Fiscalização e multas a motoristas – mas e os ciclistas?

Faixa na região do Paraíso, em São Paulo, em maio de 2012. Pena terem durado apenas algumas semanas. Foto: Michele Mamede

Desde maio de 2012, a CET - Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo - tem fiscalizado e multado motoristas que colocam em risco ciclistas nas ruas. Nos primeiros 11 meses da iniciativa, foram aplicadas 8.844 multas, o que corresponde, em média, a um motorista autuado a cada 55 minutos. E muitos motoristas reclamam, com o argumento de que quem está na bicicleta também deveria ser multado.

Muita gente vê nessa fiscalização um mero revanchismo de quem usa a bicicleta, uma tentativa de punir o motorista pelo simples fato de usar o carro, uma subtração de espaço do automóvel e um cerceamento do direito de quem dirige. Mas a fiscalização de respeito ao ciclista não é nada disso.

Como a Campanha de Proteção ao Pedestre, o objetivo dessa ação é proteger vidas, diminuindo acidentes e mortes. As infrações fiscalizadas – todas! – correspondem a atitudes que colocam em perigo a vida de quem está se deslocando em uma bicicleta. Não são bobagens. Entenda aqui.

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Comportamento de risco

A mecânica de deslocamento do automóvel é muito diferente da bicicleta. E é, por isso mesmo, difícil de ser compreendida por quem não tem o hábito de pedalar nas ruas. Passar perto de outro carro quando se está dirigindo não representa grandes problemas, isso acontece o tempo todo quando ultrapassamos outros veículos. Mas passar perto assim de uma bicicleta muitas vezes faz o ciclista sentir a morte por perto, pois a possibilidade de cair debaixo das rodas do veículo é iminente.

Além dessa diferença, que faz com que muitos motoristas coloquem em risco a vida de ciclistas sem se dar conta, há ainda pessoas de má índole que ameaçam os ciclistas propositalmente com seus carros. Geralmente, são pessoas que acreditam que as ruas são vias exclusivas para automóveis e que as bicicletas não deveriam utilizá-las, punindo os ciclistas que insistem nisso com buzinas, aceleradas, finas e fechadas.

O objetivo da fiscalização não é punir motoristas gratuitamente. As pessoas conscientes, que dirigem seus carros sem ameaçar os demais usuários da via, não têm com o que se preocupar.

Só o que os ciclistas esperam é que possam chegar em casa sem receber nenhuma ameaça de morte pelo caminho. Quem usa a bicicleta também tem alguém esperando em casa.

Mas por que só os motoristas?

Todos sabemos que os desrespeitos às leis de trânsito ocorrem dos dois lados. Tanto motoristas como ciclistas cometem infrações e algumas pessoas o fazem mais que outras.

Por isso, parece injustiça punir apenas os motoristas, afinal ciclistas também cometem infrações. Mas há alguns fortes motivos que tornariam injusto autuar os ciclistas nesse momento, por mais que em uma primeira análise isso pareça coerente. Vamos a eles.

Sensação de insegurança

Certamente, as infrações mais comuns de ciclistas são pedalar nas calçadas, trafegar na contramão e furar o sinal vermelho. E por que essas infrações são cometidas? Longe de endossar esses comportamentos, muito menos incentivá-los (para saber o comportamento que recomendamos, leia aqui), nos prestamos a entender e explicar o que motiva os ciclistas a tê-los.

Pedalar sobre as calçadas é o exemplo mais claro: o ciclista o faz por ter medo de pedalar na rua. Uma bicicleta na calçada não é o problema em si, mas um de seus sintomas. Quando as ruas se tornarem seguras para os ciclistas, eles deixarão naturalmente de usar as calçadas, que são irregulares, interrompidas a cada esquina e com mobiliário urbano dificultando a circulação. O único motivo para usar a calçada é a sensação de segurança que isso dá.

Os ciclistas que trafegam na contramão também o fazem pela sensação de segurança. Vendo os carros se aproximando e podendo desviar deles, o ciclista se sente mais seguro do que se estivessem vindo por trás, podendo supostamente atingi-lo sem que haja oportunidade de reação. Entretanto, essa segurança é ilusória – entenda aqui.

Mas furar o sinal vermelho não parece se aplicar a esse contexto. O que um comportamento de risco como esse tem a ver com segurança? Novamente, é difícil compreender quando não se usa a bicicleta como meio de transporte.

O fato é que, quando o sinal abre, é comum que o carro atrás do ciclista não tenha paciência com sua baixa velocidade. Afinal, na frente dele há um espaço vazio, o que torna um absurdo ter que esperar por aquela bicicleta – mesmo que seja visível um novo congestionamento ali na frente. Nessa situação, é comum o mau motorista acelerar, buzinar, ultrapassar fechando ou tirando uma fina. E é para evitar essa situação de confronto, agressão e grande risco que muitos ciclistas preferem se arriscar a cruzar o sinal antes de abrir.

Há ainda um segundo motivo que leva ciclistas a furarem o sinal: ao fazê-lo, o cidadão que está na bicicleta circulará por pelo menos uma quadra sem um fluxo grande de automóveis ao seu lado. Ele prefere o risco calculado de furar o sinal ao risco imprevisível de um mau motorista colocar-lhe em perigo.

Respeitar as leis de trânsito ainda é perigoso para o ciclista. E nem todos tem o sangue frio necessário para impor seu direito de circulação como veículo, preferindo se comportar como clandestinos, tentando assim diminuir as chances de serem abatidos por quem coloca em risco suas vidas apenas para provar um ponto de vista (geralmente errado).

Quando as ruas se tornarem seguras, os ciclistas seguirão naturalmente as regras de circulação que, então, os protegerão de forma mais perceptível no viário.

Bicicleta nunca foi percebida como veículo

Historicamente, o uso da bicicleta no Brasil sempre foi algo marginal, visto como falta de opção ou comportamento inadequado. A bicicleta sempre foi tratada como um intruso no viário, que foi planejado prioritariamente para os automóveis, tratando pedestres, transporte público e bicicletas como empecilhos à circulação dos carros.

Dentro dessa cultura, propagava-se a ideia de que lugar de bicicleta era nos parques, no máximo nas calçadas. Bicicleta era algo válido como brinquedo, equipamento de lazer ou de prática esportiva. Se o ciclista insistisse em utilizá-la na rua, era instruído a fazê-lo na contramão, para desviar dos carros. Afinal, se rua é lugar de carro e o ciclista é um intruso, ele que arcasse com a responsabilidade de evitar os acidentes, dando passagem para todos os automóveis que encontrasse no caminho, se esgueirando e se escondendo nos cantos, onde não atrapalhasse a fluidez motorizada.

Nossos próprios familiares e amigos – e até os órgãos e agentes de trânsito! – recomendavam a contramão. Para dar um exemplo claro, surgiu em abril de 2012 uma polêmica no Paraná em torno de uma informação disponível no site do Batalhão de Polícia de Trânsito do Estado (BPTran), que dizia que o ciclista deveria trafegar na contramão.

E até hoje, ainda é comum os ciclistas ouvirem “sai da rua”, “vai pra calçada” ou “vai pro parque” de motoristas nas ruas. Com essa marginalização do uso da bicicleta, quem a utiliza em seus deslocamentos nunca se sentiu aceito no viário, passando a se comportar como o clandestino que o convenceram a ser, ignorando as leis que não foram feitas para ele e que o colocam em risco. Esse erro histórico, com resultado comportamental, demora a ser corrigido.

Quando a bicicleta passar a ser aceita nas ruas pelos demais usuários das vias e o poder público passar a tratá-la como o veículo que é, os ciclistas seguirão naturalmente as regras de circulação que, então, perceberão terem sido feitas também para eles.

Educação para o uso das vias

Para poder dirigir um carro ou uma moto é necessário ter aulas práticas e teóricas, além de fazer exames que demonstrarão sua aptidão para fazê-lo. Teoricamente, ele só está na rua dirigindo um veículo que possui um componente de grave risco para todos à sua volta porque se provou apto a isso. Por isso, o motorista pode ser cobrado por esse comportamento.

Para os ciclistas, não há treinamento algum. Poucas pessoas que utilizam a bicicleta sabem realmente quais são seus direitos e deveres nas ruas. Simplesmente porque não aprenderam. Não se pode cobrar um ciclista por um comportamento que ele não aprendeu ser o correto. E essa não é uma situação que se muda da noite para o dia.

O ideal seria termos educação para o trânsito nas escolas, ensinando como funciona o trânsito para quem está em um carro, uma moto, uma bicicleta, a pé ou usando transporte coletivo. Há programas de educação de trânsito para crianças, focando em bicicletas, no Canadá, Estados UnidosAustrália, FrançaReino Unido, Áustria, Dinamarca, Alemanha e Holanda. Recentemente, foi implementado um projeto em escolas da cidade de São Paulo, que pode servir de modelo e precisa ser ampliado para atender cada vez mais crianças, em todo o país.

O vídeo abaixo, legendado em português pelo Vá de Bike, mostra como se dá a educação de trânsito em bicicletas para as crianças na Holanda. Ações desse tipo são comuns no país desde 1935!

Quando os ciclistas forem instruídos sobre seus direitos, deveres e sobre a conduta mais segura nas vias, passarão naturalmente a respeitar as regras de circulação que, então, perceberão serem mais seguras para eles.

Fiscalização a quem oferece maior risco

O Código de Trânsito estabelece, corretamente, hierarquia e prioridade entre os diversos tipos de veículo que utilizam as vias: “em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores”. E isso não é à toa, pois quanto maior o veículo, maior o risco que ele oferece, senão ao seu condutor, a todos os demais usuários das vias públicas.

A não ser em situações, convenhamos, raríssimas, em que um ciclista cruze inadvertidamente a via sem dar chance para os motoristas desviarem, quem pode evitar com mais facilidade uma colisão (na verdade, um atropelamento), é quem dirige o veículo maior. É ele quem está em maior velocidade, é ele que possui o maior peso, a maior capacidade de frenagem, é sua reação que terá a maior chance de evitar a catástrofe. E, fundamentalmente, é ele quem causa o maior dano, portanto passa a ser sua a maior responsabilidade.

Um ciclista passando perto demais de um carro não coloca em risco a vida do motorista. Um ciclista que fecha um automóvel coloca em risco a própria vida. Um ciclista que avança para cima de um carro em movimento para assustar o motorista está claramente colocando a si próprio em perigo. Agora releia as situações deste parágrafo invertendo as posições.

O que se fiscaliza não é apenas uma simples conduta inadequada. É uma situação que pode matar, aleijar, deixar sequelas, destruir a vida de toda uma família, deixar crianças sem pai ou sem mãe. Não são simples infrações, são condutas inadmissíveis, que precisam ser coibidas com todos os meios disponíveis. E, avaliando por esse aspecto, as multas são consequências apenas educativas, ficando bem distantes da punição adequada quando esse comportamento é proposital.

Se você, amigo motorista, aceitar a presença de uma pessoa em bicicleta à sua frente como aceita a presença de uma pessoa em um automóvel, lembrando que sobre aquelas duas rodas se equilibra uma vida, e mudar de faixa ao ultrapassar, não terá que se preocupar nem um pouco com a fiscalização.


157 comentários para Fiscalização e multas a motoristas – mas e os ciclistas?

  • Newton

    Sou totalmente a favor da convivência pacífica entre TODOS os meios de locomoção. Todos têm direito de ir e vir da maneira que bem entender, desde que não prejudique o próximo. Direitos implicam em deveres também. Os ditos “cicloativistas radicais”, como qualquer outro adepto do radicalismo, seja ele político, religioso, etc., são pessoas nocivas à sociedade, e mais ainda àqueles que dizem defender, pois acabam passando uma imagem negativa que não corresponde à realidade. Estes somente querem os direitos, aliás, mais do que isso, querem privilégios.
    Todo islâmico é terrorista? NÃÃÃÃÃÃO!!!!!
    Todo motorista é assassino de ciclistas? NÃÃÃÃÃO!!!
    Todo colombiano é traficante? NÃÃÃÕO!!!!!
    Todo ciclista é baderneiro? NÃÃÃÃO!!!

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  • Newton

    Sou totalmente a favor da convivência pacífica entre TODOS os meios de locomoção. Todos têm direito de ir e vir da maneira que bem entender, desde que não prejudique o próximo. Direitos implicam em deveres também. Os ditos “cicloativistas radicais”, como qualquer outro adepto do radicalismo, seja ele político, religioso, etc., são pessoas nocivas à sociedade, e mais ainda àqueles que dizem defender, pois acabam passando uma imagem negativa que não corresponde à realidade. Estes somente querem os direitos, aliás, mais do que isso, querem privilégios.
    Todo islâmico é terrorista? NÃÃÃÃÃÃO!!!!!
    Todo motorista é assassino de ciclistas? NÃÃÃÃÃO!!!
    Todo colocmbiano é traficante? NÃÃÃÕO!!!!!
    Todo ciclista é baderneiro? NÃÃÃÃO!!!

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  • Rubens Cano de Medeiros

    A julgar pelo que se nos oferece o noticiário em termos de bicicletas nas ruas, é a falsa impressão de que o problema está resolvido com três atitudes (no mínimo). A questão “bicicletas”.

    Uma é pintar ciclovias vermelhonas no asfalto. Ainda que estreitinha cada faixa, quando de mãos opostas. Até quer parecer que se São Paulo dispusesse de ciclovia em todas as vias, ciclista deixaria de ser imprudente. Não há fiscalização.

    Outra atitude é a tímida implantação de placas – ao longo das ciclovias ou nas cercanias, indicando a presença de bicicletas.

    Uma terceira é a grita dos cicloativistas – que a autoridade acolhe – de medidas de proteção ao ciclista contra desrespeito de motoristas. Já desrespeito de ciclistas…

    No cenário do trânsito paulistano, bicicleta é – mal caracterizando – um “segmento” sui generis: ciclista não obedece a regra alguma, é oportunista e até agressivo com pedestres e, enfim, como que (ciclista) estabelece “regras” próprias, o comportamento.

    Bicicleta tinha que sair de fábrica – nem digo de loja – por lei, com os tais “equipamentos obrigatórios”: farolete, campainha e espelhinho, por exemplo. Coisas que devem ser anacrônicas, porque quase nenhum ciclista “usa”, basta vermos. Pois não há fiscalização.

    Ciclista pedala à noite. Via de regra, sem farolete. Uns, usam pisca-piscas – que na verdade, “iluminar” iluminam é nada. Apenas denotam, de perto já, que a bicicleta vem vindo… Para o pedestre que vai atravessar, essa luzinha ajuda coisa alguma “alertar”.

    Bicicleta não tem campainha. Não bastasse a irracionalidade de pedalar sobre calçada, ao menos a campainha serviria de alerta: “pedestre, olha quem tá aqui, nas tuas costas!”… Ou um ciclista que vem descendo a ladeira, doidão: se alguém atravessar a via, no raio de ação dessa bike… Pra que campainha?

    Espelhinho? Que “demais!”, isso! Pois o que norteia o habitual do ciclista é justamente mudar direção e sentido… sem olhar! Espelhinho é inútil.

    Um troço causa estranheza. Por um lado a própria autoridade “de ofício” – afora as atitudes retrocitadas – nada faz nas ruas para impor alguma disciplina às bicicletas. Nem mesmo demagógicas “campanhas educativas”. Por outro, pior, nós outros, os próprios concidadãos, aceitamos com naturalidade o status quo: ciclistas pedalarem ao “arrepio da lei”, ignorando (desprezando) tudo o que o Código preconiza. Em vão.

    Para os muitos que só olham para o lado bom da bicicleta, cabe perguntar. O espernear de cicloativistas – excetuando-se razões ou pretextos. Justifica-se pedalar na calçada, no meio de quem caminha? É aceitável bicicleta avançar sinal ou faixa de travessia, o pedestre confiando (ingenuamente) na sinalização? É racional pedalar na contramão, perigando de atropelar quem cruza a via, quando não o ciclista arriscar-se, a si mesmo? Quem liga?

    Ora, pensando “melhor”: se o Código, que estabelece a incolumidade do pedestre, acima de tudo, ele mesmo permite bicicleta no passeio, por conta do eufemismo “compartilhar”… e bicicleta no contrafluxo! Que mais esperar, de rigor quanto a bicicletas?

    “Trânsito”, tão importante que é, exigiria que o próprio ensino fundamental preparasse a criança: como tudo que deva ser ensinado é na escola, trânsito, por que não? Começar a incutir na criança a semente do espírito de cidadania, de seriedade e urbanidade. Para que, no momento devido, seja um pedestre e condutor, responsável. E um ciclista que se cuida. E respeita o pedestre: ou seja, a si próprio. Também.

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    • Renato

      Discordo. Que tal oferecer aos ciclistas os 17.200km de vias exclusivas que tem os automoveis? Assim, não teria problema nenhum haver multas, fiscalização entre outros….afinal, independente do ciclista ser ou não imprudente, o veículo bicicleta em si, é ecologicamente limpo, não polui. Os ciclistas não tem nada disso. E nem segurança alguma.

      A partir do momento que você obriga o ciclista a colocar placas, farolete, etc etc, você desistimula o uso da bicicleta, já que o custo AUMENTA consideravelmente…uma bicicleta nova já é caro. eu mesmo voltaria para o carro ou até minha moto se for para colocar isso na minha bike. Desculpa, mas é o fim.

      A cidade ganha muito com 1 ciclista circulando, já que representa um carro a menos.

      Por isso, sou muito mais a favor de campanhas educativas permanentes do que imposições e leis arbitrárias. Muitos voltariam para seus carros/motos rapidão.

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      • Newton

        Oferecer 17.200Km de vias aos ciclistas? Creio que seja um objetivo legal, porém não se faz da noite para o dia. Quer gostem ou não, SP não foi planejada para bicicletas, adequar a infraestrutura de uma megalópole demanda tempo, e uma simples lei não vai fazer acontecer esse milagre em uma semana. Sou a favor da convivência pacífica entre todos os meios de deslocamento, e isso pressupõe educação, que nem os motoristas, pedestres e ciclistas têm em sua grande maioria. Ao contrário do que você afirmou, os 17.200Km se vias em SP NÃO SÃO exclusivas dos carros, existem motos, caminhões, ônibus e…ciclistas! Você também afirma: “independente do ciclista ser ou não imprudente, o veículo bicicleta em si, é ecologicamente limpo”…tá legal, então tá tudo justificado, né? Beleza, se um ciclista for atropelado por um carro elétrico (que também não polui) tanto faz se o motorista for imprudente ou não? Não use um argumento técnico para justificar comportamentos absurdos. Quanto à questão do uso de equipamentos de segurança, pense pelo menos em sua própria pessoa, já parou para pensar que você pode ser derrubado na via por um outro ciclista ou mesmo pedestre? Metade da segurança individual parte de nossas próprias atitudes em relação aos outros.
        Se todos tivessem bom senso, as leis não seria, necessárias, mas não é a realidade. Na maior parte das vezes, os prudentes pagam pelos imprudentes.

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  • Rubens Cano de Medeiros

    Uma rua paulistana qualquer. Nela, pintada vermelhona no escuro asfalto uma dessas ciclovias. Rua de mão única, o fluxo dos veículos, mão dúplice a estreitinha e tosca ciclovia, que mal e mal comporta as bikes, tão exígua que é.

    Ao longo do trajeto, tímida sinalização de placas para “alertar” motoristas e também pedestres: atenção, aqui tem bicicleta! Um primor de precaução e responsabilidade, a sinalização, a comunicação visual.

    Sinalizar, claro, é primordial. Analisemos, prezados cicloativistas, especificamente este caso retrocitado. Questionemos a eficácia das placas. Que capricho teve a autoridade ao colocá-las estrategicamente.

    “Alerta” ao pedestre. Placas pequenas, arredondadamente retangulares. No centro, de fundo branco, uma bikezinha pintada de preto. Na extremidade superior, fundo amarelo, inscrição em preto, maiúsculas: “PEDESTRES”. Que troço é? Subtender, para o pedestre, algo assim: atenção!

    Na parte de baixo, primor de mensagem, bem inteligente. Clara, objetiva. Uma seta preta, fundo amarelo, seta de duas extremidades. Lembra uma cobra de duas cabeças – e nenhum cérebro “pensante”. Quer subtender (putz!): pedestre, ao atravessares, olha “lá” e olha o outro “lá”! Que a cobra-cega (bicicleta) te pega!

    Mensagem fraca, tosca. Para que subjetividade, se há palavras, para alertar melhor? Mal colocadas, as placas. Em vez justamente na calçada, do lado onde vamos atravessar – antes, pois, da cicloviazinha, claro – as placas se situam do lado… oposto. Isto é, subtenda-se, cidadão: pouca preocupação com quem pedala. Menos ainda com quem caminha. Nota “menos um”! Como se ciclista e pedestre imprudentes nem fossem…

    Uma vez que, então, no caso, em relação ao fluxo da mão única da via, as bikes rolam (absurdamente) em contramão, placas haveriam é que alertar – não subtendida, mas clarissimamente – “pedestres, bicicletas na contramão, cuidado ao atravessar”. Palavras é que não faltam.

    O próprio Código que assegura primazia de pedestre ante veículos, essa mesma lei – pondo em segundo plano tal primazia – o Código até permite bicicletas em contramão – como também nas calçadas e calçadões. Em vez de se preocupar com esses veículos, que rolam sem campainhas. Que rolam à noite, sem qualquer luz, farolete. Na calçada e na contramão.

    O Código, nos tópicos que concernem ao transitar de bicicletas, não tem qualquer valor: não há fiscalização. Sinalização, qualquer leigo percebe, a começar por mim: serve para nada, sem fiscalização. Reveja-se o Código. Fiscalizem-se as bicicletas nas vias. Ciclistas impõem-se, a si mesmos, nenhuma obrigação sobre normas de trânsito. A começar por placas, as de sinalização. Porque, de identificação, bicicletas nem têm.

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    • Marcio

      Ah, qta hipocrisia.

      Pedestres respeitam o local certo para atravessar a rua que é na faixa? Não!

      Motoristas param na faixa para esperar o pedestre passar? Não!

      Motoristas respeitam o limite de velocidade de uma via? A quantidade de multas por excesso de velocidade mostra o contrário.

      Motoristas respeitariam a faixa de onibus se não tiver multa? Não!

      Então, os motoristas e pedestres não tem moral alguma para falar dos ciclistas. Ninguém respeita nada nesse país.

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      • Newton

        Ciclistas também não respeitam a faixa de pedestres. Na Av. Paulista principalmente, muitas bicicletas furam o farol vermelho, serpenteando entre aqueles que atravessam na faixa.

        Você tem razão. Ninguém respeita nada neste país. Só não se esqueça de incluir os ciclistas também.

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  • Ana

    Sim pq estão usando a bicicleta como meio de transporte e não lazer.

    Já vi ciclistas furar o farol, quase passar por cima de um pedestre na faixa de pedestre, pedalar na contra mão(o q é perigoso), não estar adequadamente equipado com capacete, colete reflector e kit noturno.

    Se uma moto tem q circular nas ruas com farol baixo aceso pq uma bicicleta circulará sem o kit noturno.

    A noite a visibilidade é prejudicada e já vi ciclista quase ser atropelado pq estava sem nenhum equipamento inclusive o básico.

    Se não for multa algo para orientar que eles tem respeitar as leis de trânsito.

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    • Renato

      Acredito muito mais na eficiência de uma boa e ampla campanha educacional do que leis arbitrárias e multas…

      Essa inclusive para os motoristas e pedestres, pois são tão mal educados qto os ciclistas….

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  • Rubens Cano de Medeiros

    São cinco e meia da manhã. Na verdade, noite, ainda. Horário no qual todo dia vou buscar pão. Pessoas caminham, como eu, neste trecho inicial da Cursino. Gente que também se dirige à estação Alto do Ipiranga, do metrô.

    Na confluência com a Santa Cruz e por uns trezentos metros ou mais, a Cursino é mão única. Não dá outra. Ciclistas então sobem na calçada. Se ficam na via, aí é na contramão, que prosseguem.

    Ainda que bem iluminada, a Cursino tem trechos arborizados, o que escurece a calçada. E, para mim ao menos, inadmissível, pedalam à noite (madrugada)… na calçada! Lógico, ocorre por todos os lados da Cidade.

    Pedalar na calçada – ainda mais, no “escuro”? Ora, é demais! É desprezar qualquer noção de prudência. Surpreender, o mais imprevisível que seja, quem caminha. Principalmente quando a bicicleta vem às costas do pedestre. É ou não estupidez?

    Ciclista, todos sabemos, não usa farol ou farolete. Os pisca-piscas tipo LED? Iluminam “nada”. Ciclista também tira fina, não usa campainha… Entendo que, em sendo pedalar na calçada tão perigoso de atropelar quem caminha – um idoso, uma criança, um deficiente, gente conduzindo crianças – tão acintosamente imprudente, que – sem exagero – deveria se configurar “dolosamente eventual”, a infração.

    Pedalar na calçada: ciclista se proteger? Ora, desculpa esfarrapada. A Cidade não oferece lugares seguros para bikes? Ciclovias, ainda são poucas? O próprio Código prevê compartilhar espaço? Nada disso justifica bicicleta na calçada. Como veículo, bicicleta tem que ir para a rua. Na calçada, nada de bicicletas, patins ou skates. Só pedestres.

    Bicicletas, embora tenham tido placas, no passado remoto – muito antes do advento da CET – nunca foram alvo da preocupação das sucessivamente momentâneas autoridades de trânsito. A impunidade do ciclista é tal que pedalam, também, dentro de feiras-livres: entre os que fazem compras. Não há fiscalização.

    Implantar ciclovias, por si só, não resolve a delicada questão “bicicletas nas ruas”. Pode parecer contraditório, mas deixar de fiscalizar bicicletas – consequentemente, consentir com a imprudência – expõe a acidentes não só pedestres, mas também o próprio ciclista.

    Reveja-se o Código. Nem bicicleta na calçada, nem na contramão. Bicicleta na calçada, só criança, óbvio. Ou adulto conduzindo ou acompanhando criança que pedala. Adulto que ensine a criança a exercitar a cicloatividade ajuizadamente. Semente da civilidade. Para que, quando crescida, a hoje criança venha a ser o adulto que respeita o concidadão, como pedestre. Calçadas livres, um dia. Livres, de bicicletas. Porque, hoje, hein! “Qual o quê!”, como na música do Chico…

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  • Rubens Cano de Medeiros

    Até mesmo por mero acaso foi que vi. Na internet. Que ano passado, na Corifeu, à noite (poderia ter sido de dia) ocorreu de um idoso – quando atravessava a faixa de pedestres – resultar colhido por um jovem ciclista. Daí, arremessado, o atropelado bateu a cabeça no asfalto: morreu. Fatalidade, dirão. O quê? Ahn…

    Ciclista atropelar… caso raro, fatalidade? Tá. Mostra o vídeo, depoimento de circunstantes, o troço foi criminoso, acintoso. Alguém relata que o ciclista rolava em “alta velocidade”. Uma avaliação subjetiva, claro – mas perfeitamente consistente, nem por isso. Bicicleta não é para “correr”, nas ruas: só em competições. Silenciosa, sem farol, sem buzina – ainda mais à noite – tem mesmo que surpreender pedestre. Veículo traiçoeiro.

    Essa ocorrência – nem precisava ter acontecido – mostra que, muito mais que “caso isolado”, bicicleta não é inofensiva. Fiscalizá-las, como? Não têm placas, qualquer um faz o que quer. À revelia do que preceitua o Código. Fora de ciclovias, pura balbúrdia. Todos aceitamos.

    Apoiar a cicloatividade não deveria se limitar só a acatar reivindicações de cicloativistas e implantar ciclovias. Também é necessário disciplinar as bikes, no geral. Alguém propugna? Não autoridades. Nem especialistas. Bicicleta é, também, sinônimo de imprudência. Até fatal.

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    • Fernando

      Rubens, jamais será admissível um ciclista atropelar e matar um pedestre, ainda mais, como agravante, na faixa de pedestre. É, sim, necessário fazer algo por essa questão.
      Porém, você diz que bicicleta não tem placa. Não sei se você advoga o uso de placas nas bicicletas, e temos dezenas de argumentos contra. Porém, não é impossível punir um ciclista só porque a bicicleta não tem placa. Ora, imagine você que um pedestre viesse andando e empurrasse um homem idoso no chão, matando-o com o impacto da queda. Esse pedestre não poderia ser responsabilizado criminalmente por não ter placa? Claro, um agente da lei a pé teria mais dificuldade para alcançar um ciclista, mas a diferença acaba aí. Eu já vi um vídeo em que um ciclista é multado em New York. Lá, como em qualquer parte do mundo civilizado, as bicicletas não têm placa.
      No geral, porém, concordo que o cicloativismo deve também se preocupar com o comportamento dos ciclistas e digo a você: isso acontece. Este blog aqui é cheio de informações para ciclistas trafegarem com segurança, respeitando os demais, e o William Cruz também fala disso nas palestras dele. No grupo que eu frequentei, o Pedala Manaus, o pessoal dá dicas de segurança antes das pedaladas e controla para que todos sigam. Inclusive, às vezes, param o pelotão para dar preferência aos carros, já que são muitas bicicletas e demoraria se tivessem que esperar todas passarem.

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  • Rubens Cano de Medeiros

    “Motivos” (desculpas esfarrapadas), pode tê-los o ciclista. Mas pedalar na calçada – na contramão, avançar vermelho, ignorar pedestres cruzando faixas – é tão-só irracionalidade: perigo de atropelar. Pedalar na calçada, hein! O próprio Código admite, como “exceção”, pode? Concluímos: calçada não é primazia de pedestres, é? Irracionais, igualmente, são os idiotas que acintosamente não seguram o guidão: pedalam de mãos soltas ou de braços cruzados, que proeza e habilidade! Se repentinamente houver que manobrar ou frear… o imbecil “já era”! Desprezo para com a própria segurança, quanto mais com a de outrem… É mais uma consequência da impunidade com que bicicletas infringem normas legais de trânsito – à revelia da racionalidade. Mesmo porque, para cicloativistas, só interessa espernear por ciclovias – que até sejam precárias…

    Rubens Cano de Medeiros

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    • Renato

      “…Mesmo porque, para cicloativistas, só interessa espernear por ciclovias – que até sejam precárias…”

      Já que antes, os ciclistas não tinham nada de ciclovias….enquanto que os carros e motos tem 17.200km de vias pavimentadas a sua disposição…embora a maioria cheias de buracos….Mas se concentra apenas em reclamar das ciclovias segregadas….algo em torno de 248km, o que não dá nem 2% do total dos carros.

      Você definitivamente tem um preconceito enorme contra ciclovias e ciclistas. Não tem noção alguma de que a maioria dos ciclistas tem moto ou carro e um ciclista = um carro/moto a menos.

      Os motoristas e pedestres são tão mal educados e imprudentes qtos os ciclistas. NÃO HÁ SANTO NESSA HISTÓRIA!

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  • Lima

    Se existe regras, leis a serem seguidas, quem não o faz merece ser punido. O ciclista não respeita o pedestre, anda demais na contramão, não obedecem as passagens/sinais de transito onde tem o tempo para pedestre. Enfim, fica dificil requerer direitos se voce não cumpre as suas obrigações.

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    • Marcio

      Vamos lá…os pedestres atravessam na faixa? Os motoristas param para os pedestres passarem na faixa (aqueles conscientes que o fazem, já que a maioria atravessa tudo fora mesmo)?

      E viva a hipocrisia!

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  • Rubens Cano de Medeiros

    Bem, pedalar na calçada “é proibido”, certo? Claro que não: quem não o faz? Se fosse, “mesmo”, aí haveria que fiscalizar. E autuar. Primeiro, autuar bikes não deve ser tão simples: elas nem têm placas, como motos e carros! Segundo: “como” autuar? Devido à peculiaridade de como ciclista se desloca, na rua, como “interceptá-lo”? Ô lôco! Laçá-lo, como era feito no “Velho Oeste”, seria a forma? Multar bicicleta? Troço mais “inadequado”, “politicamente incorreto” – quando todos os ventos sopram a favor da tal cicloatividade: só se olha para ciclovias – fora delas, hein! Se não fiscalizam, bicicletas, deixamo-las rolar, ora! Por conta… da casualidade! É um acidente aqui, outro acolá… Mas o que importa é tão-só ciclovia. Fora delas, bicicletas espalham imprudência e desrespeito a pedestres. À revelia dos ditames do Código: alguém dá bola? Não é pouca coisa, nem são só “alguns”: contramão, avançar sinal, ignorar faixas de pedestres… Proibido pedalar na calçada, é? Se o próprio Código abre perigosas exceções! Pedalar na calçada: perigoso para ambos – ciclista e pedestre. Como ninguém reclama, é então porque “estando bom para as duas partes”… Bola pra frente: ciclista sabe que ninguém o molestará. “Proibido pedalar na calçada”: a ideia é boa, hein!

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  • Carlos

    É poreciso começar alguma fiscalização sobre os ciclistas, situações como esta vão começara a acontecer por aqui: http://tvuol.uol.com.br/video/em-ny-pedalar-falando-no-celular-e-proibido-e-da-multa-04020D1C346CDC915326

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  • Rubens Cano de Medeiros

    “Interessante”, para não dizer “distorcida” ou “mutilada”, é a visão que jornais, tevê e revistas procuram nos passar, a nós, paulistanos, acerca da verdadeira realidade do tráfego de bicicletas nas ruas. Porque unicamente o noticiário é sempre no mesmo sentido: ciclovias e reivindicações dos ciclistas. A cobertura é sempre unidirecional: a favor da causa cicloativista. Nunca mostra mazelas, que é o que ciclistas fazem quando fora de ciclovias. Aliás, só fazem. Por que ignorar bikes quando não em ciclovias?

    Apoiar a cicloatividade é corretíssimo, todavia deixar de mostrar uma faceta do trânsito relegada à própria sorte – bicicletas sem fiscalização, expondo ciclistas a acidentes, e pedestres idem – é desserviço: fora de ciclovias, o comportamento habitual de ciclistas beira a irracionalidade, tal a imprudência. Percebe-se fácil.

    Nas ruas paulistanas, o trafegar de bicicletas é troço esquisito. Muito mal comparando – mas comparação cabe – é como o transitar da verdadeira “sub” frota de carros velhos – igualmente imunes de fiscalização: sem placas, sem faróis, pneus carecas – carcaças “maltrapilhas”, conduzidas por motoristas que pouco se importam em correr riscos ou expor outrem. Inacreditavelmente sem qualquer restrição legal, rodam. Bicicleta até também é “assim”: não têm placas, campainha, espelhinhos; ciclista faz o que o oportunismo impõe – e então circula sem qualquer restrição. Geralmente representando perigo para pedestre.

    Ciclista cavalga sua bicicleta, no asfalto, à revelia de normas de trânsito. Respeita… nada! Ignora semáforo (ou não?). Pedala na calçada (é sensato?). Invade faixa de pedestres, vai na contramão etc. Alguns, só? Queira-se observar. Certamente, para quem pedala – exceto na hora de reivindicar – bicicleta não deve ser tão “veículo”, assim, como reza o Código. Pois vale “tudo”! Ciclista sobe na calçada por “segurança”? Ponhamo-los TODOS, então!

    “Interessante” também é quando “especialistas” de trânsito emergem no noticiário dos jornais: sempre endossando apoio ao cicloativista, jamais recriminando o lado “mau”, a agressividade das bikes sobre pedestres e a imprudência generalizada.

    Sendo como é, então, pedalar na calçada ou na contramão nem deve (deveria) ser infracional. Aliás, o próprio Código incoerentemente abre perigoso espaço às bicicletas quando permite “compartilhar” calçadas: bicicletas e pedestres são por “natureza” imiscíveis. A simultaneidade é perigo de acidentes. Permitir contramão é como receitar veneno ao doente, mais ou menos: de que vale estabelecer mão de direção?

    O Código é bom: ruim é a Gramática. Porque o verbo “desmontar” (bicicleta na calçada) não é conjugável por quem pedala. “Fiscalização” é sujeito oculto (inexistente?) quando o discurso envolve bicicletas. E “civilidade” é o tipo do complemento nominal que evapora quando a locução – envolvendo ciclistas – é “respeito à…”. Exagero?

    Rubens Cano de Medeiros
    RG 5342264-8

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  • Rubens Cano de Medeiros

    Cicloativistas exercitam intensamente o “direito de espernear” – muito justo, até – por implantação de ciclovias e afins, e por medidas de segurança para ciclistas, contra a agressividade dos carros – no que são atendidos pela CET.

    Porém, há um “outro lado” da realidade das bicicletas nas ruas. A qual nem parece existir – para a mídia, para a autoridade de trânsito, para o prefeito – para os jornais principalmente – a realidade do comportamento, via de regra, fora das ciclovias. Total revelia à legislação de trânsito.

    Podemos facilmente constatar, pois salta aos olhos, que bicicletas fora de ciclovias afrontam o espírito de urbanidade, expondo principalmente pedestres a riscos de atropelamento. Riscos que dificilmente cicloativistas admitirão.

    Para o Código, bicicleta é veículo – não obstante circularem SEM “tudo”: placas, faróis, “buzina”, espelho. Claro, sob a indiferença de todos nós, cidadãos que, em termos de trânsito, procuramos levar a melhor no que der – pedestre ou condutor. Bicicletas sobem nas calçadas com a mesma “naturalidade” com que nela o pedestre deveria gozar de primazia. Ciclistas pedalam imprudentemente em contramão, rente ao meio-fio, o que é boa receita para pegar quem for atravessar – tanto que a CET até deveria espalhar placas por aí: “Pedestre, cautela – bicicletas, sempre, na contramão”.

    A isso somem-se outras muitas irregularidades, perigosas para o pedestre: bicicleta ignora semáforo; invade faixa com pedestres atravessando, manobras loucas – mas para os jornais, para o prefeito e o secretário ao qual a CET se subordina, bicicleta só remete a… ciclovias!

    Duas perguntas podem ficar no ar: primeiro, por que a CET – exceto ciclovias – nada faz absolutamente para coibir, na medida do viável, o mau comportamento, via de regra, de todos ciclistas? Segundo, por que nós, todos os cidadãos, também não exigimos, da CET, que as bicicletas, como estatui o Código, sejam fiscalizadas? Aliás, deveríamos exigi-lo com a mesma “garra” com que cicloativistas esperneiam – por ciclovias.

    Rubens Cano de Medeiros
    RG 5342264-8

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  • Rubens Cano de Medeiros

    Pedalar na calçada, diz a lei, é proibido: Código de Trânsito – mas, e daí ? Pois se não há repressão, “Inês é morta” – quero dizer, a lei. Quando bastaria tão-só a mera “lei do bom-senso”. Para fazer ver a um ciclista (irracional que fosse) o inadmissível de cavalgar uma bicicleta na calçada, no meio de quem caminha. Pois pedalam na calçada (e não são poucos) por oportunismo e pretextos. Como por exemplo esquivar-se dos carros. Ou falta de ciclovias – aliás, que brotam sem parar! Pedalar na calçada, invocando a lei do bom-senso, é para crianças. Ou adulto conduzindo uma. Fora disso, nunca! E quanto a ciclovias, claro que são necessárias. Mas cabem reparos. É o caso de ciclovias implantadas em ruas do Centro. Em ruas de mão única de tráfego. Tais ciclovias, pintadas junto do meio-fio, comportam duas mãos de direção (cada qual, estreita) para as bicicletas – lado a lado, de modo que ciclistas, em sentidos opostos, podem se acidentar. E mais: perigoso para o pedestre que atravessar – pois intuitivamente temos a tendência de (só) olhar no sentido do fluxo da rua – não o contrário. Mais sensato e seguro, para todos (até para motoristas), seria que as bikes voltassem por outra rua, paralela ou não. Então em ciclovias assim prevalece o inusitado: o próprio Poder Público, a quem cabe cumprir a lei, a afronta duas vezes. Vai contra o Código e contra a lei do bom-senso, simultaneamente: coloca “oficialmente” bikes… na contramão! Que urbanista viu nisso uma “solução” ? Bicicletas, assim, na contramão, circulam à revelia. Quanto ao pedestre, ao alcance delas ? Ora, resta-lhe engolir o sapo!

    Rubens Cano de Medeiros
    São Paulo

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    • Art. 59: Desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de bicicletas nos passeios.

      Art. 58, Parágrafo único: A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa.

      Quanto a ciclistas circularem na calçada “com o pretexto” de esquivar-se dos carros, sugiro que passe pela experiência de pedalar pela pista local da marginal Pinheiros, ou na Av. Sapopemba com uma criança na cadeirinha, para que possa compreender que o que realmente motiva as pessoas a utilizarem a calçada não é um simples pretexto. Aliás, ciclovias são uma ótima maneira de tirar esses ciclistas da calçada, mas como você é contrário a elas, fico imaginando qual seria sua solução.

      Sobre a ciclovia ir por uma rua e voltar pela paralela, lhe falta a percepção de que os cidadãos realizando deslocamentos humanos, tanto o ciclismo de transporte quanto o pedestrianismo, buscam sempre o caminho mais curto e mais plano. É como colocar faixas de pedestre a 500 metros de distância uma da outra em uma avenida e não querer que as pessoas atravessem fora delas (o que também é garantido por lei, consulte o artigo 69 do Código de Trânsito).

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      • Decio Carvalho

        Willian, vc deveria inclui estas tbm.

        Antes de mais nada, sou ciclista, utilizo transporte publico e tbm ando de carro.
        Sei muito bem o quais são os problemas que cada um passa.

        BICICLETA – veículo de propulsão humana, dotado de duas rodas, não sendo, para efeito deste Código, similar à motocicleta, motoneta e ciclomotor.
        CICLOMOTOR – veículo de duas ou três rodas, provido de um motor de combustão interna, cuja cilindrada não exceda a cinqüenta centímetros cúbicos (3,05 polegadas cúbicas) e cuja velocidade máxima de fabricação não exceda a cinqüenta quilômetros por hora.
        MOTOCICLETA – veículo automotor de duas rodas, com ou sem side-car, dirigido por condutor em posição montada.
        MOTONETA – veículo automotor de duas rodas, dirigido por condutor em posição sentada.

        Quer passar pela calçada ou atravessar com a bike na faixa? O CTB manda desmontar:

        Art. 68. É assegurada ao pedestre a utilização dos passeios (…)
        § 1º O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres.

        Buzina, espelho e “sinalização” na frente, atrás, dos lados e nos pedais (que pode ser entendida por refletivos) são obrigatórios pelo Código, mas capacete não:

        Art. 105. São equipamentos obrigatórios dos veículos, entre outros a serem estabelecidos pelo CONTRAN:
        (…)
        VI – para as bicicletas, a campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo.

        Deixar de andar com a bicicleta em fila única pela rua é infração média:

        Art. 247. Deixar de conduzir pelo bordo da pista de rolamento, em fila única, os veículos de tração ou propulsão humana e os de tração animal, sempre que não houver acostamento ou faixa a eles destinados:

        Vcs são formadores de opinião e deveriam promover o bem comum.
        Gostando ou não, querendo ou não querendo se todos respeitam as regras, que neste caso são as leis, fica muito mais fácil o uso compartilhado de todo e qualquer espaço publico.
        Vc sempre estão exigindo que se cumpra as regras de direito dos ciclistas mas nunca exigem que os ciclistas cumpram as leis de deveres.
        Tempos atrás eu sugeri a alteração do texto sobre as leis de trânsito que esta escrito neste site e vc disse que eu estava procurando pelo em ovo. Um dos assuntos foi ultrapassar o sinal vermelho. Qual foi mesmo o resultado do acidente na esquina da Av. Paulista com a Brig. Luiz Antônio? Um ciclista, além de furar o sinal vermelho e fezer uma conversão proibida foi atropelado e veio a falecer. O que aconteceu depois?? As entidades e ciclistas começaram a protestar para diminuir a velocidade da Av. Paulista, mas eu não vi nenhuma manifestação para os ciclistas respeitarem um pouco, mas só um pouquinho as leis de trânsito.
        Faço uma sugestão.
        Vá ao parque do Ibirapuera num domingo qualquer e fique no portão de entrada perto da praça do porquinho e faça uma estatística.
        Quantos ciclistas cruzam a Av. Quarto Centenário na faixa de pedestre e respeitam o pedestre.
        Faça esta estatística e poste aqui.

        Volto a insistir, por favor, promovam o bem comum e tenho certeza que vcs terão muito mais adeptos nas suas campanhas.
        Eu serei um deles.

        Defender uma classe é muito gratificante, mas defender uma classe sem se preocupar com os seus atos não é nada legal. Defendam os ciclistas, mas defendam os pedestres tbm. O pedestres são a parte mais fraca nesta disputa.

        Att.

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  • Newton

    Passo diariamente pela região da Paulista e vejo todo tipo de absurdo cometidos tanto por pedestres, carros e bikes. Carros ameaçando pedestres na travessia, bikes furando semáforos em alta velocidade, costurando entre os pedestres na faixa de travessia, pondo em risco os transeuntes, pedestres andando entre os carros, enfim, ninguém respeita ninguém. O problema aqui é educação, seja lá de quem for. Então, ao invés de ficar com mimimi, um tentando empurrar a culpa pra cima do outro, vamos a partir de agora fazermos nossa parte em buscs de uma convivência pacífica entre as partes; obviamente, como em qualquer sociedade, isdo implica em abrirmos mão de algumas coisas em prol de uma vida melhor para todos. É egoísmo querermos somente as vantagens de akguma coisa, todos somos cidadãos e temos direito de nos deslocarmos da maneira que nos convier, DESDE QUE NÃO CAUSEMOS PREJUÍZOS AO OUTRO, seja lá quem for. Civilidade é o termo correto. O sujeito que estaciona na rua ocupando o espaço onde caberiam dois carros, o pedestre que joga lixo nas ruas, o ciclista que fura o semáforo, são todos pessoas egoístas, que pensam somente em si mesmas, não sabem viver em sociedade. Para estas, o importante é a conveniência própria, os outros que se danem; Gérson já dizia: “Afinal, você gosta de levar vantagem em tudo, certo?”

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    • Luiz

      Perfeito.
      Educação, respeito, cidadania, civilidade… Isso que falta às pessoas, em qualquer papel, motorista, ciclista, pedestre ou outro.
      O paradigma hoje é de egoísmo, conveniência, de levar vantagem, muitas vezes as pessoas agem assim inconscientemente e por inércia. Quando surge uma ‘ameaça’ ao seu modo de vida reagem de forma intolerante, o que pode ser verificado nos comentários, e, algumas vezes, até agressivamente.
      Temos que parar e pensar se faz sentido, se é justo, se não estamos passando por cima do direito dos outros etc.

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  • Carlos

    Pessoal, está faltando tolerância em uns, e sobrando de outros. Permissividade e omissão, faltando firmeza no bom senso. Pedestres também tem bronca de motorista que fica estacionando na calçada, sendo que estes ocupam mais espaço da calçada, e, mesmo assim, os motoristas ficam na maioria das vezes impunes, porque não há quem insista em estabelecer o uso da calçada para pedestres e ocasionais ciclistas que respeitem os pedestres. Também há de convir que pedestres também não respeitam as regras de circulação. Mantendo-se à direita para que outro pedestre possa vir em sentido contrário sem ter que ficar desviando dos seus iguais pedestres. Ciclistas podem circular na calçada, desmontados, e empurrando a bicicleta. Montado, se, não houver pedestres. E se de repente houver, obedecer as regras de circulação na calçada, mantendo-se à direita, no mínimo, e se a calçada for larga o suficiente. Senão, desmonte e empurre a bicicleta. É sinal de respeito. E respeito todo mundo gosta. Então ao invés da negação e da reprimenda, exija respeito. Fale com o ciclista para que desmonte e faça-o empurrar a bicicleta. Não ficar falando dele pelas costas, é muito covarde esta atitude, além de beirar a hipocrisia.

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  • [...] bom, sobre fiscalização de ciclistas, por que alguns deles cumprem ou não cumprem determinadas regras de trânsito (isso no mundo inteiro, e não apenas no brasil) o excelente post do willian cruz no vá de bike. [...]

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  • Anderson

    Acho interessante como alguns motoristas se defendem com unhas e dentes quando o assunto é ciclista na via, engraçado é que alguns caminhões são mais lentos que os ciclistas e não vejo motoristas jogando seus carros em cima deles.

    Passo sempre pela ciclovia da Faria Lima e sempre há pedestres andando nela, porem isso não me incomoda em nada. Desde que o pedestre não ocupe toda a ciclovia, acredito que o espaço urbano pode ser compartilhado por todos, basta termos cuidado.

    Mas eu já desisti desse país, nosso problema não é infra-estrutura, é falta de respeito ao próximo. Só um milagre pra mudar o caos que esse país se tornou.

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  • Havary

    Da mesma forma que um pedestre consegue atravessar no semáforo cor vermelha, se não vem carro. Um ciclista tmb consegue. Da uma volta na Paulista para vc ver que tem vários pedestres atravessando no vermelho e atrapalhando os carros a entrarem nas ruas, quando o semáforo está verde pro carro. O problema eh que Brasileiro não tem educação. Precisamos educar, se não sempre será essa mesma merda em tudo!

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  • Enquanto ainda existirem imbecis homicidas em potencial dirigindo automóveis, não adianta multar esse ou aquele.
    Existem multas pra excesso de velocidade, ainda assim os imbecis homicidas em potencial dirigem em alta velocidade quando sabem que ali não existe radar ou policial de trânsito para multá-lo.

    A “vontade” que alguns motoristas tem de que se multe também os ciclistas não é vontade de ver um trânsito melhor, isso nem passa pela cabeça deles. É uma vingancinha infantil, de quem pensa “ah, eu não posso, eles podem?” Por aí se vê o nivel dos imbecis homicidas em potencial.

    No fim das contas, somos todos pedestres. Mas acredito que quem está em cima da bike tem uma leve vantagem na questão moral, porque já se conscientizou que a cultura do “as ruas são para os carros” é ultrapassada e na verdade sempre foi errada, afinal ruas não foram construídas para carros (no caso aqui é preciso que as pessoas conheçam um pouco de História mas a maioria dos imbecis homicidas em potencial não tem muito amor aos estudos).

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    • Decio de Carvalho

      Luiz, concordo em parte com vc.
      Pergunte para alguém que tem uma criança pequena e que algum dia tentou andar de bike com o seu filho aos domingo na ciclo-faixa.
      A resposta será que ele não vai mais levar os seus filhos para a ciclo-faixa porque os ciclistas não respeitam quem esta andando e não querem crianças nem quem anda devagar andando nas ciclo faixa.
      A cultura de que as leis são para os outros e que cumpra a lei que me beneficie é cultuado por todos, seja os motoristas, motociclista, ciclista e pedestre.
      O termo a rua é publica esta deturpada porque cada acha que a rua é sua.
      Precisamos mudar isso. Os espaços publicos devem ser compartilhado do maneira ordenada.

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