Contagens mostram aumento de até 53% no fluxo de ciclistas em São Paulo

Contagem na recém-inaugurada ciclovia da rua Vergueiro. Foto: Carlos Crow

Ciclistas fotografados durante a contagem na recém-inaugurada ciclovia da rua Vergueiro. Foto: Carlos Crow

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A Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade) realizou três contagens de ciclistas em 2014 como parte da programação do Mês da Mobilidade. Dois locais foram os mesmos de 2013: avenida Inajar de Souza, na Vila Nova Cachoeirinha (zona norte), e avenida Eliseu de Almeida, no Butantã (zona oeste). A novidade nesse ano foi na rua Vergueiro, no Paraíso (centro).

A Ciclocidade realiza contagens em São Paulo desde 2010. Com base nos dados desse ano é possível dizer que o investimento em infraestrutura cicloviária impacta diretamente no aumento do uso da bicicleta para deslocamentos. “Estrutura gera demanda. São Paulo tem um déficit importante de políticas cicloviárias e os 17 mil km de ruas que podemos compartilhar ainda não oferecem condições adequadas. Com as ciclovias poderemos ter mais segurança e conforto e, com isso, fazer com que mais pessoas optem pela bicicleta para seus deslocamentos”, afirma Gabriel Di Pierro, diretor-geral da Ciclocidade.

Foto: Carlos Crow

Foto: Carlos Crow

Zona norte

A contagem na Inajar de Souza foi realizada em 2 de setembro, das 5h às 20h. Foram registrados 1410 ciclistas em 15 horas de contagem, o que dá uma média de 94 ciclistas por hora. O total se manteve estável em relação ao ano passado (1413).

Os horários de pico foram entre 7h e 8h, com 258 ciclistas (média de 4,3 bicicletas por minuto), e entre 17h e 18h, com 205 ciclistas. As mulheres representaram 2% do total das pessoas que passaram pelo local (22); no quesito acessórios de segurança, 119 ciclistas usavam capacete, o que dá 8% do total.

A avenida Inajar de Souza possui uma ciclovia em canteiro central, construída em 2007, mas que ainda está incompleta em dois aspectos: em relação ao seu trajeto original, que previa a ligação entre a Ponte da Freguesia do Ó e a avenida General Penha Brasil, e em relação às normas vigentes de sinalização e segurança para que seja considerada, de fato, uma ciclovia, como a pintura vermelha da via.

Além disso, nenhum trecho possui sinalização em cruzamentos e a velocidade permitida na via é de 60 km/h, resultando em dificuldades nas travessias de acesso ao lote e maior risco nas intersecções. Apesar do seu uso intenso, não há nenhuma infraestrutura cicloviária que alimente a ciclovia da Inajar de Souza. “Há duas questões sérias que poderiam aumentar muito o uso: a melhoria das condições de travessia das pontes da região, em especial a da Freguesia do Ó, e a continuidade da ciclovia por mais 2 km sentido bairro”, diz Pierro.

A zona norte é isolada geograficamente pelo rio Tietê e pela Serra da Cantareira e quem ali mora precisa atravessar pontes para acessar outras regiões da cidade. A ponte da Freguesia do Ó é um limitador físico para a travessia de pedestres e ciclistas, pois seu viário e alças de acesso da Marginal Tietê são utilizados por veículos em alta velocidade. Mesmo com a promessa de 400 kms de ciclovias para São Paulo, nenhuma ponte da cidade foi adaptada até o momento para travessia segura de pedestres e ciclistas.

Na ponte da Freguesia do Ó, os próprios ciclistas chegaram a pintar pictogramas para indicar a presença de bicicleta na via.

Na ponte da Freguesia do Ó, os próprios ciclistas chegaram a pintar pictogramas de bicicleta no asfalto, para indicar a presença de ciclistas na via.

Zona oeste

A segunda contagem foi realizada na avenida Eliseu de Almeida em 9 de setembro, entre 6h e 20h. O total de ciclistas foi 888, um aumento de 53% comparado à contagem de 2012 (580). A média de ciclistas por hora foi de 63,42. Os horários de pico foram das 7h às 8h (113) e 17h às 18h (111).

Na extratificação por sexo, as mulheres representam 7% do total (60). Comparada às duas últimas pesquisas realizadas em 2010 e 2012, o aumento foi de 666% e de 300% respectivamente. O capacete foi usado por 320 ciclistas, ou 36% do total.

A contagem desse ano foi a primeira realizada após a sinalização da ciclovia no canteiro central, portanto pode-se afirmar que o crescimento é resultado direto da infraestrutura cicloviária da avenida, importante ligação entre Taboão da Serra e São Paulo. Para o diretor-geral da Ciclocidade, o aumento da presença cilistas na Eliseu de Almeida mostra a importância de se construir estruturas para a cidade. “O fato de haver mais uso mostra a pertinência dessa demanda por quem já era ciclista, mas também o fato da estrutura possibilitar outras pessoas migrarem para a bicicleta. Há uma demanda reprimida significativa.” O bicicletário da estação Butantã do Metrô (linha 4 – Amarela), por exemplo, está frequentemente lotado.

É importante lembrar que os primeiros 3 km da avenida Eliseu de Almeida foram entregues em junho desse ano pela subprefeitura do Butantã, após 10 anos de promessas do poder público. Há o compromisso da subprefeitura e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de levar à ciclovia até Taboão da Serra ainda em 2014, mas as obras ainda não começaram.

Trecho inicial da Eliseu de Almeida foi sinalizado em junho. Foto: Rachel Schein

Trecho inicial da Eliseu de Almeida foi sinalizado em junho. Foto: Rachel Schein

Centro

A novidade esse ano foi a contagem realizada na rua Vergueiro, via que recentemente teve sua ciclovia inaugurada onde antes havia uma motofaixa. Realizada em 16 de setembro das 6h às 20h, foram 1021 ciclistas contabilizados, uma média de 72,92 por hora.

Os horários de pico foram das 8h às 9h (97) e das 18h às 19h (119 ciclistas, numa média de 2 por minuto). O sentido mais movimentado foi do Jabaquara ao Centro, com um total de 257 ciclistas. As mulheres representam 9,59% (98) e o uso do capacete foi notado em 483 ciclistas (47,3%).

A infraestrutura da Vergueiro foi inaugurada em agosto como parte do plano de 400 km de ciclovias até 2015. A via é um importante meio de conexão entre a Praça da Sé, avenida Paulista e zona sul. Para Pierro, mais pessoas estão usando a bicicleta como transporte graças às ciclovias. “O uso (de bicicletas) desde a criança à população idosa é um indicador relevante de qualidade de vida quando essas pessoas podem usar os espaços públicos da cidade”, finaliza.

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8 comentários para Contagens mostram aumento de até 53% no fluxo de ciclistas em São Paulo

  • Ana Higa

    Gente, não tem contagem da zona leste? Sou do Tatuapé e queria muito conhecer mais ciclistas por aqui e saber dos numeros para poder melhorar essa região tbm! Me sinto um pouco ilhada :p.

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  • Junior

    Olha o “”implicante”"… implicando…
    Agora, pergunto: pra que fazer uma matéria dessa ?
    http://www.implicante.org/blog/mesmo-com-ciclofaixas-diminui-o-numero-de-usuarios-frequentes-de-bicicleta-em-sao-paulo/

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  • Rosana

    Parabéns ao pessoal da Ciclocidade, que se organiza e trabalha pelo objetivo de uma cidade melhor! Que todos os cidadãos cumpram seu dever como tais e saibam batalhar com seriedade pelo direito de viver em uma cidade para pessoas, em vez de lançar tachinhas no caminho dos outros ou farpas virtuais nos comentários por aí.

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  • Renata

    Comprei um bike há 3 anos e ela sempre foi subutilizada. Andava somente nos domingos na ciclofaixa. Há cerca de 1 mês criei coragem e resolvi fazer programas sociais, por exemplo, cinema e ir ao trabalho. Meu trajeto é curto e já percebo q falta muito respeito dos motoristas. E recentemente fui ao cinema e não tinha lugar para guardar minha bike. Mas sou otimista e acredito q em breve será melhor.

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    • Rosana

      Que bom , Renata! Logo vc vai perceber que também muitos respeitam, e que o fato de vc chegar em algum lugar de bike vai fazer com que as pessoas comecem a pensar em locais para receber bem clientes que chegam de bicicleta. Avante e sucesso!

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  • Eduardo

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 1 Thumb down 7

  • Raphael

    Boa noite,
    Sempre acreditei na bicicleta como modal em grandes centros, como ocorre em São Paulo e também procuro estar antenado nas reportagens ligadas a esse assunto. Um dos contra argumentos que ouço contra o uso das bikes no dia a dia para trabalho é que ela não é um transporte adequado para grandes distâncias e partindo disso algumas pessoas não acreditam na implantação de ciclovias muito extensas.

    Sei que historicamente na maioria das vezes quem utiliza bicicleta no dia a dia para trabalho é a populaçao de menor renda. Existe alguma referência que relaciona o uso das bikes em relação a distância? Qual argumento que poderia utilizar, além da integração dos modais para longas distâncias?

    Obrigado.

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    • Otávio

      Caro Raphael as ciclovias são utilizadas principalmente como meio de transporte de ligação, a literatura aponta que 6 km como a distância que um ciclista médio esta disposto a pedalar para ir de um modal a outro, ou até seu destino final. Por isso que é muito importante que as ciclovias paulistanas liguem pontos como terminais, estações etc.
      Em Copenhague, 60% dos deslocamentos durante a semana são feitos de bicicleta, para atender a população fora do centro estão sendo implantadas ciclovias expressas, o objetivo é atender um raio de 20km.

      ATT
      Otávio Rocha
      Arquiteto e Urbanista

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