Avenida Teotônio Vilela, na zona sul da capital paulista. Foto: Paulo Alves

Moradores do extremo sul de São Paulo fazem abaixo assinado por ciclovia

Enquanto alguns reclamam das ciclovias, outros pedem que sejam implantadas. Avenida forma importante eixo ligando áreas residenciais, represas e um parque.

Avenida Teotônio Vilela, na zona sul da capital paulista. Foto: Paulo Alves
Avenida Teotônio Vilela, na zona sul da capital paulista. Foto: Paulo Alves

A construção de ciclovias em São Paulo entrou de vez na vida da cidade e virou assunto recorrente. Enquanto uns acham a infraestrutura polêmica e um verdadeiro desperdício de dinheiro, há quem se mobilize para ter uma delas por perto. É o caso da turma do coletivo Bike Zona Sul, que lançou um abaixo assinado pela internet para pedir uma via exclusiva na avenida Teotônio Vilela, zona sul da capital paulista. E as justificativas são muitas.

Para quem não conhece a área, a Teotônio faz a ligação do extremo sul da cidade com os principais eixos de transporte coletivo na região do rio Pinheiros. Pelo menos 1,7 milhão de pessoas vivem nas quatro subprefeituras da área. A avenida é praticamente a única alternativa para ciclistas, já que as ruas paralelas são mais estreitas e confusas, como explica um dos líderes do movimento, Alex Gomes: “é uma via muito hostil, perigosa e movimentada. Os motoristas passam rápido, sem controle nenhum de velocidade”. Segundo o último balanço da prefeitura, 20 pessoas morreram em acidentes na Teotônio Vilela em 2014, sendo a terceira via com mais mortes na cidade.

Outro argumento é a quantidade de ciclistas e potenciais ciclistas na região. O bicicletário da estação Grajaú (linha 9 da CPTM) fica lotado durante o dia e está bem na Teotônio Vilela. Uma contagem feita pelo Bike Zona Sul no Largo do Socorro identificou 971 pessoas de bike, entre 6h e 20h, em plena terça-feira. “Esse largo é ponto de ligação entre duas ciclovias importantes: a do rio Pinheiros e a da avenida Atlântica. Essa última termina a 1,5 km da Teotônio”, explica Alex. Veja o mapa atualizado.

Bicicletário da estação de trem Grajaú, próximo à Teotonio Vilela, está sempre lotado. Foto: Paulo Alves
Bicicletário da estação de trem Grajaú, próximo à Teotonio Vilela, está sempre lotado. Foto: Paulo Alves

E tem mais. Além de estar entre as represas de Guarapiranga e Billings, a avenida é a única ligação com o extremo sul, onde a prefeitura incentiva um polo ecoturístico, com acesso a borboletário, cachoeiras e rios. Alex acredita que “além de um ganho para a mobilidade urbana, essa ciclovia é uma bela forma de incentivar as pessoas a conhecerem uma região com tanta natureza.”

O ciclista, que é professor de história da arte, acredita que a intervenção não seria tão complexa: “Não somos engenheiros, mas pelas características, dá pra ver que é possível instalar a estrutura. O canteiro central é largo e nos locais onde há ponto de ônibus achamos que é possível aplicar medidas para evitar conflito”. A avenida tem um total de cerca de 10 Km.

Em nota, a CET informou que “está em andamento a elaboração de projeto cicloviário em dois trechos da Teotônio Vilela, totalizando 1,4 km (entre as avenidas Paulo Guilguer Reimberg e Professor Hermógenes de Freitas Leitão Filho e entre a avenida do Jangadeiro e a Praça Enzo Ferrari). Mas ainda não tem prazo para implantação”.

Participe e assine a petição

O Bike ZS acha que não dá para esperar tanto tempo e por isso resolveu iniciar o abaixo assinado. O objetivo é chegar a duas mil assinaturas e entregar a prefeito, secretário de Transportes e subprefeito de Parelheiros. Quem quiser, pode assinar o pedido online. E o Alex dá o recado: “sempre que uma ciclovia é feita, novos ciclistas aparecem e aqueles que gostariam de pedalar e não têm coragem, passam a andar”.

Enquanto cobra e aguarda as ações do poder público, o Bike ZS organiza grupos de pedal na região, orienta pessoas que queiram usar a bike como meio de transporte e oferece dicas de trânsito e rotas seguras. O grupo também é parceiro de outros movimentos que pedem mais ciclovias na periferia, como o CicloZN e o #ciclovianaperiferia.

Foto: Paulo Alves
Segundo usuário, Teotônio Vilela é uma “via muito hostil, perigosa e movimentada.” Foto: Paulo Alves

3 comentários em “Moradores do extremo sul de São Paulo fazem abaixo assinado por ciclovia

  1. Certa vez eu estava indo na direção do extremo sul pela ciclovia da Av Atlântica e encontrei outro ciclista que ia no mesmo sentido e fomos conversando. O meu destino era perto da estação Primavera da CPTM, um pouco depois do final da Atlântica. Ele me disse que do largo do Rio Bonito (onde a Atlântica encontra a Teotônio Vilela) ele ainda tinha mais alguns Km para chegar em casa. Eu fiquei impressionado com a bravura dele, especialmente porque naquele ponto a Teotônio é uma subida íngreme. Eu não sei se teria coragem de fazer o mesmo trajeto que aquele rapaz.

    Queremos uma cidade em que andar de bicicleta não seja um ato de bravura!

    Comentário bem votado! Thumb up 12 Thumb down 0

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