço a contratação de um serviço por meio de um aplicativo e ele passa isso para um terceiro”, explica o advogado especialista na área cível da Corrêa, Ongaro e Sano Advogados Associados, Carlos Palmieri.

Trentin acrescenta que por esse motivo grandes empresas preferem não usar aplicativos, pois podem ter um prejuízo grande em troca da economia de R$ 2 ou R$ 3 a menos em uma entrega. “As empresas de bike courier possuem funcionários registrados, com seguro de vida e seguro para entrega. Isso diminui riscos”, diz. A EcoBike Courier possui parceria com a Rapiddo para atender Curitiba. A empresa também possui unidades em São Paulo e Porto Alegre.

O bike courier Rodrigo Vinícius é microempreendedor individual e junto com outros bikers criou a Spartan Bike Messenger, que funciona em formato de cooperativa. “Cada entregador recebe 100% do serviço que faz e no final do mês fazemos rateio para o pagamento de gastos coletivos como celular, mídia, etc”, informa. Ele diz que ainda não tem parceria com aplicativos, mas pretende fazer isso em breve.

Vinícius possui seguro que cobre perda, estrago ou extravio da carga para prejuízos de até R$ 500, “A responsabilidade da carga é totalmente do entregador se for assaltado ou alguma avaria ocorre. Também questionamos o que será entregue para que não haja problemas. Se eu não souber o que estou levando como eu posso assegurar?”, questiona.

As oportunidades já estão surgindo. Só o tempo dirá como o mercado se adaptou aos aplicativos.

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