Ciclistas respiram mais poluição?

Foto: Vá de Bike

Volta e meia reaparecem afirmações de que ciclistas respiram mais poluição. E geralmente o argumento principal é de que os ciclistas respiram um volume de ar maior devido ao exercício e de que em um carro com janelas fechadas e ar condicionado ligado o motorista estaria menos exposto aos poluentes.

Dessa vez, o argumento é uma pesquisa realizada em Londres pela European Respiratory Society. O teste foi realizado com quem vai ao trabalho a pé e de bicicleta, descobrindo que os ciclistas respiram mais poluição. Mas em relação aos pedestres! O que se descobriu é que quem está andando na calçada, fora da via, respira menos poluição que quem está inserido nela, o que é de se esperar.

Só que ninguém está se atentando a esse detalhe: pedestres. A parte que está chamando a atenção de todos é ciclistas respiram mais poluição. É incrível como há pessoas que só absorvem a parte da informação que já se encaixa em seus conceitos pré-estabelecidos, tentando reconhecer nela o padrão que julgam como verdadeiro.

E vejam só, a conclusão da pesquisa da European Respiratory Society não foi de que pedalar faz mal à saúde. O texto encerra dizendo que “esses dados sugerem a necessidade de ciclorrotas com baixa poluição”. A infraestrutura cicloviária de Londres coloca o ciclista em meio às vias mais poluídas, o que deve ter sido o motivo da pesquisa, e a recomendação da ERS, adaptada para nossa realidade, pode ser entendida como “continuem pedalando, mas evitem avenidas”.

Respire

Matérias sobre o estudo pipocaram em vários sites, entre eles o UOL Notícias e o Gizmodo Brasil – um site de tecnologia que caiu de paraquedas nesse assunto, dizendo que ciclistas deveriam usar máscaras de gás. Talvez se pesquisassem um pouco sobre o assunto, descobrissem que quem está dentro do carro precisa muito mais da máscara do que quem está do lado de fora.

Nos comentários, há inevitavelmente pessoas concluindo que o sedentarismo é mais saudável que o exercício ao ar livre. Já que poluímos demais o ar, devemos respirar menos e continuar poluindo? Ou poluir menos e continuar respirando?

Se você não quer usar a bicicleta, tudo bem. Não gosta da ideia e não quer abandonar o automóvel, tudo bem, ninguém vai te obrigar. Mas pelo menos admita que não anda de bicicleta porque não quer, não destrua sua credibilidade dizendo que prefere usar o carro porque é mais saudável.

Há um artigo aqui no Vá de Bike que desfaz esse mito, com explicações e links que comprovam: pedalar no trânsito continua sendo muito mais saudável que dirigir (e motoristas respiram mais poluição que ciclistas).


15 comentários para Ciclistas respiram mais poluição?

  • josimar gn

    Bem, algem ver propaganda de bike…….alguem ver financiamento de bike………e por ai vai……..a falta de incentivo….

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  • Julio

    Ande de carro fumando… é mais saudável que ir de bicicleta #sqn

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  • Laudari

    Galera, esse papo de máscara é perigoso, meio que “feitiço contra o feiticeiro”. O Willian colocou em outro post (muito bem, por sinal) que ciclista andando de máscara causa uma imagem negativa, transmitindo a ideia de que andar de bicicleta não é saudável.

    Acredito que este não seja o objetivo de ninguém por aqui. Sendo assim, os benefícios advindos de um (possível) “choque” ao constatar que estamos utilizando máscaras serão imediatamente sobrepostos pela afirmação “Por isso que não ando de bicicleta! Você fica todo suado, é perigoso nesse trânsito e faz mal: tá vendo só ele de máscara…”

    Acho essa ideia contraproducente.

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    • Carlos

      Acho que usar capacete entra nesta categoria, só que no quesito segurança … individual. Já que muitos ciclistas não são imprudentes o suficiente para ir voando baixo. E o fato de 70% de ciclistas vão para o trabalho de bicicleta, e, muitos, senão a maioria, não usa capacete. Se fosse efetivo, já estariam usando. É o bom senso da maioria. E, como a maioria, não usa a máscara, nem mesmo de dentista. Ao invés de exigir estes paliativos, é melhor pressionarmos para que hajam mais ciclovias e ciclofaixas, e, também menor emissão de poluentes, e, mais verde.

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  • Agor li melhor o artigo e sim ficou claro, o pior em geral e para o motoristas. Talvez fica pior nos lugares onde as janelas sempre fechadas, os gases ruins se aculam sem troca nenhum.

    Muito bem falado e pensado Michael! Uma máscara de gás deve ser bem marcante, vou pensar se não compro um. Onde encontrar um?

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  • michael howard

    Transmitir uma mensagem forte sobre a urgência da qualidade do ar é algo que as máscaras de gás fazem bem. Já comprei uma.

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  • Interessante, mas teria que estudar mais sobre o assunto para entender melhor. Precisamos de pesquisas mais nesse tipo de assunto

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  • ataide silva

    amigos suo de pernabuco vou trabalha de onibus porque não tenho uma ciclovia,poluição estar duas
    horas dentro de um onibus,isto e poluição um abração amigo WILLIAM.

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  • Não ficou 100% claro mais os estudos mostram em geral que a pessoa que sofre mais poluição é o motorista, depois o ciclista e no final o pedestre.

    Cuidado atrás do ônibus no sinal fechado, dáa uns picos de poluição com bastantes partículas!

    Emmanuel M. Favre-Nicolin
    Blog Vitória Sustentável
    http://vitoria-sustentavel.blogspot.com/

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  • Luciana Spedine

    Aliás, uma pergunta que surgiu: os colegas ciclistas daqui do blog são a favor do uso de máscaras no trânsito? Elas são eficazes? Eu, particularmente, não uso, mas gostaria de ler algumas dicas de quem está na ativa há mais tempo…

    Valeu! Cicloabraços

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    • Oi, Luciana. As máscaras são úteis sim para conter a poluição e cumprem essa função se você estiver pedalando, caminhando, dirigindo, dormindo. Ninguém se imagina dirigindo com uma máscara de poluição, mas é fácil pensar em ciclistas fazendo isso, talvez porque aparentem fragilidade em contraponto ao aparente isolamento de um automóvel.

      O problema é que a máscara atrapalha na respiração e você provavelmente sentirá falta de ar quando precisar respirar mais rápido (em uma subida, ou quando resolver pedalar mais forte). E uma máscara de gás não é exatamente confortável. Há quem use aquelas máscaras usadas por dentistas, que não filtram gases mas ajudam contra o material particulado (fuligem). São baratas e descartáveis.

      Pessoalmente, ainda acho preferível escolher vias de menor tráfego do que vestir uma máscara. Bicicleta é liberdade, não amarras.

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      • Luciana Spedine

        Concordo com você, WIlliam. As vias de menor tráfego podem ser a solução. E quanto às máscaras, acho que vou continuar sem usá-las, pois meu percurso tem muitas subidas e trechos de pedal forte… Quem sabe eu faço um teste dia desses…

        Abraço!

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  • Luciana Spedine

    Acho que a preocupação com a poluição é como o medo: se nos deixarmos levar, ficamos em casa, trancados ou usamos o carro e pioramos ainda mais as coisas… Certamente a inalação de poluentes é menor em cidades menores… E daí? Sinceramente, sinto muito mais o maleficio da poluição quando estou próxima da Av. Paulista e mais por causa dos ônibus, caminhões e carros mal revisados… A bike ainda é mais saudavel que o veículo… Além disso, voce não tem no carro a satisfação, o efeito endorfina que tem na bike. Além disso, você não mensura, de dentro do “possante”, o valor da gentileza no trânsito nem se dá conta do poder do contato visual, apenas possíveis quando se está em cima da magrela…
    Mas esta é apenas a minha opinião…

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  • No campo da climatologia urbana, que estuda, também, a dispersão de poluentes atmosféricos, é posição consensual há pelo menos 4 décadas que é muito mais eficiente controlar as emissões na fonte do que tentar colocar os poluentes de “volta na garrafa” depois que eles foram lançados para a atmosfera.

    Considerando que a má qualidade do ar afeta todas as pessoas – dentro do carro, fora dele, no ônibus, na bike, na calçada, até mesmo dentro de casa – deveríamos discutir como reduzir e controlar a emissão de poluentes, e não qual equipamento de proteção individual cada usuário deveria adotar.

    Não estou familiarizado com a legislação ambiental inglesa, mas no Brasil, é responsabilidade do governo federal estabelecer os critérios de monitoramento e os limites de emissão de poluentes, enquanto compete aos governos estaduais fiscalizar o atendimento a esses padrões. Essa pesquisa é muito bem-vinda, pois dá, aos ciclistas urbanos, mais um argumento para cobrar de nossos governantes ações que melhorem a qualidade do ar urbano.

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  • “Se você não quer usar a bicicleta, tudo bem. Não gosta da ideia e não quer abandonar o automóvel, tudo bem, ninguém vai te obrigar. Mas pelo menos admita que não anda de bicicleta porque não quer, não destrua sua credibilidade dizendo que prefere usar o carro porque é mais saudável.”

    No dia 22 estávamos comentando exatamente isso no café da manhã da praça do ciclista. Se não quer fale pois enquanto ficar inventando desculpa nós arranjaremos um jeito de fazer pedalar auehuahe

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