Belo Horizonte e Curitiba testam transporte de bicicletas em ônibus

Adesivo no parabrisa informa que naquele ônibus o embarque de bicicletas é permitido (Curitiba). Foto: Maurilio Cheli/SMCS

Adesivo no parabrisa informa que naquele ônibus o embarque de bicicletas é permitido (Curitiba). Foto: Maurilio Cheli/SMCS

Por Renato Lobo e Willian Cruz

Após a recente liberação de bicicletas em algumas linhas de ônibus paulistanas, a iniciativa começa a se espalhar pelo país. As capitais de Minas Gerais e do Paraná começaram a fazer testes com sistema semelhante.

Belo Horizonte

Um dos suportes para bicicletas do Move BH. Foto: BHTrans/Divulgação

Um dos suportes para bicicletas do Move BH. Foto: BHTrans/Divulgação

Portaria publicada no Diário Oficial no último dia 13 de maio, da aval ao transporte de bicicletas dobráveis em ônibus de Belo Horizonte. A medida, no entanto, vem com algumas restrições: apenas as dobráveis com aro de até 20 polegadas serão aceitas. Os equipamentos devem permanecer no espaço destinado a usuários de cadeiras de rodas ou acompanhados de cão-guia, desde que estes passageiros não estejam no veículo. A medida será testada durante três meses, afim de que os operadores avaliam o comportamento dos passageiros e ciclistas, para então torná-la definitiva – ou não.

Bicicletas tradicionais ou de aro maior podem ser transportadas apenas no sistema de corredor de ônibus conhecido como MOVE BH, que agora recebeu uma expansão no horário do transporte, aceitando as bicicletas também em dias da semana. Os horários passam a ser de segunda a sexta-feira após as 20h30 e aos sábados após as 14h. Aos domingos e feriados a circulação é livre o dia todo. Já no período da madrugada, o acesso é permitido durante todos os dias da semana, entre 0h e 5h. As bicicletas também poderão acessar as estações de integração.

Implantação de ciclovias

A ação vem no momento em que a prefeitura planeja expandir a rede cicloviária para 400 km até o ano 2020. De acordo com o Plano Diretor de Mobilidade Urbana da cidade (PlanMob-BH), a capital mineira conta com 79,63 quilômetros de rede cicloviária.

Em 2015, um levantamento feito pelo Vá de Bike apontou dificuldades da administração pública em construir pelo menos 200 km até o fim deste ano. Segundo a publicação, no atual ritmo, a cidade precisaria de mais 28 anos para conseguir alcançar a meta.

Segurança

A urgência na implantação da rede cicloviária é sentida pelo usuário, segundo a pesquisa “Perfil do Ciclista Brasileiro”, promovida pela organização Transporte Ativo em parceria com o Observatório das Metrópoles e com o Laboratório de Mobilidade Sustentável da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 10 cidades brasileiras analisadas, Belo Horizonte é o município em que as pessoas mais têm medo de pedalar.

O estudo relevou que 37,8% dos mineiros apontaram o problema de segurança como principal no uso da bike como meio de locomoção, um percentual muito superior ao da média nacional, na casa dos 22,7%. A pesquisa foi feita com 5.012 ciclistas de todo o Brasil.

Aviso na porta informa que embarques são feitos apenas em terminais e na Praça Rui Barbosa. Foto: Maurilio Cheli/SMCS

Aviso na porta informa que embarques são feitos apenas em terminais e na Praça Rui Barbosa. Foto: Maurilio Cheli/SMCS

Curitiba

Em Curitiba, um ônibus biarticulado da linha Centenário/Campo Comprido passou a aceitar embarque de bicicletas na sexta-feira 10 de junho, também em caráter experimental. Se aprovada, a iniciativa será expandida para outras linhas. A experiência permitirá avaliar tanto a demanda quanto o impacto na operação do transporte coletivo e as medidas necessárias para compensar o tempo de embarque e desembarque das bicicletas, além da operação de engate do equipamento.

O prefeito Gustavo Fruet, que participou do lançamento embarcando com uma bicicleta, declarou que o objetivo do projeto BRT Bike é fortalecer a integração de diferentes modais de deslocamento. A iniciativa se soma a outras ações da prefeitura para incentivar o uso da bike, como a implantação da Via Calma, a ampliação da malha cicloviária, as ciclorrotas e a instalação de paraciclos em todos os terminais de transporte. A Urbs também autorizou os táxis da cidade a instalarem suportes para transporte de bicicletas.

Apesar desses avanços, a prefeitura é criticada pela falta de ações concretas para proteger o ciclista nas ruas. No início do ano, o anúncio de que a gestão Fruet não implantará os 300 km de ciclovias prometidos em campanha causou indignação nos ciclistas curitibanos.

Bicicletas precisam ser acondicionadas em pé em Curitiba. Foto: Maurilio Cheli/SMCS

Bicicletas precisam ser acondicionadas em pé em Curitiba. Foto: Maurilio Cheli/SMCS

Restrições

As bicicletas ficarão instaladas na posição vertical, presas por cintos de segurança, e o ciclista será responsável por prender a bike. Prender uma bicicleta na vertical acaba sendo difícil para muitos usuários, dependendo do peso do conjunto e da força física do ciclista, o que pode tornar a operação demorada e afetar a avaliação do impacto na operação do sistema e do tempo de embarque e desembarque.

Um único ônibus foi adaptado para esse transporte e está identificado com um pictograma de bicicleta no para-brisa dianteiro. Na lateral, próximo a porta de embarque, há adesivos indicando os horários do ônibus e os terminais de acesso. Internamente, instruções sobre como prender a bicicleta.

O embarque será restrito, inicialmente, aos terminais do eixo leste/oeste (Campo Comprido, Campina do Siqueira, Capão da Imbuia, Vila Oficinas e Centenário) e também na estação tubo da Praça Rui Barbosa, sem restrição de horários. Para uma medida que pretende avaliar a demanda, a disponibilização de um único veículo e a restrição quanto aos locais de embarque são fatores que podem impactar fortemente o resultado.


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