Comentário de uma motorista

Às vezes recebo comentários aqui no Vá de Bike que me deixam indignado, como este. Mas muitos mais me trazem um sorriso ao rosto e às vezes até me emocionam.

Durante a manifestação em homenagem a Antonio Bertolucci, morto em 13 de junho por um ônibus fretado na região da Av. Sumaré, em São Paulo, a Ju Flesch enviou o tweet abaixo:

[blackbirdpie url=”https://twitter.com/juflesch/status/80406640867807232″]

Mas o que me emocionou foi o comentário que ela escreveu no dia seguinte, no texto em que explico por que a morte de Antonio não foi acidente. Dispensa explicações:

Antes de mais nada, desculpa pelo tamanho do comentário! Talvez eu tenha exagerado, mas é necessário falar.

Que as pessoas tiram habilitação sem receberem uma preparação decente, isso é fato!

Tirei minha carteira de motorista há 4 anos atrás. Na auto-escola, me ensinaram a furar o sinal vermelho sem levar multa. Bicicletas? Nem menção. Como fazer uma ultrapassagem segura? Também não! Não é o máximo? Essa lei do 1,5 m praticamente não existe, porque não convém a ninguém motorizado conhecê-la.

Mas isso não é desculpa!
Posso ser sincera? Só fui tomar conhecimento dessa lei por que o atropelamento do Massa Crítica em Porto Alegre aconteceu. Lamento muito, precisei que vocês gritassem a plenos pulmões. Mas então parei para pensar, nunca PRECISEI saber dessa lei para começo de conversa. E porque nunca precisei? Porque sempre tive medo de atropelar alguém, então eu sempre mantive distancia de ciclistas e motos na hora da ultrapassagem de qualquer jeito. Nunca precisei que a lei me dissesse isso, sei pensar por conta própria para saber o que é seguro ou não.

Vejam, não estou dizendo que não preciso saber das leis. Estou dizendo que não dependo das leis para ter noções de segurança.

Quero dizer, p****, senso de segurança é algo que deveria ser intrínseco. Não DEVERIA PRECISAR ser ensinado na auto-escola, na sociedade ou nas leis. É algo que deveria vir de cada um. Infelizmente não vem, então no fim dependemos mesmo das leis e das auto-escolas. Mas não deveria ser assim. Precisamos mesmo de uma lei que estabeleça “não atropele” para saber que não se deve atropelar?

Antes eu prezava apenas pela segurança envolvendo eu e o ciclista. Depois do que aconteceu no Massa Crítica, aprendi a dirigir pelos ciclistas e pelos outros, não só pela segurança deles quando eu passo, mas também pela segurança deles quando qualquer carro passa. Uma pena que eu precisasse disso para evoluir, mas que bom que pelo menos algo de bom aconteceu!
Percebi que o transito é uma coisa dinamica, ele flui, ele tem um ritmo, ele depende de toda uma sincronia para ser seguro. O que isso significa? Significa, por exemplo, que não é porque eu estou na pista do meio e a bicicleta na pista da direita, que eu não vou me preocupar com ela. Preciso ficar atenta, porque se vem um carro pela pista da direita com intenção de ultrapassá-la, cabe a mim diminuir a velocidade e dar passagem ao carro para que ele entre na minha pista, na minha frente. Assim ele ultrapassa a bicicleta com uma distância segura, sem tirar fino. Isso é sincronia, estar atento a todos em todas as pistas e saber tomar a decisão certa no momento certo. Outro exemplo, se a bicicleta está na minha frente, em uma avenida furiosa, e eu não estou com pressa e nem necessidade de ultrapassá-la, custa nada eu ficar atrás dela e segurar o trânsito para que outros carros não tirem fino. Ou seja, não só cuido para não causar um acidente, aprendi a cuidar para que outros também não causem.
Ajudei também meus pais a dirigir respeitando as bicicletas e tento divulgar ao máximo entre colegas.

Eu estava contando ontem isso ao Phil, e achei importante contar a vocês para que saibam que o movimento de vocês tem sim um efeito positivo sobre os motoristas. Muitos ainda são avessos às bikes, isso é algo que vai ser difícil vencer, mas pouco a pouco as pessoas estão se conscientizando. Começou conscientizando a mim, hoje meu pai, minha mãe e até a minha irmã, que em breve deve tirar a carta, aprenderam com vocês.

Queria trocar o carro pela bike, porém tão cedo acho que não farei isso, infelizmente. Fiquei de te mandar um e-mail com dúvidas, mas acabei adiando a ideia temporariamente, confesso. Tenho medo, mas não porque andar de bike é perigoso. Tenho medo porque sei do que motoristas são capazes e sei das barbaridades que eu vejo eles cometendo quando estou dirigindo minha “armadura de lata”. Se o carro é uma arma, infelizmente não estou pronta para sair de casa desarmada. Meu carro é o meu porto seguro depois de um dia estressante, é um conceito difícil de largar. Faço meu possível, e sou a favor de termos mais bicicletas nas ruas e menos carros. Vou lutar por um trânsito mais humano junto com vocês.

Ontem eu twitei falando que, depois de encarar um engarrafamento pesado, ouvindo a Kiss FM, tocou a música “I Want to Ride My Bicycle”, e brinquei falando que isso era um sinal. Conversei com meu amigo Phil sobre bicicletas e logo depois li o tweet anunciando a fatalidade. Pois bem, coincidencia ou não, depois lendo as matérias, me dei conta de que essa música tocou próximo ao momento em que o ciclista Antonio Bertolucci foi declarado morto. Se isso não é um sinal, eu não sei o que é.

Ver a foto da ghost bike ontem me deixou com um vazio enorme. Me deixou extremamente emocionada, e achei lindo o que vocês fizeram. Voces fazem algo que nem motorista, nem motoqueiro, nem mesmo os pedestres fazem, que é se unir por uma causa tão nobre. Para os outros, o trânsito é cada um por si e Deus por todos. Não pode ser assim.

Só isso, um desabafo.

Peço desculpas por escrever tanto. Ontem eu te mandei um tweet falando sobre como o movimento de vocês estava mexendo com o coração dos motoristas, porém 140 caracteres não foram suficientes para expressar o que eu senti, por isso eu vim aqui hoje. Ainda tinha tudo isso entalado na garganta para dizer.

Não quero vir aqui para cantar glórias. O Phil me disse que mais pessoas deveriam pensar como eu e, sinceramente, não quero ouvir isso de novo. Não sou a melhor motorista do mundo e estou longe de ser.

Só postei tudo isso porque vocês parecem exaustos de lutar por algo que dia a dia parece cada vez mais ignorado. Cada atropelamento parece uma causa perdida. Só quero dizer que não desistam. Pouco a pouco vamos estabelecer uma cultura de bom convívio, e se não viverei para ver esse dia chegar, farei então pelas próximas gerações.

Quero que saibam que o movimento de vocês mobiliza os motoristas, não desistam dessa causa, nunca! Motoristas anônimos estão sempre aderindo. Obrigada por combaterem os males do transito com amor, e obrigada por me ensinarem a fazer o mesmo. =)

Obrigado à Ju e a tantos outros que me escrevem elogiando, incentivando e dando sugestões. E mesmo aos que criticam ou demonstram opiniões contrárias, pois muitas vezes me fazem pensar de outra forma ou abordar pontos nos quais não havia pensado até então. Obrigado também a quem me escreve avisando de erros de digitação nos textos, muitas vezes escritos com pressa e indignação demais, como o Alexandre Cruz e o Palmas. 🙂

Mesmo que por falta de tempo não consiga responder algumas mensagens ou tweets, sempre leio todos. Mensagens assim me incentivam a continuar lutando por uma cidade mais humana, mesmo quando parece que nada mais vai surtir efeito.

Obs.: não estou pedindo para escreverem jogando confete, estou mesmo só agradecendo! 🙂

Abraços a todos.


25 comentários para Comentário de uma motorista

  • Marinho.

    Sou ciclista e sem automóvel há sete anos por motivos econômicos, como não avanço vermelho, contramão e calçadas, não seria demais cobrar o mesmo de outros ciclistas? É demais isso?

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  • Ricardo Frinhani

    Nossa é tão evidente quanto a Ju escreve: Respeite o próximo… Acho que pessoas assim tem ‘memória positiva’ de DNA . E viva aos Neuropeptídeos!!!!

    Aí vi que há alguém que tem um nome com a mesma sonoridade que o meu… Que diabos!!! E o cara é “BOM”, um defensor das leis de trânsito!!! E a$##%#&¨* ter razão em tudo… Putz!!! É muito semelhante ao que sou!!! Mas sou do lado AZUL da força e ele do lado cinza… 😀

    E nunca tirei carta de motorista, parece que nasci sabendo: o transporte que é movido pela minha eco-energia, é o melhor de todos… Fantasio-me para enfrentar o terrível “TRÂNSITO” e seus agentes cinzas porém estou na bike, passo pelos bordos da pista (ó grandes bordos motivos de tantas de discórdias e para mim salvação); avanço mais rápido que o trânsito e pobre dos meus pais que tanto demoraram para descobrir o meu poder: “Filho esse ‘Trânsito’ maluco vai te matar” Sossegue mãe, sempre sou mais rápido que os carros… E lá vou eu 45km diários, 100km no domingo, 80 km no sábado…
    E os amigos: “Cara compra um carro, você vai chegar mais rápido…”
    E outro “Você gosta de duas rodas? Moto, cara! Compra um XT! Vc é grandão vai gostar…”
    Só rindo mesmo.
    Trocar uma bike tão eficiente por uma tralha de um veiculo motorizado sem vida e cinza?
    Onde já se viu Trânsitar em um veiculo com mais de uma tonelada, com espaço para mais 3 ocupantes, e só no mesmo? E o outro fazendo um barulho ensurdecedor misturando óleo com combustível e irritando os colegas de trânsito, estourando retrovisores? Não dá, não dá e não dá.

    Sou tolerante com os pobres “enlatados”… Mesmo tendo pavio curto, 1,87m 95Kg e conhecimentos em Krav Maga, nunca e, digo, NUNCA fiz mal a nenhum deles. Mesmo tendo sido atropelado no acostamento de rodovias duas vezes, e mais três nas ruas de São PAulo, tendo vários capacetes rachados…
    São dois quadros destruídos, centenas de raios estourados, dezenas de correntes e pneus gastos. E estou aqui… Já esqueci quando peguei um resfriado, uma gripe: ano retrasado? Não… bom, deixe estar…

    Ah sim. As leis de trânsito. Neste quesito peço perdão aos meus amigos ciclistas. Subo em calçadas, sempre vazias, quando não me sobra nem os bordos da pista ou “os entre carros”, avanço os sinais vermelhos e sempre ultrapasso os limites de velocidade nas lombadas eletrônicas… Sinto muito, principalmente aos motoristas que “morrem de inveja” vendo uma bike mais rápida que um carro. 🙂

    Porém o caminho que seguimos é sempre curioso… Bike furtada (lá se vão R$2500) e eu aqui vislumbrando uma batalha linda: a das letras; afirmações, defesas, críticas intermináveis, justificativas, ânimos exaltados, alegrias e tristezas transmitidas… Bate aquela emoção, os olhos se enchem dágua ao entender uma ghost bike, uma alegria estonteante ao ver um casamento sobre pedais… Uma raiva incondicional por descobrir um shopping racista com bikers….
    Meus dedos agora pedalam pelo teclado, meus olhos sentem o vento “da leitura” e meus pés a ansiedade do chacoalhar a mesa…

    Relembro que gosto disto e das pessoas que como eu respiram O², pedalam, não pedalam e que adoro as provocar…

    Agora pedalo pelo livre pensamento, Espaço aberto pra críticas Sr. Ricardo.

    Estou pesquisando a próxima bike e querendo reaver a furtada.

    E mais um negativo para o meu arqui-inimigo…

    Polêmico. O que acha? Thumb up 6 Thumb down 3

  • @clovis_sp

    PEDALO, LOGO EXISTO!
    NADA VAI ME FAZER DESISTIR!
    NOSSOS MÁRTIRES(MARCIA PRADO, ANTONIO BERTOLUCCI ENTRE TANTOS OUTROS..)
    SÃO A RAZÃO DE LUTAR, DE PEDALAR POR UM TRÂNSITO MAIS JUSTO E DE PAZ!

    PARABÉNS PELO EXCELENTE TEXTO JU.

    ….. __O
    …._ \..>_
    …(_)/ (_)

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  • Eliandro Salvati Gomes

    Fiquei arrepiado e senti uma sensação muito estranha porém agradável lendo o comentário da Ju. Principalmente quando ela disse q começou a ouvir a musica “I want to ride my bicicle” e se deu conta mais tarde q foi proximo ao horario da morte de Bertolucci.

    Nesse msm dia eu tinha programado minha primeira pedalada devidamente equipado com capacete, bermuda, luva, etc. Por íncrivel q pareça eu sai de casa no msm horario do falecimento do Bertolucci. Confesso q estava meio com o pé atrás de pedalar nesse dia pelo fato de ser num dia 13 acompanhado de um 6 (13/06). O número 13 tem todo um misticismo. Até algum tempo atrás eu era cético sobre isso, mas de algum tempo pra cá o número 6 e o 13 estão frequêntes na minha vida.

    Mas desde que começaram as aparições desses números, só me tem acontecido coisas positivas como o fato de voltar a pedalar e de forma mais conciente, com equipamentos de segurança.

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  • Diego Ferrari

    Hoje, quarta feira a noite, passei la pelo local do acidente e os cartazes e faixas estavam caídos e espalhados pelo vendo. Fiqueiuns 10 minutos dando uma geral nos cartazes que provavelmente serão levados pelo vento novamente. Neste tempo algumas pessoas pararam por la, gente que pedala só de fim de semana ou que tem vontade de usar a bike no dia a dia mas tem medo… Alguns carros passavam aos gritos de Viva a Bike!

    Pedalando pela cidade notei que os caros estavam um pouco mais respeitosos, pelo menos os que trafegavam ali pela região da Dr Arnaldo e Afonso Bovero… Algumas pessoas fizeram como a colega falou, de parar e esperar a gente ir na frente… É uma pena que fatos trágicos como estes tenham de acontecer para dar uma sacudida no povo. Mas é uma pena maior ainda que daqui uma semana, exceto pelas pessoas que verão a ghostbike pendurada, pouca gente se lembrará do fato ocorrido…

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  • JOSE ANTONIO MARTINEZ

    Pessoal, percorro a diario 40 kilometros em Porto Alegre entre a minha casa e o meu trabalho, vejo os motoristas cometerem cada dia mais agresões a quem não está de carro, mas tambem vejo inumeros motoristas gentis e muito comedidos com a segurança. Continuarei de bici e posso até morrer; mas não vão me tirar o direito de parar o carro e optar por um meio de trasnporte mais sadio, menos poluente e mais cidadão. Obrigado a todos pelos comentarios; é muito bonito ver os jovens, lutando pelos seus ideais, chorando pelos que caem injustamente e festejando as pequenas vitorias de cada dia.

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  • Olavo Ludwig

    Obrigado Ju! Aqui em Porto Alegre estamos com os corações mais apertados desde ontem, muito obrigado mesmo por teu comentário.

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  • Vinícius Martim

    Fico muito emocionado com esses comentários também. É excelente saber que a visão dos motoristas está indo para o lado mais humano. Estão se importando, mesmo que poucos motoristas por vez, com a vida que está ao lado dele, ali, compartilhando a via, ajudando a fazer da vida do motorista um pouco menos estressante (i.e., um carro a menos).

    Por mais que eu esteja longe de vocês aí na capital, eu me senti ligado e emocionado pelo que aconteceu. Por essa união que vocês tiveram. Acompanhei o desenrolar pela lista da bicicletada-sp, pela página Bicicletada.org e pelo twitter. Isso me faz acender a chama de esperança que ainda temos chance. Que não devemos desistir porque poucos nos atrapalham (vide o post recente do André Pasqualini).

    Aqui em Ribeirão Preto a situação não está tão apertada, tão agressiva como vejo pelo jornais, como está aí na Capital. Mas a cidade está se encaminhando pra isso. Aqui daria muito dinheiro pra Prefeitura se ela implantasse “radares” de semáforo vermelho. É ridícula a falta de noção dos motoristas. Mas é como eu disse uma vez, brasileiro só respeita quando há fiscalização. Se não houver multa pra isso, “tá podeno”.

    Como moro sozinho aqui, converso mais com a minha namorada, todo dia, pessoalmente. E, hoje, contando sobre o ocorrido ela me disse algo simples, mas que me fez pensar novamente sobre os riscos que corro. “Cuidado, hein, mocinho!”.
    Considero-me um ciclista urbano experiente (em grande parte por suas dicas, btw), porém nunca se sabe quando alguém pode “não nos ver” ou mesmo decidir que a rua não é para bicicleta.

    Sigo a vida pedalando; segunda-feira começo num estágio novo. E, claro, vou de bicicleta. Contudo agora tenho essa preocupação explícita de minha namorada, que me faz tomar mais cuidado para poder voltar pra casa todos os dias e jantar com ela na faculdade.

    É tão bom chorar de emoção por ter pessoas sensibilizadas pelas mensagens que ciclistas passam. Pelo esforço nosso de tornar as ruas mais humanas. Queria eu que fossem apenas essas lágrimas que foram derrubadas nessa semana.
    Pena é ter de derrubar algumas pela morte de mais um irmão de bicicleta ='(

    Abraço, Willian, continue com o seu trabalho. Ele agrada a maioria, pode ter certeza. E eu, leitor assíduo, sigo divulgando seu blog.

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  • Ricardo

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 4 Thumb down 14

    • tiago barufi

      Está carente de novo, Sr. Dirani?

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    • Livia Araújo

      “Obrigado à Ju e a tantos outros que me escrevem elogiando, incentivando e dando sugestões. E mesmo aos que criticam ou demonstram opiniões contrárias, pois muitas vezes me fazem pensar de outra forma ou abordar pontos nos quais não havia pensado até então”.

      Pelo jeito editar a única parte do texto que interessa a quem comenta, sem olhar o resto do conteúdo, também faz parte da condição humana.

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      • Ricardo

        Não, Lívia, eu considerei o texto todo. Mesmo com aquele agradecimento o eixo do texto do Willian continua sendo o contraste entre uma mensagem de apoio da Ju, que o deixou emocionado e uma mensagem de repúdio (minha) que o deixou indignado. E o meu comentário continua sendo a trivialidade da observação de que haja repúdios que causam indignação, e apoios que causem emoção. Para muita gente isso não é trivial. O Sr. Barufi, por exemplo, dá a entender que só se manifesta contrariamente em um fórum quando está carente. E esse estilo de retórica praticada neste fórum, pela desmoralização da oposição, é de fato muito eficiente. Minhas comendas, aliás, ao Willian, por ao menos manter o espaço aberto às críticas.

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        • Juliana

          O espaço é aberto, certo? Não é a toa que qualquer um pode postar comentários. O significa que os argumentos (a favor ou contra) a qualquer postagem do Willian são bem vindos, como ele mesmo disse… Reforçam o que ele escreve, faz com que reveja ou melhore conceitos e opiniões – assim como qualquer um de nós que passa por aqui ou se informa de qualquer outra maneira.
          Além disso, ler esse monte de opiniões a favor ou contra, implicam também em respeito à diversidade, à comunicação e à liberdade. Que fale quem quiser! A questão primordial, percebo, é manter o respeito!
          Abraços,

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        • André Pasqualini

          Senhor Ricardo, sempre um comentário egoísta, que prega a segregação social, desqualifica o autor (e não o texto), que coloca o benefício do autor em como algo mais importante que o direito do próximo, ou mesmo a vida do próximo, sempre irá causar indignação num blog onde a maioria dos leitores pregam o compartilhamento do espaço público, a diminuição das diferenças sociais, o respeito as leis, principalmente aquelas que tem como objetivo proteger a vida.

          Você tem todo o direito de discordar das leis, pode até discordar do fato da Lua estar orbitando a Terra e não Marte, mas não queira impor a restrição do direito nosso que isso ninguém irá aceitar. Quer continuar dirigindo e se fundir ao seu veículo, vá em frente, esse é um problema seu. Agora deixe a gente pedalar, sinceramente não sei o que você procura nesse blog. Acho melhor concentrar suas forças e tentar revogar a lei da gravidade, deve ser mais fácil.

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          • Ricardo

            “sempre um comentário egoísta (…) sempre irá causar indignação (…) onde a maioria dos leitores pregam o compartilhamento do espaço público”

            Em qualquer discordância de ordem moral o outro lado irá parecer “egoista”, afinal ele não se alinha com o que *você* entende ser o melhor interesse público. Esse tipo de adjetização é pura perda de tempo a não ser pelo efeito retórico (baixa retórica, erística).

            “Agora deixe a gente pedalar, sinceramente não sei o que você procura nesse blog. Acho melhor concentrar suas forças e tentar revogar a lei da gravidade, deve ser mais fácil”

            Este blog se propõe a conversar com a sociedade. A Ju Flesch é a sociedade falando de volta. Eu sou a sociedade falando de volta. E se a minha visão continuar prevalecendo na sociedade, você eventualmente terá que procurar outra maneira de externalizar suas angústias existenciais, porque o código de trânsito eventualmente restringirá a bicicleta a vias com acostamento ou ciclovia, removendo o item sobre poderem trafegar pelos bordos da pista na ausência daqueles. Ciclistas terão que desmontar e andar pelo acostamento:

            “Falando em nome do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) da Polícia Militar, o capitão Paulo Oliveira também destaca a dificuldade em respeitar a norma federal. “A estrutura da maioria das vias não permite que os veículos mantenham a distância de 1,5 metro da bicicleta. Devido à falta de espaço, restringe-se a a aplicação de reprimenda administrativa”, escreveu o policial, em email enviado à reportagem.”
            http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/06/17/em-16-meses-sp-multou-cinco-motoristas-por-desrepeito-a-distancia-minima-de-bicicletas.jhtm

            “Há um consenso de que a bicicleta é usada para lazer. Mas o uso está mais ligado à periferia e à população de baixa renda”, diz o professor de Transportes da USP Jaime Waisman. “E agora há jovens de classe média que usam por ideologia.
            http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/em+sp+70+dos+ciclistas+usam+bicicleta+para+trabalhar/n1238181589112.html

            Para o professor da USP Jaime Waisman, a cidade hoje não é para bicicleta e a solução não está em um artigo da lei. “Não adianta ter lei se não tem fiscalização. Faltam outros princípios básicos: não há sinalização nem educação. Em São Paulo é inviável compartilhar carro e bicicleta.”
            http://m.estadao.com.br/noticias/impresso,mobile,731999.htm

            A sociedade está falando, André. Não adianta tapar os ouvidos e fingir que não está ouvindo.

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  • Marco Labão

    É muito bom chegar aqui e sentir a Vida se manifestando num momento de luto. Acredito mesmo que toda a nossa luta por um Mundo bem Melhor será sempre impulsionada por cada um dos textos advindos do coração de seres engajados, mesmo que latentes, mas definitivamente engajados. Sábias as formigas que cumprem dia-a-dia seu papel, sua função e não querem ser – cada uma delas – aquela que cumpriu o objetivo, elas querem que “se cumpra o objetivo”, seja por quem for. Estamos todos fazendo valer cada batalha de cada um que se permitiu lutar.

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  • Mayra

    Já falei, já postei, já chorei e sorri.
    Hoje, por acaso, vi no Perfil de um amigo no Facebook o tal vídeo do Pateta, que se transforma quando entra no carro.
    Sabiam que esse cartoon foi feito em 1950? Pena que ainda é tão atual.
    Vale a pena ver de novo:

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  • Santiago

    Emocionante esse comentário! Traz um momento de alegria em meio a toda essa turbulência.
    Ju Flesch, a gente gostaria de ver todo mundo pedalando por aí! Mas isso é só um desejo, um sonho. O que queremos e precisamos é apenas respeito. Exatamente isso que você falou. Não é preciso saber do art 201 do CTB (a lei do 1,5m), é só zelar pela vida dos outros no trânsito.
    Muito obrigado por ter escrito seu relato. Recarregou minhas energias! 🙂

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  • Ju

    Hoje, na volta do trabalho, dei carona para o meu pai e na volta fomos conversando. Contei para ele sobre a fatalidade de ontem e sobre a homenagem que vocês prestaram ao Antonio Bertolucci, sobre a minha vontade de andar de bicicleta, sobre como vocês tinham me inspirado nesses últimos meses. Senti que ele também se sentiu inspirado. Ele me perguntou como eu conhecia todo o movimento, falei sobre o twitter, falei sobre os blogs… Para minha surpresa, ele ficou muito interessado em conhecer os blogs de bike, e pediu já umas cinco vezes para que eu enviasse para ele os links! Para minha surpresa maior ainda, ele disse que seria legal se tivéssemos mais bikes e menos carros na cidade. E para finalizar, disse: “Ficaria super preocupado se você pegasse a bike durante a semana, mas seria legal você comprar uma bike e participar de uma manifestação organizada qualquer fim de semana desses…”. Isso fez o meu dia. 🙂

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  • Anderson Araujo

    Confesso q enchi os olhos de lágrima ao ler o comentário da Ju.
    Mais amor, menos motor.
    Abraço

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  • Carlos Luckmann

    Apenas uma sugestão para a Prefeitura pensar e agir de forma sincronizada quanto ao uso das ciclo-faixas.

    Que o projeto do uso das ciclo-faixas aos domingos é um sucesso, ninguém duvida. E isto é muito bom!
    Que a grande maioria dos usuários desta grande recreação, também são motoristas de automóvel. É uma realidade.
    Que ai existem adultos, crianças e adolecentes que necessitam receber formação cidadã. Ninguém duvida…
    Que existe todo o tipo de ciclista, experiente e não se aventurando neste espaço, é só ir lá e conferir.  Pra que já andou por lá sabe que até criancinha de triciclo com papai babão tem)
    Não seria uma ocasião excelente da equipe da Prefeitura orientar as pessoas através de  uma campanha sobre o uso adequado da bike quanto a itens de segurança (capacete, espelho, etc) e o respeito as normas de trânsito.
    Isto já ajudaria a tornar motoristas mais responsáveis através de ciclistas conscientes e de quebra, menos agressividade e mais tolerância com as minorias (ciclistas)
    Vale a pena refletir!

    Abraços

    .

    Carlos

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  • Lucas Lira

    Olá, eu sou um motorista, vou todos os dias pro trabalho e pra faculdade de carro, sempre correndo, mas de certa forma parado.
    Hoje levei minha cadela obesa pra tomar banho no petshop quando peguei as chaves do carro, pensei: “por que não ir a pé, afinal, minha gordinha está precisando se exercitar”. Ao sair de casa, senti algo estranho, incrível, uma coisa que eu não sentia a tempos, tinha gostinho de infância, aquela coisa de andar na rua, o vendo batendo no rosto, aquele sol da tarde esquentando levemente a pele, parece que estive em outro planeta por anos.
    Que engraçado, não sabia que tinha uma nova loja de doces na rua de baixo, um restaurante, até lugares que eu ia longe, de carro, eu descobri que estavam a um minuto da minha casa. O que será que aconteceu, será que eu me transformei em outra pessoa, acho que não. Talvez eu me transforme quando entro nessa máquina de metal que dá poder a quem senta atrás do volante. Voce se sente mais “macho”, sabe? (igual naquele desenho do Pateta), as coisas passam tão rápido, o interior do carro impede que você cheire todos os aromas, veja as cores as pessoas. Isso não tá errado?
    É interessante quando você, leva uma fechada no trânsito, e xinga muito, mas quando aquela vida, que está dentro de toneladas de metal, abre o vidro e faz um sinal pedindo desculpas, faz você se lembrar de que você também erra, isso causa constrangimento.Quem é esse monstro, que fala mau dos outros na rua, mas no final das contas age igualzinho?

    Dizem que bicicleta é coisa de criança, mas acho que é isso que nós precisamos, desestressar, ter idéias malucas, dar um sorriso, fazer alguém sorrir. Voltar a sentir o vento no rosto e saber que vão te respeitar pelo que você é, e não pelo que você tem. Aquele senhor que faleceu ontem, tinha sessenta e oito anos, quem dera muitos de nós motoristas chegassemos a essa idade como nossos corações doentes e vida sedentária, mas lá dentro ele era uma criança que gostaria de chegar em casa.
    No final das contas hoje eu aprendi que o mundo passa mais rápido dentro de um carro. Ainda bem que descobri cedo, pois não quero perder mais nem um segundo da minha infância.

    Lucas Lira

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