Cicloquestionamentos para candidatos às prefeituras

Na matéria em que divulgamos as propostas iniciais dos candidatos à prefeitura de São Paulo para as bicicletas, o leitor que se identifica como “dmmg” fez um comentário tão pertinente que resolvemos publicá-lo de forma destacada e na íntegra. O leitor refere-se a São Paulo, mas suas perguntas podem ser adaptadas para qualquer cidade brasileira. Veja o que ele diz e faça seus comentários.

Todos com seu discurso artificial e pasteurizado sobre a bicicleta. Construiremos mais ciclovias, bicicletários, promoveremos a bicicleta, daremos mais segurança ao ciclista, seguiremos o modelo europeu… Essas são promessas genéricas e que já foram feitas N vezes nas últimas décadas. Acho que será um avanço ped

irmos propostas mais concretas, como por exemplo:

-Dos projetos de ciclovia não implementados pela prefeitura, qual o Sr. acha que é mais urgente e pretende construir primeiro?

-Pretende seguir o modelo de Paris, de Bruxelas (ou qq outra cidade europeia citada)? Estas cidades possuem diversas políticas para incentivar ao uso das bicicletas, a quais especificamente o Sr. se refere? (a resposta padrão será o aluguel de bicicleta, mas qual outra?)

-O Sr. pensa da possível proibição da circulação de bicicletas em algumas vias, como na Av. Paulista?

-Existem Shopping Centers, agências bancárias, supermercados e outros locais de interesse (inclusive órgãos públicos) que possuem estacionamento de carros protegido mas não possuem bicicletário e ainda dificultam o acesso de ciclistas às suas instalações. O que o Sr. pretende fazer a esse respeito.

-Qual sua opinião sobre a implementação do modelo “bike-box” nos cruzamentos?

São apenas exemplos, mas seriam perguntas que exigiriam que o candidato estudasse pelo menos por cima a questão da infra-estrutura ciclística (um resumo feito por algum assessor), e talvez quem for eleito faça alguma coisa. Além do que uma promessa específica é mais fácil de cobrar (embora neste país, promessa não vale quase nada).

A única que citou algo concreto foi a Soninha (o bike-box), mas pena que eu tenho muitas ressalvas a respeito dela. (Não quero prolongar nisso pois seria muito off-topic escrever os motivos aqui)

E, por último, conforme o Pedro citou antes, não adianta pedir o posicionamento sobre nenhuma política anti-carro (transporte motorizado individual) pois é tão inútil quanto perguntar se o candidato acredita em Deus. Nenhum candidato, durante a campanha, se posicionará de forma polêmica sobre esse tema.


7 comentários para Cicloquestionamentos para candidatos às prefeituras

  • Diego

    O Grande X da questão é o que James, muito sabiamene, comentou! Povo inteligente é aquele que não reclama, mas sim toma pra si a responsabilidade de fazer alguma coisa, como!? Cobrando os malditos políticos o qual estão lá, seja por qual meio eles entraram (nem sempre é por voto sob a Luz da Honestidade). Exemplo: Num desastre de Avião, os familiares entraram com uma ação conjunta (pois tem mais força e apelo jurídico) contra a cia. aérea. Que tal, todas as vezes que identificarmos uma irrularidade ou nos sentirmos prejudicados de alguma forma, entrarmos com ações públicas conjuntas contra determinado órgão? Vai ter um resultado mais efetivo do que apenas sermos uma massa com alto poder de reclamação e nenhum poder de ação.
    No meu ponto de vista de nada vai adiantar também um candidato apresentar propostas concretas e claras, pois será como estudar para o vestibular, fazemos de forma mecanizada o necessário para ingressar na faculdade, e assim farão os canditados pressionados, farão a lição de casa para conquistar a empatia do eleitorado, e no frigir do ovos talvez tudo tenha sido mais proposta de campanha. Monitorar o Sr. prefeito é o que a sociedade tem de fazer.

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  • Tem que adicionar nessa lista o que o candidato pretende fazer quanto ao suporte aos ciclistas no ponto final da viagem, no seu trabalho. Um outro leitor comentou de algumas leis de incentivo para outras áreas que poderiam ser usadas como base para leis de incentivo ao suporte ao ciclista no trabalho, no ponto final.

    Incentivos fiscais para que se tenha não só o bicicletário, mas também vestiário para o ciclista tomar uma ducha e guardar seus objetos sem se preocupar.

    Eu falo novamente, pagaria feliz da vida até uns 50 reais / mes por toda essa infra estrutura. Se em uma vaga de carro cabem 10 bikes, o dono de estacionamento que fatura hoje 300 por carro, faturaria 500 por 10 bikes no mesmo espaço.

    Acho que o investimento pode sair em conta se o governo ajudar.

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  • Bom dia

    Este leitor é bastante incisivo nos questionamentos. Sem dúvida que é preciso fazer cobranças e exigir proposta mais concretas. Mas para que se cumpram, as promessas, é preciso o acompanhamento das ações, dos políticos, pelo eleitor. Como sabemos que eles fazem promessas vazias, justamente por saberem que nos não acompanhamos os seus mandatos. Portanto só com a mobilização e pressão que conseguiremos ver as promessas saírem do papel. Quanto a Soninha, não tenho procuração para defende-la, mas a vejo com bons olhos pois ela é uma solitária defensora, tanto dos ciclistas como do meio ambiente e se votasse em São Paulo meu voto seria dela.
    Concluindo precisamos nos articular e participar da vida política do Brasil.

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  • Eu gostaria mesmo é de poder comprar uma bicicleta e não me sentir descriminado e umilhado, pois quando saio de casa eu vou pra rua de verdade, enfrentar carros de verdade, com motoristas de verdade, acidentes de verdade, buracos de verdade, chegando num tempo tão contrastante com a mobilidade por automóvel que parace de mentira.
    E de mentira, na minha opinião, são as ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas, legislação, políticas públicas para mobiblidade, e candidatos artificias que só mudam o título e as palavras chave dos seus discursos. Pois tudo isso ai não atende a necessidade e está longe de ser uma política pública.
    Acho até que eu também sou de mentira, pois tenho um blog sobre ir de bike pro trampo e ja faz um ano que não faço postagem, não vou a passeios ciclisticos, não faço mobilização pública, mas quero um lugar pra minha bike nas ruas.
    Fica fácil cobrar o pão na mesa quando é outro que sustenta a casa. Quero mudar e quero que todos mudem. Mas eu não sou quem trabalha de verdade.

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  • eser

    Eu acho o seguinte, ha um grande estímulo ao uso da bicicleta como por exemplo o BIKESAMPA do itau, ciclofaixas de lazer, e outros programas de incentivo ao uso de bike, mas a infraestrutura contemplando ciclovias, bicicletarios, acessos em pontes, acessos a ciclovia rio pinheiros, etc, na qual seria o mais importante antes de tudo, nada é feito, ciclovia da eliseu de almeida era pra estar pronta desde 2010, mais acessos a ciclovia rio pinheiros…. nada, e tantos outros projetos que nao saem do papel, temos que cobrar estas e outras obras cicloviarias de infraestrura aos candidatos a prefeito e vereador. Como diz o Datena “ME AJUDA AÍ OOO”

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  • Matheus Pereira

    Concordo absolutamente com tudo o que foi dito…Pelo menos aí em sampa os candidatos falam algo sobre isso.Aqui na região metropolitana de campinas estamos tão atrasados que os candidatos ainda prometem acabar com o trânsito construindo avenidas e marginais…Uma pena.

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  • Na minha opinião, a proposta da Soninha de cobrar pedágio urbano para financiar o transporte em massa pode ser de boa intenção, mas não funcionará. Em primeiro lugar porque a direcionamento de impostos já não deu certo em outras ocasiões, como no SUS por exemplo. Além disso sabemos que a politica de herança lusa de aumentar a arrecadação somente com o aumento de impostos é no minimo suicida. O paulistano usuário de carro por necessidade não vai abandonar este modal enquanto não houver uma boa alternativa

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