Bicicultura 2017 amplia a discussão de mobilidade para outras pautas

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Evento discutiu a importância de ampliar e unir pautas com outros movimentos de direito à cidade. Foto: Catarina Silver

A quarta edição do Bicicultura (Encontro Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta e Cicloativismo), que aconteceu este ano no Recife/PE, encerrou com pautas importantes para o movimento ativista sobre duas rodas no país.

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Cerca de 450 pessoas participaram dos fóruns, atividades culturais esportivas, oficinas e passeios do Bicicultura, que pela primeira vez aconteceu no Nordeste, entre os dias 07 e 10 de setembro. E a presença feminina foi impactante: 53% dessas pessoas eram mulheres.

“Nós trouxemos pessoas de todo o Brasil”, frisou Daniel Valença, um dos conselheiros da Ameciclo. Ao todo, representantes de 19 estados brasileiros participaram dos quatro dias do Bicicultura, nas programações realizadas no Bairro do Recife, Zona Central da capital pernambucana, e no Parque Santana, área norte da cidade.

As atividades incluíram apresentações culturais, oficinas, passeios ciclísticos, palestras, rodas de conversa, esportes (incluindo competições), além de uma mostra de filmes e uma programação voltada para crianças, o Biciculturinha.

Ampliando e unindo pautas

Entre as discussões mais urgentes trazidas pelo evento, o destaque foi a necessidade de fortalecer os pleitos através da integração a outras redes sociais que trabalham as questões urbanas, como os grupos ativistas pelo direito à moradia, a luta pelas questões LGBT, o olhar para a realidade dos pedestres e todas as entidades que cobram ao poder público o direito à cidade.

Segundo uma das associadas da Associação Metropolitana dos Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo), Lígia Lima, responsável pela organização do Bicicultura 2017, um assunto que foi bastante reiterado foi a necessidade de os grupos saírem de suas “pautas de conforto”. “É fundamental apoiar outras redes para pensar a cidade como um todo e ampliar nossa força e nosso desejo por uma cidade mais humana”, resume Lígia.

Durante o encontro também foi citada a necessidade de integrar os diversos tipos de grupos que enaltecem o uso da bicicleta, sejam os cicloativistas, os que usam a magrela para atividades de lazer ou culturais ou para uso esportivo.

Opressão -> Organização -> Rebelião

Com o tema “A Revolução das Bicicletas”, o Bicicultura deste ano pôde ser trabalhado a partir de três momentos distintos. “O primeiro foi sobre como os movimentos estão articulados no Brasil, que é esse período de opressão. Num segundo momento, discutimos sobre como trabalham os vários tipos de organização e como as pessoas podem se organizar. Num terceiro momento, que chamamos de rebelião, discutimos as ações que podem ser promovidas por esses grupos. Houve palestras e atividades para cada um desses três momentos”, continuou Lígia Lima. O tema faz referência ao bicentenário da Revolução Pernambucana de 1817 e à comemoração de 200 anos da criação do modal sobre duas rodas.

Daniel Valença lembrou que a revolução das bicicletas não se encerra em si. “Ela é também do pedestre, das mulheres, das comunidades periféricas, dos negros, do sem-teto. Ela é de todos aqueles que de alguma forma lutam por uma sociedade melhor. Todas essas questões (o pleito de todos os movimentos sociais) permeiam o uso da bicicleta e uma cidade mais justa e democrática”, resumiu Daniel.

“A maior bicicleta do mundo”

Corrida de cargueiras. Foto: Bicicultura/Divulgação

Além das palestras e discussões, diversas atividades lúdicas e culturais estiveram na programação do evento. Entre elas, destacam-se a Primeira Corrida de Cargueiras do Bicicultura e a oficina para a criação da Maior Bicicleta do Mundo. Esta última foi idealizada pelo artista plástico e cicloativista Valdinei Calvento, 39 anos.

“Eu lancei esse projeto da maior bicicleta do mundo em uma plataforma online. Fiz um chamamento pelo Facebook para saber quem gostaria de contribuir. E vários amigos começaram a participar. A ideia é que a pessoa baixe um template e sobre ele desenhe e documente suas histórias com a bicicleta a partir da arte. As pessoas me enviam e eu vou formando essa que é a maior bicicleta virtual do mundo, construída de forma coletiva”, explica Valdinei.

Todas as contribuições vão se somando no site. “Eu já tinha participado desse projeto antes, baixando os templates”, conta a estudante de Juazeiro do Norte, Adália Alencar. “Eu representei em meus desenhos personagens do Reisado. E agora estou fazendo uma máscara do Soldado do Araripe, um pássaro que corre risco de extinção na Serra do Araripe”. Ela veio participar de uma mesa redonda para apresentar e discutir o Projeto Ciclos, da Universidade Federal do Cariri (UFCA).

Um pedacinho da maior bicicleta do mundo. Imagem: Reprodução

Nova diretoria da UCB

Outro momento importante do Bicicultura foi a assembleia da UCB, quando foram discutidas mudanças estatutárias e a criação e regulamentação do regimento interno da entidade. Durante o evento também foi realizada uma eleição para a nova diretoria da UCB.

A presidência se manteve na pessoa de André Soares. “Mas pela primeira vez uma mulher nordestina compõe a nova chapa, na diretoria administrativa, com Érica Teles. Já a diretoria financeira foi assumida por Felipe Alves, também nordestino”, destacou Daniel Valença, da Ameciclo.

Próximas edições

O evento anual, realizado pela União de Ciclistas do Brasil (UCB), já aconteceu nas cidades de Sorocaba/SP, Brasília/DF, São Paulo/SP e agora no Recife.

Durante o encontro na capital pernambucana, a cidade de Maringá/PR foi escolhida para sediar o Bicicultura em 2019. Em 2018, o encontro será realizado no Rio de Janeiro/RJ, o que já havia sido definido em 2016 para coincidir com o congresso internacional de mobilidade por bicicleta Velo-City, que também acontece na capital fluminense no próximo ano.

 

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