Ciclovia, ciclofaixa, ciclorrota e espaço compartilhado

Ciclovia em Sevilha, isolada por pequenos postes de metal. Foto: Sevilla Cycle Chic

Muito tem se falado sobre ciclovia, ciclofaixa, ciclo-rota… Mas qual a diferença?

Ciclovia

É um espaço segregado para fluxo de bicicletas. Isso significa que há uma separação física isolando os ciclistas dos demais veículos. A maioria das ciclovias de orla de praia são exemplos de vias segregadas.

Essa separação pode ser através de mureta, meio fio, grade, blocos de concreto ou outro tipo de isolamento fixo. A ciclovia é indicada para avenidas e vias expressas, pois protege o ciclista do tráfego rápido e intenso.

Por estranho que possa parecer, a ciclovia do Parque do Ibirapuera pode ser considerada uma ciclofaixa. Foto: Willian Cruz

Ciclofaixa

É quando há apenas uma faixa pintada no chão, sem separação física de qualquer tipo (inclusive cones ou cavaletes). Pode haver “olhos de gato” ou no máximo os tachões do tipo “tartaruga”, como os que separam as faixas de ônibus.

Indicada para vias onde o trânsito motorizado é menos veloz, é muito mais barata que a ciclovia, pois utiliza a estrutura viária existente.

Dada essa definição, a ciclovia do Parque do Ibirapuera é tecnicamente uma ciclofaixa, já que não há separação física entre o espaço reservado às bicicletas e o resto da via, mesmo que lá não circulem carros.

Ciclo-rota é um caminho mapeado ou sinalizado para ajudar no deslocamento dos ciclistas. Foto: Willian Cruz

Ciclorrota

De uso mais recente, o termo ciclorrota (ou ciclo-rota) significa um caminho, sinalizado ou não, que represente a rota recomendada para o ciclista chegar onde deseja. Representa efetivamente um trajeto, não uma faixa da via ou um trecho segregado, embora parte ou toda a rota possa passar por ciclofaixas e ciclovias.

As Ciclorrotas do Brooklin, Lapa e Mooca, em São Paulo, são exemplos dessa infraestrutura, que está contida em um tipo de implementação mais abrangente chamado Bicycle Boulevard. Entenda aqui.

Foi realizado na cidade de São Paulo um mapeamento de rotas para ciclistas, que tem servido de base para as ciclorrotas mais recentes. Recomendo a leitura deste artigo para compreender melhor o mapeamento e como foi feito. Este outro explica a importância de sinalizar essas rotas.

Ciclofaixa de Lazer, uma "ciclovia operacional". Foto: Willian Cruz

Ciclovia operacional

Faixa exclusiva instalada temporariamente e operada por agentes de trânsito durante eventos, isolada do tráfego dos demais veículos por elementos canalizadores removíveis, como cones, cavaletes, grades móveis, fitas, etc.

As Ciclofaixas de Lazer, montadas aos domingos em várias cidades, são tecnicamente ciclovias operacionais, já que são temporárias e têm sua estrutura removida após o término do evento semanal.

Ciclista compartilhando a via na Av. Paulista. Foto: Mathias

Espaço compartilhado

O tráfego de bicicletas pode ser compartilhado tanto com carros quanto com pedestres. Mas vamos nos ater ao compartilhamento da via com os veículos motorizados, pois essa é a grande luta dos cicloativistas hoje.

Pela lei, quando não houver ciclovia ou ciclofaixa, a via deve ser compartilhada (art. 58 do Código de Trânsito). Ou seja, bicicletas e carros podem e devem ocupar o mesmo espaço viário. Os veículos maiores devem prezar pela segurança dos menores (art. 29 § 2º), respeitando sua presença na via, seu direito de utilizá-la e a distância mínima de 1,5m ao ultrapassar as bicicletas (art. 201), diminuindo a velocidade ao fazer a ultrapassagem (art. 220 item XIII).

Mesmo tudo isso estando na lei, muitas pessoas ainda acreditam que a bicicleta não tem direito de utilizar a rua. E são essas pessoas que colocam o ciclista em risco, passando perto demais, buzinando e até mesmo prensando o ciclista contra a calçada. Também não compreendem o ciclista que ocupa a faixa, sendo esse o comportamento mais seguro (e recomendado pela CET – Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo), pois dessa forma a bicicleta trafega como o veículo que é, ocupando o espaço viário que lhe é de direito.

Fazer entender que a rua é de todos, que o espaço público deve ser compartilhado, que as bicicletas também transportam pessoas que têm família, amigos, filhos, amores, é hoje muito mais importante que exigir ciclovias aqui e ali, que só serão úteis dentro de um plano cicloviário completo e integrado abrangendo toda a cidade, contemplando ciclovias, ciclofaixas, espaços compartilhados com carros ou com pedestres e ciclo-rotas sinalizadas.

O que mais precisamos é respeito.

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9 comentários para Ciclovia, ciclofaixa, ciclorrota e espaço compartilhado

  • vanilda

    tudo bem se não acontecer nem um acidente

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  • Paulo

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 1 Thumb down 7

  • Brother… só corrige o texto. Ciclofaixa operacional, em tese não existe, porque o termo operacional é porque é temporário, pode ser removido. Portanto é impossível remover uma ciclofaixa (só apagando)

    O termo correto é Ciclovia Operacional, exatamente o que a “Ciclofaixa de lazer” é, uma ciclovia operacional, pelo fato dela ser uma via totalmente segregada, com separação física (cones) e operacional porque os cones são retirados.

    Acho que a confusão pode ser corrigida mudando o nome de Ciclofaixa de Lazer para “Ciclovia” de lazer. O que pretendemos sugerir para o pessoal de Guarulhos que pretende criar uma via como essa na sua cidade aos domingos.

    Abraços

    André Pasqualini

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    • Tem razão, André! Pela característica de isolamento do resto do viário, cabe melhor o termo ciclovia mesmo. Já alterei, valeu.

      Ainda vou alterar essa página para incluir uma explicação resumida sobre Bicycle Boulevard.

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  • Parabeńs pelo blog.

    Eu acho que temos muito espaço para implementar os “bicycle boulevard” no Brasil, um conceito bem desenvolvido nos Estados Unidos. Ele corresponde a um espaço compartilhado entre carro e bicicleta. É um espaço planejado, com lombadas para reduzir a velocidade dos carros, e com caminhos cortados para carros para reduzir o fluxo de carros e deixar os ciclistas passar. Basta ter pistas suficientemente largas e um pouco de boa vontada política. Isso é muito legal para usar dentro dos bairros e é mais fácil e rápido de implementar que as ciclovias.

    http://www.youtube.com/watch?v=NM60DqAM6bQ (em Inglẽs)
    http://en.wikipedia.org/wiki/Bicycle_boulevard

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  • [...] texto do Vá de Bike que explica a diferença entre ciclovia, ciclofaixa, ciclorrota e espaço compartilhado incentiva o compartilhamento da via [...]

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  • Na minha modesta opinião os orgãos publicos poderiam resolver isso muito facil,porque não fazer uma ciclovia ligando os canteiros centrais,não atrapalhariam o transito ex; canteiro central que liga desde a marginal tietê sentido ceasa passando pelo villa lobos seguindo pelo lado da ciclofaixa,não travaria o transito assim poderia se fazer em todos os canteiros precisando apenas de 1,70 de largura para se fazer ir e vir voce ja parou para pensar que na henrique schauman poderia ligar a brasil e ramificar para o aeroporto,bandeirantes etc sem atrapalhar ninguem durante todos os dias,esta lá é só olhar,se preferirem um exemplo deem uma olhada o que Santos fez para seus CICLISTAS,não atrapalha nada,o convivio carro /bike é maravilhoso.O que acontece é que a ciclofaixa tem um custo operacional que envolve C.E.T e prefeitura e altos patrocinadores,da lucro para alguem concordam !!!,ja ciclofaixa na minha opinião é simplesmente uma rua de lazer,como ciclista que sou não tenho prazer nenhum em andar nela.Grande parte dos canteiros centrais de São Paulo só tem lixo,mato,mendingo morando,calçada quebrada,por favor vejam como exemplo o que Santos fez da Rodoviaria central até Jose Menino fora as outras ciclovias.tuca

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  • [...] Você sabe a diferença entre ciclovia e ciclofaixa? Confira nesse post do ótimo Vá de Bike. [...]

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