A 202 km/h, brasileiro registra recorde mundial de velocidade em bicicleta

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Evandro Portela e a bicicleta usada para registrar o recorde. Foto: Eric Steudel

Em 26 de novembro de 2017  o ciclista profissional Evandro Portela entrou para a história. Não pelo resultado de uma competição, mas por um recorde mundial obtido em uma estrada do Paraná, com uma bicicleta convencional e usando apenas a força das próprias pernas.

Por cerca de 30 minutos a BR 277, entre Curitiba e São José dos Pinhais, ficou interditada para testemunhar a maior velocidade já atingida em uma bicicleta convencional, sem o ciclista ser rebocado e em uma estrada de rodagem comum. Portela atingiu a marca de 202 Km/h, no tempo de 6’32”733, em um trecho de 11 quilômetros, pedalando no vácuo de um carro e em estrada de rodagem comum.

No vácuo do carro: estrutura de acrílico amenizou efeito do vento sobre o ciclista. Foto: Eric Steudel

“É uma emoção muito grande, um sonho conquistado e um grande desafio. Não foi fácil, enfrentei um vento contra de 20 km/h, que dificultou muito a minha progressão de velocidade. Quando estava em 190 km/h já não enxergava mais nada, a roda traseira já estava no ar, mas consegui controlar a bike e manter. Persisti e batemos a marca! Foi muito difícil, mas compensador”, declarou o ciclista ao final do desafio.

Evandro iniciou pedalando sem apoio do carro até ganhar 50 km/h, quando entrou no vácuo do carro para acelerar até a velocidade final. O carro, preparado para a ocasião, foi um Subaru WRX 4X4 350 CV turbo, pilotado por um motorista com experiência em alta velocidade, e estava estruturado com uma carenagem de acrílico na traseira para quebrar o vento que atingiria o ciclista, criando o “vácuo” necessário.

Foto: Eric Steudel

Foi usada uma bicicleta comum de estrada, mas com todos os rolamentos de cerâmica, para reduzir o atrito e suportar a velocidade; a roda da frente era de alumínio, para ser mais pesada e estável que uma de carbono; os raios da roda traseira eram achatados, para uma menor resistência com o ar; a roupa foi desenvolvida para cortar o vento, pela Mauro Ribeiro Sports; e os pneus eram do modelo Grand Prix 4-Season, da Continental, que não furam. Mas o que chama atenção na bike sem dúvida é o tamanho da coroa, de 105 dentes.

Uma grande estrutura de segurança e apoio foi montada por Ecovia, Polícia Rodoviária Federal, Departamento de Estradas e Rodagem (DER-PR), e Prefeitura de São José dos Pinhais, na Rodovia BR 277, no Paraná. A largada foi no começo da manhã, em frente ao prédio da Editel, seguindo até o Viaduto da Rui Barbosa, no município de São José dos Pinhais. O trânsito foi suspenso para que o desafio se completasse.

Evandro não pretende descansar e já lançou o próximo desafio, que é chegar a 280 km/h. Pela postagem que fez no Facebook logo após o desafio na BR 277, temos uma pista de onde pode ocorrer isso: Bonneville Salt Flats, um deserto de sal nos Estados Unidos, famoso por ser palco de desafios de alta velocidade e pelas corridas com veículos que chegam a ultrapassar os 1000 km/h.

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Preparação

Depois de competir profissionalmente nas décadas de 1990 e 2000, somando cinco circuitos europeus e muitas conquistas, Evandro começou a treinar ciclismo em velocidade extrema. Já são 10 anos de muito treino e cerca de 800 km por semana para se preparar para este tipo de desafio. O ciclista ficou famoso nas redes sociais ao começar a postar seus vídeos de treino, chegando até então à velocidade máxima de 184 Km/h, em julho deste ano. Seus vídeos chegaram a milhões de visualizações.

O atleta possui no currículo 16 anos (1990 – 2006) de carreira profissional, com cinco temporadas no Circuito Europeu e 10 anos entre os 10 tops ciclistas das Américas. Entre importantes competições mundiais estão participações na Vuelta Espanha e Volta a Portugal. Entre as conquistas: Campeão do Tour Del Leste da França, em 1997; 3º colocado geral da Vuelta a Madri 1997, 5 vezes campeão geral na Volta de Santa Catarina, passando pela temida Serra do Rio do Rastro, Campeão Brasileiro de Pista 4×4000, entre outros.

Veja um vídeo em que ele atinge 180 km/h:

Sobre o recorde

Como não havia recorde urbano anterior registrado no Guinness, qualquer velocidade que Evandro atingisse garantiria um lugar no livro dos recordes. Mas quanto mais alta, maior a probabilidade do título durar por um longo tempo. O desafio foi registrado por aparelhos Garmin e várias câmeras. A avaliação pelos juízes do Guinness Book será feita de forma online, após análise de todos os dados e imagens coletados.

Outras tentativas de alta velocidade em bicicleta já tinham até superado a alcançada por Portela mas, além de não serem registradas junto ao Guiness, todas tinham uma diferença essencial: foram conseguidas ou com uma bicicleta modificada/construída especificamente para o evento ou com a técnica de rebocar o ciclista até alta velocidade, para só então começar a pedalada para atingir a velocidade desejada.

Em 1985, o americano John Howard atingiu 244 km/h, mas com uma bicicleta de duas coroas e que tinha modificações até no quadro. Em 1995, o holandês Fred Rompelberg chegou a 268 km/h, também com uma bicicleta modificada para ter duas coroas, pedalando atrás de um dragster. Mas além das diferenças técnicas, que os colocariam em outra categoria, esses recordes não foram registrados junto ao Guinness.

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