Ciclovias que geram energia darão mais segurança aos ciclistas em Curitiba

Além de gerar energia elétrica, sistema sinalizará a motoristas quando um ciclista se aproxima do cruzamento. Imagem: divulgação

Além de gerar energia elétrica, sistema sinalizará a motoristas quando um ciclista se aproxima do cruzamento. Imagem: divulgação

Um projeto piloto feito em parceria entre a prefeitura de Curitiba (PR) e o governo japonês deve implantar em trechos de ciclovias um pavimento capaz de gerar energia. O acordo se deu por meio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e a empresa Soundpower Corporation. Os resultados desta ação devem ser conhecidos apenas no ano que vem. Mas há outra funcionalidade do projeto que trazer benefícios relacionados à segurança.

Para o cicloativista e ex-assessor na Coordenadoria de Mobilidade da Secretaria de Trânsito de Curitiba (SETRAN) Goura Nataraj, o projeto está relacionado “muito mais com a segurança viária do que geração de energia”. Goura explica que serão instalados nos pavimentos, a cerca de 20 ou 30 metros antes dos cruzamentos, sensores que detectam a presença da bicicleta, que por sua vez acionam um pisca alerta nos cruzamentos, avisando aos motoristas sobre a presença dos ciclistas.

O ex-assessor alerta sobre o perigo existente nestes locais. “A gente ainda tem nos cruzamentos não semaforizados uma situação de risco aos ciclistas. Este é um projeto piloto de uma empresa japonesa que procurou a prefeitura de Curitiba apresentando uma proposta de melhorar a segurança dos cruzamentos das ciclovias”, diz o cicloativista.

O trecho escolhido para o projeto piloto é a via do Parque São Lourenço, trecho bastante utilizado. Além das duas funcionalidades, os maquinários poderão coletar dados de utilização, para eventuais estudos do deslocamento por bicicletas.

A capital do Paraná viu o número de “acidentes” envolvendo pessoas pedalando aumentar de 11 para 19 em apenas um ano, correspondendo a uma em cada dez mortes no trânsito de Curitiba em 2015. A prefeitura analisa o cenário com preocupação, mas vê relação com a quantidade maior de bicicletas em ruas e rodovias. Não existe, no entanto, um estudo que comprove o incremento de viagens de bicicleta.

Geração de energia

Sobre a geração de energia por meio de vias projetadas para os ciclistas, temos o exemplo da Holanda, onde um trecho de 70 metros de extensão, instalado na cidade de Krommenie, a 25 km da capital Amsterdam, que capta luz solar suficiente para alimentar as casas de três famílias durante 12 meses.

Basicamente, a estrutura do projeto SolaRoad funciona com um tipo especial de concreto coberto por uma camada de vidro resistente e células fotovoltaicas. Ao captar a luz solar, o sistema do pavimento converte a luz em eletricidade.

Já em Berlin, outra estrutura foi montada com o objetivo de requalificar um dos cartões postais da capital da Alemanha, a ferrovia U1. A ciclovia possui nove quilômetros de extensão e dispõe de um piso sensível a pressão, que gera energia a partir do atrito dos pneus. A eletricidade gerada produz energia para iluminação do percurso.

Um terceiro caso é conhecido em Eindhoven, localizada ao sul de Amsterdã. Trata-se da chamada “Pista Van Gogh”, onde um material especial absorve a luz solar durante o dia e usa essa energia durante a noite, sendo uma alusão à obra “A Noite Estrelada”.

Já a ciclovia de Curitiba deve funcionar a partir do som e da vibração provocados pelo movimento das bicicletas. Assim como em Berlim, a expectativa é que a energia gerada possa dar suporte à sinalização luminosa nos cruzamentos das ciclovias, dando segurança a quem pedala.

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