Carro na calçada? Veja o que fazer

No Restaurante Lilló (R. Borges Lagoa, 1321), cobram para estacionar seu carro na calçada (foto de 03/set/08, às 20h26)
No Restaurante Lilló, na Vila Mariana, cobram dos clientes para estacionar os carros sobre a calçada. Foto de 03/09/2008.

Numa noite em que eu voltava para casa aqui em São Paulo (de bike, claro), vi na R. Borges Lagoa um carro atravessado na calçada, cobrindo-a totalmente. O pior é que naquela região há vários hospitais, incluindo o da AACD. Ou seja: muitos pedestres com deficiência de mobilidade. E o motorista, sem noção total, ocupou a calçada toda.

Um pouco adiante, sobre a ponte que fica entre as duas pistas da Ascendino Reis (sobre a Rubem Berta), havia um caminhão da CET, desses que rebocam quem estaciona em local proibido. Fui até lá.

Havia dois agentes ali, um dentro do caminhão e outro do lado de fora, falando no rádio. Esperei esse terminar a conversa e dei um boa noite com um sorriso. A partir daí seguiu-se uma conversa interessante, que resumo abaixo. O agente da CET era bastante simpático e solícito, entendeu bem o que eu quis dizer e foi bastante receptivo.

– Boa noite, tudo bom?

– Boa noite!

– Olha, ali embaixo, tá vendo ali, atrás daquele poste? Tem um carro atravessado na calçada, pegando ela toda. E o pior de tudo é que sempre passa gente em cadeira de rodas por ali.

– Ah, to vendo. Já vou descer lá. Valeu! (não entendi se ele ia lá só dar uma multa ou levar o carro embora, mas pareceu decidido a fazer alguma coisa)

– Aproveitando, deixa eu te falar mais uma coisa… Tá vendo aquele restaurante ali, o Lilló? Se você passar por aqui umas 20h30, 21h, vai ver sempre um monte de carros de clientes que eles estacionam na calçada na maior cara de pau.

– Ah, eu já multei bastante ali, já até levei carro embora. E acho que a gente tem que fazer isso mesmo, porque por mais que o dono do carro não seja culpado, pelo menos ele nunca mais volta no restaurante, que é o que um restaurante que faz isso merece.

– É verdade. E o pior é que eles cobram mais de dez paus pra parar o carro da pessoa em cima da calçada.

– Pois é, maior sacanagem. Mas sabe o que você faz quando ver isso? Dá uma ligadinha no 1188 que a gente vem na hora e pega.

– Eu costumo cadastrar no site do SAC da Prefeitura, que tem um formulário pra preencher sobre isso…

– Lá é legal você cadastrar pra ficar histórico, aí eles agendam uma ação e tal… Mas se ligar no 1188 resolve na hora, porque eles passam pelo rádio e a gente tem meia hora pra atender a ocorrência.

– É que eu desanimei de fazer isso porque uma vez tinha um caminhão atravessado no canteiro central da Sumaré, cobrindo a ciclovia e as duas calçadas, eu liguei no 156 na época e me disseram que não podiam fazer nada. Depois disso eu não liguei mais.

– Agora mudou, antes era uma central da prefeitura, aí era um pouco mais burocrático, caía num atendimento centralizado. Agora é direto com a gente e eles passam por rádio, por celular, e a gente tem meia hora pra atender. Aqui nessa região da Vila Mariana, pelo menos, funciona bem.

– Ah, bom saber disso. Na próxima vez que eu vir, vou ligar então.

– Liga sim!

– Beleza, valeu! Boa noite e parabéns pelo trabalho!

– Obrigado, eu que agradeço a ajuda aí quando puder!

Não, o diálogo acima NÃO é uma obra de ficção. É o que me faz pensar que as críticas aos agentes, em muitos casos, refletem apenas uma indignação do interlocutor por ter sido multado.

Portanto, quando virmos um carro estacionado sobre a calçada aqui em São Paulo, principalmente em porta de restaurante (como esse Lilló, que faz isso há anos impunemente), a gente liga pra CET, no telefone 1188. Combinado?

Peço que quem fizer isso conte aqui, em um comentário nesse post. Funcionou? Não veio ninguém? Os manobristas tiraram os carros rapidinho quando chegou a CET e ficou por isso mesmo? Ou você chegou a ver um caminhão levando um carro em cima? Conte pra nós.

Outras cidades

Cada cidade tem seu órgão responsável pelo trânsito. Pode até ser que ainda não se preocupem tanto com calçadas e pedestres, mas a mudança tem que partir de nós. Isso não pode continuar sendo considerado “normal”.

Se ninguém reclamar, o órgão público continua fazendo vista grossa. Se você reclamar e ninguém fizer nada, continue reclamando sempre que acontecer, incentive outras pessoas a defenderem também seus direitos. Espalhe a informação, mostre que o órgão de trânsito não atua, denuncie a jornais, publique na internet. Pressão popular funciona e uma hora o poder público da sua cidade acorda.

A calçada NÃO é do dono da casa ou do estabelecimento, é de todos. Estacionar sobre ela é um desrespeito com o espaço público e com as pessoas que precisam passar por ali. Denuncie.


126 comentários para Carro na calçada? Veja o que fazer

  • GIL,BERTO OSWALDO ZANOTTI

    Sr, qual e a solução ? norar na Rua João Carlos Fortim, 55- Jardim Leonor Mendes de Barros- Zona Norte, carros são estacionados sobre o passeio, impedindo quem quer que seja de entrar ou sair de suas reside, a pé e ou de carro, esta rua e muito estreita e um dos lados não e permitido parar placas do DSV , chamei o DSV, 1188, um milhão de vezes e a resposta e mesma não temos viaturas disponiveis, nunca tem , para cobrar impostos tem, a Subprefeitura do Jaçanã /Tremembe , tambem e conivente com esta situação, pois ja foi comunicada por diversas vezes e nada faz, ou melhor se faz de surda, hoje foi demais um veiculo estacionou em cima da calçada na contra mão, e ainda saiu jogando o veiculo em cima das pessoas que reclamavam sobre sua atitude , a quem poderemos recorrer para nos auxiliar ?, não sei mais o que fazer, temos tambem dois veiculos que estão abandonados a mais de 40 dias na rua cheio de lixo dentro, se algem puder nos ajudar ficaremos muito gratos, e aceitamos sugestoes para nos indicarem um caminho , eu particularmente não vejo outra solução a não ser mudar do locar, pois os frequentadores do bar da rua ( almoço )e cachaças, são ignorantes e muito mal educados, e falam sem quaisquer vergonha, pode multar que eu não vou tirar .
    Frato

    Thumb up 0 Thumb down 0

Enviar resposta

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>