Avaliação da ciclovia da Av. Ministro Petrônio Portella, zona Norte de SP

Cruzamentos na nova ciclovia não indicam prioridade de circulação do ciclista, colocando em risco a vida de quem pedala. Foto: Enzo Bertolini

Cruzamentos na nova ciclovia não indicam prioridade de circulação do ciclista, colocando em risco a vida de quem pedala. Foto: Enzo Bertolini

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) finalizou os 2,6 km de ciclovias na avenida Ministro Petrônio Portela, entre a avenida General Edgar Facó e a rua José Carlos Monteiro, na Freguesia do Ó, na zona norte de São Paulo. A entrega ocorreu com atraso de pouco mais de dois meses, já que a infraestrutura estava prometida para setembro, segundo o cronograma divulgado pela CET.

A ciclovia é parte de um complexo maior de vias exclusivas para bicicleta planejadas para a região. Um trecho prometido, mas ainda não entregue, começa na rua da Balsa e segue pela avenida General Edgar Facó até a avenida Fuad Luftall, num trecho de pouco mais de 2 km. Cerca de 3 km após o fim dessa ciclovia está o Terminal de ônibus Pirituba, previsto para ganhar um bicicletário com 30 vagas até o fim do ano.

Paulo Roberto Pires usa a bicicleta para prática de esporte há 1 ano e elogiou a ciclovia. “Durante a semana eu ando de carro e acho que atrapalhou o trânsito. Mas para o ciclista ficou muito bom e é uma questão de segurança, de poder trafegar sem ter que se preocupar com carro, ônibus ou moto.”

Ônibus invade ciclovia. Foto: Enzo Bertolini

Ônibus invade ciclovia. Foto: Enzo Bertolini

Avaliação

A ciclovia bidirecional gerou polêmica por ter sido instalada no centro da avenida. Além disso, há diversos cruzamentos ao longo do trajeto. A reportagem do Vá de Bike visitou o local para avaliar as condições de segurança da estrutura.

No trecho inicial, é possível notar diversos tachões de diferentes tamanhos e bem próximos, porém sem nenhuma outra proteção. Embora iniba os motoristas de invadirem a ciclovia, não os impede totalmente, especialmente os de ônibus.

Nos cruzamentos com a Elísio Teixeira Leite e com as ruas Professor João Machado, Cecília da Silva, João Cordeiro, Monjolo, Calixto de Almeida, João Pereira Porto e Therezinha Di Spagna Lobo não há nenhuma sinalização indicativa de que o ciclista possui preferência e prioridade de circulação. Tampouco foram sinalizadas áreas de espera para veículos efetuarem o cruzamento quando os semáforos na avenida Ministro Petrônio Portela estão verdes.

Wilson Santana Silva, morador da região e que pedala há 15 anos, reclama da falta de segurança. “Se eu quiser ir direto, sem parar, os carros não respeitam, entram sem dar seta. Até pedestre atravessa no vermelho. Sinceramente, ninguém respeita nada hoje em dia.”

Motorista faz conversão proibida em ciclovia e quase atropela repórter do Vá de Bike. Foto: Paulo Henrique

Motorista faz conversão proibida em ciclovia e quase atropela repórter do Vá de Bike. Foto: Paulo Henrique

Ao longo dos 2,6km do trajeto, a reportagem do Vá de Bike não viu nenhuma placa indicando o limite máximo de velocidade permitido na via. A exceção foi na região do Pronto-Socorro e Hospital Geral de Vila Penteado, onde a sinalização indica limite de 30 km/h. A CET havia se comprometido a reduzir o limite de velocidade para 50 km/h em avenidas onde houvesse implantação de ciclovias.

Outro problema verificado foi em relação à permissão de estacionamento em diversos trechos da avenida. Além de tornar o tráfego mais lento, os veículos estacionados colocam ciclistas que estão na ciclovia em risco nas proximidades de pontos de ônibus. Para desviar de carros ou ônibus parados, os motoristas invadem parte da ciclovia, pois não possuem espaço de manobra, como flagrou a reportagem.

Motorista de caminhão faz curva em alta velocidade e acerta balizado. Foto: Paulo Henrique

Motorista de caminhão faz curva em alta velocidade e acerta balizador. Foto: Paulo Henrique

Durante o período que a permanecemos no local, apenas um carro da CET foi visto e o agente de trânsito estava dentro do veículo. Não havia orientação aos motoristas sobre como se portar em relação aos ciclistas, especialmente nos cruzamentos.

Por muito pouco nossa reportagem não foi atingida por uma motorista que realizou uma conversão proibida sobre a ciclovia e que não olhou para ver se havia bicicletas trafegando por ali. Observe na imagem que a motorista só se dá conta da nossa presença quando está com carro totalmente sobre a ciclovia.

Pouco tempo depois, um caminhão faz curva em alta velocidade e acerta um balizador em um cruzamento, bem próximo de onde a reportagem estava.

Resposta da CET

Procurada pela reportagem do Vá de Bike para falar sobre os problemas levantados. a CET enviou a seguinte resposta:

Em atenção a sua solicitação, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informa que a ciclovia na Avenida Ministro Petrônio Portela, zona norte, foi entregue em 02/12, com percurso com 2,6 km entre a Avenida General Edgar Facó e a Rua José Carlos Monteiro, além de cruzamento rodocicloviário com as Avenidas Professor João Machado e Elísio Teixeira Leite, e com as ruas Cecília da Silva, João Cordeiro, Monjolo, Calixto de Almeida, João Pereira Porto e Therezinha Di Spagna Lobo.

No projeto original de sinalização horizontal e vertical está previsto a pintura vermelha de travessia rodocicloviária nas vias transversais com sinalização de advertência de ciclovia em ambos os sentidos, redutores de velocidade indicando 40 km/h e 30 km/h nos trechos com presença de lombadas, bem como a colocação de tachões e segregadores com espaçamento igual em toda a extensão da via.

Também haverá proibição de estacionamento em ambos os sentidos, nos horários de pico, no entorno da Avenida Ministro Petrônio Portela entre a Rua Professor João Machado e a Avenida Elísio Teixeira Leite, que na fase de implantação será monitorado por nossos agentes para orientar motoristas e coibir possíveis desrespeitos ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Lembrando que a elaboração dos novos projetos de ciclovias e suas respectivas ativações pela CET estão sendo realizadas atendendo às características de cada local, como presença de ciclistas na via (leito veicular ou calçadas); características do tráfego: volume veicular, velocidade, composição da frota, especialmente se a via é itinerário de ônibus ou rota de caminhão; características de uso do solo: residencial, comercial, entre outras.

Por enquanto não há previsão para implantação das ciclovias na Avenida Edgar Facó e Rua da Balsa, respectivamente. Novas implementações serão informadas através de releases.


11 comentários para Avaliação da ciclovia da Av. Ministro Petrônio Portella, zona Norte de SP

  • Wellington

    Boa notícia! E assim os carros, caminhões e ônibus começaram a se acostumar com a idéia. É algo novo na cidade, e na minha opinião tudo que é novo leva tempo para todos se acostumarem. O estado de São Paulo precisa mudar, e a bicicleta veio para ficar e a cada dia com essa ajuda mais e mais bicicletas estarão nas ruas nisso eu acredito!

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  • Renato

    “…Por enquanto não há previsão para implantação das ciclovias na Avenida Edgar Facó e Rua da Balsa, respectivamente. Novas implementações serão informadas através de releases….”

    Curiosamente, entregaram uma ciclovia na Rua da Balsa, pouco tempo depois da Ministro petronio…rs

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  • Odilon

    Até acho que as ciclofaixas no centro de avenidas, rente ao canteiro central são boas. Ficam isoladas dos carros estacionados e das conversões à direita. Entretanto, nessa ciclofaixa, como não há canteiro central, fica complicado, porque os motoristas tendem a cruzar a ciclofaixa em qualquer lugar, para entrar em garagem, retornar, etc. Precisa de uma barreira física nesse caso.

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  • Carlos

    Todos conhecem ou ouviu falar de Arturo Alcorta. Já em 2009 já falou de algo feito pela metade ou meia boca no blog Escola de Bicicleta sob o título “Pelo menos fez algo ?”: http://escoladebicicleta.blogspot.com.br/2009/07/pelo-menos-fez-algo.html

    Afinal o ciclista merece mais respeito pela administração pública.

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  • tiago

    ñ conheço o local, mas pelas imagens deduzo que ñ tem separação física entre a pista de autos e bicicletas, então pode dar o nome que for, mas NÃO EH CICLOVIA.

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  • Edusousa

    No canteiro central da Av. Edgar Faco e Av. Fuad Lutfala há pavimento de caminhada e ciclovia mas não é considerado ciclovia no mapa oficial da CET. Fiquei confuso agora ?

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    • Renato

      Acredito que seja por conta das obras do corredor….qdo estiver tudo pronto, creio que irão sinalizar e entregar a ciclovia junto com o corredor. Na Av.Atlantica, zona sul, também estão implantando piso cicloviário no canteiro central da avenida….

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  • Rafael

    A CET anda inaugurando umas ciclovias muito meia boca ultimamente. Um outro exemplo disso é a ciclovia na Av. Calim Eid, conhecida como Tiquatira. No cruzamento com a Av Amador Bueno da Veiga a ciclovia simplesmente desaparece! E vc não pode simplesmente continuar para alcançar a ciclovia do outro lado pq os carros entram à esquerda. É simplesmente ridículo. Não tem marcação no chão, não tem semáforo pra ciclista, nada. Vc tem q se virar. Em uma parte específica não colocaram nem as tartarugas, só pintaram o chão. Tenho certeza que esqueceram, pq de um lado tem e do outro não. Agora se vc olha no mapa da CET ela tá lá, toda bonitona. Não tem interrupção nenhuma. Como essa ciclovia da zona norte, não teve nenhuma medida de redução de velocidade. A ciclovia fica a esquerda, do lado da faixa onde os carros andam mais rápido, é estreita, e os carros passam a 100 km/h a alguns centímetros de vc. Sou um defensor das ciclovias do Haddad, mas tá ficando cada vez mais difícil.

    Polêmico. O que acha? Thumb up 5 Thumb down 4

  • Reinaldo

    Eu passo próximo ao Terminal de ônibus Pirituba todo dia e com certeza este ano o terminal não vai ter bicicletário, apenas fizeram o piso do bicicletário e colocaram uma árvore de Natal no local, não vejo mais operários trabalhando.
    Na Rua da Balsa a CET instalou algumas placas indicando a presença de ciclistas, ciclovia deve vir só no próximo ano.

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  • Adriano

    Infelizmente no Brasil o que impera hoje é como o entrevistado disse: “…Sinceramente, ninguém respeita nada hoje em dia.” As infrações de trânsito são condutas rotineiras hoje em dia.
    Esses balizadores de plásticos e os tachões, comumente instalados como medidas de proteção nada inibem e muito menos protegem os ciclistas. Na minha opinião deveriam colocar aqueles blocos de concreto branco, que são comuns em rotatórias. Esses causam danos aos veículos e só assim evitariam a maioria das invasões de ciclofaixas.
    Outra medida importante para aumentar a segurança é reduzir para 30km/h ou 40km/h a velocidade nas ruas da cidade.

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