Em relação ao aumento no uso, queda nas mortes de ciclistas foi de 60% em São Paulo

Foto: Willian Cruz

Foto: Willian Cruz

A Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) divulgou nessa terça-feira, 22 de março, informações sobre mortes no trânsito da cidade no ano de 2015, com a ótima notícia de uma queda geral de 20,6%. Em relação aos ciclistas, foram 16 mortes a menos que em 2014, o que representa uma diminuição de 34%. Mas a taxa de queda é, na verdade, bem maior.

Quem circula de bicicleta nas ruas da capital paulista percebe nitidamente que a quantidade de pessoas pedalando aumentou muito, principalmente no uso cotidiano, como meio de transporte. E não é apenas uma impressão. As contagens de ciclistas e pesquisas diversas mostram que há cada vez mais gente usando a bicicleta em São Paulo.

Mais ciclistas, menos mortes

Uma desses estudos foi realizado em 2015 e intitulado “Perfil de quem usa bicicleta na cidade de São Paulo”. Feito em parceria entre Ciclocidade, Transporte AtivoObservatório das Metrópoles e com apoio do banco Itaú, apontou que 40% dos ciclistas paulistanos usava a bicicleta havia menos de um ano, o que representa um aumento de 66,66% na quantidade de pessoas pedalando.

Considerando esse aumento na utilização, para que as mortes tivessem se mantido estáveis em relação ao aumento no uso, teriam passado de 47 para 78. Como caíram para 31, a redução proporcional é de 60%.

Proporcionalmente ao aumento de pessoas pedalando, a queda nas mortes foi de 60% entre 2014 e 2015.

Queda geral de mortes no trânsito ao longo de 2015. Fonte: CET

Queda geral de mortes no trânsito ao longo de 2015. Fonte: CET

Ciclovias e redução de velocidade

A queda acentuada nas mortes de ciclistas coincide com o aumento na malha cicloviária da cidade, que já chegou a 385,4 km, com a meta de chegar aos 400 km até o final de 2016. A atual gestão municipal implantou 288,8 km de ciclofaixas e ciclovias, aumentando a segurança de quem pedala.

Outro fator que influenciou em um trânsito mais seguro foi a redução de velocidade máxima para o padrão de 50 km/h nas vias arteriais. Além de dar ao motorista maior tempo de reação – o que por si só diminui a quantidade de atropelamentos e até mesmo de colisões com outros carros – a redução de velocidade garante maior chance de vida (e menos ferimentos e sequelas) a ciclistas e pedestres que chegarem a ser atropelados.

E isso não é simples lógica dedutiva. Em Nova York, uma campanha sobre limites de velocidade alerta para o fato de que a chance de morte em um atropelamento chega a 70% a 64 km/h (40 mph), contra apenas 20% a 48 km/h (30 mph). O estudo “Killing Speed and Saving Lives: The Government’s Strategy for Tackling the Problem of Excess Speed on our Roads”, do Departamento de Transportes do Reino Unido (disponível apenas em mídia impressa), apontava em 1992 números um pouco maiores, mas em uma relação bastante semelhante: 85% de mortes a 40 mph, contra 45% a 30 mph e apenas 5% a 20 mph. Outro estudo britânico prevê uma diminuição de mortes de 5% para cada milha a menos na velocidade média.

Rede Sarah de hospitais de reabilitação também usa os números britânicos em seu estudo sobre a dinâmica dos atropelamentos. Segundo as notas bibliográficas, eles foram encontrados no “Traffic Advisory Leaflet 7/93″, do mesmo Departamento de Transportes da Grã-Bretanha. Não encontramos versão online, mas há um “review” dele neste documento, que também comenta diversos outros estudos com números similares, de vários países (consulte o capítulo III, “Vehicle speed and pedestrian injury”).

Mais ciclistas, menos acidentes

O crescimento do uso também teve sua influência, já que quanto mais ciclistas nas ruas, mais seguras elas se tornam. E por um motivo muito simples: com mais gente pedalando, maior a chance de que aquela pessoa que apenas dirige tenha um amigo, um familiar ou um amor que também usa a bicicleta, passando a compreender melhor que quem está pedalando nas ruas é uma pessoa que também está se deslocando, não um obstáculo atrapalhando o caminho por pura teimosia.


7 comentários para Em relação ao aumento no uso, queda nas mortes de ciclistas foi de 60% em São Paulo

  • Tarantino

    Já é um começo, porém o ônibus ainda é o meio mais utilizado. Invistam em ciclovias, mas principalmente nos ônibus. Em 2015, foram transportados por ônibus nada menos do que quase 3 BILHÕES DE PASSAGEIROS em SP!

    http://www.sptrans.com.br/indicadores/

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  • Miguel

    Penso que o site Vá de Bike fez uma análise errônea do problema. Você não pode considerar ciclista com risco de morte aquele que vai de carro até a ciclofaixa aos domingos e anda dentro dos cones. Os números deveriam ser avaliados somente por aqueles que usam a bicicleta como meio de transporte. Isso pois a questão principal aqui é o transporte e incentivo ao transporte, troca do carro, etc. Não ao lazer e esporte. Em dias úteis, vejo mais pessoas pedalando onde não tem ciclofaixa, do que onde tem.

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  • Paulo Henrique Guimarães

    O motorista paulistano não é burro. Ele sabe e já entendeu que quanto maior o número de bicicletas nas ciclovias, melhor para ele pois cada ciclista é um motorista a menos nas vias públicas. Isso é melhor para todo mundo, inclusive para a melhoria da qualidade do ar da cidade de São Paulo. Essa é uma tendência mundial e São Paulo não será uma exceção. Andar de bicicleta é gostoso, o corpo agradece e muito.

    Comentário bem votado! Thumb up 8 Thumb down 0

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