O circuito mais popular do Strava em todo o mundo fica em São Paulo

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Ciclistas treinam na “bolinha” da USP, em São Paulo. Foto: Marcos Santos – USP Imagens (cc)

Em sua primeira visita ao Brasil, executivos da Strava conhecerão o circuito (ou segmento) mais utilizado no aplicativo em todo o mundo. Não, ele não fica na França, nem na Itália ou em qualquer outro país com ampla prática do ciclismo de estrada. Fica na cidade de São Paulo, no campus da USP!

O segmento “USP – Praça da Reitoria” – a popular “bolinha” – já foi tentado 4,7 milhões de vezes, por mais de 7500 pessoas. De acordo com a empresa responsável pelo aplicativo, juntos esses ciclistas já percorreram 2,5 milhões de quilômetros naquele trecho. Daria para ir e voltar da Lua três vezes! E olha que a Bolinha tem apenas cerca de 500m de extensão. Os recordes masculino e feminino do trecho (KOM e QOM, respectivamente) pertencem a Felipe Carneiro (30s) e Ana Paula Polegath (34s).

Foto: Cecilia Bastos/USP Imagens (cc)

Mark Gainey, Michael Horvath e James Quarles, respectivamente cofundadores e CEO da Strava, abrirão o segundo dia do blastU, primeiro Festival de Empreendedorismo e Tecnologia do Brasil, marcado para os dias 16 e 17 de outubro de 2017, onde falarão sobre negócios e a força do esporte para aproximar e conectar pessoas. E o segundo evento na agenda do trio é justamente conhecer a Bolinha, trecho onde os usuários do aplicativo mais se aventuram entre todas as outras rotas, em 100 cidades de todo o mundo.

Mas por que esse trecho é o mais utilizado do planeta, mesmo não sendo o Brasil um país com tanta popularidade no esporte? É o que o fomos descobrir.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens (cc)

Giro

Para entender melhor porque esse trecho é tão usado, conversamos com Renata Mesquita, embaixadora Specialized/Pedal Urbano. Ela nos contou que, além de ser um local de encontro de muitos grupos, clubes e assessorias, a Bolinha é um trecho sem obstáculos que, apesar de ser curto, acaba facilitando o “giro” dos ciclistas. “Não tem lombada, farol, buracos e você consegue manter um ritmo constante. É meio parecido com um velódromo”, explica.

É a opinião também de Aline Cavalcante, colaboradora do Vá de Bike que utiliza a USP em seus treinos. Segundo ela, a Bolinha “simula um circuito fechado” e, mesmo sendo uma simples rotatória, é o mais próximo que temos de um espaço para treino de pista na capital.

Tradição

A Cidade Universitária tem tradição nos treinos de ciclismo na cidade, o que contribui para a alta utilização do local, em vários trechos. “Há décadas lá é um lugar muito frequentado por ciclistas, porque antigamente rolavam várias corridas”, conta Renata. A imagem abaixo, do Instagram do ciclista Lauro Martins de Oliveira, mostra a largada de uma dessas corridas, nos anos 80.

( em frente ao velódromo da USP)Década de 80 .Largando no meio de dois campeões @antoniosilvestre475 (Pirelli)@ferraro.renato ( Caloi) Lauro equipe da Portuguesa de SP

Publicação compartilhada por Lauro Martins de Oliveira (@lauromartinsdeoliveira) em

Faltam locais para treino

Foto: Marcos Santos/USP Imagens (cc)

Ao mesmo tempo em que identifica a USP como um dos locais preferidos de treino para os praticantes de ciclismo, a concentração de uso nesse local expõe a falta de espaços para treinar. “Onde mais em São Paulo, salvo a ciclovia da Marginal, a gente consegue treinar?” – questiona Renata Mesquita.

Em outros países, é mais comum que ciclistas usem as estradas para treinamento, mas aqui as condições são outras. “É um pouco perigoso sair para a estrada durante a semana, assaltos e trânsito caótico não facilitam”, lamenta a ciclista.

Ela conta que mesmo assim há quem faça treino nas estradas ao redor da cidade, mas geralmente em grupo, para aumentar a segurança. E, na volta, é preciso trafegar entre os carros parados nas Marginais, junto a motociclistas apressados, já que as estradas desembocam nessas vias.

Problemas

Mesmo sendo uma das melhores opções, a USP ainda tem muitos problemas para a prática do ciclismo, explica Renata. “Falta de respeito de alguns motoristas, conflitos com ciclistas que também são folgados e a própria USP parece não gostar muito dos ciclistas”, enumera. “Até pouco tempo tinha uma placa de proibido bicicleta na Bolinha. Também tem uma placa dessas na rua do Matão, que agora foi fechada por causa de acidentes.”

Ciclistas precisam conviver com motoristas no local. Foto: George Campos/USP Imagens (cc)

“O que acontece no campus desde os anos 70, ou antes, é uma regra natural. Existe um sentido certo para se pedalar na Bolinha, por exemplo, e quem corre a pé vai no sentido contrário. Na rua que desce para a Portaria 1 os pelotões pedalam do lado esquerdo, e assim vai. Não entendo porque o campus não incorpora regras informais que existem e funcionam há tanto tempo e simplesmente não coloca uma sinalização oficializando. Quem dirige na USP pela primeira vez deve ficar bem confuso nos horários de treino”, pondera a ciclista.

“A cultura do ciclismo ainda está engatinhando aqui”, conclui. “Mesmo em outros países da América do Sul a população tem mais intimidade com o esporte e o respeito é bem maior.”

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1 comentário para O circuito mais popular do Strava em todo o mundo fica em São Paulo

  • federica giovanna fochesato - Kika

    Interessante a matéria e lindaaaa demais aquela foto antiga que a integra! Uma dúvida, pois na época, 2014, não reparei (já pedalei em parte da USP,durante um semestre, todo sábado, por questões de acesso a um curso que lá fiz, ou seja, não por treino): há algum tipo de sinalização (horizontal ou vertical) que enfatiza (algo assim) o local como prática esportiva? Quis dizer…ao longo das vias naturais pelas quais os ciclistas lá dentro circulam? Pergunto (e agradeço se me informarem) pois em SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (minha cidade) está bem polêmica a sinalização feita pela prefeitura feita num dos bairros, Urbanova, zona oeste, onde é expressiva a presença de ciclistas (e tmb corredores) ao longo de algumas avenidas. Mas, em vez da PMJSC fazer uma sinalização de ênfase sobre o COMPARTILHAMENTO PACÍFICO DO ESPAÇO (veículos automotores, ciclistas e pedestres) ou para a ATENÇÃO PARA COM CICLISTAS E PEDESTRES NA VIA … na sinalização vertical, as placas recém instaladas dizem “ÁREA DE TREINAMENTO”. Muita gente achou isso bastante relativo e a gestão, portanto, perdeu a chance de abraçar numa só vez todos aqueles que pedalam independentemente de estarem treinando ou indo trabalhar ou indo para a escola. Aliás, aí é que está: é tb expressivo o número de pessoas que por lá tb pedalam rumo ao trabalho. Entende? Eu, como usuária da bike tanto como lazer como meio de transporte (ambos já há 22 anos), fico bastante receosa com ações educativas/comunicativas que “esteriotipam” ou que segmentam este ou aquele usuário. Compreendem? Fique à vontade para opinar, por favor. Juntos, pensa-se melhor (aliás, outra coisa que a PMSJC deixou de fazer por aqui: conversar ANTECIPADAMENTE com os usuários da bike que já frequentam a SEMOB justamante a fim de colaborar com as decisões que envolvem a mobilidade ativa). Abraços, obrigada e PAX NOS PEDAIS!

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