Conjunto Nacional retira bicicletário, mas volta atrás no mesmo dia

Foto: Fernando Stankuns, via Flickr

A informação começou a pipocar nas redes sociais: o Conjunto Nacional, um condomínio e centro comercial na Av. Paulista, próximo à Praça do Ciclista, havia retirado seu bicicletário, muito utilizado por quem vai de bicicleta à região. Rapidamente, a notícia se alastrou como fogo entre os ciclistas paulistanos. E as reclamações começaram a brotar como água.

A retirada

O bicicletário fica dentro do estacionamento do Conjunto Nacional, administrado pela empresa Estapar. Até algum tempo atrás, o espaço era do Instituto Parada Vital, que após perder o patrocínio de uma seguradora precisou encerrar as atividades no local. Os paraciclos continuaram ali, porém sem controle de acesso.

Na segunda-feira 18/06, Luciano Stefanini descobriu que retirariam os paraciclos ainda naquela noite. O motivo, segundo foi informado, seriam constantes furtos de bicicletas. Ora, ocorrem furtos e a solução é impedir o estacionamento? E se furtassem um carro, seriam proibidos também?

O leitor Bruno Camargo nos contou em e-mail, enviado na terça: “Gostaria de espressar minha indignação e revolta pela situação em que me vi hoje. Vou para o trabalho de bicicleta quase todos os dias e sempre deixei minha magrela no bicicletario do Conjunto Nacional. Pois bem, hoje chego por volta das 9h e eis que o bicicletário não existe mais”. Bruno ficou sem ter onde estacionar a bicicleta. No Twitter, Ricardo Yasuda confirmava: “já retiraram. Tem 2 carros no lugar neste momento”.

No Facebook, diversas pessoas reclamavam inconformadas, postando uma foto em que se viam dois carros onde antes havia pelo menos dez vagas para bicicletas. “Eu queria mandar um beijinho pro povo da Estapar que transformou um bicicletário inteiro em duas (eu disse DUAS) vagas no estacionamento do Conjunto Nacional”, dizia uma ciclista.

Em uma das mensagens, comentavam que o furto de uma Caloi 10 teria sido o motivo alegado pelo estacionamento para a proibição de bicicletas. “Triste…. eu sempre usava esse bicicletário”, comentou outra menina. “Como se ter espaço para esses 2 carros fosse resolver o problema”, foi outro comentário, completado por “não duvido que cada carro leva APENAS UMA pessoa”. Além, claro, de reclamações menos polidas.

Reclamações à administração

A jornalista Sabrina Duran entrou em contato com a assessoria do Conjunto Nacional, que inicialmente informou que eles “apenas cediam espaço para a Porto Seguro”, dando a entender que a decisão e a responsabilidade não seriam do condomínio. Entretanto, há uma lei em vigor na cidade de São Paulo (14.266) que os obriga a ter espaço para estacionamento de bicicletas.

Nesse meio tempo, diversos ciclistas ligaram na administração para reclamar e pedir a volta do bicicletário, um dos poucos espaços seguros (senão o único) para estacionar a bicicleta na região da Av. Paulista. A dona de um café no Conjunto Nacional – que por sinal dá desconto a ciclistas – reclamou junto à administração. Como seus clientes iriam estacionar?

Resultado

O Vá de Bike também procurou a assessoria através da página do condomínio na internet, provavelmente um pouco depois do contato da Sabrina. Pedimos confirmação sobre a retirada, perguntamos se estavam cientes da lei e qual alternativa ofereciam aos visitantes que chegassem de bicicleta. Rapidamente, recebemos a seguinte resposta: “a administração do Conjunto Nacional já contatou a Estapar e o bicicletário irá retomar suas atividades ainda hoje [19/06]“. A mesma informação começava a ser passada às demais pessoas que reclamavam sobre o caso.

À Sabrina, ainda deram a cereja do bolo: “não foi nada, o bicicletário só havia sido retirado para manutenção, tinha algumas coisas soltas, mas ele já foi colocado de volta hoje. Pode ir lá ver, está lá”. É, pelo jeito foi só um mal entendido, gente… Então tá!

O Vá de Bike pede aos leitores que informem se o bicicletário voltou de fato e se o direito de estacionar está sendo garantido e respeitado, de forma que o cliente que chega de bicicleta seja tão bem recebido quanto quem chega de carro. É o mínimo.


18 comentários para Conjunto Nacional retira bicicletário, mas volta atrás no mesmo dia

  • Artur

    Olá William,

    Acho que uma questão interessante a ser discutida é se os ciclistas deveriam pagar por utilizar o espaço desses estacionamentos privados. Confesso que ainda não tenho opinião formada, mas assumindo o ponto de vista de um proprietário de estacionamento, ao liberar espaço para a parada gratuita de bikes, ele perde dinheiro. Ou seja, ele só fará essa disponibilização de bom grado se houver um subsídio governamental ou do comércio em contrapartida.

    Parece-me bastante razoável que o ciclista pague proporcionalmente ao espaço que ele ocupa. Um bicicletário bem feito deve acomodar umas seis bikes no espaço de um carro, talvez? Então, bike paga 1/6 do preço. Gostaria de ouvir a sua opinião sobre isso. Como eu disse, eu ainda estou refletindo sobre essa questão e gostaria de ouvir mais pessoas. Um abraço!

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  • David

    Pessoal, o Estapar nao cuida mais do bicicletario do Top Center, mas o shopping oferece bicicletario sim apesar disto. Fica no piso -1.

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  • Mauricio

    Olá, fiquei sabendo que o Estapar do Top Center não aceita mais bicicletas, e me informaram que a unidade do Conjunto Nacional aceita mas só se você for em algum lugar do próprio Conjunto Nacional.

    Alguém tem alguma dica de estacionamento na região da Paulista que aceitem bikes???

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  • Rafael

    No Edifício São Luiz ( http://goo.gl/maps/Jd3b ), na Paulista, também tem um bicicletário Estapar. Alguém sabe se ele permanece lá ou mudou de lugar como o caso do Top Center? Faz tempo que não paro lá.

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  • Renata Lopes

    Lento são as empresas que ainda não perceberam que ter espaço para bicicletas atrai gente inteligente e consumidora. Dá ao lugar status de “consciente”, “bacana”, com uma “estrelinha positiva”.
    Acorda, galera!!! Daqui pra frente, teremos CADA VEZ MAIS gente pedalando por aí e precisando de locais seguros para estacionar bike!

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  • Pessoal, o artigo 8º da lei 14266 diz:
    “Os terminais e estações de transferência do SITP, os edifícios públicos, as indústrias, escolas, centros de compras, condomínios, parques e outros locais de grande afluxo de pessoas deverão possuir locais para estacionamento de bicicletas, bicicletários e paraciclos como parte da infra-estrutura de apoio a esse modal de transporte.”

    Estamos aqui discutindo de um caso isolado. E todos os outros shoppings (centros de compras), mercado e mercadinhos, e locais de grande afluxo como faculdades, bancos, etc, que não oferecem bicicletários? Se tivessemos essa infraestrutura em todo lugar como manda a lei, e de forma bem visível, aí teríamos mais um grande incentivo à adoção da bike como meio de transporte. Cruz, puxa isso aí, cara. Bora puxar a orelha dessa galera toda.

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  • Luciano

    Bom dia a todos.

    Pessoal,

    a empresa Estapar possui muitos estacionamentos em diversas cidades do Brasil (em 12 estados). Não seria o caso de aproveitar este fato ocorrido no Conjunto Nacional/SP (e que ela aproveitou para fazer um “marketing social”, inclusive anotando entradas e saídas e emitindo o bilhete para as bicicletas) para pedir que ela continue com esse procedimento e amplie para os seus demais estacionamentos?

    Não tem problema ela usar isso como uma ação de marketing social às nossas custas, contando que a reciprocidade seja na forma de locais seguros para as bikes.

    Creio que, mesmo que sejam apenas duas vagas por estacionamento, eles ainda estariam no lucro com tudo isso. É só disponibilizar essas vagas próximo aos funcionários já existentes.

    O que vocês acham?

    Um cicloabraço a todos.

    Luciano

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  • David

    Roberta: o bicicletario do Top Center ainda existe. A diferenca é que ele fica em outro lugar, e não é mais da Estapar. Ao entrar no estacionamenti, siga o corredor dos carros à direita e vá até o fundo do estacionamento, perto da placa da Runner. Apesar de parecer que o estacionamento é da Runner, creio que ele seja do shopping mesmo.

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  • Roberta

    O Ricardo João acima, citou um outro bicicletário da Estapar, referente a Reserva Cultural. Pelo que vi no mapa parece (sem certeza para não cometer equívocos) que é o bicicletário do estacionamento do Top Center, recentemente fui parar a bike lá e não havia mais o bicicletário da Estapar por lá.

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  • Dirceu

    Não sou de São Paulo mas, acompanho de perto o movimento. Acredito muito na gentileza que gera gentileza. Sugiro que, os movimentos organizados que se manisfestaram e tiveram esta conquista, que enviem elogio ao Conjunto Nacional e a Estapar, pela atitude positiva em reconhecer a necessidade dos ciclistas, de dar pronta solução ao caso e até de “reformar” o bicicletário para melhorar seu uso. Uma atitude de gentileza dos vencedores, demonstra, na prática, que são conscientes e autruístas e a nobreza do movimento!

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  • Estacionei no bicicletário restaurado hoje, está pela metade por enquanto. Mas agora tem um funcionário para anotar entradas e saídas, com comprovante da Estapar. Um aviso diz que o bicicletário ‘está em manutenção’ e ‘pede desculpas pelo transtorno’.

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  • Ricardo João

    Pessoal, apenas a carater de informação: há um bicicletário também próximo à Reserva Cultural, também da rede Estapar! Não cobram nada, mas também não garantem nada (e fazem questão de informar sempre que entra um ciclista no estacionamento). Fica bem aqui, ó: http://goo.gl/maps/P9M7

    Dá última vez que tentei ir ao cinema de bike descobri o estacionamento apenas depois de discutir muito com os seguranças, que insistiam que eu deveria prender minha bicicleta numa árvore.

    Pessoal, prender bicicleta em árvore é uma puta sacanagem, porque se quiserem roubar sua bicicleta vão destruir a árvore que não tem nada com isso.

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  • Rodrigo T.

    Pff, manutenção, sei… sentem lá, Cláudias.

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  • Gustavo

    Ontem quando estacionei a bike no bicicletario do walmart (Osasco), o funcionário que cuida do cercado das bikes me perguntou aonde eu ia.

    Isso é normal?
    No caso eu ia no banco dentro do walmart. Como estava com muita pressa nem questionei nada.

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