Monumento na Av. Paulista homenageará ciclistas mortos no trânsito

Obra será instalada na Praça do Ciclista (Paulista x Consolação). Foto: Carlos Aranha

Obra será instalada na Praça do Ciclista (Paulista x Consolação). Foto: Carlos Aranha

A Praça do Ciclista, conhecido ponto da avenida Paulista próximo à rua da Consolação, ganhará uma homenagem aos ciclistas mortos em incidentes de trânsito em São Paulo, através de projeto da Secretaria Municipal de Cultura (SMC). Segundo Giovanna Longo, assessora de comunicação da SMC, “a ideia partiu de um grupo de ciclistas” que procurou a secretaria para defender a necessidade de um símbolo que prestasse essa reverência às vítimas.

A obra será definida, segundo a prefeitura, através de um concurso. Ainda não há informações oficiais sobre ele nem sobre o montante de recursos públicos que será investido. De acordo com a pasta, estas e outras informações estarão em edital a ser divulgado no site da SMC, bem como no twitter e facebook da secretaria.

Além de homenagear as pessoas que perderam a vida em trágicos incidentes, o monumento, que será instalado em local representativo para os usuários de bicicletas em São Paulo, também terá a função, quando inaugurado, de servir de lembrete concreto e permanente de conscientização para que novas mortes sejam evitadas.

Disputa pelo local

O projeto do monumento surgiu em meio a algumas polêmicas. A artista plástica nipo-brasileira Tomie Ohtake, falecida em fevereiro deste ano, que dá nome ao Instituto Tomie Ohtake – hoje um dos principais centros culturais da capital paulista -, havia declarado a intenção de instalar uma de suas obras na avenida Paulista. Após a produção da obra, a Associação Paulista Viva e o patrocinador da iniciativa, o Banco Citibank, estavam em negociações com a prefeitura para a instalação definitiva da obra da artista na mesma Praça do Ciclista.

No informe em que anunciou a construção do monumento em homenagem aos ciclistas acidentados, a Secretaria Municipal de Cultura anunciou o veto à instalação da escultura da artista no local. A SMC, através da assessora Giovanna Longo, declarou que a decisão coube à Comissão de Esculturas, “que avaliou a interferência na paisagem do eixo da avenida e o peso da obra no local previsto.”

Ghost bike da ciclista Julie Dias, morta por um motorista de ônibus em 2013 quando pedalava na avenida Paulista. Foto: Willian Cruz

Ghost bike da ciclista Juliana Dias, instalada na avenida Paulista. Julie foi morta por um motorista de ônibus em 2013, quando pedalava por ali. Outros dois ciclistas mortos na mesma avenida – também por motoristas de ônibus – foram Marlon Moreira de Castro, em 2014, e Márcia Prado, em 2009. Foto: Willian Cruz

Incidentes

Só no ano de 2014, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), foram 47 incidentes fatais envolvendo ciclistas. É um número alto, que representa a morte de um ciclista a cada quase oito dias na cidade. Por outro lado, essa estatística já é muito menor do que aquele de uma década atrás, quando aconteceram 93 ocorrências desse tipo em São Paulo.

Como não poderia deixar de ser, o dado chama a atenção por se tratar da cidade que está se tornando conhecida pelo forte investimento em ciclovias no Brasil. Estas somam, hoje, segundo a CET, uma extensão superior a 470 km. Em uma perspectiva que observe um período mais amplo de tempo, este dado ainda representa uma queda nesse tipo de fatalidade, uma vez que o número retrata uma tendência de queda dentro da série histórica na cidade. Entre 2008 e 2013, 360 pessoas faleceram na cidade vítimas de incidentes fatais quando utilizavam a bicicleta, uma média de cerca de 52 por ano, sendo o número de 2014, portanto, 10% menor do que o dos anos anteriores.

Se levarmos em consideração o aumento no uso da bicicleta, o número de ciclistas que perderam a vida no trânsito da cidade cai 10% em comparação com 2013, já que houve aumento de 50% na utilização da bike em relação ao ano anterior – saiba mais.


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