Ghost bike de Antonio Bertolucci. Foto: Willian Cruz / Vá de Bike

Por que não foi acidente

Muitos têm criticado a postura de dizer que não foi acidente. Então vamos explicar por que o que aconteceu no dia 13 de junho com Antonio Bertolucci não pode ser considerado um simples acidente.

Muitos têm criticado a postura de dizer que não foi acidente. Então vamos explicar por que o que aconteceu no dia 13 de junho com Antonio Bertolucci não pode ser considerado um simples acidente.

O ciclista “caiu”

Comenta-se que o ciclista “desequilibrou e caiu”, por isso o ônibus o atropelou. Um ciclista experiente como Antonio Bertolucci dificilmente cairia dessa forma, sobretudo em um local sem desníveis ou buracos na pista, como mostram as fotos do local e como foi possível apurar durante a manifestação.

Mas supondo que ele realmente tenha caído antes de ser atropelado, se o motorista do ônibus estivesse ultrapassando a uma distância adequada a roda não teria passado por cima do ciclista e de sua bicicleta. O metro e meio não é à toa.

Vimos no local um pedaço do seat stay caído na rua (que liga o eixo traseiro ao suporte do selim). A bicicleta foi destruída. Se o motorista do ônibus tivesse passado por cima de Antonio porque ele caiu sozinho, passaria apenas por cima de seu corpo, não da traseira da bicicleta.

Em algum momento, o ciclista realmente caiu, nem que tenha sido depois de ser atingido pelo ônibus. Li em algum lugar que uma testemunha viu o ciclista cair antes da roda do ônibus passar por cima dele. Considerando essa hipótese, o que me parece mais provável é que o ônibus tenha tocado o guidão de Bertolucci, o que lhe fez cair.

Quando outro veículo em movimento toca o guidão de uma bicicleta, a ponta tocada avança rapidamente, virando o conjunto para a direita e desequilibrando totalmente o ciclista. Este então cai para a esquerda, justamente onde está o veículo agressor. E então não há tempo para mais nada. Supomos inclusive que tenha sido o que aconteceu com Márcia Prado, na Av. Paulista, em 2009.

Se o motorista do ônibus tivesse esperado três segundos, Antonio teria saído de sua frente e ainda compraria seus pãezinhos todas as manhãs.

O motorista não viu o ciclista

O motorista que dirigia o ônibus se defende dizendo que não viu o ciclista, como se isso fosse aceitável. Mas uma pessoa que dirige um ônibus desse tamanho e não consegue ver os outros usuários da via simplesmente não pode dirigir.

Ok, existem pontos cegos num ônibus, mas um motorista experiente sabe conviver com eles. E o ciclista não apareceu do nada em um dos pontos cegos. E considerando que o motorista o atingiu com a roda da frente do ônibus e que isso destruiu a traseira da bicicleta, é possível entender que o motorista se aproximou ˆ dele. A não ser que o ciclista estivesse dando a ré! Não tê-lo visto é igualmente indesculpável.

As marcas de sangue no asfalto estavam a dois metros da faixa de pedestres. Houvesse um pedestre terminando a travessia, o motorista também não o veria. Também o mataria.

Cerca de 20 ou 30 metros antes, há outra faixa de pedestres. Elas costumam indicar o ponto onde há pessoas cruzando a rua, certo? O motorista do ônibus deveria estar atento desde ali.

Que motorista é esse que dirige um ônibus com esse tamanho e esse peso e simplesmente não vê as pessoas na rua?

Se esse motorista tivesse matado um pedestre atravessando na faixa, não haveria essa discussão contraproducente de que “bicicleta é suicídio”. Ou diriam que andar na rua é perigoso?

Dirigir é que é perigoso. Nem todos deveriam ter o direito de fazê-lo.

A bicicleta deveria estar na ciclovia

Essa argumentação é tão lamentável, de um egoísmo e uma falta de civilidade tão grandes, que nem deveria ser comentada. Mas vamos lá.

Não há ciclovia ali e nunca vai haver: é uma via de acesso. Não há espaço para ciclofaixa ou ciclovia. O que há é um espaço viário que deve ser compartilhado.

Nunca haverá ciclovias em todas as ruas da cidade. E por mais ciclovias que tenhamos, em algum momento o ciclista terá que sair delas para chegar onde precisa. Nesse momento, precisará de respeito à sua utilização da via.

Sem esse respeito, sem essa conscientização de que a bicicleta tem direito de compartilhar as ruas com os carros, não adianta encher a cidade de ciclovias. Ao sair delas por um momento, o ciclista correrá risco. Respeito é a base sobre a qual deve ser construída a infraestrutura cicloviária da cidade. Sem ele, a mobilidade por bicicleta continuará clandestina, restrita a pequenos trechos pintados de vermelho ou sinalizados com cones.

E não adianta argumentar que o ciclista deve andar só na ciclovia. Quem usa a bicicleta como meio de transporte a utiliza para chegar a algum lugar. Eu não saio de casa com a bicicleta para ir até a ciclovia, eu saio para ir até o trabalho. A ciclovia pode estar no meu caminho ou não. Simples assim.

O Código de Trânsito protege a vida

A lei que rege o fluxo de veículos nas vias não tem como objeto os veículos e sim as pessoas. Examine o CTB com atenção e você perceberá que a principal preocupação é, sempre, com a segurança das pessoas, tendo o fluxo uma importância secundária. Primeiro a vida, depois fluir. É essa a lógica que a cidade deve seguir.

Há diversos artigos que garantem a segurança do ciclista (alguns citados no texto anterior, outros tantos disponíveis aqui). Mas as autoescolas, hoje chamadas de Centros de Formação de Condutores, costumam ensinar a passar no exame, não a dirigir com respeito à vida.

É mais importante saber quantos pontos na carteira o motorista ganha ao passar um sinal fechado do que o que pode acontecer com ele e com os outros ao fazer isso. Que diferença faz se é uma infração média ou grave? O risco de furar um sinal deve ser medido por essa pontuação ou pelas possíveis consequências?

Acidente é algo que acontece inesperadamente, impossível de ser evitado. Mas uma morte como essa poderia ser evitada, com o simples cumprimento da lei.

Quem infringe uma lei e comete um ato que pode colocar vidas em risco, tem (ou deveria ter) consciência do que pode acontecer. Portanto, deve aceitar a responsabilidade pela morte que causou.

Não, definitivamente não foi acidente.

Falta punição

O motorista saiu de lá dirigindo. Não se sabe ainda se ele fez de propósito, se tem condições para continuar dirigindo ou se foi tudo uma grande, estranha e misteriosa coincidência. Não se sabe se ele estava abalado e sem condições de dirigir. Mas saiu de lá dirigindo. É seguro ter essa pessoa ainda dirigindo? Quantos mais ele pode “não ver” pelo caminho?

Como disse um motorista de ônibus para a ciclista Laura Sobenes na Avenida Paulista: “você que vai morrer, eu só vou assinar o B.O.”. Com a certeza de que tudo vai ser apenas um B.O., motoristas covardes, irresponsáveis e criminosos colocam em risco a vida de ciclistas todos os dias.

Enquanto esses criminosos souberem que não serão presos por causa de uma “bobagem” dessas, pessoas como o Sr. Antonio continuarão morrendo e motoristas como esse, que absurdamente teve seu nome preservado até agora, continuarão matando anonimamente.

66 comentários em “Por que não foi acidente

  1. Sabe qual é a verdade?

    Esse país é atrasado moralmente e sempre será…

    Aqui não tem espaço para sonhar, viver sem medo ! é um país pesado e mesquinho.

    Desistam dessa briga (veículos x bicicletas) nunca ganharemos, nem chegaremos perto disso.

    Bicicleta não dá lucro para quem detém o poder político e econômico.
    “Mortes de ciclistas na Paulista é a essência, a simbologia máxima do capital x liberdade.”

    Somos Dom quijote lutando contra moinhos de vento.

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  2. Sempre quando morre algum ciclista, o engajamento de outros ciclistas em relembrar leis de trânsito é louvável.
    Porém nos outros dias das semanas, vocês se esquecem de relembrar lei mínimas como “faixa de pedestre é para PEDESTRES” e “respeitar farol vermelho no fluxo da via em que se guia seja qual veículo for).
    Falta educação de trânsito para todo mundo, inclusive para o ciclista que numa conta proporcional, é sem dúvida a “classe” que eu mais vejo fazendo besteira na rua.
    Testemunhas disseram que a menina gesticulava na hora do acidente. Mãos no guidão são tão importantes quanto no volante. O motorista errou, e ela também. Uma infeliz fatalidade.

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    1. Concordo que o respeito as leis de transito devem ser observadas e respeitadas, porem antes de mais nada temos que ir acostumando a nos respeitar, enquanto houver a disputa desnecessaria de preferencias, os atritos continuarão a existir, será que vale realmente ganhar aqueles 5 segundos antes do farol fechar ou ainda antes dele abrir? da mesma forma será que vale a pena o veiculo sair antes da bicicleta se a mesma sair junta no farol em nivel da faixa de contenção do carro? na visão da bicicleta o carro irá espreme-lo e não conseguira atravessar … na visão do carro a bicicleta irá atrasa-lo em alguns segundos … é o pensamento no individualismo ao extremo ….
      são pessoas no trem que ficam na porta, mesmo que irão desembarcar na ultima estação ficam lá para sair em primeiro quando o trem abrir as portas …
      Será mesmo que precisamos de toda essa pressa? para voltar para casa? para chegar ao trabalho? … será que não vale a pena acordar mais cedo ou voltar sem tanta pressa? …
      Vamos desacelerar um pouco pessoal … ninguem vai morrer se não deixar um pedestre passar, um carro, uma moto, uma bicicleta, um carroceiro, … vamos voltar um pouco mais tarde em casa ou sair um pouco mais cedo … mas com mais segurança e menos stress …

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  3. Não li todos os comentários… Eu conheço a Laura Sobenes e muitos outros ciclistas..
    Também tenho sangue ciclístico…
    Quero dizer poucas e sabias palavras: O valor da vida está em baixa! Ciclista, cuide da sua! “Yamas”

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  4. Até quando??? Ainda estamos longe de um país com educação escolar para todos. Mas o fato, é que a educação que recebemos no “berço” (em casa, no seio da família); está mais longe ainda, dos lares da maioria dos brasileiros. A vida não pode ser tratada como uma coisa banal. E somente a educação familiar, pode nos dar essa sensação e formação. Respeitar o próximo, como gostamos que nos respeitem. Somos todos parte de um mesmo corpo: o TRÂNSITO! Somos todos da mesma raça: a HUMANA! Portanto, respeito mútuo, educação, com um sorriso; que é a menor distância entre duas pessoas!!! Estaremos de Bike sempre!!!

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  5. Passaram mais de cem dias depois do acidente. Sabemos se o motorista está pelo menos impedido de dirigir? Um motorista que fala que não vê ciclistas não pode dirigir ônibus. Ele estava ultrapassando o ciclista e esqueceu dele em dois segundos?
    Em Vitória, eu reparei que bastante motorista estão começando a me respeitar mais. Eu estou usando um informe na traseira da minha bicicleta e acredito que teve um efeito positivo. Porém estou vendo muitas vezes os ônibus no meio da ultrapassagem, se aproximar de volta para mim. Pode existir maldade mas existe também incompetência.
    Eu acho que eu vou comprar um câmera para filmar todas as minhas ida no trabalho. Eu acho que os comportamentos errados precisam ser divulgados e os infratores punidos.
    Eu fiquei pensando nisso quando um policial afirmou para mim que era impossível fazer respeitar essa lei. Impossível mesmo! Preciso encontrar uma câmera que tem autonomia de mais de duas horas!

    Emmanuel M. Favre-Nicolin
    Blog Vitória Sustentável
    http://vitoria-sustentavel.blogspot.com

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  6. Há 2 anos faço uso de minha bike como meio de trasporte de minha casa que fica no Tucuruvi ( zona norte de São Paulo )até meu trabalho no Belenzinho ( zona leste)e nesse trecho de 13 km p/ ir e mais 13 km p/ voltar não existem ciclovias, contudo faço a minha parte, pedalando sempre pela direita e na mão certa com todos itens de segurança, como luzes e capacete, sempre respeitando as leis de trânsito, emfim, nessa minha experiência como ciclista, o que mais me deixa abismado são os motoristas de ônibus que na sua maioria não tem um menor respeito por nós, agem como verdadeiros inimigos dos ciclistas, vêem em nós um obstáculo estranho que invadiu “a sua pista” e não um carro a menos, além de já ter sofrido diversas fechadas, aconteceu de certa vez na av. Celso Garcia, (prestem bem atenção nesses motoristas de ônibus em particular)onde eu estava aguardando em cima da calçada p/ atravessar com a roda dianteira inteiramente encostada na guia, justamente p/ não atrapalhar, ocupando um mínimo de espaço possível, vejam bem, a av. estava vazia, somente c/ esse ônibus vindo beirando a faixa dupla central e eis que então, que quando me avistou começou a se afastar do meio da av. e foi avançando cada vez mais p/ direita em sentido da guia, onde eu estava parado, eu não estava acreditando,ainda, que um ser humano fosse capaz de cometer tamaha maldade, qdo derrepente o sujeito jogou com tudo o ônibus p/ cima da guia, batendo com a lateral do veículo no guidão da minha bicicleta, consegui tirar minha mão a tempo de não ser esmagada, o guidão quebrou, mas consegui escapar com vida . Pois é, lhes recomendo com veêmencia p/ que tomem cuidado na rua, pois cada vez mais o que se vê,infelismente, são motoristas despreparados psicologica e civilmente, desrespeitando, assim o direito de ir e vir de todos nós.

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  7. Um erro na análise: Não é verdade que uma pessoa ao cair da bicicleta ela necessariamente cairá verticalmente do ponto em que está. Ela pode se desequilibrar, e dar uma guinada na bicicleta, até atingir o veículo do lado. O veículo do lado não tem como *forçar* a bicicleta a manter 1.50 m de si. Isso fica evidente no vídeo http://zapt.in/1BWV em 0:30, quando a ciclista ultrapassa o ônibus mantendo-se colada a ele.

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  8. “A curva feita para a direita não tem raio compatível com o porte do veículo, isso sim é negligência, isso sim deve ser discutido. O raio incompatível faz com que a roda traseira do ônibus “feche” sua trajetória em direção à guia.”

    Bruno esta ai a prova que o motorista é culpado, pois quando se acha que da para passar é onde acontesse o acidente, foi esse o caso, o ciclista esta a frente e o ónibus atrás, o condutor do veiculo de porte é obrigado a saber dessa ocupação de espaço.

    Também fui profissional habilitado na categoria “E”, fui porque já me aposentei, sempre respeitei os limites e na duvida pisava naquele pedal do meio que serve para frear, é o que muitos não fazem por mera preguiça e certeza que se causar algum acidente não sera punido.

    Todo cidadão tem o dever de zelar pela sua segurança e de seus semelhantes é muito fácil falar que não foi acidente provocado por negligência do motorista quando não se entende do assunto, parece uma armação igual aquela do não tão perido pago pela Globo para falar da bolinha de papel jogada na cabeça do bizarro candidato a presidente.

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  9. Acredito na hipótese de acidente e acho muito estranho “um ciclista experiente como Antonio Bertolucci” estar tão próximo de um ônibus (provavelmente fretado, como os tantos que trafeam por ali de manhã). A curva feita para a direita não tem raio compatível com o porte do veículo, isso sim é negligência, isso sim deve ser discutido. O raio incompatível faz com que a roda traseira do ônibus “feche” sua trajetória em direção à guia. Creio que essa combinação de fatores foi decisiva para o que aconteceu.

    Fala-se muito dos outros, dos motoristas, crápolas, canalhas, calhordas, covardes. Os “outros”, os “motoristas covardes” são tão negligênciados quanto os ciclistas. Perde-se tempo jogando uns contra os outros, discutindo que esse meio de transporte deve ser privilegiado e aquele deve ser abolido.

    Acordem meus amigos. Se bicicletas são um meio de transporte, carros, ônibus, táxis, caminhões também o são. Não vejo ninguém discutindo o lixo que esse cidade (metrópole) está se tornando. A cidade que é do ciclista e do motorista e do pedestre. Que no final são os mesmos…cidadãos, não?

    Não encontro discussões sobre transportes, sobre a cidade, sobre o espaço público…apenas bicicletas, ciclistas, motoristas e pedestres.

    Acredito na hipótese do acidente pois é essa a moral da história. A cidade destrata o espaço, destrata o cidadão. Joga o ciclista, o motorista e o pedestre uns contra os outros. Enquanto esses brigam, todos cidadãos, a cidade continua a destrata-los.

    Agora, quem destrata a cidade senão os próprios cidadãos?

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  10. A mais de 40 anos pedalo, só na cidade de São Paulo foram 29 anos. A mudança no entendimento dessas autoridades são voltadas para visar o lucro e nada mais, vejam no que deu a lei seca, o motorista bebum quando é pego somente paga uma multa e é liberado, deveria é ficar preso, mas isso gera gastos, então as autoridades só recebem a multa do infratror e novamente o motorista bebum esta livre para fazer o que quiser.

    No caso desse motorista de ónibus, o mesmo deveria sair algemado dentro de um camburão direto para a cadeia, é um criminoso igual ou pior aquele que porta uma arma de fogo para cometer assaltos, mas vejam como pensam as autoridades. O motorista criminoso ainda sai conduzindo a arma do crime, esta quase igual a bandido que assalta a mão armada e mata a vitima, se por acaso for preso só faltam entregar-lhe a arma e mandar ir para outra esquina continuar o que estava fazendo.

    É hora das autoridades pararem de fingir que fazem e, todos nós, de fingir que acreditamos.

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  11. Vi que em Londres muitos ciclistas andam com uma câmera no capacete, e filmam as situações de perigo por que passam. Como a TV é um meio de comunicação muito popular, que tal sugerir uma matéria pro Fantástico, Domingo Maior, Glogo Repórter, Profissão Repórter, e outros, aproveitando o clamor do momento?
    Vários vídeos, encaminhados por ciclistas, reportagens, vamos sugerir essa pauta! Vamos lutar com armas limpas e de grande alcance!
    Ju, compartilho com vc os mesmos temores, que ainda não me permitiram fazer da bike meu meio de transporte principal…
    Jardel, a liberdade de opinião é um direito de todos, e sim, um motorista de ônibus que dirige sem “ver” pedestres e cilcistas é culpado, no sentido amplo de ter responsabilidade pelo que aconteceu, mesmo que fosse o atropelado o office-boy da Lorenzetti ou da padaria da esquina. Leia os depoimentos dos cilcistas aqui mesmo no blog, vc vai ver.
    Inácio, excelente ideia, ruas fechadas ao trânsito motorizado!

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  12. Qdo é que vão entender que representamos um carro a menos.
    e que estamos contribuindo com a melhoria do ar.
    Penso que deveriamos insistir na divulgação dos beneficios que causamos à população!

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  13. São Paulo não dá mais…
    Outras também estão assim…
    A adoção ao ciclismo é uma solução (embora desagrade a muitos que lucram com a situação caótica atual).
    Uma solução seria adotar definiva e oficialmente as bikes. Como? Deixando algumas (várias) ruas da cidade somente para bikes e pontos para o estacionamento delas, Nestas ruas somente carros de moradores daquelas ruas e veiculos para nelas entregar seriam permitodos. Resumindo, somente bikes poderiam usar aquelas ruas para trânsito e estacionamento. As ruas escolhidas seriam de tal forma que uma baike poderia ir de qualquer ponto a qualquer outro ponto da cidade. Teria que estacionar sua bike e andar um pouco é claro se o ponto estivesse em rua onde não se pode pedalar.
    Com o espaço reduzido para os carros, a solução seria a bike, e as pessoas passariam a usa-las mais.

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  14. Visitei o Vietnã há alguns anos. Nas principais cidades, um trânsito caótico. Motocicletas e bicicletas vinham de todas as direções e eu, pedestre, estrangeiro e ignorante sobre os usos e costumes locais, achei melhor consultar um guia antes de me lançar para aventuras maiores. Nele estava escrito: “No Vietnã, há apenas uma regra de trânsito que funciona e que deve ser respeitada sempre: o menor cede passagem para o maior, e assim por diante.”. Lembro-me de ter achado graça e pensado que isso era evidência concreta de estar num país de terceiro mundo. Triste é saber que aqui, onde nasci e moro, a regra é exatamente a mesma…

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  15. Apoiadissimo. Chegamos num ponto, em que nos ciclistas, somos considerados desequilibrados, por possuir uma bicicleta e fazer dela nosso meio de transporte.

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  16. Vamos reivindicar o respeito aos ciclistas, mas que tal reividicarmos com o governo pela introdução de ciclovias? Será que não vale a pena ciclovias na cidade de SP?
    Abraços

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    1. Gilberto,

      Ciclovias são caras de implantar, a demanda é muito baixa para justificar essa ação (e seus custos). Algo mais fácil de se fazer é simplesmente uma boa campanha educativa, explicitando o que já consta no CTB e PUNIR quem desrespeitar a legislação. Simples, barato e prático.

      Ao se ler o CTB, nota-se que, caso aquilo seja cumprido, n~]ao se rpecisa de muitas mudanças nas cidades. Como não é cumprido, precisa-se de grandes mudanças, mas nas pessoas.

      Enquanto a pressa for mais importante que a vida, ciclovia, ciclofaixa e afins serão inócuas. Sem contar que, um ciclista não quer ir empurrando a bike até a ciclovia, pedalar, e depois empurrar a bike até o destino. Isso acaba com toda a praticidade de se usar uma bike!

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  17. Acredito que está havendo uma antecipação aos fatos de condenar o motorista do ônibus como assassino.

    A competência de julgar cabe aos Magistrados e não a comentaristas de plantão.

    O mesmo sequer é Perito para depurar fatos, Delegado para compor um inquérito , Promotor Público para oferecer denúncia e Juiz para julgar e condenar.

    A questão é…querem a cabeça do motorista de ônibus por que provavelmente ele …é pobre !

    Se fosse o contrário….um pobre de bicicleta indo ao trabalho sendo atropelado por uma Ferrari…como seria o julgamento deste sábio que já condena algúem por assassinato…cuidado…condenar alguém sem ter habilitação para tal função é isto sim….crime.

    Polêmico. O que acha? Thumb up 4 Thumb down 8

    1. O problema, Jardel, não é querer a condenação. É saber que não haverá inquérito, denúncia, etc, etc… Ou que, caso haja, é por causa do status do atropelado e não pelo atropelamento em si.

      Ano passado, fui atropelado, enquanto pedalava, mais ou menos na mesma época que o filho da Cissa Guimarães fui atropelado e morto. Tudo bem, a gravidade dele foi maior, ele morreu e eu só precisei passar por duas cirurgias e ficar 7 meses sem colocar o pé no chão e mais dois meses de muletas. Mas, no caso dele, houve perícia, reconstituição, etc, etc.

      E ainda assim, o que aconteceu no caso dele (o meu, muito menos que isso – nada até o momento). Condenação a pagar cestas básicas (pelo racha e fraude processual)!!!!

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  18. Eu curti o comentário da Ju, dificilmente os motoristas tem essa visão.

    Na minha opinião, todo motorista profissional deveria aprender a andar de bicicleta e pegar alguma avenida movimentada antes de poder ter a sua permissão de matar, opsss, é dirigir. Somente assim alguns, ou a maioria vão saber como nos sentimos.

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    1. Eu já tive oportunidade de dirigir um caminhão. Não é moleza. Depois disso passei a ser um pedestre e ciclista muito mais prudente. Notei que os motoristas poderiam ser tão despreparados quanto eu. E o agravante é que a terra é de ninguém. Quem liga pra trânsito? Não se respeitam os direitos básicos. E o ciclo se perpetua.

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  19. Uma parcela considerável de motoristas de ônibus não tem a menor noção de desproporção entre o veículo deles e uma bicicleta. A seguir, breves histórias vividas por mim em Brasília:

    • Fui espremido por um ônibus que me ultrapassou, provavelmente porque achou que já tinha livrado a traseira de mim; eu ando a pelo menos 30 km/h, ainda havia meio ônibus pra me dar uma rabada. Encolhi os ômbros e escapei. Fui educadamente falar com o motorista no próximo sinal e expliquei para ele tomar cuidado. Ela mandou eu andar na calçada (que, por sinal, não havia no local). Eu disse que bicicleta é um veículo e deve dividir a pista. “Veículo? Cadê a placa?” foi a tosca conclusão do motorista.

    • Espremido de novo por um ônibus, encontrei-o na próxima parada e perguntei se ele não me tinha visto. Ele falou que viu, mas teve que me espremer à direita pra não bater no carro do seu lado esquerdo. Olha a barbaridade! O carro e o ônibus sofreriam um arranhão, teriam um retrovisor quebrado. Eu? No mínimo escoriações pelo corpo todo, com possibilidade de fraturas, traumatismo craniano e passar por baixo de uma roda dupla do ônibus. Um espelho e um martelinho de ouro, é só o que vale minha vida?

    • Já não é fácil pedalar por aí, mas o DETRAN ainda dificulta. Para impedir o trânsito de veículos no acostamento em uma descida, foram colocados dezenas de quebra-molas espaçados em ±5m, impedindo o trânsito da minha bicicleta que, na ladeira, fazia uns 55 km/h. Pra variar, um ônibus me espreme, e eu sem poder ir para o acostamento pois minha speed iria simplesmente desmontar nos quebra-molas topográficos dali, me levando por terra. Me espreme, me espreme tanto, que eu limpei a lateral do ônibus (ele a uns 70 e eu a uns 55) com meu braço esquerdo enquanto berrava, querendo matar o desgraçado. Essa eu posso relatar como uma experiência de quase-morte.

    O acidente de trânsito é banalizado pela legislação. Se eu disparar um revólver apontando não exatamente em sua direção, mas um pouco à sua esquerda, eu garanto que me enquadram como tentativa de homicídio, mesmo que evidentemente não tenha sido minha intenção te matar. Passe com um veículo de mais de 10 toneladas a 10 cm de um ciclista, que não chega a 1% do seu peso, e o que é isso? Nada. Talvez uma direção perigosa, mas cadê o guarda para autuar?

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  20. Infelizmente os que usam bike como meio de locomoção, não são respeitados, mais muitos também não respeitam, eu uso bike todo dia pra mim locomover ai em Belém, os carros e motos, só andam com pressa, pareçe que vão tirar a mãe da forca, e aqui so tem alguns kilometros de ciclovias, se podemos chama-las assim? é uma falta de respeito total, tanto dos motoristas, como dos governantes,outro dia vi uma reportagem na Holanda, lá tem 400 km de ciclovias, já São Paulo só 40km, lá se respeita os ciclistas e os mesmos respeitam os carros!

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  21. Se alguém me fala isso (“É você que vai morrer, eu só vou assinar o B.O.”), ou seja, ameaça minha vida verbalmente, sou capaz de perder o controle e partir para uns socos na cara do infeliz.

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  22. Sei que esse é um blog voltado para ciclistas, mas gostaria de fazer uma manifestação pró pedestres! Se os ciclistas são desrespeitados e estão morrendo, acreditem, a situação tá pior ainda para os pedestres. Por várias vezes quase já fui atropelado por carros na calçada! Isso mesmo! Os carros saem da garagem sem nem se preocupar se está vindo gente ou não na calçada, e pior, muitas vezes os motoristas veem o pedestre na calçada e mesmo assim avançam o carro, fazendo com que o pedestre tenha que esperar pra andar na calçada! Isso sem contar a faixa de pedestres, porque se na calçada eles já não respeitam os pedestres, a faixa é como se não existisse.

    É um absurdo! Eu aonde bastante de carro, mas devo admitir que os motoristas estão passando completamente do limite. O que tá valendo é a lei do mais forte, ninguém respeita ninguém no trânsito! É gente se matando no trânsito todo dia e ninguém faz nada!

    Comentário bem votado! Thumb up 7 Thumb down 0

    1. Luiz,

      concordo com o que você falou, e devo admitir que acho engraçado isso: na teoria, TODO MUNDO é pedestre. Ciclista também é pedestre, motorista também é pedestre. Mas parece que as pessoas se esquecem disso e boa parte do motivo pelo qual elas se esquecem, é pelo fato de que, NA PRÁTICA, nem todo mundo é pedestre!

      Foi lindo ontem o movimento, embora o que esteja por trás tenha sido essa simples notícia, mas fico pensando se a cada vez que um pedestre morresse atropelado, TODOS fizessem o mesmo barulho, e colocassem, sei lá, ghost shoes, no lugar, pra todo mundo perceber como isso pode acontecer com qualquer pessoa – ciclista ou não. E para que todos percebessem que, em essência, também são pedestres. – Isso fica também pra quem estava quase lá e resolveu “dar pra trás” em tentar adotar a bicicleta como meio de transporte: não são só ciclistas que sofrem esse tipo de ameaça, pedestres também.

      Bom, sei lá. Falta tolerância.

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  23. Motoristas que assassinam ciclista devem ser processados criminalmente. Ouvir de um motorista “É vc que vai morrer eu só vou assinar o Boletim de Ocorrência” essa pessoa desprepadarada não pode dirigir uma arma como um ônibus. Faz muito tempo que o CTB é rasgado por motoristas vestidos com suas armaduras automotivas, já passou da hora disso mudar. Respeito a vida sempre.

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  24. a real no transito é essa: de moto vc nao é respeitado, de bicicleta vc é ignorado.
    O respeito no transito é inversamente proporcional ao tamanho do veiculo: na pratica, quem passa na frente é o caminhao, o onibus, depois o carro, e assim vai, e se vcs querem saber, nem pedestre respeita o ciclista, pois quando vc vem pela rua e o pedestre te ve, ele atravessa e nao te respeita.
    Entao…nao foi acidente. Foi uma falta de bom senso geral, falta de educaçao no transito, falta de respeito pela vida, falta de noçao que alguem pode morrer como morreu por simples descaso pelo proximo.
    Quando é que o ser humano vai ser humano?

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  25. realmente, isso acontece, pq as leis ainda são brandas quando se mata alguem, nao estou falando de rebeldia, e tudo mais que acontece, aki em Niteroi-Rj, a unica ciclovia que existe e no calcadão da praia de Icarai, sao francisco e charitas, por isso sempre que posso, dou o minimo de prejuizo aos motoristas que por ventura podem me machucar, um retrovisor aki outro ali, algumas laterais riscadas, não é o que eu deveria fazer, isso é logico, mas quero demostrar que aos poucos os danos podem ser permanente, para mim, como para eles.

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  26. Revoltante é saber que iso não vai dar em nada, e vai continuar tudo do mesmo jeito, isso só apareceu na mídia pq se trata de um executivo.

    A verdade é que enquanto não fazerem valer a lei (sim, ela já existe!) outros casos como este tornarão a se repetir, porém a prefeitura de nossa cidade juntamente com a CET só tem como objetivo mul…tar, e criar cada vez mais pontos de zona azul… pra isso sim eles são bons em fazer sinalizações e mostrar que “estão em cima”.

    Enquanto isso milhares de motoristas alimentados pela ignorância e presos em seus casulos automotores promovem este banho de sangue pelas ruas de São Paulo, pedalar aqui virou uma batalha diária pela sobrevivência, e infelizmente as baixas estão cada vez mais frequentes…

    É uma questão social e principalmente politica, pois aqueles que deveriam zelar pelo bem de todos estão mais preoculpados com as arrecadações, e quando “dizem” que fazem algo a respeito, é simplesmente marketing…

    Não precisamos de ombudsman´s na CET, precisamos de administradores competentes que tratem com igualdade e respeito todas as formas de transporte, quer elas sejam motorizadas ou não!

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  27. Pingback: Pedalinas
  28. Reafirmando e apoiando o comentário da Srta JU, valores e respeito ao próximo são compartilhados pela familia e pelas pessoas que temos como exemplo, senão todos teriamos de cursar uma Faculdade de Direito para aprendermos a respeitar o próximo em todos os aspectos de nossa vida.
    Muito mais que a LEI vale o tão conhecido e tão pouco utlizado e velho BOM SENSO.

    Ps.: tenho ido trabalhar de bike aki em SJCampos – SP, e sem dúvida cada dia é uma “aventura” nesse trânsito de irresponsáveis. Ciclovia ????? onde ??? quando tem, liga nada a lugar algum.

    Abraços

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  29. Obrigado a efetuar relatos de assunto todos os dias, diante de tal cheguei a conclusão que: “todo e qualquer cidadão ser obrigado a andar fazandar de bicicleta pelo menos 4 anos para tirar CNH”.
    Tudo tem de ter uma gestão, seria uma boa parte da solução, respeito!

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  30. Praticamente todos os dias eu ligo para a CET aqui de São Paulo (1188) fazendo a mesma pergunta “Preciso andar de bicicleta na Avenida Paulista para ir ao trabalho. Como devo fazer?”.

    A resposta sempre me surpreende. Já me disseram para ir andar no parque do ibirapuera, que eu não poderia andar pela Av Paulista pois lá não tem ciclovia e por ai vai.

    E impressionante como que o orgão que deveria controlar o trânsito da cidade não sabe orientar as pessoas. Um verdadeiro absurdo.

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  31. Enquanto “autorizarmos” automotores a transitar em velocidades absurdas em nossas ruas, não teremos segurança. Infelizmente estamos vivenciando uma “carrocracia” onde os carros podem tudo. Sou motorista também e não tenho problemas com ciclistas e pedestres, apenas devemos reduzir nossas velocidades quando no “comando” de um automotor, ultrapassar pelo Ciclista e outros com calma, parar na faixa de pedestres, não estacionar sobre os passeios ou seja simplesmente respeitar o CTB e a preferência: 1ºPEDESTRES, 2ºCICLISTAS, 3ºTransporte Coletivo e por último os carros.
    Todos saem ganhando.
    A RUA É DE TODOS !!!
    Só quero ter PAZ nas Ruas e QUALIDADE DE VIDA ao transitar pela cidade, principalmente a pé e de Bicicleta!

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  32. [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 4 Thumb down 9

  33. A grande questão é que o Código de Trânsito determina que os veículos automotivos devem dar uma distância de um metro e meio da bicicleta, e isso obviamente não aconteceu nesse acidente. Outro ponto, é que os veículos automotivos não esperam a vez da bicicleta, é de praxe levar fechadas.

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  34. Antes de mais nada, desculpa pelo tamanho do comentário! Talvez eu tenha exagerado, mas é necessário falar.

    Que as pessoas tiram habilitação sem receberem uma preparação decente, isso é fato!

    Tirei minha carteira de motorista há 4 anos atrás. Na auto-escola, me ensinaram a furar o sinal vermelho sem levar multa. Bicicletas? Nem menção. Como fazer uma ultrapassagem segura? Também não! Não é o máximo? Essa lei do 1,5 m praticamente não existe, porque não convém a ninguém motorizado conhecê-la.

    Mas isso não é desculpa!
    Posso ser sincera? Só fui tomar conhecimento dessa lei por que o atropelamento do Massa Crítica em Porto Alegre aconteceu. Lamento muito, precisei que vocês gritassem a plenos pulmões. Mas então parei para pensar, nunca PRECISEI saber dessa lei para começo de conversa. E porque nunca precisei? Porque sempre tive medo de atropelar alguém, então eu sempre mantive distancia de ciclistas e motos na hora da ultrapassagem de qualquer jeito. Nunca precisei que a lei me dissesse isso, sei pensar por conta própria para saber o que é seguro ou não.

    Vejam, não estou dizendo que não preciso saber das leis. Estou dizendo que não dependo das leis para ter noções de segurança.

    Quero dizer, p****, senso de segurança é algo que deveria ser intrínseco. Não DEVERIA PRECISAR ser ensinado na auto-escola, na sociedade ou nas leis. É algo que deveria vir de cada um. Infelizmente não vem, então no fim dependemos mesmo das leis e das auto-escolas. Mas não deveria ser assim. Precisamos mesmo de uma lei que estabeleça “não atropele” para saber que não se deve atropelar?

    Antes eu prezava apenas pela segurança envolvendo eu e o ciclista. Depois do que aconteceu no Massa Crítica, aprendi a dirigir pelos ciclistas e pelos outros, não só pela segurança deles quando eu passo, mas também pela segurança deles quando qualquer carro passa. Uma pena que eu precisasse disso para evoluir, mas que bom que pelo menos algo de bom aconteceu!
    Percebi que o transito é uma coisa dinamica, ele flui, ele tem um ritmo, ele depende de toda uma sincronia para ser seguro. O que isso significa? Significa, por exemplo, que não é porque eu estou na pista do meio e a bicicleta na pista da direita, que eu não vou me preocupar com ela. Preciso ficar atenta, porque se vem um carro pela pista da direita com intenção de ultrapassá-la, cabe a mim diminuir a velocidade e dar passagem ao carro para que ele entre na minha pista, na minha frente. Assim ele ultrapassa a bicicleta com uma distância segura, sem tirar fino. Isso é sincronia, estar atento a todos em todas as pistas e saber tomar a decisão certa no momento certo. Outro exemplo, se a bicicleta está na minha frente, em uma avenida furiosa, e eu não estou com pressa e nem necessidade de ultrapassá-la, custa nada eu ficar atrás dela e segurar o trânsito para que outros carros não tirem fino. Ou seja, não só cuido para não causar um acidente, aprendi a cuidar para que outros também não causem.
    Ajudei também meus pais a dirigir respeitando as bicicletas e tento divulgar ao máximo entre colegas.

    Eu estava contando ontem isso ao Phil, e achei importante contar a vocês para que saibam que o movimento de vocês tem sim um efeito positivo sobre os motoristas. Muitos ainda são avessos às bikes, isso é algo que vai ser difícil vencer, mas pouco a pouco as pessoas estão se conscientizando. Começou conscientizando a mim, hoje meu pai, minha mãe e até a minha irmã, que em breve deve tirar a carta, aprenderam com vocês.

    Queria trocar o carro pela bike, porém tão cedo acho que não farei isso, infelizmente. Fiquei de te mandar um e-mail com dúvidas, mas acabei adiando a ideia temporariamente, confesso. Tenho medo, mas não porque andar de bike é perigoso. Tenho medo porque sei do que motoristas são capazes e sei das barbaridades que eu vejo eles cometendo quando estou dirigindo minha “armadura de lata”. Se o carro é uma arma, infelizmente não estou pronta para sair de casa desarmada. Meu carro é o meu porto seguro depois de um dia estressante, é um conceito difícil de largar. Faço meu possível, e sou a favor de termos mais bicicletas nas ruas e menos carros. Vou lutar por um trânsito mais humano junto com vocês.

    Ontem eu twitei falando que, depois de encarar um engarrafamento pesado, ouvindo a Kiss FM, tocou a música “I Want to Ride My Bicycle”, e brinquei falando que isso era um sinal. Conversei com meu amigo Phil sobre bicicletas e logo depois li o tweet anunciando a fatalidade. Pois bem, coincidencia ou não, depois lendo as matérias, me dei conta de que essa música tocou próximo ao momento em que o ciclista Antonio Bertolucci foi declarado morto. Se isso não é um sinal, eu não sei o que é.

    Ver a foto da ghost bike ontem me deixou com um vazio enorme. Me deixou extremamente emocionada, e achei lindo o que vocês fizeram. Voces fazem algo que nem motorista, nem motoqueiro, nem mesmo os pedestres fazem, que é se unir por uma causa tão nobre. Para os outros, o trânsito é cada um por si e Deus por todos. Não pode ser assim.

    Só isso, um desabafo.

    Peço desculpas por escrever tanto. Ontem eu te mandei um tweet falando sobre como o movimento de vocês estava mexendo com o coração dos motoristas, porém 140 caracteres não foram suficientes para expressar o que eu senti, por isso eu vim aqui hoje. Ainda tinha tudo isso entalado na garganta para dizer.

    Não quero vir aqui para cantar glórias. O Phil me disse que mais pessoas deveriam pensar como eu e, sinceramente, não quero ouvir isso de novo. Não sou a melhor motorista do mundo e estou longe de ser.

    Só postei tudo isso porque vocês parecem exaustos de lutar por algo que dia a dia parece cada vez mais ignorado. Cada atropelamento parece uma causa perdida. Só quero dizer que não desistam. Pouco a pouco vamos estabelecer uma cultura de bom convívio, e se não viverei para ver esse dia chegar, farei então pelas próximas gerações.

    Quero que saibam que o movimento de vocês mobiliza os motoristas, não desistam dessa causa, nunca! Motoristas anônimos estão sempre aderindo. Obrigada por combaterem os males do transito com amor, e obrigada por me ensinarem a fazer o mesmo. =)

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    1. Oi JU

      Que admirável comentário o seu. Identifico-me imediatamente com você nisso, nessa questão de não precisar que nenhuma lei te diga o extremo cuidado que deve ter com a vida alheia, inclusive. Porém, sabemos que esse entendimento, coisa que tange a um coração cheio de humanidade, não virá numa auto-escola. Infelizmente terei que recorrer ao chavão e dizer que esse sentimento de valorização à vida, quem tem, o recebeu em casa, nos pequenos exemplos de pai e mãe e avós. Antes de ser um ótimo motorista nesse aspecto, há que ser uma ótima pessoa, um ótimo ser humano. E concordamos que a educação atual não vê méritos mais nisso, as “competências” trabalhadas hoje são outras, aquelas que justamente empedram fácil os corações.

      Não te conheço, Ju, mas veio uma alegria enorme te ler, saber que seus filhos, se os têm ou terá, serão iguais a você, porque hoje é só assim que são transmitidos esses valores. Nas escolas se ensinam outras coisas.

      E as leis, a palavra e o rigor das leis, deveriam ser para as exceções.

      Abraço

      Márcio Campos (ciclista todo-dia)

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    2. Parabéns Ju.

      Assim fica demonstradoque motoristas, podem e devem respeitar os outro meios de transporte (o pé a a bike).
      Também fica a esperança de uma provável ciclista.

      Parabéns.

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    3. Ju, teu comentário foi a manifestação mais legal que já li por parte de um motorista. Dá força à causa e mostra que sim, ser correto e solidário é algo que existe no trânsito e é algo que pode se multiplicar.
      Obrigada pelas tuas palavras.

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    4. O movimento é nosso! Seu, meu, das pessoas. Das cidades. Da vida. Movimento por uma cidade mais humana. Por uma cidade para todas as pessoas. Amorosamente, em harmonia.

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    5. é impressão minha ou tem um voto negativo no coment da ju???
      (um assassino passou por aqui! \o/)
      eu gostei muito do comment, é bom saber que a luta pelos nossos direitos tem feito algum efeito, coisa que a mídia sensacionalista sabe, esconde e reprime, fiquei indignado ao ligar a televisão e ver o “defensor” do povo, o Datena, no brasil urgente falando que se você gosta de bicicleta vá andar na China! ele deixou bem claro que é contra o ciclismo, contra uma sociedade civilizada, contra o direito a vida!
      sem mais comentários!

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    6. ju e galera, me desculpem, acabo de marcar SEM QUERER o segundo “não gostei”
      achei que seria possível ver a justificativa ou algo similar do responsável pelo 1º antes do voto ser confirmado.
      particularmente, todo dia que saio com minhas bike vou preparado para o susto e ja conheço os piores pontos de algumas de nossas vias, é hábito pensar assim decorrente de “experiências”. sempre que saio de casa com a magrelinha tambem me pergunto, É HOJE QUE VIRO MAIS UM MARTIR?…é F….da. vamos criar um post com os piores locais e onde devemos tomar cuidado e indicar as vias alternativas para aquele ponto, exemplo: av. ibirapuera x av. indianópolis em frente ao chico hamburguer…
      alternativa: qualquer paralela por dentro do bairro que é bem mais tranquilo.
      sou novo no blog e ainda não conferi se ja há algo similar.
      ALIAS, MOEMA É UM DOS PIORES BAIRROS PARA SE LOCOMOVER DE BIKE. MUITO “PLAYBA” e madame ARMADOS com carros bacanas experimentando o “torque” abraços a todos.

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  35. Hoje vim trabalhar de bike – costumo fazer isso quase todos os dias – e um sujeito com uma caminhonete, logo que me ultrapassou entrou numa vaga para estacionar. Isso acontece todo o tempo, porque motoristas simplesmente acham que as bikes estão paradas nas ruas? Toquei minha buzina e ele com olhar de desdém disse: “você precisa tomar cuidado”… no que respondo sempre: “Se não tomasse cuidado, você teria me atropelado, já que aos 55 anos, ainda não aprendi a voar”. Essa postura, esse conceito do monstrorista tupiniquim é o grande problema. Eles não acham que pedestres e bicicletas tem que partilhar a rua. As ruas ~sao para os carros! Onde foi que o valor da Vida foi superado pela pressa? Infelizmente outros Antonio’s e Márcia’s precisarão perecer para que tenhamos um mínimo de respeito ao ser humano? Não digo nem ciclistas, mas a todos?
    Todas as vezes que acontecem fatos como esse sou questionado, “alertado” pelos conhecidos, respondo sempre: “prefiro ainda morrer atropelado e servir como um bom exemplo a de morrer de infarto, sedentário e sem estar fazendo um mínimo pelos meus semelhantes”

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