Quando a bicicleta subversivamente passa a fazer parte do sistema

Recentemente participei como palestrante da Adventure Sports Fair e a parte mais interessante desse tipo de experiência é, sem dúvida nenhuma, ouvir as mais diversas histórias das pessoas e suas bicicletas. Alguns pontos são sempre bastante polêmicos e controversos, inclusive entre os ciclistas mais experientes. É sobre alguns desses pontos que vou falar agora.

Alguns anos atrás

Quando eu comecei a andar de bicicleta na cidade, em 2009, ficava muito insegura em dividir espaço com os carros, não sabia direito como me posicionar, nem se podia pedalar entre eles. O barulho do trânsito assustava, bem como a real possibilidade de morrer atropelada. Meus primeiros passos, digo, pedaladas, foram pelas péssimas calçadas e, vez ou outra, me arriscando no asfalto.

Se hoje os paulistanos têm se mostrado cada dia mais dispostos a discutir o uso da bicicleta, há alguns anos era bem diferente. Não existiam ciclofaixas de lazer, ciclorrotas, mídia, protestos, sustentabilidade, gente famosa nem políticos falando sobre o assunto. O ciclista era muito mais invisível e incompreendido do que hoje.

Atualmente pedalo com bem menos freqüência pela calçada – exceto em situações de perigo iminente – mas não me sinto no direito de recriminar quem o faz. Como apontar o dedo e dizer que o lugar de ciclista é na rua quando nas ruas nos sentimos ameaçados e “invasores” do espaço do carro? Como exigir que um ciclista cumpra a lei, se a lei não está sendo cumprida em favor dele? É difícil julgar.

O uso da calçada é só um dos exemplos de um universo imenso de “infrações” cruelmente jogadas no colo dos ciclistas, onde a intenção é colocar no mais frágil, vulnerável e desprotegido a responsabilidade destrutiva do outro.

É certo cometer infrações? Não.

É aceitável ou justificável? Nem sempre.

É compreensível? Sim!

Além da desinformação generalizada (tanto do poder público, mídia, motoristas, pedestres e dos próprios ciclistas) sobre legislação de trânsito e a segurança real de quem usa a bicicleta, existe o fato das nossas ruas e cidades terem sido (re)construídas e (re)planejadas para dar vazão ao número cada vez maior de automóveis em circulação. Nesse contexto, quem utiliza bicicleta é, aos olhos da sociedade, um pobre e fracassado que ainda não tem um carro.

Com o advento das discussões sobre mobilidade urbana, da falta de espaço, congestionamentos, escassez de combustível, poluição, mortes e o real custo das coisas, os ciclistas ganharam um novo “status”:  São agora uma parte da solução.

Houve aí uma sensível e importante mudança de paradigma, pois quem pedala como meio de transporte passou a ser encarado de outras maneiras, desde um maluco-revoltado-subversivo-ao-sistema até um riquinho-consciente-da-moda.

Fato é: a partir do momento que a sociedade e órgãos de trânsito passam a entender novamente a bicicleta como um veículo, os ciclistas – por tabela – voltam a ter direitos e deveres, com necessidade de cumprir regras e normas para circular nas vias sem colocar a vida de ninguém em risco (inclusive e principalmente a própria).

Mudança de atitude e efeito cascata

A Secretaria Municipal de Transportes (SMT) e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que são os órgãos responsáveis pelo trânsito de São Paulo, têm feito algumas ações (ainda que tímidas e desconectadas) de bastante importância para garantir a vida dos ciclistas.

Depois de ler e reler diversas faixas espalhadas pelas ruas com frases incisivas para o motorista priorizar e proteger o ciclista, senti que estamos mesmo vivendo num momento ímpar e propício à transformação, por isso resolvi mudar aos poucos algumas atitudes minhas. Essa iniciativa é particular e motivada num voto de confiança que quero dar à administração pública, mesmo desconfiada do ano eleitoral e com plena consciência sobre nosso atraso histórico.

Apelo por respeito à faixa de pedestres em Curitiba. Foto: Aline Cavalcante

Voltei a exercitar a calma e a paciência no trânsito, saindo da posição de defesa e ataque constantes para a posição de equilíbrio e igualdade. A partir de agora tentarei furar menos os faróis vermelhos, parando mais nas faixas de pedestres nem que seja apenas para olhar, ter certeza que ninguém vai atravessar e continuar meu trajeto ou aguardar o tempo do semáforo mais à frente da faixa – nunca em cima dela.

Continuarei exercitando, como sempre fiz, a prioridade e respeito MÁXIMOS aos pedestres, independente da circunstância e situação.

Pedalarei com mais legitimidade e consciência sobre meus atos, tendo um pouco mais de certeza de que todos os outros envolvidos no trânsito sabem dos meus direitos em trafegar ali. Vou testar e exercitar essa mudança de postura, abordagens positivas, mesmo diante das recentes e intragáveis perdas causadas pela intolerância e omissão do poder público.

A gentileza de todos no trânsito garantirá a paz nas ruas e o direito de ir e vir com segurança e respeito. Em efeito cascata, esperamos que os cidadãos se espelhem e espalhem boas práticas, contribuindo para a diminuição das mortes e aumento do número de pessoas experimentando os prazeres da bicicleta.

Vamos tentar juntos?


64 comentários para Quando a bicicleta subversivamente passa a fazer parte do sistema

  • Ivan Viana

    Concordo que devemos cumprir a lei da mesma forma que exigimos que a cumpram.Mas em alguns casos descumprir a lei acaba sendo uma necessidade pra garantir a segurança.E se você consegue fazer isso sem comprometer a segurança dos outros,não acho que seja tão errado.Acho que há lugares em que há a possibilidade de se pedalar pela calçada sem colocar em risco os pedestres e há situações que a bicicleta pode até avançar o farol vermelho até pra se proteger dos carros que vão sair depois em disparada,pra isso tem de haver o bom senso de não estar colocando em risco o pedestre.
    Só como exemplo,aqui onde moro tem uma avenida muito movimentada com carros,mas com largas calçadas e pouco movimento de pedestres por ter muitos galpões industriais.Qual é o melhor para o ciclista usar essa calçada sem colocar em risco a sua segurança ou a de terceiros ou tentar circular em uma avenida com transito equivalente a Marginal Pinheiros.Então acho que é questão de uma análise de cada situação em si.Porém ao ciclista cabe dizer que ele não pode tomar atitudes que coloque em risco o pedestre.

    Thumb up 2 Thumb down 0

  • Luis

    Quando tinha uns 16 até uns 19 anos, era muito arrojado no trânsito com minha bike e usava a calçada para ultrapassar carros (entre outras infrações). Não que eu fosse deliberadamente irresponsável ou não me importasse com a vida alheia (e a minha), a questão é que não parava para pensar nos riscos que assumia (era egoísta, em suma). Acreditava que meus bons reflexos bastariam para evitar acidentes, como se pudesse controlar o imprevisível e a ação das outras pessoas.

    Hoje, não muito mais velho, minha cabeça mudou completamente. Em parte por causa da lembrança dos sustos que eu levei nessa época, que no limite poderiam ter me matado ou machucado pedestres, em parte porque aprendi a perceber que à minha volta existem pessoas que podem estar distraídas, que também assumem riscos em prol da pressa (ME colocando em risco) e, principalmente, que têm o direito de viverem em paz, num mundo que já é tão estressante. Que direito tenho eu de, por exemplo, assustar ou causar problemas a uma pessoa que está indo para o trabalho, começando o seu dia? Nenhum!

    Dito isto, se por um lado entendo a dificuldade dos mais jovens para visualizar os riscos que assumem (não estou dizendo que concordo com as bobagens que vejo na rua), acho inadmissível ver um adulto agir dessa forma, seja individualmente, seja como membro de um grupo de ciclistas. E infelizmente vejo.

    Quando ando na calçada hoje, é porque a rua não me oferece o nível de segurança que julgo mínimo, mas pedalo BEM devagar e dou total prioridade aos pedestres, nem que precise ficar parado por alguns instantes. Sinceramente, me sinto muito melhor comigo mesmo sendo correto do que me sentia anos atrás, na tensão o tempo todo. Inclusive porque quando reclamo de alguém, sei que não estou sendo hipócrita, mas que procuro fazer a minha parte.

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • Thábata

    Oi Aline! Muito legal seu texto. Eu acho legal toda essa discussão sobre o ciclista contraventor e o ciclista que teme pela própria vida. As pessoas tem que entender que assim como motoristas, existem ciclistas conscientes e ciclistas babacas. O difícil é que esses ciclistas babacas acabam dificultando para os outros. Essa coisa de andar na calçada, extremamente compreensível! Não tem como querer ser herói a todo momento ou imaginar que seria romântico ser atropelado por um busão e virar mártir da causa.
    A população em geral tem que passar a apoiar os ciclistas conscientes, e os babacas tem que aprender a seguir as regras.
    Você tem razão, no entanto, em dizer que as coisas estão mudando. É uma mudança sutil, mas s;o o fato de haver a discussão é um avanço.
    Eu não vivo no Brasil há puco mais de 3 anos, e sempre que eu volto eu noto como as coisas estão mudando. E mesmo aqui, em Boise, nos EUA, onde eu vivo e faço tudo de bicicleta, ainda assim tem problemas, tem “finas” e tem o eventual motorista te xingando. Mas tem uma população que acabou se acostumando com os ciclistas e as ciclofaixas. Tem jeito. A gente tem que ir fazendo a nossa parte.

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • Rodrigo Vilani

    Não existe a possibilidade de se criar uma ciclofaixa em um espaço da calçada da paulista? Andei em Lyon de bike (alugada) e lá existem trechos assim.

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Ana Carolina

    Aqui no Rio, quando estou a pé (o mais frequente, já que agora que estou grávida abandonei a bike), quase sempre sou atropelada por ciclistas que não param no sinal vermelho ou que, nas calçadas, correm como loucos. Fico com raiva, porque o ciclista quer direitos mas parece se fazer de besta quando se trata de seus deveres.

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Nice post!

    Slow bike, slow food, slow walking, slow Life, long life …

    That’s it.

    ………¯\_/¯.._………
    ………….l___/___….
    ………..(O)…….(O)…

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • […] sobre isso, recomendo esse ótimo texto do site Vá de Bike. Até a próxima. Compartilhe:CompartilharGostar disso:GostoSeja o primeiro a […]

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Pablo

    Aline, comecei a praticar a mesma coisa já há alguns meses … Pois percebi que saia para pedalar já de espírito armada para brigar. Isso me tornava um motorista estressado sobre uma bike. Quando percebi isso, mudei tudo, e agora, discutir, só quando cara realmente passou todos os limites. Fora isso, eu dou bom dia, boa tarde, boa noite, sinal de legal com as mãos e a vida continua. Massa o texto!! Abraços de Salvador

    Thumb up 3 Thumb down 0

  • Luciano

    Uma conversa de um motorista com um ciclista

    motorista – você passou no farol vermelho
    ciclista – é para a minha segurança, sair a sua frente, e não havia pedestres
    motorista – mas você desrespeitou a lei
    cilista – e o sr nunca passou num farol vermelho de madrugada, para sua segurança?
    motorista – ???

    Thumb up 2 Thumb down 0

  • Luciano

    Antigamente haviam somente pedestres. Depois vieram os ciclistas. Depois vieram os carros e com o tempo tomaram o espaço público. Devido ao grande espaço que ocupam, as velocidades que alcançam e o risco que geram aos outros cidadãos, foram necessárias diversas leis que regulamentassem sua circulação. Pedestres e ciclistas ganharam leis que não eram deles. Como cidadãos disciplinados, passaram a obedecer e aos poucos perderam mais espaço e direitos.

    A própria Aline, no seu texto, argumenta que irá respeitar as leis quando puder, indicando que há zonas cinzentas neste convivio. Sua atitude irá garantir a maior segurança aos pedestres, o que considero muito importante, mas não irá mudar em nada a relação com os motoristas. Ao menor deslize que ela cometa, como por exemplo, ter que subir em uma calçada para sua própria segurança, irá ser novamente criticada.

    A melhor discussão neste momento é como compartilharmos o espaço público e dimimuirmos as zonas de conflitos. Para isso teríamos que ter a ação de governantes corajosos em mexer na infra estrutura viária, adequar espaços para pedestres e ciclistas e compatibilizar velocidades. Se nos limitarmos em discutir como respeitar leis ultrapassadas para nossas atuais necessidades, teremos somente tímidos avanços.

    Thumb up 1 Thumb down 1

  • Thomas Kedor

    Também sou contra o ciclista na calçada. Mas quando a vida está em jogo, deixamos a lei de lado. Evidentemente a calçada é do ciclista, e como um carro ao entrar numa garagem deve respeitar o pedestre, o ciclista também deve fazê-lo ao circular na calçada. O ciclista na calçada não vai andar a 20-30 km/h, mas a 5-10, e 10 já é bem rápido pra calçada ! E está bom !, seguro. Uma pessoa correndo a pé na calçada também circula a 10km/h, e o risco é o mesmo: uma trombada. Mas com certeza não uma morte como da July. Claro que no caso da July, a calçada da Paulista é complicada pra pedalar, mas estamos nos dois extremos querendo regras.
    Quem já não furou um farol vermelho aas 3 da manhã ao invés de esperar o verde ? Mas mesmo assim não roletou, olhou para os dois lados, atravessou com cautela e seguiu certo ? Bom censo e respeito acima de tudo !

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • eser

    willian, pedalo a mais ou menos 1 ano na zona sul de sp perto das divisas com outros municipios onde existem os onibus da EMTU, os intermunicipais, e sempre reparei que esses motoristas sempre tiram mais finas de mim e de outros ciclistas do que os onibus e lotaçoes da sptrans, peço que seja pensado um curso com esses motoristas de onibus intermunicipais, igual o que acontece com os motoristas de sao paulo, fica aí uma dica que poderá salvar a vida de muitos. Obrigado!

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Regina

    Boa proposta de troca de ideias. Estou começando a andar mais de bicicleta, mas confesso que em alguns momentos fico bem assustada. Tento ao máximo seguir as regras de trânsito (uso capacete, tenho 2 espelhos, luzes traseiras e dianteiras e ainda uso luvas) e tenho optado por saltar da bicicleta quando uso a calçada, assim me protejo e também ao pedestre. Uso a calçada por dois motivos, sair da zona de perigo ou encurtar caminho, pois se tenho que seguir no fluxo do trânsito ao sair de casa, vou dar uma volta da qual quero fugir (já sou obrigada a fazê-la de carro), uma vez que no sentido contrário chego rápido à rua principal. Não sou santinha e quando não vejo absolutamente ninguém na calçada, até sigo pedalando, mas assim que aparece alguém ou me afasto como um cão sarnento ou desço e sigo com orgulho e nariz empinado. O ruim é andar no bordo direito com os motoristas de ônibus achando que somos os inimigos que estão ali para ‘comer’ o tempo deles e fazê-los levar uma bronca do fiscal da linha.
    Muita coisa ainda tem que ser trabalhada de todos os lados. Educação por si só e ainda Educação no Trânsito seriam o caminho a ser trilhado.
    Preciso exercitar a minha paciência e não baixar a ‘Cet-Rio’ como meu marido me chama, pra não sair de dedo em riste sobre aqueles que cismam em achar que seus umbigos são mais importantes que os que andam em seu entorno.

    Thumb up 2 Thumb down 1

  • Pedro

    Eu geralmente nao uso a calçada, mas em casos de dúvida uso-a sem remorso, quantas e quantas vezes tive de pular para a zona protegida (calçada) para evitar um possível acidente… Principalmente quando vejo um carro que para no acostamento e eu logo atráa penso em ultrapassa-lo pela esquerda normalmente, quando olho pra trás vejo um ônibus imenso e noto também que o motorista do carro estacionado irá sair do carro a qualquer momento abrir a porta em cima de mim e me jogar pra cima do ônibus, rapidamente penso: “calçada = vida” e puff lá estou eu na calçada. Isso eu chamo de instinto de sobrevivencia e não infração. O Problema é que o ônibus não dá margem de 1,5m da bicicleta( eu), os motoristas de carros estacionados são desatentos e a minha velocidade não permite parar para esperar a ultrapassagem, além de que TODA VIDA que um carro estaciona no acostamento ele faz isso sem esperar você passar por ele, ele simplesmente vai jogando o carro para o lado porque ciclista para ele não importa.
    Fato ocorrido recentemente comigo (além de ser casual).

    Comentário bem votado! Thumb up 4 Thumb down 0

  • ALAN THISTED

    Parabens pelo texto. Voltei a pedalar ano passado e ainda recorro às calçadas quando me sinto ameaçado. Acredito que pelo fato de ter começado a pedalar quando criança, ter a oportunidade de me deslocar de bike pela cidade nos anos 80 (ia regularmente do Sumaré até a Vila São José e voltava) e por ter dirigido pela cidade desenvolvi um feeling diferente no transito. Costumo planejar as rotas, para bike o caminho mais rápido não necessariamente é o mais curto, mas prezo acima de tudo o contato com o meio ambiente, estar ao ar livre me deslocando sem prejudicar os outros.
    Outro detalhe que garante minha integridade física até hoje é o foco na via: buracos, veículos ao redor, sujeira e obstáculos na pista, pedestres, tudo deve ser avaliado, bem como olhar carros à frente, antecipar as ações e reagir/adequar a pedalada à nova situação imposta. Não é relaxante, a sensação é de competição constante e nao deixa de ser a partir do momento que disputo espaço e quero permanecer ileso.
    Quando me sentir respeitado e seguro na via, não recorrerei mais às calçadas, mas não vou me arriscar por uma questão de princípios ou respeito absoluto a leis que motoristas desrespeitam há decadas.
    Bom pedal a todos.

    Comentário bem votado! Thumb up 4 Thumb down 0

  • Sergio Leis

    Aline, muito legal o texto. Trabalho faz 03 anos de bike e tenho adotado isto. Muitas vezes sou ofendido por outro ciclista que vee na calçada subindo a Brigadeiro…pois é…tenho 03 filhos e nos meus 12 km este trechinho eu ainda tenho medo e uso a calçada. Acho que a galera da bike precisa entender que mudança esta acontecendo, porém é lenta, não tem jeito. Já melhorou demais e vai ficar melhor . Forte abraço.

    Comentário bem votado! Thumb up 4 Thumb down 0

    • Aline Cavalcante

      Sérgio, vc usa a calçada da brigadeiro em qual dos sentidos?
      Se for no Ibirapuera vc tem várias opções antes (Joaquim Eugênio, se não me engano, e outras) e depois (naquela rua que desce o restaurante Halin – depois da Casa das Rosas)

      Thumb up 1 Thumb down 0

  • Aline Cavalcante

    mas eu nao acho que o capacete me protege! #comofaz?

    Comentário bem votado! Thumb up 5 Thumb down 1

  • Jorge figueiredo

    Aline moro em Niterói faço ciclismo urbano a 38 anos. Já fui muito questionado vc tem razão os paradigmas estão mudando mais ainda temos muito a evoluir mais estamos tendo visibilidade e devemos fazer nossa parte tomando conbciência de nossos direitos e deveres devendo o uso da calçada quando o poder publico não oferecer condições de segurança sempre priorisando o pedestre. não esquecendo do uso do capacate não preciso de uma lei para umentar minha segurança somos formadores de opinião damos exemplos.

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Alê

    Na hora eu nem pensei em pegar o número, burrice minha mesmo. Uns minutos depois eu pensei nisso, mas já tinha saído da Inácio e não tinha mais como alcançar a viatura…
    É uma situação muito frustrante mesmo, principalmente porque o fideputa respondeu de maneira irônica. Se acontecer alguma coisa assim de novo com uma viatura da CET vou lembrar de duas coisas: gravar vídeo com celular na hora de tirar satisfação pra postar no youtube e divulgar o quanto for possível e pegar o número e placa da viatura.

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • Alê

    Hoje fui desrespeitado por “apenas” dois motoristas que me tiraram “finas” a velocidades consideravelmente altas pra quem ultrapassa um ciclista (“apenas” dois motoristas, já que a média por viagem casa-trabalho/trabalho-casa é bem maior).
    Claro que ambos, logo depois de me passar com tanta pressa, pararam em semáforos fechados logo à frente, então inevitavelmente os alcancei e pude tentar tirar satisfações.

    O primeiro “justificou”: “Você estava no meio da rua, ocupando a faixa toda!”. Respondi que tenho o direito de ocupar a faixa, (mas mesmo tendo esse direito, eu estava na metade direita da faixa da direita, e não no meio da faixa), e mesmo que não tivesse, isso não justificaria arriscar minha vida passando muito perto e em velocidade alta. Me esforcei pra manter a calma e o respeito. Não adiantou, ele simplesmente fechou o vidro na minha cara e, como costumam fazer esses motoristas mais esquentadinhos (leia-se fideputas), me tirou outra fina mais à frente, como quem diz “fica na tua que a arma tá na minha mão, não na sua”.

    O segundo foi mais interessante por se tratar de uma viatura da CET. Perguntei se o motorista estava familiarizado com o código de trânsito, e ele respondeu que sim. Provando que realmente conhecia o código, já começou a se defender dizendo “sim, eu passei a 1,5m”, em tom claramente irônico. Não era uma questão dele achar que realmente passou a distância segura (era a rua Inácio Pereira da Rocha, eu estava na faixa da direita e ele me ultrapassou ocupando a mesma faixa, sendo impossível passar um carro + 1,5m + bike + 50cm da guia na mesma faixa, que nessa rua é estreita). Dessa vez não consegui me segurar e mandei o cara tomar no cu. Claro que mais à frente ele também tirou outra fina, como quem diz “quem manda aqui sou eu, e pra mim sua vida não vale 15 segundos da minha”.

    Não me chamem de pessimista se eu disser que não acho que as coisas estejam melhorando.

    Comentário bem votado! Thumb up 4 Thumb down 0

    • Ricardo João

      Alê, eu moro perto da Inácio e realmente sofro com as finas e gente mal educada sempre que pego a bike nessa região. Na minha modesta opinião você está CERTO. Como já escrevi aqui antes, devido à nossa herança cultural e falta de educação generalizada, seria infantil pensar que as coisas vão se resolver no bom senso, na base de “gentileza gera gentileza”. O que mais me entristesse é que um próprio agente de trânsito, ou seja, a pessoa que teoricamente está gabaritada para fazer acontecer o nosso acordo de convivência chamado lei, atua contra a mesma.

      São situações como essa que tiram um ciclista da rua e adicionam 2 carros. Um para o ciclista e o outro para o recém contratado agente da CET. Apesar de também achar que é dar murro em ponta de faca, você pegou a placa ou o número da viatura da CET? Poderiamos tentar juntos uma resposta na ouvidoria.

      Nessas horas em que a realidade corrupta do Brasil (que é corrompido em todas, TODAS suas esferas, pois novamente é uma característica cultural) te devolve um tapa na cara é que dá vontade de sair daqui, e deixar os problemas para as pessoas que os causam. Sei que não os resolveremos cantando kumbaiá e abraçando árvores, mas quando os orgãos fiscalizadores agem conta a fiscalização, estamos realmente perdidos.

      Comentário bem votado! Thumb up 4 Thumb down 0

      • Alê

        Na hora eu nem pensei em pegar o número, burrice minha mesmo. Uns minutos depois eu pensei nisso, mas já tinha saído da Inácio e não tinha mais como alcançar a viatura…
        É uma situação muito frustrante mesmo, principalmente porque o fideputa respondeu de maneira irônica. Se acontecer alguma coisa assim de novo com uma viatura da CET vou lembrar de duas coisas: gravar vídeo com celular na hora de tirar satisfação pra postar no youtube e divulgar o quanto for possível e pegar o número e placa da viatura.

        Thumb up 2 Thumb down 0

  • alberto junior

    Muito bom Aline, concordo plenamente. Mas em relação a essa de parar no farol, se eu fizer isso aqui em salvador, roubam minha bicicleta. kkkkk
    xero irmã saudades

    Thumb up 0 Thumb down 1

  • carlos

    quero ver que mulher topa sair com um cara que não tem carro, se o vê andando de bike, a não ser que seja uma cérvelo no capô de um carro, este sujeito não terá moral nenhuma.
    carro é status, os homens só os tem para chamar a atenção das mulheres e estas que também tem carros só os possuem pra mostrarem para as amigas que tem.
    de resto não vejo motivos pra sustentar um brinquedo caro como um carro pois paga-se IPVA, DPVAT, gasolina, manutenções, revisões e se for financiado paga-se outro carro! pra mim, boa parte dos cidadãos que tem este bem o possuem apenas porque foram levados a isto por algum tipo de pressão social e nada mais. Muitos andam menos que 30km por dia! é este comportamento do brasileiro que força os governos a beneficiarem a industria automobilistica, devemos acordar pra vida. os governos só tomarão medidas a favor dos meios alternativos de transporte quando verem pressão social por isto já que enquanto as pessoas continuarem comprando carros financiados a perder de vista ou comprarem carros usados e capengas como fuscas e gol da decada de 80 a coisa não irá mudar.
    pensem no que uma multidão de ciclistas faria se organizados em marcha todos os dias para o trabalho. muitos motoristas iam xingar, espernear e reclamar, mas depois de meses e anos, ao verem que isso não adianta iriam aderir pois veriam que não há vantagem de se locomover de carro pra ir trabalhar! e ao mesmo tempo o governo tomaria medidas para beneficiar os ciclistas. enquanto formos minoria seremos vistos como chatos, enquanto nossa rotina de bike for só passeios noturnos ou em ciclovias isso nunca irá mudar.
    abraços

    Polêmico. O que acha? Thumb up 2 Thumb down 6

    • tiago barufi

      O carro é a plumagem que todo jovem bem de vida deve exibir, como um rabo de pavão, na época do acasalamento.
      Há tempos isto se estendeu pelos dois gêneros, e ao longo da vida de sucesso é preciso mudar de carro como uma dessas peles que os répteis vão trocando ao longo da vida.
      Agora a pressão biológica na cidade está pegando as pessoas pelo rabo, isto é, pelos carros. E já tem uns seres mutantes para quem a plumagem metálica não é mais sexy.

      Thumb up 1 Thumb down 0

  • […] a bicicleta subversivamente passa a fazer parte do sistema" });Autora: Aline CavalcanteFonte: Vá de bikeIntrodução: Alê GMEditor: Alex RodriguesIntrodução: Ultimamente, conforme o cicloativismo vem […]

    Thumb up 2 Thumb down 0

  • Ricardo Laudari

    Como alguém comentou em outro post: “Seja a transformação que deseja observar no mundo!”

    Vida. Respeito. Gentileza. Alegria.

    E tenham um bom dia!

    Thumb up 2 Thumb down 1

  • Ótimo texto!
    Fico muito incomodada quando vejo ciclistas pedalando na contramão, mas entendo que é por desconhecimento e procuro sempre que dá ajudar e informar que é errado (de uma forma delicada)… na calçada eu também até entendo, mas quando estou em uma rua que é contramão (pra não ter que dar a volta se é a rua que tenho que entrar) ou que acho perigosa, desmonto e vou andando na calçada (assim como toda vez que tenho que atravessar a faixa).
    Pedalo devagar também, respeito todos os semáforos (só passo no vermelho quando não tem nem sinal de carro no outro sentido ou de pedestre querendo atravessar)e só ando entre os carros quando eles estão parados (e volto pra faixa quando a fila anda).
    Me comportando assim percebo que a grande maioria dos motoristas me respeita e procura ultrapassar com segurança, inclusive muitas vezes em cruzamentos vários carros param e fazem sinal para eu atravessar, mesmo quando a preferencial é deles!
    Gentileza (quase sempre) gera gentileza mesmo!

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • wedson alves

    boa noite a todos,e parabens aline pelo seu texto, infelizmente vivemos em uma guerra pelo espaço no transito,temos que tomar cuidado para não sairmos ferido,abrços.

    Thumb up 0 Thumb down 0

  • Luthi

    … SLOW BIKE …

    Slow Life, long life …

    Isso me remete ao comentário de um fantástico professor que dizia.:

    “tanto faz comer torresmo ou cereal, se estressar vai travar…”

    Amigos lembrem-se ao subir na sua bicicleta que o caminho é mais importante … 3 segundos em semáforo podem lhe trazer surpresas fantásticas …

    Abs … Parabéns Aline …

    Comentário bem votado! Thumb up 5 Thumb down 0

  • Rodrigo

    Vai ficar redundante mas merecemos elogios sempre quando fazemos algo bem feito, como este seu texto que se encaixa perfeitamente nessa mudança no trânsito à tantos anos dominados pelo carros. Parabéns Aline.
    Quem anda de bike como meio de transporte hoje está envolvido (mesmo que não queira, ou nem saiba)com esta situação ,que como todo processo de mudança é difícil, barulhento, às vezes cruel com os mais fracos e principalmente, que sempre terá dois lados.
    Moro em Guarulhos e vejo um número bom de pessoas que usam a bike durante a semana, e na sua grande maioria são crianças indo ao colégio ou trabalhadores (geralmente da construção civil, visto que os prédios estão pipocando aqui), e que provavelmente nem tenham ideia do que seja um código de trânsito. Se nós, que somos ou já fomos motoristas, e agora usam a bike não dermos o simples exemplo, realmente a sociedade continuará achando que somos um pobre e fracassado que ainda não tem um carro (como vc disse), ou loucos sem responsabilidade sobre a própria vida que vive se arriscando todo dia no trânsito. Devemos entender que nossas atitudes contam, tem valor e consequência. Somos responsáveis pelo que fazemos e no trânsito por aqueles que nele convivem. Se eu ciclista não protejo o pedestre, como cobrar uma atitude de proteção de um motorista? Se sou hostil, obrigo o outro a se proteger, e ele vai usar o que tem pra isso…se sou gentil, a resposta será outra.
    E como vc bem disse, escolhemos a bike porque temos um prazer nisso, e se nos concentrarmos em andar de uma forma mais ‘slow’ fica mais fácil ser gentil e zelar pela nossa vida e pela nossa saúde, afinal dependeremos dela pra pedalar na volta pra casa.
    Acho que me encaixo mais no tipo adoro-pedalar-e-detesto-andar-de-carro e sendo assim muitos amigos sempre me perguntam dos ‘contras’ de usar a bike: chuva, trânsito, perigo, tempo, conforto..etc. Eu respondo a eles que uso a bike pq fico feliz com isso. Gosto! E gosto não se discute. E então pergunto à eles: “vocês gostam de carro, pagam caro por ele, pagam pra cuidar e mantê-lo né? Então porque quando estão lá, sentadinhos em seus carros que tanto amam, se estressam, buzinam, correm e sequer curtem o momento de dirigir?”
    Geralmente a resposta é: “ah, mas o trânsito acaba com o humor de qualquer um!” E aí fica a minha deixa: “então, eu de bike sou um carro a menos pra congestionar…se você respeitar e não ameaçar o ciclista, incentivar e não xingar, seremos cada vez menos carros nas ruas pra te atrapalhar…que tal??”
    Espero que daqui uns anos, quando nossas cidades parem de babar nas cidades holandesas, dinamarquesas, etc., possamos nos orgulhar de ter feito realmente parte desta mudança no trânsito.

    Comentário bem votado! Thumb up 7 Thumb down 0

  • Aline Cavalcante

    E pra quem não viu, tai uma prova concreta dessa nossa “responsabilidade” diante dos olhos cegos dos outros (nesse caso, a imprensa): http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,direitos-e-deveres-dos-ciclistas-,869278,0.htm?reload=y

    Thumb up 2 Thumb down 0

    • Rosana

      Li o editorial esta manhã: uma série de lugares-comuns sem a menor reflexão, um copia-e-cola superficial e tendencioso. Olhos cegos, até pior: seletivos e maldosos na cegueira.
      Sobre parar ou não no sinal, que foi o exemplo que mais ficou em evidência: não significa que o ciclista quer ganhar um minutinho a mais, mas sim que quer evitar uma situação de confronto em que uma turba de carros que estava parada quer acelerar sobre ele e ultrapassá-lo, como se aquela bicicletinha atrapalhasse o fluxo e a vida da cidade toda.

      Polêmico. O que acha? Thumb up 5 Thumb down 3

  • Excelente post Aline! Também acredito que estamos em um momento ímpar, onde a bicicleta está começando a ser encarada como um meio de transporte. E se queremos que a bicicleta seja realmente tratada como meio de transporte, devemos utilizá-la como tal, tentando seguir ao máximo as leis impostas (claro, como aqui já comentado, desde que seja preservada a integridade física nossa e a dos outros). Devemos lembrar que não é raro vermos comentários de “especialistas” dizendo que o “correto” seria proibir bicicletas em avenidas de grande porte. Ciclistas infringindo tais leis estão contribuindo para que estes pensamentos ego-centristas se espalhem e tomem corpo, podendo soar como verdades.

    Thumb up 2 Thumb down 1

  • marina chevrand

    Aline, parabéns pelo texto. Concordo com voce que nós, enquanto ciclistas, devemos tentar ao máximo respeitar as regras. Infelizmente, o que tenho mais visto, são ciclistas fazendo bobagem, e isso me deixa extremamente chateada porque atitudes assim podem comprometer anos de luta por espaço e respeito. Vejo MUITO ciclista circulando na contramão, na calçada em alta velocidade, furando sinal sem ao menos olhar para o lado. Queria pegar todos eles e explicar as regras e a importância de seguir-las e de ter respeito pelo direito dos outros. Enquanto não formos o exemplo para sociedade, nunca terão respeito por nós. Terão sempre uma justificativa: “ah, mas esses ciclistas não respeitam nada…” E eu espero chegar o dia de dizer que eles estão errados.
    bjos

    Comentário bem votado! Thumb up 9 Thumb down 1

    • Ricardo João

      Poisé, esse é o problema. Isso que você disse “Queria pegar todos eles e explicar as regras e a importância de seguir-las e de ter respeito pelo direito dos outros” é exatamente o que devemos esperar da lei e dos orgãos públicos. E como ciclistas, motoristas e até quem sabe um dia, pedestres que dividem um espaço público devemos cobrar e sermos cobrados no cumprimento de um acordo de convivência que se chama LEI.

      Comentário bem votado! Thumb up 7 Thumb down 1

  • Pedro

    Adorei Aline !!!
    Estou com vc nessa !!

    Eu sei que quando escolhi há pouco mais de 1 mês a bike como opção (essa opção está se fazendo cada vez mais presente no meu dia a dia…), iria mudar muita coisa na minha vida, a forma em que eu via a cidade, as pessoas, o jeito de fazer as coisas… e como já falamos, ainda me olham como o louco, o excêntrico, mas sei que a escolha foi acertada…
    valew !!

    Pedro

    Thumb up 1 Thumb down 1

  • sabrina

    Excelente texto, Aline! Parabens!

    falar em slow bike é ir direto no problema que não esta so nas ruas, mas na vida toda das pessoas: a pressa. ha alguem (ou uma meia duzia de alguens) que ganha vendendo a cultura da pressa, da economia de tempo, etc, etc. mas a quem interessa essa economia de tempo, afinal, a nao ser a essas pessoas que ganham grana com isso? o tempo economizado quase nunca se converte em seu uso com qualidade. pelo contrario. o tempo economizado eh usado pra alimentar ainda mais a propria pressa de cada vez mais fazer mais coisas, numa velocidade maior, e chegar no fim do dia com um estresse absurdo, irritabilidade em niveis altissimos, agressividade e uma angustia bizarra que vem da sensacao de termos corrido demais e nao termos feito tudo o que precisavamos fazer. e precisar fazer algo e querer fazer algo sao duas coisas bastante distintas.
    sei que o assunto aqui eh a legitimacao das bikes nas ruas e a seguranca do ciclistas. mas, no fim das contas, o que nos faz cumprir (ou descumprir) leis de transito (motoristas, ciclistas, pedestres, etc) eh sempre a pressa de se chegar a algum lugar. to no mesmo movimento que o Mauricio e voce. pedalando cada vez com mais paciencia, com mais respeito pelas outras pessoas e por mim tambem, pelo ritmo do meu corpo e pela qualidade da minha vivencia na rua. comecei a pedalar na cidade pra chegar mais rapido aos lugares. mas de uns tempos pra ca, resolvi mudar a chave. nao quero mais chegar rapido, quero chegar com qualidade. e isso faz toda a diferenca no fim do dia.

    valeu pelo texto!!
    beijo
    s

    Comentário bem votado! Thumb up 6 Thumb down 1

    • Aline Cavalcante

      Sabrina,

      isso me fez lembrar que em um dado momento nas palestras da Adventure falei uma coisa que nem eu tinha me tocado do quanto mexeu comigo (e com aquelas pessoas ali me ouvindo).

      Eu falava da descoberta da bicicleta em função da pressa e do tempo perdidos no trânsito, mas hoje não vejo mais assim. Todos perdemos tempos e tempos nos deslocando pela cidade. A diferença é que o ciclista consegue converter esse tempo “perdido” em um ganho de qualidade de vida (em outros níveis, os usuarios de transporte publico tb conseguem converter isso, nem que seja com a cochilada no vidro, uma pessoa nova que conheça ou uma página a mais lida do seu livro).

      Cada um decide sobre onde perder/ganhar tempo e qual prioridade dar para as coisas da vida. Se hoje eu escolhi vir trabalhar de bicicleta, com certeza não o fiz pq chegaria mais rápido (mesmo que isso realmente aconteça), mas fiz isso pra tornar a minha vida melhor, pq gosto, pq tava a fim! Não quero perder esse “brilho” da bicicleta em mim.

      Por isso me recuso a entrar nesse ritmo doentio que o próprio transito e a sociedade impõem pra vc – seja a pé ou de bicicleta.

      Pelo show walking também =)

      Comentário bem votado! Thumb up 8 Thumb down 0

      • Adorei a postagem e a discussão sobre slow bike.
        Ainda sou usuária de transporte público/pedestre, ciclista só em raras ocasiões (mas vontade não falta, o que pesa é a questão financeira e, principalmente, um sentimento de culpa por causa dos meus pais, que têm certeza de que assim que eu tiver uma bicicleta eu vou ser atropelada e morrer…).
        Queria só comentar que concordo 100% com o comentário sobre o ganho em qualidade de vida. Nunca tive vontade de ter um carro. E estava justamente pensando enquanto lia os comentários que sinto muitas saudades do tempo em que trabalhava do outro lado da cidade e gastava uma hora e meia / duas horas para ir e mais duas horas ou mais para voltar, porque foi a época da minha vida em que mais tinha tempo para ler!

        Thumb up 2 Thumb down 0

    • Ricardo Laudari

      Perfeito, Sabrina.

      E não acho que sejam apenas alguns a vender essa pressa. Tudo é rápido. O elevador tem de vir logo, a USB é 2.0, a internet é de 10MB, tudo tem de ser instantâneo.

      Essa é um assunto bem mais complexo que no meu entendimento tem TOTAL relação com a postura no trânsito. A necessidade da rapidez, associada a impotência no trânsito, causa essas cenas deploráveis que temos visto.

      Thumb up 1 Thumb down 1

  • Rodrigo Miranda

    Boa tarde Aline, fico feliz ao ver que não sou o único a acreditar que mudando nossas atitudes enquanto pedestres, motoristas, e ciclistas, podemos melhorar e muito o convivio no trânsito. Todos os dias ultulizo a bicicleta como meio de transporte e percebo que cada vez mais gentileza gera gentileza, procuro seguir o código de trânsito a risca pois acredito que para ter respeito é preciso respeitar. Paro sim em faróis, respeito faixas de pedestres, não ando em calçadas( apenas desmontado), e principalmente não ando na contramão. Estou sempre a uma velocidade onde é possivel evitar pequenos acidentes, e NUNCA entro em uma dividida com os carros, e procuro não entrar em discussões. Resultado? Nunca me envolvi em um acidente, fiz varios amigos no trânsito e meu trajeto se tornou muito mais agradável, sou 100% menos estressado. Tenho carro que uso para passear com a familia, e mesmo sendo ciclista, me irrita ao cruzar com uma bicicleta na contramão, ou quando um ciclista avança o sinal vermelho, principalmente quando estou dirigindo. Seguindo as regras os motoristas começam mesmo que ainda muito devagar a,nos ver como veículos, fator essencial, para nosso convivio. Da mesma forma que não custa para o motorista esperar 10 segundos para nos ultrapassar, para nós também não sera o fim do mundo aguardar o farol abrir, claro que falta muito principalmente por parte dos governantes para atingirmos o ideal, mas se cada um fizer sua parte, estaremos dando um grande passo.
    Abraços e bom pedal a todos

    Comentário bem votado! Thumb up 6 Thumb down 1

  • Mau Alcântara

    Esse é o ponto.

    Faz uns meses que passei a esperar os semáforos abrirem. Afinal, o argumento que usamos para educar os motoristas é pra esperar uns segundos a mais, não é? Por que pra gente isso é diferente? – O que percebi com isso? Que não interfere em nada no meu tempo de trajeto e condiz mais com a postura “slow bike” que tenho tentado assumir.

    Nesse momento de quebra de paradigmas, eu não quero ser o responsável pelos comentários reacionários do tipo “mas também, o ciclista também só faz cagada, se acha acima da lei”. Prefiro economizar minha argumentação para defender os ciclistas em TODAS as outras circunstâncias, em que os argumentos carrocratas não condizem com o que é previsto em lei.

    Mas concordo com você, não tem como criminalizar quem faz uma infração em nome de sua própria segurança (ou vida), desde que essa infração não coloque a vida/segurança de mais ninguém em risco.

    Já escrevi há algum tempo sobre isso, também:
    http://www.maucantara.com/blog/2010/02/27/diarios-de-bicicleta-parte-2-primeiro-esboco-sobre-cinismos-e-complexidades/

    Bjs
    mau

    Comentário bem votado! Thumb up 12 Thumb down 0

    • Aline Cavalcante

      Perfeito Mau!
      Estou tentando adotar essa postura “slow bike” pra pedalar e pra viver mesmo, tb descobri que não influencia tanto no tempo e ainda chego menos suada nos lugares.

      Comentário bem votado! Thumb up 5 Thumb down 1

    • Rosana

      Muito bom texto, essencial. E os outros textos também, muito interessantes.

      Thumb up 2 Thumb down 1

    • marcelo

      tb estou nessa de esperar o sinal. e ainda mais nem passo os carros, espero na fila mesmo. o respeito dos motoristas que estao atras de mim, vendo eu de bike esperando igual, aumentou muito, passam longeeeeee de mim. o que eu digo: facam uma semana de teste com essa atitude e depois cheguem a uma conclusao. (ps teclado sem acentos)

      Thumb up 4 Thumb down 1

    • Ricardo Laudari

      Mau,

      O ponto é exatamente esse!

      Entendo, no entanto, que muitas vezes as infrações dos ciclistas colocam sim os outros em risco. E, na maioria das vezes, ele mesmo, inclusive.

      Mas sou totalmente a favor da postura correta no trânsito. O “slow bike” cai bem como estilo de pedalada e de vida.

      Se quiser saber, eu fui muito pouco desrespeitado nesse um ano de bike. Talvez, porque eu também respeite os outros veículos!

      Abraço,
      RLN

      Thumb up 2 Thumb down 1

  • Raphael Monteiro

    Lindo de ler!

    Thumb up 1 Thumb down 0

  • Parabéns pelo texto que nos provoca uma reflexão.

    Abraço

    Simplifique a sua vida vá de bicicleta…

    Thumb up 3 Thumb down 0

  • Eu colocaria um adendo aí…

    O que é mais importante? as Leis ou a minha(nossa) vida?

    Thumb up 2 Thumb down 2

    • Aline Cavalcante

      Phil, o mais importante SEMPRE SEMPRE SEMPRE é a sua vida!
      Por isso eu pedalei na calçada, por isso não julgo quem o faz. Sei que não é má intenção da pessoa nem falta de vontade de ir pra rua (ou vc acha que ciclista gosta de incomodar pedestre?)
      A lei é LINDA e tem em seus artigos diversos argumentos para proteger a vida das pessoas. É sério. Na lei é impressionante como a vida está SEMPRE em primeiro lugar.
      O problema é que na prática a teoria é outra, infelizmente. Dai nosso desafio em fazer valer o que tá lá, escrito e que rege nossa sociedade. No dia que isso acontecer, tenha certeza que Lei e Vida serão plenamente contemplados

      Comentário bem votado! Thumb up 5 Thumb down 1

    • Ricardo João

      A vida, óbvio. Mas cuidado com a área cinzenta que você entra quando dribla a lei. O que você faz passa a ser copiado por outros que não necessariamente sentem-se em situações de risco (no meu comentário dei o exemplo de grupos de ciclistas que burlam as leis).

      Thumb up 5 Thumb down 2

      • Aline Cavalcante

        Pois é, Ricardo. Inclusive pessoas sem bike, várias vezes os motoboys pegam carona em mim quando furo um farol. Bizarro

        Thumb up 3 Thumb down 0

      • Luciano

        Mas é esse o ponto! O que precisamos discutir não é aplicação da lei, mas sim a diminuição desta região cinzenta, que só acontecerá se tivermos uma campanha efetiva da prefeitura direcionada para o compartilhamento do espaço público.

        (Região cinzenta é um termo utilizado para as situações onde regulamentos podem ser contestados e não se aplicam de forma integral)

        Thumb up 0 Thumb down 0

    • Daniela

      Sua vida é importante, mas não mais do que a vida dos pedestres que muitas vezes são desrespeitados por ciclistas irresponsáveis.
      Aliás, não só a dos pedestres, mas de outros ciclistas tbém. Já quase fui atropelada pq tive que desviar rapidamente de uma ciclista que estava na contramão em uma avenida movimentada.
      Eu tenho um ódio enorme por esses grupos de ciclistas, tipo night bikers. Eles não respeitam ninguém, se acham os donos da rua, os reis da bike, e desrespeitam todo mundo: motoristas, pedestres e outros ciclistas.

      Thumb up 1 Thumb down 3

      • Morena Flor

        Concordo, Daniela! Tá cheio de ciclista irresponsável colocando a vida dos outros em risco. Devemos sempre fazer nossas escolhas pro nosso bem, mas respeitando o bem e a vida dos outros. E aqui vos fala uma quase-vítima de atropelo, na calçada e na faixa de pedestre, e não foi uma única vez não…

        Thumb up 0 Thumb down 0

  • Helô

    Parabéns Aline! Concordo com tudo, esse texto está no lugar certo na hora certa!

    Thumb up 2 Thumb down 0

  • Ricardo João

    Aline, parabéns pelo texto. Sou um desses ciclistas novos e ainda não sei se me enquadro no “maluco-revoltado-subversivo-ao-sistema” ou no “riquinho-consciente-da-moda”, mas o fato é que sou um motorista-ciclista. Uso o carro para ir ao trabalho (55km ida e volta) e tento fazer todo o resto de bicicleta. Essa mudança no meu comportamento foi motivada principalmente pela ciclofaixa de lazer e pelo tempo perdido no transito da cidade.

    Sinceramente eu não sei dizer se antes de pedalar eu respeitava tanto o ciclista como hoje eu respeito. Talvez a palavra respeito não seja adequada, pois jamais buzinei ou fechei um ciclista. O que eu sinto pelo ciclista hoje quando estou dirigindo meu carro e ele está ali, na rua e desprotegido, é uma imensa, IMENSA empatia (colocar-se no lugar do outro).Eu sei como é estar lá, como é sentir medo e frio na barriga quando um carro passa rápido demais ou perto demais (ou os dois), portanto hoje até saio do meu caminho para proteger o caminho daquele ciclista desconhecido.

    Se por um lado eu reconheço essa mudanças no meu comportamento e também tenho a convicção de que a bicicleta é parte integrante e fundamental na solução da mobilidade urbana, por outro infelizmente há de se admitir que somos mal educados. Ciclistas, motoristas, motociclistas e pedestres compartilham dos mesmos valores e são filhos da mesma cultura, que funciona muito bem para gerar soluções individuais (jeitinho, tirar vantagem dos outros) e muito mal quando se pensa no coletivo (jeitinho, tirar vantagem dos outros). Essa constatação por si só é suficiente para derrubar qualquer argumento de se “driblar” a lei em prol do X da questão, que é o bom senso. Não existe bom senso num cenário de falta de educação e respeito, e se bom senso realmente funcionasse, não vejo o porque de termos leis.

    Sempre que encontro grupos de ciclistas na rua eu tenho o desprazer de encontrar pessoas que são ciclistas muito mais experientes que eu, que tem bicicletas caríssimas, tem todos os equipamentos possíveis e imagináveis e se vestem de roupa de super-heroi e… furam sinal, cruzam a faixa de pedestre (quando o sinal está aberto para eles!) e também fazem da faixa sua própria ciclovia. Isso é errado, porque grupos com mais de 4 ciclistas não sentem-se necessariamente hostilizados pelo transito dos carros, a sensação de segurança é muito maior quando se tem mais um ciclista do seu lado.

    Agora, finalmente o ponto em que eu queria chegar com esse comentário: tanto os ciclistas quanto motoristas (generalizando) são muito bons em olhar para os próprios umbigos. A maioria nem para para pensar sobre o que estão fazendo e falta empatia no trânsito, e dela deriva o respeito e a gentileza. Neste caso, precisamos sim contar com o aparato legal que cerque as responsabilidades e direitos do ciclista, e porque não, multá-los. Tenho certeza que aquele ciclista que quase me atropelou na virada cultural enquanto eu cruzava uma faixa de pedestres com o sinal aberto para mim sabia que se acontecesse algo, as consequências para ele seriam insignificantes. Do mesmo jeito que o motorista que ameaça um ciclista (até o dia 14, veremos) sabe que nada acontece com ele, é só um susto, uma fina educativa.

    Ontem eu postei no meu twitter 2 pensamentos e gostaria de terminar este post com eles:
    1o pensamento: ciclista, sejam a mudança que vocês querem no mundo. Respeite as leis de transito.
    2o pensamento: motorista, da próxima vez que vir uma bicicleta, imagine que nela pedala seu sobrinho. Sua atitude no volante mudaria?

    Comentário bem votado! Thumb up 34 Thumb down 1

    • Aline Cavalcante

      SENSACIONAL seu comentário, Ricardo!

      É exatamente esse o ponto. Eu confesso e admito que muitas vezes uso o “jeitinho” para driblar situações onde a maior prejudicada serei EU, ou seja, infelizmente ainda preciso passar por cima da lei para me proteger!

      A questão é que agora chegamos num ponto onde é extremamente importante que os ciclistas passem a se entender como parte importante do Sistema de Transportes e, com isso, perder um pouco aquilo que é (também é lindo) da subversão e anarquia, em prol do coletivo, da legitimidade e para que mais pessoas se espelhem e tb pedalem.

      Comentário bem votado! Thumb up 5 Thumb down 1

    • Morena Flor

      Bravíssimo, Ricardo! Assino embaixo!

      Thumb up 0 Thumb down 0

Enviar resposta

Você pode usar estas tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>