Experimento na França fez aumentar em 80% o número de pessoas indo de bicicleta ao trabalho

Uma das ciclovias que compõem as vias cicláveis existentes em Paris. Crédito: Wikimedia Commons

Uma das ciclovias que compõem as vias cicláveis existentes em Paris. Crédito: Wikimedia Commons

Durante seis meses (de junho a novembro do ano passado), o governo francês pagou €$ 0,25 por quilômetro percorrido para trabalhadores de 18 empresas e instituições que optaram por usar a bicicleta como meio de transporte para ir ao trabalho.

O Plano de Ação para o Desenvolvimento de Modos Ativos resultou em um aumento de 80% no uso da bicicleta, segundo resultados do experimento divulgados pela Agência de Meio Ambiente e Gestão de Energia (ADEME) e pelo Ministério da Ecologia, Desenvolvimento Sustentável e Energia.

Dos 8 mil funcionários de 18 empresas e instituições voluntárias, a porcentagem do uso da bicicleta para o trabalho subiu de 2% para 3,6%. No total, 380 pessoas se inscreveram para receber a bonificação de €$ 0,25 por quilômetro percorrido de bicicleta. O valor gasto com a iniciativa foi repassado pelas empresas em troca de isenções fiscais.

A média dos deslocamentos
foi de mais de 5 km,
superior à média
nacional de 3,4km

A média de deslocamentos no experimento – mais de cinco quilômetros – foi superior à média nacional francesa de 3,4 km, segundo dados do Levantamento Nacional de Viagens e Transportes de 2008. Em comunicado, o Ministério da Ecologia, Desenvolvimento Sustentável e Energia avalia o resultado de maneira “muito positiva em termos da saúde da população, uma vez que o risco de doença se torna menor conforme se aumenta a distância pedalada”. Do grupo de participantes, um terço passou a usar a bicicleta para outros fins, como compras e lazer.

1/3 dessas pessoas
passou a usar a bicicleta
também para outros fins

A pesquisa também apontou que, entre os que optaram por receber o subsídio, os ciclistas regulares pedalam entre 16 e 18 dias por mês, enquanto que a prática de novos ciclistas é cerca de 11 dias por mês.

Em relação ao impacto ambiental, a maioria dos novos ciclistas vem de transportes públicos (cerca de 54%), seguido do automóvel particular (com 19%). Entre as dificuldades apontadas pelos ciclistas estão condições meteorológicas e local para estacionar as bicicletas.

Está em tramitação no parlamento francês um projeto de lei sobre transição energética, que busca incluir o pagamento de um subsídio para quem optar pela bike para ir ao trabalho.

Números franceses

  • 14 mil km de vias urbanas são equipadas para os ciclistas – 6 mil deles nos últimos quatro anos;
  • 300 mil viagens de bicicleta são feitas diariamente em Paris e em 29 cidades vizinhas. Dessas, 120 mil são em Vélib, sistema de compartilhamento de bikes. A título de comparação, em São Paulo são 333 mil viagens diárias (OD/2012);
  • 90% das viagens para ir para à escola na França são de menos de 1 km;
  • mais de metade das viagens diárias no país são para distâncias inferiores a 3 km – sendo que 3% delas são feitas de bicicleta;
  • 2% dos que viajam nos trens expressos regionais (TER) vão até a estação de bicicleta;
  • 10 mil km de ciclovias e vias verdes estão agora equipados para ciclistas, com uma meta de 20.700 km para 2020.

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