Circuito Vale Europeu, uma rota bem estruturada para sua primeira cicloviagem

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Sinalização que conduz o cicloviajante pelo Circuito Vale Europeu, em Santa Catarina. Foto: Walter Magalhães

Sinalização que conduz o cicloviajante pelo Circuito Vale Europeu, em Santa Catarina. Foto: Walter Magalhães

Da beleza cênica à estrutura de acolhimento do cicloviajante, pode-se afirmar que o Circuito Vale Europeu, em Santa Catarina, é uma das melhores opções brasileiras para quem quer experienciar sua primeira cicloviagem por uma rota já demarcada e no estilo autoguiada.

Traçada em 2006, a estrutura feita para quem viaja de bicicleta tem evoluído na medida em que mais e mais ciclistas – sozinhos ou em grupos – foram percorrendo seus 300 quilômetros, divididos em partes baixa e alta. Cicloturistas experientes chegam a considerar o Circuito Vale Europeu uma grande escola, uma espécie de porta de entrada ao universo das cicloviagens dentro do Brasil.

É possível fazer apenas uma parte

Em média, leva-se uma semana para percorrer o circuito completo, sendo que a parte baixa pode ser feita em três dias de pedalada e, a alta, em quatro. Mas não é preciso dedicar todo esse tempo: há quem faça, por exemplo, apenas a parte baixa, para sentir com leveza um gostinho inicial do que vem a ser uma cicloviagem.

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“O legal é que, ao todo, o circuito reúne uma variedade de terrenos e situações”, afirma Walter Magalhães, analista de sistemas e diretor do Clube de Cicloturismo. “Por mais que a parte alta traga o estigma de apresentar maiores dificuldades quanto à altimetria e à sensação de isolamento, a parte baixa também tem seus desafios que vão se apresentando como uma prova inicial ao ciclista”.

Grande entusiasta do circuito, Magalhães, que o viu nascer em 2006 e colaborou com sua criação, percorre-o praticamente todos os anos. Portanto, é um real testemunho tanto da tamanha transformação turística local como do deslumbramento daqueles que pedalam ao longo do Vale Europeu.

Circuito passa por diversas cidades

Com forte presença das culturas alemã e italiana – aspecto que marca o Vale Europeu em termos de diversidade cultural –, o Circuito passa por várias cidades, como Timbó, Rio dos Cedros, Pomerode, Indaial, Ascurra, Apiúna, Rodeio, Benedito Novo, Dr. Pedrinho, Alto Cedro e Palmeiras. É um circuito linear, ou seja, começa e termina no mesmo município (Timbó).

Foto: Rodrigo Telles

É a partir de Rodeio que se inicia a subida para a “parte alta” da rota, onde a pedalada se dá por locais mais ermos, silenciosos e repletos de águas e matas abundantes, entre sítios e fazendas.

Veja as recomendações de trajeto para cada dia da viagem.

Cachoeira do Zinco

Uma dica para quem vai percorrer o caminho na totalidade é programar o roteiro deixando um dia a mais para esticar até a Cachoeira do Zinco. Embora o desvio seja de apenas 16 km (8 km de ida e 8km de volta, dos quais 2km de subida puxada), o local merece um pernoite.

Vencida a subida, tem-se uma vista singular do Vale do Itajaí a partir do alto da cachoeira. Mas atenção: é preciso reservar com antecipação a pousada ou o camping na única hospedagem que há por lá, a Fazenda Campo do Zinco. Outra informação importante é que a cacheira fica em terreno particular, de propriedade da pousada, e a visitação só é permitida com agendamento prévio, que pode ser feito por e-mail.

Nossa repórter no Vale Europeu, em 2007, quando fez o circuito junto a uma amiga. Ao fundo, Cachoeira do Zinco: um forte atrativo que vale a pena ser inserido no roteiro. Foto: Federica Fochesato

Nossa repórter no Vale Europeu, em 2007, quando fez o circuito junto a uma amiga. Ao fundo, Cachoeira do Zinco: um forte atrativo que vale a pena ser inserido no roteiro. Foto: Federica Fochesato

Comparação com o Caminho da Fé

Ainda na opinião de Magalhães (compartilhada também pela nossa repórter), dentre os roteiros cicloturísticos brasileiros, aquele que mais se assemelha ao Circuito do Vale Europeu é o Caminho da Fé, entre São Paulo e Minas Gerais. Isso em termos de quilometragem, dias de viagem e quantidade de pessoas – cada vez maior – que encontramos percorrendo-o.

Porém, o Caminho da Fé se diferencia em dificuldade técnica e na oferta de estrutura específica àqueles que vão de bicicleta. Ele exige bem mais esforço do cicloviajante, devido às tantas serras desafiadoras que aparecem em quase todos os dias, o que pode abalar um pouco o estado psicológico do cicloturista iniciante.

Por mais que o Caminho da Fé venha evoluindo bastante em termos de infraestrutura, é o Vale Europeu – do início ao fim –, a rota que mais tem dialogado com quem vai de bike (por exemplo, com espaço adequado nas pousadas e hotéis para poder lavar e secar não somente as roupas como também a bicicleta).

Dicas básicas

Para se organizar com o roteiro dos 7 dias de pedal, com planilhas altimétricas, mapas e lista dos pousos, visite o site oficial do circuito, que traz as informações de forma detalhada.

Quanto à melhor época para ir, tudo depende de como cada pessoa lida com as estações, mas vale lembrar o seguinte: assim como o inverno no sul é super rígido, o verão costuma ter temperaturas altas e chuvas intensas. Portanto, as estações intermediárias, como o outono e a primavera, são uma boa dica.

Para se alimentar, apesar de o circuito ser bem estruturado e termos a certeza de que haverá um bom prato de comida em todo pouso que você chegar, leve sempre água e lanchinhos durante a pedalada para as recargas energéticas. Principalmente na parte alta, pois por ali as estradas são bastante ermas.

À medida que adentra-se a parte alta do circuito, de Rodeio em diante, ficam mais evidentes a sensação de maior isolamento e mergulho na mata. Foto: Federica Fochesato

À medida que adentra-se a parte alta do circuito, de Rodeio em diante, ficam mais evidentes as sensações de isolamento e mergulho na mata. Foto: Federica Fochesato

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1 comentário para Circuito Vale Europeu, uma rota bem estruturada para sua primeira cicloviagem

  • Vinicius Mundim Zucheratto e Figueiredo

    O Vale Europeu foi minha primeira cicloviagem, em 2007, logo após fazer meu primeiro Brevet 200km no Paraná.
    O trajeto é muito bacana, com estradinhas de terra excelentes para pedalar. Na ocasião pernoitamos na cachoeira do Zinco, mas a opção “low cost” de hospedagem na fazenda lá em cima foi meio traumática (uma casa simples de madeira e muito, muito, muito cheiro de mofo), dormimos de janelas abertas mesmo com muito frio hahaha. Em compensação o jantar e café da manhã feito pelos funcionários do local foi muito bacana, não dá pra esquecer do visual da cachoeira lá de cima.
    Alguns anos depois, numa temporada de chuvas muito fortes, vários trechos do circuito foram afetados, fiquei sabendo que uma simpática senhora deuma queijaria tradicional, acabou falecendo num soterramento. Essa queijaria fica perto daquele jardim dos Anjos e Hortências.
    Já naquela época o Circuito Vale Europeu dava aula de estrutura para outros caminhos turísticos, como a Estrada Real. Ainda voltarei lá, pra pedalar com a família (esposa e gêmeos bebês)!

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