Estadão se posiciona a favor de punições a ciclistas

Título fala em segurança dos ciclistas, mas preocupação principal do texto é com sua punição.

Título fala em segurança dos ciclistas, mas preocupação principal do texto é com sua punição. Imagem: Reprodução

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Entre os jornais impressos, o “Estadão” costuma ter as matérias mais acertadas sobre o uso da bicicleta, seus problemas e as soluções que precisamos buscar. Tradicionalmente, a Folha é quem volta e meia se posiciona contrária ao uso da bicicleta nas ruas, sempre indiretamente, usando seus “colunistas polêmicos” para esse trabalho (mas há de se reconhecer que várias matérias boas têm saído sobre o assunto nos últimos tempos).

Por isso, me surpreendeu bastante a falta de visão do editorial de hoje (24/05/13). O texto coloca a ausência de capacete como “agir acima da lei” (mesmo não sendo item obrigatório) e vende a ideia de que ciclistas usam contramão e calçadas por “solene desprezo” às regras de trânsito. Para o autor do texto, o descumprimento dessas regras seria resultado de uma “atitude superior” por parte de quem anda de bicicleta – não por sensação de segurança ou por falta de informação.

O Estadão afirma ainda que “é preciso encontrar meios legais para punir os maus ciclistas que agem dessa forma”, forçando-os a passar por situações de risco em vez de se preocupar em eliminá-las – o que, em última instância, faria naturalmente com que os ciclistas deixassem de ter a maior parte das atitudes criticadas no texto.

Veja bem, meu caro senhor da sociedade tradicional, que só consegue enxergar o mundo de dentro do automóvel: ciclistas usam a contramão e as calçadas porque 1) foram ensinados a fazer isso ao longo das últimas décadas, inclusive por autoridades policiais e 2) não confiam nas pessoas que não aceitam as bicicletas nas ruas, que se aproximam pelas suas costas em alta velocidade. Em um próximo texto, pretendo esmiuçar essa questão e esclarecer por que tantos ciclistas desrespeitam as leis de trânsito. Certamente não é por “atitude superior”.

É preciso começar consertando o que está errado, não punir quem não consegue se adequar aos problemas do viário e desrespeita as regras que, em sua percepção, colocam em risco sua vida.

Contramão e calçadas devem ser evitados

O Vá de Bike é contrário ao tráfego de bicicletas na contramão, exceto se devidamente sinalizado pela autoridade de trânsito, de forma que os motoristas percebam o ciclista se aproximando. Apesar da aparente sensação de segurança ao ver os carros se aproximando, pedalar na contramão coloca o ciclista em grave risco (saiba mais aqui).

Também defendemos o respeito absoluto aos pedestres, que compõem o elo mais fraco do trânsito. Pedestre deve ser respeitado na calçada e no asfalto, tendo prioridade de travessia ainda que esteja fora da faixa – algo que nossos motoristas ainda precisam aprender.

Não é colocando a vida ou integridade física de alguém em risco que se prova que a pessoa está tendo uma conduta inadequada. Isso vale para motoristas e ciclistas nas ruas, mas também para o editor de opinião do Estadão. Atiçar a fogueira da “disputa” entre ciclistas e motoristas (algo que raramente vejo ciclistas fazendo) só faz aumentar o desrespeito no trânsito – e certamente não serão os motoristas que pagarão com vidas, membros e entes queridos por esse erro.

Afirmações de que ciclistas devem ser punidos imediatamente e que a lei e o poder público não fazem isso, principalmente derrubando todos que usam a bicicleta ao patamar de irresponsáveis e desrespeitadores de leis, é dar lastro às atitudes criminosas dos maus motoristas, que colocam em risco a vida de pessoas que circulam em suas bicicletas apenas para provar um ponto de vista – por sinal, extremamente equivocado, como o editorial do Estadão.

Mais uma ressalva importante cabe aqui: a maioria inegável dos motoristas respeita ou ciclista, ou pelo menos acredita fazê-lo. São muito poucos os que colocam propositalmente em risco as pessoas que estão nas bicicletas, mas é uma minoria que agride, assusta, mutila e mata. Esse comportamento não pode ser incentivado de forma alguma, nem mesmo indiretamente.

Quem responde pelo editorial
Segundo o mini-expediente presente no topo da página do editorial, na versão impressa, o Editor de Opinião é o jornalista Antonio Carlos Pereira.Especializado em política, estratégia e assuntos militares, atua no conselho diretor do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e já foi condecorado com a Ordem do Mérito Aeronáutico, Ordem do Mérito Santos Dumont, Ordem do Pacificador, Ordem do Mérito Militar e Ordem do Rio Branco.

Ruy Mesquita, falecido em 21 de maio de 2013, era o Diretor de Opinião nos últimos 60 anos, cargo superior ao de Antonio Carlos Pereira, sendo o responsável de fato pelo que entraria no editorial. O expediente da versão impressa não informa quem está no cargo desde então.

Editorial reflete posicionamento

Por não ser assinado, o editorial de um jornal evidencia expressamente a opinião do veículo de comunicação e do grupo que está por trás dele. E é isso que mais assusta: um dos jornais de maior circulação no país culpabilizar os ciclistas pelas falhas – históricas e pontuais – nas políticas públicas de uso do espaço viário e se posicionar claramente a favor de puni-los por isso.

Ao apontar o dedo para os ciclistas infratores ignorando todo o entorno, o jornal demonstra grande miopia para a questão da mobilidade urbana em duas rodas sem motor e, principalmente, para as soluções que precisamos buscar. Fica a impressão de que as matérias positivas que vemos só são publicadas, além da insistência e competência dos jornalistas que as produzem, pelo interesse em agradar o consumidor do produto jornal, travestindo-se de politicamente correto.

Como assinante da versão impressa, me senti profundamente decepcionado. Espero que os bons profissionais que compõem a redação do jornal, bem informados e em sintonia com os novos tempos, possam continuar tendo a liberdade de produzir matérias de qualidade sobre o assunto, trazendo discussões positivas e produtivas para a bicimobilidade em São Paulo e, por tabela, em todo o país.


80 comentários para Estadão se posiciona a favor de punições a ciclistas

  • Carlos

    Falando em RH, como o OESP ainda tem caderno de empregos, o editorial tem também um gancho no sentido de aproximar os anunciantes de vagas, já que eventualmente, já deve ter candidatos perguntando sobre estas infraestruturas nas empresas que oferecem vagas, como benefício ou diferencial. Coisas de cultura empresarial, pois vale transporte faz parte de alguns benefícios padrões. Se houver infraestrutura para os ciclistas, ou melhor, este benefício pode ser totalmente opcional ou obrigatório e com adicional de ter local para bicicletas ( estacionamentos de empresas entram no caso de vagas para bicicletas ? ), o que pode ser um problema … para empresas ( como investimento ), pois mal conseguem lidar com esta legislação trabalhista CLTista, contratando profissionais com empresa aberta, etc …

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    • Opinião!

      CICLOVIA OU TEIMOSIA? PRECISDA SER NA AV. PAULISTA?

      O direito de uns começa onde o de outros termina.

      SE NÃO É SOLUÇÃO, SE O CICLISMO É MAIS UM ESPORTE, Que se limite aos espaços de ruas, avenidas, praças e periferias onde o comportem sem danificar ainda mais o já caótico trânsito.

      E, ainda que se crie em cada periferia compatível das regiões norte e sul e leste oeste, “CICLÓDOMOS”, assim como o AUTÔDROMO de Interlagos.

      Não flagele mais o drástico trânsito de São Paulo, por algumas dúzias de ciclo trabalhadores, centenas de esportistas, com prejuízo a milhares de motoristas. Uma mera questão de bom senso, coerência e opção.

      Para os esportistas, que se escolham locais e espaços mais adequados… Vários…” CICLÔDOMOS” em locais compatíveis.

      Ciclistas: trabalhadores ….(?!) %
      Ciclistas esportistas…….. (?!) %
      Motoristas trabalhadores (??!) %
      Coerência e bom senso técnicos.

      E.T. E qual é a opinião dos fabricantes de bikes?

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  • Carlos

    Voltando para o OESP. Seria interessante como é a cultura ciclística no jornal. Se lá tem local para ciclistas, como vestiário, bicicletário, paraciclos, etc … No passado, possivelmente, teve esta infraestrutura. Como essas coisas ficou para o pessoal do RH, acho que também parte da cultura de “carro” foi pelo fator custo ou pela essa cultura do RH em desenvolvimento de pessoal.

    Como moro no Jaguaré, a Editora Globo tem sua sede na Av. Jaguaré, em nenhum momento ela teve expressão pró-bicicleta. Já que a Av. Jaguaré, é o seu cartão de visitas. Curiosamente, no início da Av. Jaguaré temos um heliporto, a Helicidade. Para dizer um pouco da cultura local em transporte …

    Veja que há várias questões envolvidas neste editorial. Se pensar um pouco mais, vamos descobrir algumas questões interessantes …

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  • Daniel Jones

    Infeliz texto do Estadão. Apesar de reconhecer que há ciclistas andando na contramão, pedalando (em ritmo veloz) na calçada, avançando o sinal verde para pedestres quando há grande movimento, penso que estes são casos de uma minoria. O foco deve ser na educação maior tanto para motoristas quanto para ciclistas. Há um grande número de novos ciclistas em SP e estes apenas precisam ser educados e amparados pelo poder público. Este mesmo poder tem que antes de punir, garantir os direitos e a segurança do ciclista.

    Procuro fazer a minha parte: respeito as normas de trânsito, sinalizo, respeito os pedestres e nestes anos de experiência, não tive grandes problemas com os motoristas. Respeito para ser respeitado. Por causa deste texto do Estadão, não tenho mais interesse em ler suas matérias.

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    • Carlos

      Não devemos por um valor sentimental nestes textos, sendo uma empresa jornalística séria e de anos cobrindo os acontecimentos desta cidade e do estado, com grande probabilidade é um texto bem pensado. Ao responder reacionariamente ao texto, vemos o quanto o editorial do OESP tem razão.

      Você julgaria um livro pela capa ? Editorial, apesar de ter um peso, é como uma capa de um livro. Pode ser de mal-gosto, mas continua a ter conteúdo. Esta visão simplista de que a capa já é o suficiente para validar um grupo de pessoas, que seria a empresa OESP. É como julgar o Brasil pelo presidente, ou a Venezuela pelo presidente. Todos os brasileiros são como o presidente ? Certamente que não. Os ciclistas é a mesma coisa. Agora, todo uma coleção de pessoas deva ser penalizado por causa de alguns ? É o que geralmente acontece no dia-a-dia. E onde é que está o problema ? Na minha opinião, o problema está na atitude de todos, porque não se envolve quando há uma infração ou uma contravenção que está em curso. Envolvimento digo no sentido de já informando as autoridades, ou, dependendo da peliculosidade do ato, que deve ser mais fácil de lidar individualmente, puder dar um aviso de cidadão, de que não deve fazer o ato. Isto é uma punição, mesmo que seja uma repreensão, embora a gente pense que punição deva envolver um bloco de multas, ou cadeia, ou trabalhos comunitários. E todo mundo pensa que há tanta impunidade aqui nesta cidade … bem vemos até as mais simples delas há falta, não pelo poder público, mas pela omissão de pessoas que tem educação.

      Deste modo aquele artigo do Renato Janine Ribeiro, se o ciclista se importa com a democracia entra como balizador da questão: Será que nós ciclistas temos auto-controle ? E, por tabela, que nós como supostos cidadão somo agir como agentes da democracia ?

      Pelo histórico, vimos que temos muita coisa contra, e, pouco a favor. Por isto, que proponho que os ciclistas no modo em geral também desenvolva e aprenda a ser mais civilizados e mais cidadãos. É o que podemos dar em troca das melhorias que exigimos. Este editorial do Estado de São Paulo, acho que não existiria se tivéssemos partido de uma proposta mais abrangente de mobilidade. O discurso nosso parece o de sempre exigir, e não de oferecer. Se você ver o vídeo da Renata Falzoni, mostra alguma destas oferta. A declaração da Aline aos 15:15, de passar de contra-carro para pró-bicicleta é uma mudança que todos deveriam passar. A ação de Police Neto, é mais direta. Bem, o que pode ser ofertado, está no vídeo, que é muito interessante.

      O editorial do OESP, tem na minha visão como um desafio: que seremos capazes de transformar uma sociedade, com a nossa proposta de estilo de vida, sem que com isto crie mais discriminação, que muitos estão a fazer ? Parece que dá a impressão de exclusão do que inclusão. Seria interessante um dia o OESP vier com uma retratação como resultado da ação de inclusão, e de várias ações mais sustentáveis. Vamos provar que não é necessário punir os ciclistas, pois temos mais auto-controle e uma consciência mais comunitária, e somos mais responsáveis e capazes de criar uma cultura e de uma qualidade de vida mais sustentável.

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  • Valdemir

    Só complementando, acho assim as leis de transitos deveriam ser iguais a todos os meios de transporte inclusive a bicicleta, é errado um ciclista subir uma calçada, entrar em muma rua na contramão mesmo que no cantinho, se antecipar as vezes aos carros e motos e cruzar um farol etc etc, tudoisto é errado até ai a gente não discorda.

    Agora convenhamos que a lei previlegia e garante o espaço do carro, moto, onibus e caminhões nas ruas, avenidas e estradas mas se esquece totalmnte da existencia da bicicleta como meio de transporte, cadê nosso espaço por direito para transitarmos tranquilos e seguirmos as mesmas leis dos outros veiculos???? Cadê???

    Na calçada não pode subir ! Mas na Ciclofaixa e na Ciclovia que ” teoricamente ” seria um espaço para as bicicletas, pode ter de tudo até gente empinando pipa que corta o pescocço do ciclista!

    É assim realmente fica dificil, não sei quando nem como, mas muita coisa precisaria mudar !

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  • Ricardo José Camara

    Tempos atrás, acho que na era Sarney ou Collor, quando a Coréia do Sul começou a se firmar como potência econômica desenvolvida num mundo onde só de falava de EUA e Japão, li um artigo que comparava a Coréia com o Brasil. Falava que algumas décadas antes disso o Brasil e a Coréia do Sul eram países semelhantes em termos de desenvolvimento econômico e social, quando resolveram agir em busca do crescimento. O Brasil optou por investir em infraestrutura e a Coréia do Sul em educação. A Coréia chegou à posição de potência econômica mundial e o Brasil não tinha deslanchado.
    A reportagem fala da irresponsabilidade do poder público de não ter investido em infraestrutura cicloviária antes de estimular a atividade ciclística. Acho que a irresponsabilidade do poder público está em não investir em educação do cidadão, seja pedestre, ciclísta ou motorista. Todos têm seus representantes irresponsáveis.
    O outro problema é a falta de informação, que aliás e a base da educação. Muita gente não sabe a diferença entre ciclovia, ciclofaixa, via compartilhada, etc. Sugiro inclusive ao Willian Cruz e até a outros meios de comunicação, uma matéria exclusiva sobre isso.

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    • Cícero Soares

      Ah, tem esse post aqui, Ricardo: http://vadebike.org/2011/05/ciclovia-ciclofaixa-ciclo-rota-e-espaco-compartilhado/

      (Hum, mas deixa eu fazer um adendo, vai?)

      É que prometi lá em cima dar uma destrinchadinha no populismo conservador que diagnostiquei nesse editorial do Estadão (putz, Estadão conservador?, tsc, óbvio ululante), mas, você falando em irresponsabilidade do poder público em não investir em educação”, nisso de “a informação é base da educação”, e por aí vai… Meu, isso me fez brochar de vez, vou ficar devendo, tá?

      Tá, o que você falou tá certíssimo, 100% na mosca, melhor diagnóstico de fundo, impossível, só que, por tabela, o que você falou me fez descobrir o motivo de eu ter brochado federal em tentar esclarecer melhor aquele meu diagnóstico. Assim: que a desinformação e a irresponsabilidade dessa “educada” elite que comanda a grande imprensa tradicional é, sobre o assunto, tanta, mas tanta, e tão assustadora que…

      Meu, olha só: tenho dois meses de bike, e durante esses dois meses fiquei que nem doido tentando me antenar minimamente das políticas públicas que, de uma forma ou outra, envolvem a modal bike no mundo todo. E em apenas dois meses, não mais do que em dois meses, me deparei com tantas, mas tantas soluções colocadas ou em vias de ser colocadas em prática, soluções pontuais, de médio e de longo prazo, soluções ora exclusivas, ora híbridas, de compartilhamento, de traffic calming e o escambau, soluções ora soluções complexas, ora mais ou menos, ora soluções simples mesmo, medidas populares ou impopulares ou que nem cheiram nem fedem, mas tantas, tantas soluções que seriam possíveis ou imagináveis de serem aplicadas às nossas múltiplas realidades urbanas que, em relação ao editorial, só me restou ficar pensando no seguinte:

      Como é que alguém que vive a vida toda em função da informação e de processá-la mentalmente, como esse Antonio Carlos Pereira, pode ser tão desinformado, logo, tão ignorante, logo, tão irresponsável em reduzir tudo de possível e imaginável, e com tanta pompa e majestade, àquelas simplórias “duas providências”? (Tá, se você souber um pouquinho da biografia do cara a coisa logo se explica, que não poderia se esperar dele outra mera opinião formada sobre isso mesmo, mas…)

      Meu, é ou não é poder demais pra alguém com tamanha limitação informativa e de pensamento, hein, hein? E aí não dá outra, Ricardo: meu, é super broxante! rs.

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    • Ricardo, ia lhe passar exatamente esse link que o Cícero colou no comentário dele. Esse meu texto explicando as diferenças já virou referência e ajudou muito jornalista da mídia tradicional a entender o que é cada tipo de estrutura.

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      • Ricardo Camara

        Valeu Cicero e Willian. Segui o link e gostei da matéria. Gostei também do complemento abaixo, do Valdemir. Ciclovia, cicloisso, cicloaquilo, pelo menos aqui no Rio é uma zona. Inclusive as vias compartilhadas de carros e bicleta os pedestres entendem como uma extensão da calçada, muitas vezes onde tem calçada de sobra. Não dá para entender.

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  • Odilon

    Entendo o ponto de vista do Sérgio. O motorista deve se sentir ofendido quando vê algum ciclista infringindo as leis de trânsito sem qualquer ação punitiva das autoridades. Entretanto o motorista deve entender o quanto a utilização do carro particular é prejudicial à sociedade. Ao sair nas ruas com seu carro ele prejudica o meio ambiente, faz barulho e ocupa espaço. Espaço esse que poderia estar sendo utilizado para construção de parques, escolas, casas, etc. Além disso as vias cada vez maiores para comportar o número de carros mutilam a paisagem urbana, a grande quantidade de asfalto impermeabiliza o solo e causa enchentes. Mais ainda, os carros pelo seu tamanho e velocidade que atingem são verdadeiras armas apontadas para todo cidadão que transita pelas ruas.
    Por esses motivos, os carros devem sim, pagar mais impostos e estarem sujeitos a atuação mais rígida do estado. O que se paga de imposto (CID, IPVA, etc) serve como indenização por todo mal que o carro particular faz à sociedade. E está muito barato!
    Dito isso, se o estado resolver começar a multar os ciclistas que infringirem as leis de trânsito, que multem! Quem não deve não teme. Mas que multem também os carros que tiram finas dos ciclistas e estacionam sobre as ciclovias. O ônibus que param fora do ponto e deixam os passageiros descerem no meio do trânsito, O pedestres que andam pelo meio da rua e lendo jornal, como se tivessem dentro da própria casa, e por aí vai.

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    • Newton

      As pessoas usam carro porque a prefeitura não dá suporte através do transporte coletivo. Se por acaso um dia todos os motoristas resolvessem deixar seus carros em casa, instalaria-se o caos no transporte público.
      Os carros deveriam pagar mais impostos? Você fala como se fossem poucos os que os motoristas pagam. E por ironia, esses mesmos impostos servem para financiar obras da prefeitura, inclusive as ciclovias e a cracolândia “oficial” do Haddad.

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  • Valdemir

    Willian! Muito bem colocado este trecho do texto! PARABÉNS!!!! Você foi perfeito!!!

    Veja bem, meu caro senhor da sociedade tradicional, que só consegue enxergar o mundo de dentro do automóvel: ciclistas usam a contramão e as calçadas porque 1) foram ensinados a fazer isso ao longo das últimas décadas, inclusive por autoridades policiais e 2) não confiam nas pessoas que não aceitam as bicicletas nas ruas, que se aproximam pelas suas costas em alta velocidade. Em um próximo texto, pretendo esmiuçar essa questão e esclarecer por que tantos ciclistas desrespeitam as leis de trânsito. Certamente não é por “atitude superior”.

    Quem sabe no dia que a gente tiver neste pais uma estrutura decente e segurança, os ciclistas não precisem subir na calçada ou então pegar um trecho na contramão por não ter outra rota alternativa, é sempre assim cobram mas não dão a menor estrutura para as pessoas,isto só pode ser uma piada e de mal gosto!

    Infelizmente alguns setores da imprensa que deveria apoiar os Ciclistas e o uso cada vez mais das bicicletas, não o faz! Parece que estas pessoas tem um certo rancor contra as bicicletas, é realmente uma pena, mas o negócio é a gente nem dar bola, não vai ser meia dúzia de jornalistas deste nipe que vão incomodar milhares de Ciclistas no Brasil!

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  • Anderson Araújo

    Multar ciclistas é quase o mesmo que multar pedestres por desrespeitar a sinalização, quem oferece mais risco ao transito, um veiculo de 10 kg a 20km/h ou de 1000 kg a 80 km/h? Se a fiscalização vigente não é eficaz nem ao menos para reduzir o numero de mortes causadas por automóveis, qual o efeito ela terá nas bicicletas? Alem é claro, de desestimular o uso da bike.

    Os ciclistas usam as calçadas, mas por que muitas vezes a condição de trafego na rua é impraticável. Os ciclistas passam o sinal vermelho, mas por que muitas vezes o semáforo não tem um espaço seguro destinado a ele. Andar na contra mão pra mim é irracional e isso sim deveria ser seriamente combatido (quando uma situação muito exageradamente específica exige isso, é melhor trafegar pela calçada, desmontado junto aos pedestres).

    O problema dos ciclistas é muito simples, uma campanha publicitária bem feita e permanente resolveria o problema melhor do que multas (dinheiro pra isso a CET tem de sobra), não seria agressivo contra os ciclistas e estimularia o uso da bike.

    O que eu gostaria de ver era uma caçada contra motorista malucos, penas mais duras, fim das carteiras compradas, preferência total para o pedestre, treinamento continuo dos motoristas de ônibus, ações que realmente tragam segurança ao nosso transito, não essas medidas interesseiras que nosso meios de comunicação vivem criando.

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    • Carlos

      Na minha opinião, nós ciclistas, devemos demonstrar melhor civilidade.

      Quando encontro com ciclista pedalando na calçada, geralmente quando eu e outros estamos esperando no ponto de ônibus, para que ande devagar e empurrando a bicicleta. e que peça licença. Várias vezes, estava esperando no ponto, levo susto quando um ciclista passa raspando, mesmo, nas minhas costas, sem pedir licença ou anunciando a presença ( o sinal ou falar “Com licença !” ). Na Av. Jaguaré, é frequente ciclista trafegar pela calçada, e o ponto de conflito é justamente nos pontos de ônibus. Quando sou ciclista, ou ando na via ou trafego no canteiro central da avenida, justamente para evitar a calçada onde estão os pontos com pessoas esperando por ônibus. Creio que cada um de nós somos educadores e devemos mostrar exemplos. E, para que a convivência com ciclistas seja mais harmoniosa, quando possível pleiteio uma ciclovia ou pelo menos a reforma das calçadas no canteiro central da Avenida Jaguaré.

      Quanto ao OESP, ela tem o direito de opinar, aliás o OESP tem uma mordaça imposta pela justiça de não fazer comentários sobre Sarney e sua família. Se eles tem este direito, nós também temos, podemos opinar escrevendo para OESP, civilizadamente, discordando educadamente sobre o posicionamento. Uma forma de retrucar é explicando que já houve na história da cidade de São Paulo, que o jornal foi distribuído por ciclistas, seja para as bancas como para as residências. Longe de suscitar nostalgia. O sucesso do OESP se deve a ciclistas do passado, e, que desta forma está negando o seu próprio passado, e, com o avanço da vida digital, o espaço de divulgação cada vez diminui. Ressuscitando alguma bicicletas de entrega de alguns bairros nobres pode ser uma ótima sacada de marketing, além de ajudar os ciclistas e a si próprio. Bem esta seria uma forma de mudar a idéia do editorial, e arranjar um aliado para a mobilidade nesta cidade. Bem isto é uma ideia, com certeza que temos aqui entre nós, pessoas com melhores idéias que a minha. Quem é capaz de relacionar com o jornal, sem seguir a linha reacionária ?

      Como observação, o jornal Metro, que leio com frequência, na sua versão digital em PDF, tem mostrado o dia-a-dia dos paulistanos, e também de ciclistas, que na edição de Nova Iorque noticia a inauguração do equivalente ao Vélib de Paris, e ao BikeSampa aqui de São Paulo: Citi Bike ( é isso mesmo com i no final ), com 330 estações ( maiores que as nossas ) e com 6 mil bicicletas. Talvez seja um bom argumento contra este editorial do OESP, que está com modelo de negócio ultrapassado, com cadernos especializados para venda de carros, imóveis e oferta de empregos. Já faz mais de uma década que não leio o OESP, frequentemente, só esporadicamente. Mesmo na sua versão Jornal da Tarde ou outros … Quem lê o OESP ( ou JT ) geralmente quem tem carro ( o que explica o JT ter um cadesno de automóveis que virou referência … ).

      Andando de bicicleta, nós temos o trabalho de demonstrar que é possível usar a bicicleta na cidade: o próprio William Cruz é exemplo. E, lembrando a Massa Crítica, devemos ser civilizados e também convencer para as pessoas que estão ao nosso redor, que agindo civilizadamente e sendo cuidadosos, podemos cada vez mais usar a bicicleta de forma segura, econômica e saudável. Por isto, não somente devemos ter educação para os outros modais, mas como para nós, que devemos aprender ser mais civilizados, mais pró-ativos, mais sensatos e atuantes. Devemos nos preparar para estas reações contrárias. Não devemos agir da mesma forma que os nossos colegas de trânsito, os motociclistas, que também sofrem no embate com os veículos motorizados de quatro ou mais rodas.

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      • Cícero Soares

        Nossa, Carlos, essa idéia (e recuperação histórica) de entrega de jornais por ciclistas, ao lado de servir de réplica ao editorial ou de mera nostalgia, é muito, muito sugestiva. Imagina só o tanto de serviços de entrega (com a devida disciplina, claro), complementado os de motoboys, que poderiam ser feitos por ciclistas, é uma baita economia reprimida aí. (Ah, é, o Willian volta e meia promove esses serviços de bikeboy, né? Legals.)

        Mas tem um ponto que eu gostaria de enfatizar, Carlos, isso do direito de o Estadão opinar:

        Sim, claro, é isso aí, concordamos em concordar, e antes de ser constitucional, como o é de qualquer cidadão, é um direito “natural”, ponto pacífico. Mas peraí, peraí… uma instituição de porte como o Estadão se valer de uma fraqueza de argumentos que seria perfeitamente compreensível a um cidadão qualquer, que facilmente se escandaliza e detona o ciclismo urbano em geral ao testemunhar um ou um punhado de maus, arrogantes e perniciosos ciclistas…?

        E ficar só nisso, nessa rasa generalidade, se limitando a pedir obrigação de civilidade e estrutura cicloviária segregada? Pô, isso é reclamação de qualquer mané (como eu, que a maioria das vezes sou)! Então a conclusão que chego é que o Estadão tá é pedindo voto pro mané (e, como você bem apontou, pro tradicional mané motorizado individual, ou o mané a pé que sonha um dia ser todo dia um motorizado individual), longe de abrir ou difundir uma discussão séria com os gestores governamentais e a sociedade sobre como inserir plenamente a bicicleta no sistema viário.

        E, Carlos, quem “frequenta” o Vá de Bike e outros meios de informação especializada (tirando um ou outro aí, claro), sabe como ou pelo menos está suficientemente informado sobre como se comportar no trânsito (com a devida margem de segurança aí, né?),

        Mas, Carlos (e isso é o que quero enfatizar), a gente não tá falando nem daquele nem dequele outro “bom” ciclista, nem daquele nem daquele outro “selvagem” da bicicleta. A gente tá falando é de um sistema pra milhares de ciclistas, pra muito além dos bons e dos selvagens, a gente tá falando de transporte de massa. E, pô, não há um linha sequer do editorial que mencione, por exemplo, campanha educativa pras massas! E jornal pode ser considerado um meio educativo de massa, não é? Mas não, o editorialista parece sim ter feito questão de apenas propagar o mimimi (ah, e olha só a pitada de malícia desse “expediente populista”: quase dá pra entender que somos os algozes privilegiados de idosos e crianças) e a deseducação.

        Deseducação? Como assim, deseducação? Leia com cuidado e você perceberá a malícia fundamental desse editorial: ele faz subentender que os ciclistas já estão todos a salvo!, e então que só depende de nós, de nossa obrigação e punição, que todos fiquem e continuem à salvo! Pois tá lá, com todas as letras:

        “Mas, para garantir a sua convivência harmônica com os veículos automotores, é preciso que daqui para a frente os ciclistas comecem a fazer a sua parte.”

        “Mas para isso é indispensável que os ciclistas cumpram suas obrigações.”

        E no cuzinho das obrigações editorialistas, não vai nada? rs.

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        • Carlos

          Olá Cícero,

          Sei que a posição do OESP é polêmica. E, como sendo um jornal que no período militar estava alinhado com o governo e os interesses econômicos da época. Devemos não ser reacionários, mas tentar resgatar a história, e tentar entender o posicionamento do jornal. Creio que muitas das relações daquela época estão ainda em pé. Lembra-se da Monark ? E veja a recuperação da Caloi. Na época da ditadura, até houve greves nestas empresas, numa delas foi feia. Estes fantasmas da ditadura perduram ainda hoje, e, possivelmente, muitos dos atuais dirigentes de jornais, podem ter sofrido algo deste período ( afinal década de 70 e 80 não são tempos antigos assim ). Então, creio que em nome da integração e bom entendimento é bom tentar entender a história e as posições.

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          • Cícero Soares

            Cara, sei não… Digo, não sei se essa posição teve o objetivo de polemizar. Seguindo o que eu caracterizei antes, nenhum populismo objetiva primordialmente polemizar, digo, polemizar pra fervilhar o debate, por aí. A não que ser que se defina o catalizador de marias-vão-com-as-outras como polemista, ou que se defina o golpista como tal.

            Hum, vai: de repente o Estadão resolveu simplesmente contrapor-se às posições do cicloativismo só pra marcar posição, vai saber, né?

            Quanto ao alinhamento histórico do Estadão… Meu, tudo bem, a gente, hoje, até pode dar um desconto, dar uma “anistia” ao Estadão. Que Estadão não é só editorial, né? Que uma coisa que eu já saquei (aliás, o Willian faz menção a isso neste post) é o alinhamento correto do, hum, baixo clero dessa empresa jornalística às questões que envolvem a bike. Tem uma pá de jornalista sério trampando no Estadão, gente séria que faz jornalismo sério. Ó só, nessa matéria até o Willian é “consultado”: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,sp-predio-novo-e-reformado-deve-ter-vaga-para-bikes,1037198,0.htm

            Agora, com dirigente de mídia cujo poder de opinião é usado pra desinformar e desvirtuar o debate… Carlos, com esse tipo de gente não tenho, nunca tive, nem nunca terei tolerância, não.

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  • tiagobarufi

    A pessoa que escreveu o editorial não prestou atenção. Ou agiu com má-fé?
    É claro que eu acho irritante ter desviar de um maluco que vem na contramão. É desagradável ser ameaçado por uma bicicleta na calçada, como às vezes acontece. O que escapa à avaliação do articulista são as consequências que a generalização traz.
    Qual o agente que vai ter a desfaçatez de aplicar multa em quem pedala na calçada pra evitar ser atropelado? Que tipo de pessoa vai assumir a responsabilidade por provocar a morte de alguém, só pra manter as aparências de rigorosa aplicação do código de trânsito? E quem vai ser o desatinado que vai reprimir o entregador de água que pedala uma cargueira lenta na contramão pra se poupar uma subida?
    É nisso que o senso comum tem prevalecido sobre a interpretação tacanha. Sentado em seu carro irritado com o trânsito parado, o editorialista é só mais um que enxerga nas bicicletas um estorvo, e no ciclista um aproveitador. Quem está na rua nota que esse problema é irrisório frente ao abuso corriqueiro que o uso do carro particular representa. Falta explicar os dez atropelamentos por dia, as quatro mortes de pedestres causadas por carros e motos, nenhuma delas por bicicletas. Falta perceber o rotineiro desrespeito a semáforo, uso de celular e abuso de velocidade que não são reprimidos. Falta vergonha na cara ao jornalista, que finge defender a aplicação estrita da lei mas está apenas se aferrando a seu modo de vida obsoleto. Longa vida ao jornal para forrar a área de serviço dos apartamentos.

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  • Paulo

    Na minha opnião, andar na calçada não deveria ser proibido desde que o ciclista não abuse da velocidade, porque países como o Japão que é bem civilizado permitem bicicletas nas calçadas e na contramão também. Lá os ciclistas e pedestres são bem respeitados pelos motoristas, lá os pedestres quando alguém toca o sininho da bicicleta dão passagem para o ciclista, todos convivendo em harmonia é o que o Brasil deviria seguir como modelo.
    Não acho justo a bicicleta seguir as mesmas direções dos carros porque não possui motor e conforto como o carro. Um exemplo são 2 ruas paralelas com sentidos opostos de direção dos veículos, só que 1 possui uma ladeira que depois teria que subir outra ladeira e a outra rua permite seguir sem ladeira.

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    • @NunoMorelli

      Concordo, mas ainda faço um complemento: Cada país ajusta sua lei de acordo com suas lutas internas X suas próprias necessidades… obviamente, não?

      Então, pensa comigo: precisamos encontrar um ponto comum de acordo com o que for viável para o atual momento, se der pra melhorar agora, ótimo.. se não melhorar, continuar reivindicando. Não creio que temos que seguir à risca o que vemos só no exterior, são só exemplos de que caminho seguir, cada nação teve seu reconhecimento ciclístico de acordo com os resultados de seus próprios conflitos e entendimentos sobre o mesmo assunto.

      Toda luta por direitos implica em deveres correlacionados, e culminam num resultado, ora definitivo, ora proporcional a mudança. O que não podemos é esquecer do que nos motiva e dá razão.

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  • Rosana

    Andar na calçada é tão ruim, porque a maioria delas é péssima, que pedestres escolhem andar nas ciclovias que (às vezes) existem bem ao lado. E esta escolha também reflete uma obviedade, de que a bicicleta não é vista como um risco pelo pedestre. Por isso essa arenga de multar quem pedala na calçada só terá sentido quando houver segurança para que um ciclista ande na rua. O mesmo aplica-se para o ciclista que atravessa o sinal vermelho para se proteger dos mautoristas, situação análoga ao motorista que atravessa esse mesmo sinal de madrugada para se proteger de assaltos. E andar na contramão, isso sim um risco sem nenhum retorno em termos de segurança, é um lugar-comum tão comum quanto “leite com manga faz mal”, nada que uma campanha bem menos dispendiosa do que a do homem-faixa não corrija rapidinho.

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  • Juliana

    Com certeza o cara “novo” que escreveu o editorial não estava num bom dia e teve alguma desavença com algum ciclista por aí… provavelmente de seu super carro confortável pensando: “esses ciclistas malucos só pioram o trânsito”…

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  • Não pode haver punição enquanto não houver CONSCIENTIZAÇÃO! Apelar pro senso comum é uma faca de dois gumes… Eu rodo de bike no Rio de Janeiro há vinte e um ANOS. Já chamei atenção de muito motorista de caminhão da COMLURB (companhia de limpeza urbana carioca) e de ônibus que me fecharam e, se achando na razão, me mandaram ir pra calçada! Isso sem contar que a regra de reduzir pra ultrapassar é veementemente desrespeitada por 99% dos motoristas. Sem contar que trafego por ruas em que a pista da direita está tomada por carros estacionados, que me obrigam a andar no meio da via, de costas para o trânsito e contando com a sorte pra não ser esmagado! Nesses casos eu rodo pela esquerda da rua, sim! Não haveria necessidade de proceder assim se os motoristas tivessem paciência e respeito e não se sentissem senhores do asfalto! Vão me multar por estar protegendo minha própria integridade física? Pruca!

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  • 1º O ciclista não está acima da lei, somos invisíveis, estamos no CTB apenas em palavras, não somos punidos pois “não geramos receita” não existe uma rede de postos de ar comprimido para atender o ciclista, nem uma lugar só pra cuidar de pneus, nem um lugar só pra cuidar da mecanica, nem um lugar só pra cuidar dos adesivos, muito menos ( e graças a deus!!!) um lugar oficial parase aprender a pedalar.

    2º Somos híbridos, discodem os hipócritas. Podemos sim andar nas calçadas, na contra mão, andando do lado da bicileta, usar aro 16, 24, 26, 29, estamos entre um moto e um pedestre temos a vantagem de poder ser a moto ou o pedestre sem deixar de ser leve como um pássaro ou velóz como uma serpente

    3º Só limpo a bunda com o ESTADÃO quando não tenho mais FOLHA de SÃO PAUlO

    Polêmico. O que acha? Thumb up 9 Thumb down 9

  • rafael

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

    Esse comentário não tem feito muito sucesso. Thumb up 6 Thumb down 12

    • Ricardo Martinelli de Oliveira

      Rafael, vou te falar porque o alvo não é outro: A CTB diz sobre uma velocidade mínima a ser seguida pelas vias, acontece é que ela não se aplica à faixa da direita e por isso qualquer veículo poderia trafegar nessa faixa com uma velocidade inferior. Me diz agora quantos condutores de veículos automotores conhecem essa lei?
      Digamos que esses tivessem conhecimento dessa lei, você acha que os condutores de forma geral irão seguí-la? E quanto a nova lei que obriga os condutores a pararem em uma faixa de pedestre, que foi veiculada em diversos canais de comunicação, e que ainda assim vejo pessoas que não a segue? Trabalho num cruzamento onde há uma passagem livre de carros à direita e com faixa de pedestre e vejo carros que fazem a curva a 40km/h buzinando para avisar aos pedestres que ele não vai parar.
      Concordo plenamente que a falta de educação no trânsito vem da falta de fiscalização das leis pelos órgãos responsáveis, assim como acho muito cedo punir ciclistas se o que temos até agora são pilotos de projetos sendo executados nas vias ainda sem a infra necessária para garantir a segurança dos ciclistas.
      Como eu sempre digo: posso estar enganado com tudo que estou dizendo, mas é a minha sensação ao enfrentar(uma palavra muito forte, mas é isso que percebo) o trânsito seja como pedestre ou como um condutor de veículo automotor ou não.

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      • Rafael

        Respondendo às suas perguntas, imaginemos que todos os motoristas conheçam e respeitem o CTB inteiro. Vc acha que vale o risco? Lembre-se que uma pequena distração, seja do motorista ou do ciclista, BLAU! Já era… Tá lá mais um corpo estendido no chão… Só não me venha com a falácia de que é proibido se distrair!

        A Engenharia de Segurança evoluiu bastante no último século. Em sua primeira fase, era baseada nessa bobagem de que é proibido se distrair. Muita gente (principalmente operários) morreu e ficou mutilada. Na segunda fase, inventaram os EPI (equipamentos de proteção individual: capacetes, botas com ponteira de ferro, luvas, óculos, etc.). As pessoas, mesmo que se envolvessem em acidentes, estariam protegidas. Continuou morrendo gente. Na terceira fase, hoje, já se entendeu que é preciso “engenheirar” as condições de contorno para minimizar o risco. Os engenheiros entraram em ação e inventaram máquinas, por exemplo, que só funcionam se o cara apertar dois botões bem separados, de forma que suas mãos estejam longe do perigo.

        No CTB fizeram a cagada de ficar parados lá na fase 1. Veja que nem obrigaram o uso do capacete (EPI). Acreditaram que a gentileza, o respeito e a atenção iria conseguir mitigar o risco… Santa inocência! Taí os números de mortes e mutilações de ciclistas para reescrever essa história da burrice humana.

        Lembre das aulas de colisões na física do segundo grau: Quantidade de Movimento é Massa x Velocidade. Compare as Quantidades de Movimento das bicicletas, veículos motorizados e pedestres. Depois imagine onde é mais razoável que as bicicletas andem na ausência de ciclovia.

        Quando vc fala de uma nova lei que obriga os condutores a parar na faixa de pedestre, você passa um atestado de que não conhece nada da legislação…
        Isso não é lei nova. É mais velho que cagar sentado!

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        • Ricardo Martinelli de Oliveira

          Muita inocência da sua parte achar que ciclista usar o capacete evitaria acidentes com mortes. Já procurei bastante por capacetes para ciclistas que só de olhar percebe-se que não vai proteger em nada já que é construido com materiais muito frágeis. Também é muita ignorância de sua parte achar que bicicleta deve ficar em outro lugar se não na via, pois afinal se houvesse (e reforço isso) fiscalização para diminuir o número de infrações por parte de todos daria para os veículos (sejam, eles carros, motos, bicicletas e outros) trafegar na via com segurança.

          Em Brasília eles respeitam a faixa de pedestres porque além de tudo houve fiscalização, e pesada. Porque acha que em SP deveria ser diferente?

          Você me diz que não conheço nada de legislação é no mínimo vago. Obviamente não sou especialista e nem conhecedor profundo das leis, acho que o fórum serve também para isso. Mas dizer que eu não conheço NADA, aí você se engana.

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          • Rafael

            Onde foi que eu disse que capacete é algo salvador? Capacete é Fase 2. Já deveríamos estar na 3, mas ainda estamos na 1. Isso não significa tampouco que os EPI devem ser abandonados.

            Vc pode achar que é ignorância perceber que bicicleta não deve tentar ocupar o mesmo lugar dos carros com 150 vezes mais Quantidade de Movimento. Problema seu. Vou continuar indo pela calçada. Vá você lá colocar sua cara à tapa no asfalto. Cruze os dedos!

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            • Pois é, Rafael, a questão da quantidade de movimento você pode resolver de duas formas: proibindo os ciclistas de usar o asfalto, para que os automóveis continuem o utilizando da mesma maneira como fazem hoje, ou reduzir a velocidade dos veículos de massa maior. Que, por sinal, é o que tem sido feito. Claro que em avenidas rápidas, o melhor é estrutura segregada. Mas só nas avenidas rápidas. Nas demais vias, os carros precisam desacelerar, até por uma questão de segurança dos próprios motoristas (mas principalmente dos pedestres).

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        • Cícero Soares

          Tá, faz o seguinte, Rafael: transpõe toda a tua energia individualista de vítima pra imaginar soluções de “engenharia reversa” coletiva, tipo assim:

          Fase 1: em vez de “engenheirar”, urbanizar “as condições do contorno para minimizar o risco”.

          Fase 2: em vez do incentivo à armaduras (EPIs), popularizar o uso de EVCs (Equipamentos de Visibilidade ao Ciclista).

          Fase 3: em vez de sumariamente menosprezar o poder da “gentileza, do respeito e da atenção”, castigar sumariamente aqueles que fizerem pouco caso dele.

          Agora, se ainda for muito difícil pra você se imaginar noutro hemisfério de mentalidade que não no de simplesmente defensiva, não saia de casa, tá? Jamais. E se for sair, melhor sair de carro, né? Sempre. Ah, mas não esqueça o capacete. Que, dependendo da colisão, ou você sendo algoz ou sendo vítima, nem cinto de segurança nem airbag sevirão lá como proteções 100% seguras a sua mentalidade.

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          • Rafael

            Não tem como eu sair de carro, porque só tenho minha bicicletinha mesmo…

            Quanto ao resto, explique melhor aí pois minha ignorância não me permitiu entender suas colocações…

            Mas vamos fazer assim: vamos todos dar as mãos e viver em paz e amor! Vamos caminhar pelo meio das ruas, jogando beijos aos motoristas! Todos respeitando todos. Olha só que coisa linda, não?!

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        • Ricardo Martinelli de Oliveira

          Porque você acha que EPI serve para algo nesse caso? Até onde eu conheço, EPIs devem ser usados quando não há alternativas para diminuir os riscos. E temos como diminuir os riscos sim, basta olhar em outras cidades como isso foi resolvido. Não há remédio contra a estupidez humana, mas aceitá-la é pior ainda, deve sim existir uma campanha de conscientização e fiscalização pesada para fazer com que haja mais respeito SIM.

          Carros tem grande quantidade de movimento, mas muitas das ruas em que eu pedalo possuem velocidade máxima compatível para que carros e bicicletas possam andar juntos. O problema são os que desprezam o limite e/ou desprezam o espaço para o ciclista, e novamente a fiscalização é necessária. Pelas ruas que eu ando isso funciona, basta continuar pensando em melhorias para uma melhor segurança de todos.

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        • Cícero Soares

          É simples, Rafael: toda sua argumentação é baseada no medo, de cabo a rabo quem comanda é o medo. Ah, não existe motorizado respeitoso, gentil e atencioso, não? Meu, se você é cego pra isso, culpa o teu medo impregnado por você se enxergar uma vítima em potencial a cada pedalada.

          O pior é que, antes de você expor alguma racionalidade a esse medo (isto é, colocar o medo onde ele deve ser colocado, aquele medo que protege, na forma de cautela), parece que o único escape que você encontra é, talvez por alguma espécie de impotência “refletiva”, ridicularizar esbravejando contra qualquer possibilidade de compartilhamento sem medo.

          Então ridicularizar por ridicularizar (e já que você não tem carro), acho que, pra ser totalmente coerente com seu medo, você devia usar capacete também na condição de pedestre, não devia?

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          • rafael

            Vc não tem medo? Vá lá então, corajosão… Quero ver essa sua valentia debaixo de um busão.

            Certamente existem motoristas gentis e atenciosos. E sempre vão existir os que não o são. E mesmo os gentis um dia cometem falhas. Os próprios ciclistas cometem falhas, e a 1,5 metro essa falha é fatal. Acreditar nesse blá, blá, blá de gentileza e atenção é coisa do século passado, retrasado talvez. Estude um pouco sobre engenharia de segurança.

            Capacidade de analisar os fatos e circunstâncias e prever os resultados me parece um pouco diferente de medo. Eu tenho medo é de ficar burro e começar a achar que os carros são feitos de algodão-doce.

            “Impotência refletiva”? Quer enganar quem com isso?

            Eu não uso capacete nem na bicicleta. Acredito mais na segurança orgânica e preventiva que na reativa. Equipamentos de proteção não são prevenção. Eles não previnem acidentes. Eles apenas tentam mitigar os efeitos. Eu só ando na calçada quando não há ciclovia. Acho que nunca nem assustei um pedestre. Sei me portar na calçada, e, mesmo que um dia eu me distraia ou sofra um acidente, é quase impossível que eu mate um pedestre. Dificilmente vou machucar alguém.

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        • Ricardo Martinelli de Oliveira

          Olha como seu argumento ficou estranho: Você quer evitar conflito com veiculos maiores simplesmente tomando o espaço dos pedestres, os mais frágeis e que tem mais prioridade do que todos no trânsito? Isso é evitar um conflito criando outro. Ou pensa que pedestre também não se incomoda em ver alguém andando de bicicleta na calçada?

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          • Rafael

            Não, não ficou estranho.
            Meu argumento é: o CTB errou ao decidir que na falta de ciclovia deve-se usar o asfalto.
            É claro que o ideal seria existir a calçada, a ciclovia, a motovia, a carrovia, a ônibusvia/caminhãovia.
            Mas no mundo real não existe tanto espaço e dinheiro. No limite, nem calçada tem. Em muitos lugares é uma via só pra todo mundo, do pedestre ao caminhão.
            Normalmente, existe o asfalto e a calçada. Nesses casos, comparando a quantidade de movimento do pedestre, da bicilceta e dos outros veículos, o lógico seria colocar pedestres e bicicletas de um lado e o resto do outro.
            Por isso repito: o CTB errou ao decidir que na falta de ciclovia deve-se usar o asfalto.
            Alguém comentou aí que os próprios pedestres não se sentem ameaçados pelas bicicletas, pois usam as ciclovias para caminhar.

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        • Rafael, há estudos indicando alta incidência de traumatismo craniano em passageiros de automóveis. Mesmo assim, não obrigam o uso de capacete. Então obriguemos motoristas e pedestres a usar também – afinal, tropeçar numa calçada pode fazer você bater a cabeça na calçada… :)

          EPI é para atividades de risco. E o trânsito NÃO DEVE ser uma. É isso que tem que ser consertado, não maquiar o problema colocando armadura em todos que adentram o asfalto.

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          • Rafael

            Eu ainda tô procurando onde foi que eu defendi o capacete para que estejam insistindo nessa piadinha. Já disse inclusive que eu não uso.

            Uma tonelada de aço se movendo (a 40km/h que seja) vai ser sempre um risco ambulante. O trânsito é uma atividade de risco e isso é imútavel. A não ser que você queira abolir os carros ou substituir os ossos por barras de titânio. Tratar atividades de risco pelo respeito/atenção (fase 1) ou EPI (fase 2) é um erro.

            Aliás eu vejo pessoas aqui mais preocupadas em acabar com os carros ou até mesmo em mudar a natureza da psique humana do que em resolver o problema das mortes diárias que vemos. Vamos combinar assim: quem quiser mudar a natureza humana, que ande no asfalto, pois assim vai mais cedo levar um papo com deus e daí poderá pedir a ele para fazer as correções devidas.

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          • Rosana

            Uma pequena contribuição objetiva à discussão: aqui no DF as faixas de pedestres são respeitadas desde 1997. Campanhas maciças (e certamente menos dispendiosas doque tratamento médico de plitraumatizados), fiscalização não só do poder púlbico mas também aos poucos da prórpia população, ciente do direito de atravessar em segurança e orgulhosa da prática da cidadania e civilidade, garantem que a faixa seja respeitada com poucas exceções. E para quem pensa que Brasília é a ilha da fantasia, lembro que a população daqui é composta de pessoas de todos os estados do país. Os pedewstres não se sentem ameaçados pelas bicicletas porque há a questão do respeito do ciclista em um espaço que não é dele (calçada) ou ao mais frágil que se encontra na ciclovia. A natureza humana muitas vezes surpreende para melhor.

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          • Cícero Soares

            Olha aí. Gosto da Rosana porque ela é invariavelmente objetiva, e da objetividade da boa.

            Agora pega teu comentário, Rosana, e troca os “sujeitos”, no lugar de pedestre, coloca ciclista, no lugar de ciclista, motorizado. Pronto, temos aí uma perspectiva viável pro compartilhamento viário segundo apenas as variáveis fiscalização e campanhas.

            Ah, mas tem gente (geralmente especialista habituado a reduzir gente a máquina) que teima em que essas variáveis capazes de orientar o comportamento humano pra melhor são ineficazes, balela, retrógradas, não objetivas e coisa e tal.

            Natureza humana, Rafael, no mínimo existem duas: a do bem e a do mal. E entre elas e além delas há muito mais coisa aí do que supõe tua vã especialidade. É a cultura que define pra onde a “natureza” humana vai tender. E, ao mesmo tempo, como você definir sua “natureza”, aí a cultura na qual ela está inserida tenderá.

            Eu suma: uma cultura medrosa promove uma “natureza” humana medrosa, com esta potencializando aquela. Opa, mas como escapar desse círculo vicioso? Ah, mas a minha psique (logo, as ações derivadas dela) não é imutável, né?

            Mas se mais uma vez for muito difícil pra você compreender esse falatório todo de artista, é só recorrer ao 2+2 estatístico divulgado recentemente pela CET (aumento da fiscalização, de multas=>diminuição de ocorrências fatais), ok? Que, aliás, até o “editorial do medo” do Estadão, nas primeiras linhas, corroborou.

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          • Rafael

            Vc não quer resolver o problema das mortes.
            A vc interessa que as mortes continuem acontecendo para que vc possa fazer passeatinha, posar de vítima dos ferozes motoristas e esse seu blá blá blá…
            Imagina se os ciclistas não morrem mais no trânsito.
            Como vc ia fazer pra posar de adolescente revoltadinho, vítima da insensibilidade e da falta de cidadania alheia?
            Vá distribuir flores no semáforo…

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          • Ricardo Martinelli de Oliveira

            Mortes continuam acontecendo porque alguém foi irresponsável o suficiente para causá-la. Seu pensamento me faz entender que devemos fazer vista grossa para a irresponsabilidade de alguns e encontrar meios utópicos para que possamos utilizar algo que é (ou ao menos deveria) direito de todos.

            @Rosana: Brilhante contribuição! Obrigado por compartilhar.

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          • Rafael

            Ricardo,
            Imagine essa cena: o operário mete a mão na prensa e fica sem a mão.
            Daí o patrão vem e diz: vc “foi irresponsável o suficiente para causar isso”. Pra que foi meter a mão aí?!

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          • Cícero Soares

            Tá bom, Rafael, desculpa aí meu blablablá e as pitadas de arrogância nele, que feliz ou infelizmente são devidas a minha profissão de escritor, de roteirista. Tento me emendar, mas é quase inevitável.

            E já que você descambou pro lado pessoal, fantasiando sobre minha vida a torto e a direito (hum, nem tão a torto e a direito, embaixo explico melhor), deixa eu completar minha apresentação:

            Tenho 47 anos, como disse, roteirista de profissão, formação em Ciências Sociais (o que contribui pra minha petulância, admito), duas filhas e blablablá. Voltei a pedalar não tem três meses, e voltei super caxias, e por caxias entenda-se: me comportando estritamente como veículo lento no asfalto e como pedestre (desmontado) no passeio público. E mais: caxias também por ficar antenado no potencial da bike pra mobilidade urbana e nas propostas de incluí-la plenamente no sistema viário.

            Ah, mas ainda não participei de nenhuma passeatinha (bicicletada e afins), não, viu? Logo, nunca distribuí flores em paradas semafóricas. Até gostaria (putz, que idéia, flores entupindo escapamentos), mas confesso que sou meio preguiçoso, talvez por causa idade algo avançada (frescura isso, né?) ou por eu ser muito caseiro e sedentário (aí sim justificativa forte, é forte imposição da profissão), e voltar a pedalar se mostrou um ótimo remédio contra isso.

            Ah, última vez de bike, 25 anos atrás, última vez bem marcante, pois rodei com ela boa parte do Butantã aplicando questionários do Censo Econômico do IBGE.

            Mas e você, cara, você faz o que da vida? Quanto aninhos você tem? É moleque ainda? Ou mais crescidinho? Já tá na idade de fazer curso técnico, facu? Acho que sim, né? Mas já trampa? Já se considera um adulto completo ou em vias de? Tem filhos(as)? E mora onde? Qual seu trajeto cotidiano de bike? É só lazer? E aí, quem você realmente é, com e sem a bike? Então, se apresenta aí, Rafael.

            Olha, você começou muito bem, discutir com você parecia promissor, mas logo vi que, forçando um pouquinho (fiz de propósito, tá?, que é outro mal da profissão: testar “personagem”), você entrega logo os pontos: se sente ofendido, não lê mais nada e come o pau, personificando o interlocutor como…?

            E como é interessante isso, e como é comum isso, brecar uma saudável discussão atribuindo ao interlocutor a pecha de? Ativista. E mais: fazendo deste um personagem? Antagonista! Fala a verdade, não é interessante (tanto dramatúrgica como sociologicamente) essa operação habitual que faz daquele que defende um interesse comum, mesmo pra aquele que futuramente será beneficiado por essa defesa, um inimigo? Pensa um pouquinho nisso, Rafael.

            E, depois de pensado, no futuro, quando você finalmente se sentir incólume pra descer pro asfalto, seguindo aquele moooonte de bikes que já transitam nele com segurança entre os motorizados disciplinados, seja no mínimo educado, tá? Um obrigadinho pros cicloativistas que batalharam pra sua segurança não vai doer nada nada, prometo.

            De minha parte, no presente, renovo meu pedido de desculpas. (Nossa, pedir desculpas também não dói nada nada.)

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          • Ricardo Martinelli de Oliveira

            Já que estamos nos conhecendo melhor, eis que me apresento… =D

            Tenho 30 anos, Analista de Sistemas (acredito que o William também seja, por isso me identifico um pouco com ele) e procurei por uma forma viável de deslocamento no dia a dia e que também me ajudasse. Por recomendação de um colega de trabalho, conheci o vadebike.org e comecei há 7 meses minha pedalada diária.

            Confesso, antes de andar de bike eu tinha toda essa mentalidade negativa sobre o trânsito de SP. Porém descobri que existe uma forma de melhorar a vida de todos apenas criando um senso comum de respeito. Comparar o motorista dentro do carro como uma prensa é besteira, não somos máquinas. Deve sim haver mais respeito e essa coisa de simplesmente aceitar que alguém, só por estar de mal humor ou algo assim (um pequeno entre muitos exemplos), achar que tem o direito de botar em risco outras pessoas é loucura. Lembrem-se: Seus direitos acabam quando afeta o direito de outros.

            Enfim, a discussão pra mim é boa desde que produza bons frutos. Criar falsas impressões das pessoas simplesmente porque discorda do seu ponto de vista ou mesmo aceitar outras idéias não me parece interessante. Não preciso impor minha idéia, pois ela se baseia em um senso comum: respeito. Não preciso descambar para o lado pessoal porque não conheço ninguém aqui pessoalmente então não há porque pensar algo sobre quem eu não conheço.

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          • Cícero Soares

            (Pronto, taí, super bacana.) Então… Muito prazer, Ricardo! rs. Meu, eu já estava de olho em você de outros comentários de outros posts. Cê manda bem, viu?

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          • Rafael

            Sou engenheiro e bacharelando em direito, 32 anos.

            Minha primeira mensagem não continha ofensas a ninguém, apenas à Lei.
            Havia crítica aos que defendem a Lei, mas não ofensas.

            Houve uma resposta sem ofensas, mas que falou bobagem do ponto de vista da engenharia de segurança.
            Respondi que era bobagem e que havia ali uma demonstração de desconhecimento da Lei.
            De novo, sem ofensas.

            Daí surge um ofendidinho que sai em defesa do primeiro respondente.
            Aí começam as ofensas: individualista, merecedor de castigo sumário, portador de uma mentalidade perturbada, medroso, “refletivamente impotente” (?).

            Esse sujeito agora aparece dizendo que se acha no controle da discussão. Que as respostas antes dadas foram por ele induzidas. Se enxerga, cara. Vc não deve conseguir controlar nem os seus personagens.

            Fique a vontade para andar no asfalto. Eu jamais tentarei disputar a beiradinha da pista com um ônibus de 3 toneladas.

            Ricardo, vamos então elaborar melhor o exemplo:

            Uma fábrica com um patrão que dita as regras. Uma prensa comandada por um operador de prensa. Um ajudante que coloca a chapa de aço dentro da prensa. O ajudante precisa do cuidado e atenção do operador. O operador não pode fazer a cagada de acionar a prensa enquanto a mão do ajudante está lá dentro. Alguma dúvida de que vai dar merda? Milhares de pessoas morreram e perderam as mãos em situações parecidas com essa. Daí qual seria a atitude correta da associção dos ajudantes? Exigir que os operadores tenham mais atenção é suficiente? Claro que não! Pedir pro patrão dar um jeito de arranjar uma máquina que torne impossível a cagada de acontecer é “engenheirar as condições de contorno”. Troque patrão por legislador, operador por motorista, ajudante por ciclista. Criar uma lei que afaste os veículos que pesam toneladas dos veículos que pesam 15kg é “engenheirar as condições de contorno”. Pedir pros veículos andar a 10km/h é o mesmo que pedir o fim dos veículos. Isso não vai acontecer, lamento.

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        • Cícero Soares

          Resp. ao §1: Do medão:

          Claro que tenho medo, Rafael. E quem não tem? Mas faço meu medo passar pelo crivo de alguma racionalidade, logo minha coragem também, e assim ambas me dão cada vez mais habilidades preventivas. E não demorou muito eu aprender a me prevenir contra busões e outros motorizados valentões, acredite.

          Resp. ao §2: Do blablablá:

          Mas só acredito quando não é blablablá, e é muito fácil “ver” quando não é. Até um analfabeto em engenharia de segurança sabe ver isso. Mas um proficiente nessa especialidade pode facilmente perder essa capacidade observacional que é inerente a todos. Por exemplo, descartando variáveis que supostamente não caberiam mais em sua ciência, variáveis de “séculos passados” relegadas pela incapacidade cognitiva de as retrabalhar ao tempo presente.

          Resp. ao §3: Do algodão-doce:

          (Tá, deixa então eu dar uma ironizada aqui, mas do tipo pedagógica, tá) Analise então os fatos e as circunstâncias que te levaram a temer ser engolido por essa absurda fantasia. Que acho que tem algo a ver também com os tais “séculos passados”, no caso, com tua infância, provavelmente algo mal resolvido aí.

          Resp. ao §4: Do auto-engano que eu gosto:

          Então, isso, alguma coisa da infância, de você nunca se sentir totalmente protegido, de sempre existir aquela sombra de iminente ameaça te acossando.

          Resp. ao §5: Dos usos, pra bem ou pra mal:

          Capacete eu uso. Mas vez ou outra me questiono sobre esse uso, não vou mentir. Mas nem vou entrar nesse mérito conceitual, tá?, que tá ok. Mas vou entrar sim no seguinte mérito: aí você canta a maior bola nessa segurança orgânica e preventiva e… E em medidas como as de traffic calming? Sobre isso você nem tchuns, né? E por que será? Omitidas por falha de sua ciência ou de sua pré-ciência?
          Na calçada eu não ando, mas não questiono quem pelada. Bom, pelo menos assim como você descreveu que pedala. Porque sei “analisar os fatos e as circunstâncias” que levam alguém escolher pedalar assim na calçada, né?

          À guida de conclusão:

          Cara, mas o que eu acho estranho, mas muito estranho mesmo é alguém não ter uma única palavra a favor do compartilhamento e ainda por cima desqualificar toda palavra ou ação a favor dele. É mesmo de se achar estranho, não é? Porque, meu, tirando por baixo, 50% das vias da cidade são (ou poderiam ser) seguramente cicláveis. Então por que só “segregar” teria o status de pedra de toque? Ciclovia é apenas uma solução, uma entre várias outras, mas específica e, sem vontade política e pressão social, de médio e longo prazo. Já disciplinar o compartilhamento (de calçada e asfalto), com vontade política e pressão social, de curto prazo e super abrangente.

          Agora, se você está esperando só ciclovia de mão beijada pra pedalar, pode esperar pedalando ajoelhado alguns séculos vindouros aí. Com você, seus filhos, seus netos, seus bisnetos continuando devidamente “encapsulados”.

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        • Cícero Soares

          Então chegamos onde queríamos chegar, Rafael: “Taí um cientista que vê, vê, vê e não vê nada. Taí um leitor que lê, lê, lê e não entende nada. Taí um interlocutor que ouve, ouve, ouve e não ouve nada.”

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    • @NunoMorelli

      Gente, só atrapalhando um pouco a linha de pensamento de quem ta no calor da discussão, mas.. sobre capacetes, podem ser até seguros pra quem pra tica esporte, mas a coisa pode ter seu sentido invertido quando usado nas ruas.

      Já postei em outro tópico este link, há uma pesquisa interessante sobre o comportamento de ambos em diversas análises.. é bem interessante, vejam: http://www.dbike.org/site/index.php/multimidia/blog/119-capacetes-atraem-carros

      Com base na comparação, prefiro não usar, assim os motorizados passam mais longe por temerem me ferir quando passarem perto demais :D

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      • Ricardo Jose Camara

        Que realmente existe maluco para tudo, é fato. Até acredito que existam imbecis capazes de, vendo um ciclista mais prevenido, no caso usando capacete, que possa ser menos cuidadoso com ele presumindo que saberá se defender melhor. Mas acho que é um pouco forte. Que nem a crença de ser inseguro usar cinto de segurança no carro por retardar a fuga em caso de incêndio.
        Temos que pensar também na nossa segurança em relação aos caminhos que enfrentamos. Recentemente, pedalando em uma via mal iluminada, voei por cima da bicicleta ao bater num ressalto no piso que não vi. Estava de capacete, não bati com a cabeça mas percebi que fiquei com ela bem próxima ao meio fio.

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        • Ricardo Jose Camara

          Ah sim, aproveitando. Valeu a dica do site dbike. Mais um para nos informarmos.

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          • @NunoMorelli

            De nada, man.. informação é essencial pra gente poder ter uma boa base de troca de experiências :D

            Ah, sobre o vídeo.. bom, sim, sei que é forte.. só que necessário. Já passei (e muita gente passa) por esse tipo de coação, tem leitores passantes pelo site que só dirigem e juram que isso nunca acontece, aí acabam desacreditando quem tem uma opinião diferente. Não curto chocar meio mundo, mas é que tem hora que não tem como explicar de outra forma, então o jeito é postar algo real, um fato registrado de uma atitude questionável, e mesmo existindo textos descrevendo a mesma situação ainda há leitores nos apontando como culpados, de forma muito rude, apontando o dedo a torto e a direito sem ter sequer pesquisado sobre o tema.

            Só mais uma pergunta… quando disse que capotou e estava mal iluminado, sem querer ofender, estava utilizando algum assessório de iluminação? Passar por local escuro sempre me dá um receio danado, quando parece que não, uma boa lanterna dianteira ajuda.. espero ter sido útil! :P

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  • Sergio

    Eu já falei aqui mas vou repetir. Para mim punição é inclusão. Porque vcs acham que nos países onde os pedestres e o ciclistas são mais respeitados esses mesmos sofrem punição? A arrogância do motorista advém da relação financeira que ele tem com a rua. Ele paga impostos, pedágios, pode tomar multa, etc. O pedestre e o ciclista, NA CABEÇA DOS MOTORISTAS, usam a rua sem pagar por ela. Isso está incrustado na cabeça das pessoas inclusive na dos pedestres.

    Se vc começa a multar pedestres e ciclistas vc os inclui, e as necessidades deles nas vias ficam mais evidentes e a possibilidade das mudanças de sinalização e adaptação ao mais frágeis no trânsito também.

    Eu ando de bicicleta há quase 4 anos pra trabalhar às vezes me sinto um ciclista idiota vendo que todos os outros se acham no direito de andar como querem. Mas enfim, sou uma minoria dentro da minoria.

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    • josé andrade

      Caro Sérgio,

      Creio que sua opinião representa, sim, a maioria da maioria. Ensinados a pautar todas as relações que se pode ter pela lógica mercantil (paga-se por saúde, por educação e etc.), fica muito fácil de se confundir a condição de “cidadão” com a de “consumidor” (como bem esboçou Russomano em sua campanha recente à prefeitura).

      Att.

      José.

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      • Sergio

        José, a questão aqui está mal colocada. A lógica mercantil (que eu deploro) e que de fato tomou todas as instâncias da nossa vida em sociedade, é obviamente perversa.

        O que estamos discutindo aqui é uma melhor inclusão do ciclista e do pedestre os colocando como partícipes plenos do sistema viário. Eu enxergo que a punição os inclui à medida que formaliza as ações sobre eles. Essa aparente “liberdade” que temos por não sofrermos punições ( e aqui caberia discutir em profundidade o que é e como notificar, educar, informar e punir) só servem para que sigamos invisíveis.

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        • josé andrade

          Quer punição maior que sofrer ameaças de mutilamento e assassinato cotidianas, apenas por respeitar as leis ao transitar pela cidade? (Isso quando a morte e o desmembramento não se efetivam). Se “pagar” por algo não é a única forma de adquirir “direito” sobre algo, a não ser que estejamos falando do “direito à propriedade” e da lógica do mercado.

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          • Sergio

            José, eu sou contra o emplacamento de bicicletas ( que inclusive tem acontecido em algumas cidades brasileiras ), sei também que quando se usa o carro na cidade cria-se um prejuízo de 30 centavos por km rodado e 70 centavos de lucro quando se está de bici. O que estou tentando fazer é apenas um recorte na ideia de pedestres e ciclistas, se fossem passíveis de punição (que fosse educativa e não pecuniária), ganhariam muito com isso.

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          • josé andrade

            Ah, e vale lembrar outra coisa: “punição” não é a mesma coisa que “educação”. Gostaria muito de ver um campanha educativa a respeito da convivência no trânsito entre motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres!

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    • Punição é inclusão? Quer dizer que para incluir o ciclista no CTB ou sei lá onde você quer incluir o ciclista, devbe se punilo? Porque? Você acredita mesmo que punição resolve problemas, questões ou a discriminação?
      Você realmente quer comparar nações infinitamente mais antigas que tiveram seu desenvolvimento de uma outra forma, com uma outra cultura, ao Brasil? Um pais de terceiro mundo com pouco mais de 500 anos, uma colônia estrativista de Portugal (vá saber o que é Portugal!)e agora desses países onde os pedestres e o ciclistas são mais respeitados. Vem pedalar no meu bairro, pra depois falar de outros países!
      Os ciclistas pagam tanto imposto quanto os motoristas! Problema dele se ele é arrogante pela sua questão financeira mal . azar o dele, na hora de ir protestar, reclamar seus direitos, dizer que na cara do dono da concecionária e do governador que a cobrança de pedágio é incontitucional, ninguém ( vagabundo nenhum!) quer levantar sua bundinha do banco estofado da sua propriedade de 200 quilos de ferro. O que está incrustado na cabeça de motoristas e pedestres, está sendo apoiado e fomentado por pessoas como você,
      Seguir regras de qualquer espécie que na verdade não foram feitas para você nem por pessoas como você, é realmente de se sentir um idiota, e acredite em mim, também me sindo a muitos anos um idiota.

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      • Sergio Mélega

        Vamos lá Tom, vc falou tantas coisas que eu vou tentar responder à todas. O que vc quer dizer com “nações infinitamente mais antigas”? Se vc ler um texto desse mesmo blog, saberá que o oásis do ciclismo que hoje é a Holanda, nos anos 70 (não faz muito tempo) depois do boom econômico que encheu as ruas de carros, com a crise do petróleo de 73, teve o movimento do ciclismo como transporte buscando um espaço que havia perdido. Acontece que as ruas estavam cheias de carros e eles não estavam afim de voltarem para as garagens. Resumindo foi uma grande luta de conscientização das pessoas, de lutas políticas e de enfrentamento pelo direito de pedalar. Nada escorado na suposta civilidade europeia. Outro exemplo pode ser Nova Yorque que até outro dia não tinha ciclovias e hoje tem 400kms. Saiba que lá aconteceu e tem acontecido muitos movimentos contrários a essas ciclovias por parte de comerciantes e moradores que não as aceita. Portanto, é também uma luta por conquistas.Portanto não pense que lá as coisas se deram por alguma qualidade inerente à eles e que nos falta. Isso não é verdade.

        Essa coisa de atraso brasileiro por conta da colonização portuguesa é outra inverdade. Como diz Darcy Ribeiro, vá ver o que aconteceu com o Suriname pra saber se valeria mesmo a pena ser colonizado por holandeses. Outra mentira que ele desfaz é a de que somos um país novo, nossa formação como país é mais de 100 anos mais velha do que a dos Estados Unidos.

        Vou tentar novamente explicar o lance da punição. Tenho um amigo que morou na Inglaterra, e eu mesmo já visitei alguns países europeus. Lá o pedestre é muito respeitado e o ciclista também. Acontece que se vc atravessa a via fora da faixa ou pedala de qualquer forma o guarda te para e te chama a atenção e eventualmente também te multa. A reflexão que eu faço é que justamente esse respeito advém da possibilidade de punição. Achar que somos beneficiados pq “não dá nada” se eu pedalo de qualquer jeito ou atravesso a rua de qualquer jeito, eterniza a nossa “marginalidade” no trânsito. É claro que sei as vias são pensadas para os carros (sou ciclista há quase 4 anos) mas penso que uma completa absorção de nós ciclistas como entes do viário passa também por regras de como utilizá-lo. Regras que devamos seguir.

        Uma última coisa importante a dizer. É claro que não consigo sempre respeitar as regras. Nem é essa a minha intenção de me achar um melhor ciclista que os outros. Eventualmente posso andar pelas calçadas ou cometer outra infração mas isso é muito diferente da maneira deliberada como a maioria dos ciclista decide andar ignorando a sinalização. Se o que eu penso faz sentido? Acho que sim. Nunca colidi com carros ou motos, dificilmente ouço buzinadas ou tomo finas.

        Um pensamento final – Liberdade é em essência uma construção coletiva. Qualquer coisa à parte disso é privilégio.

        Polêmico. O que acha? Thumb up 7 Thumb down 4

        • Sergio, não visitei outros países e não acredito nas leis brasileiras,pra quem pedala e moram em Guaianses somente o código penal é válido, como você é legalista e eu não, vamos ficar aqui etenamente discutindo pontos de vistas já construídos.

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          • Sergio

            Me chamar de legalista é engraçado. Vc deve ter lido com muita alegria que os motoristas estão tomando multas por desrespeitarem a distância de um metro e meio do ciclista. Quer dizer, quando a lei me ajuda, ótimo, quando ela não tá do jeito que eu entendo justa, eu burlo. Você seria um legalista seletivo?

            Já que vc não gosta das leis dos homens vamos pras leis da natureza. Vc sabia que se um carro colidir com uma bicicleta na contramão o choque é infinitamente maior do que se ele colidir com a bicicleta que vai no mesmo sentido? No choque na contramão as velocidades contrárias se somam e o estrago é imenso. Pior pra nós ciclistas. Então andar na mesma mão nos protege embora pareça para alguns que vendo o carro eu estou mais seguro.

            Enfim, esse é só um dos pontos em que pedalar-do-jeito-que-quero só piora as coisas.

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  • David

    Apesar de eu ser favorável a aplicação de regras de utilização das vias por parte dos ciclistas, eu não acho que é o momento de fazê-lo. Para isto, seria necessário fazer todo um PLANEJAMENTO de mobilidade urbana baseado na bicicleta.

    Veja por exemplo a questão de andar na contramão: o viário não foi pensado para bicicletas e muitas vezes é mais seguro pegar uma rua calma na contramão do que uma principal na mão certa.

    Exemplo:

    Eu moro em uma rua paralela à av Sto. Amaro. Neste ponto, a avenida é bem estreita, com apenas duas faixas que mal cabem dois carros. Em termos de esforço, é óbvio que seria muito mais fácil pedalar na Sto. Amaro, pois ela é o menor trajeto e com menos subidas. No entanto, é muito perigoso pedalar por lá. Daí me sobram duas opções: andar na rua paralela na contramão, ou então descer 3 quadras, andar na mão correta, e subir tudo de novo…

    Para quem está de carro, descer 3 ruas e depois voltar por um ladeirão não faz tanta diferença, mas de bicicleta faz!

    Eu quando ciclista (também dirijo) sou extremamente cauteloso e respeito as leis de transito, porém mesmo assim, me vejo obrigado a pegar contramão de vez em quando. Eu odeio ter que fazer isto, pois eu acho muito perigoso, e sei que se alguém me atropelar, vão ainda querer colocar a culpa em mim. No entanto, a forma como as vias são projetadas, que enxergam apenas a lógica do carro, muitas vezes nos forçam a fazer isto.

    A utilização das calçadas segue a mesma lógica.

    Ė claro que tem sempre um idiota que vai andar em cima da calçada com velocidade incompatível com a que deveria estar e fazendo gracinhas de forma inconsequente . Também acho que deveriam ser educados pelas leis de transito e, no futuro punidos caso insistissem em fazer errado mesmo com conhecimento.

    Mas enquanto eu, cidadao de respeito e coerente, conhecedor das leis de transito, mesmo nao sendo igual este idiota inconsequente do parágrafo anterior, ainda se sentir obrigado a “infringir a lei de transito” apenas para me sentir mais seguro e ter um trajeto minimamente coerente, continuo discordando veementemente que ja esta no momento de punir ciclistas.

    No dia em que eu sair de bicicleta e puder pedalar na av. Santo Amaro sem medo e sem ameaças reais à minha vida, aí chegou o momento de aplicar estas punições. Até lá, ainda tem muita lição de casa para o governo realizar.

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    • @NunoMorelli

      Também discordo da opinião desse jornalzinho financiado por carrocratas convictos, também sei que tem ciclista abusado e mal educado. Felizmente são poucos, da mesma forma acontece com quem dirige, tem gente que abusa da sorte jogando a bike na frente de motoristas desavisados, o mesmo fazem os motoristas com seus motorizados em cima de quem pedala, de propósito e sem razão alguma. Está mais do que na hora de alguém por ordem nessa zona, repensando tudo o que já está descrito na lei e analisando as reais necessidade de ambos os lados.

      Mesmo que o Código de Transito Brasileiro obrigue nenhuma autoridade constituída segue o que está previsto. E é realmente muito chato você escolher um meio de transporte e ser cerceado, em alguns casos correndo o risco de sofrer sanções indevidas, no caso de quem pedala ser assassinado por descaso e falta de conscientização, fruto da falta de uma política de incentivo e educação para o trânsito desde a idade escolar. Agora… descer a lenha em cima da gente é fácil, difícil é aprender que, embora nossa escolha reflita em mudanças, estamos fazendo algo bom pro próprio sistema viário, ou seja, menos carros, mais espaço pra quem o utiliza. Por isso nos posicionamos primeiro por quem pedala.

      Quem usa bicicleta ainda contribui de forma inteligente e significativa para a melhora da qualidade do ar com a economia de recursos naturais (exemplo: se aumentar o número de ciclistas, diminuem as vendas de combustíveis.. e quando isso ocorre há redução nas taxas de emissão de monóxido de carbono.. além da melhora dos preços para vender logo o estoque, senão os donos de postos ficam no prejuízo com seus produtos parados), hábitos saudáveis deixando o sedentarismo na garagem refletem ainda menores gastos com cuidados médicos e medicamentos, melhor ainda pra economia.

      No fim das contas, não desejamos que todos parem de usar o carro, mas que repensem a sua necessidade e usem com sabedoria, e principalmente com respeito a quem não compartilha de seu pensamento, somos como todos como os outros, apenas um pouco mais felizes e satisfeitos com a mudança e merecemos a mesma excelência no tratamento, exceto essa punição sem sentido.. educação é o primeiro passo para mudança.

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  • Mario

    É por isso que o Estadão está em vias de extinção. Falta só mais um pouco de tempo.

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  • pedro

    Os patrocinadores estão contentinhos, abrindo o jornal num ensolarado sábado de manhã, vendo cadernos inteiros dedicados à venda de automóveis, lendo esse editorial e sorvendo seu suco de grape-fruit…

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  • Cícero Soares

    Putz, isso é muito sério, é um posicionamento de um “poder”, e isso é sério, isso é muito sério. Que mereceria então uma resposta… à altura.

    (Putz, mas depois eu escrevo mais, deixa antes eu matutar um pouco mais aqui. Porque agora me veio uma palavra: populismo. Essa “opinião” me cheira a… populismo barato. Que não avança a discussão. Pelo contrário, que só contribui para retrocedê-la.)

    P.S. É por aí, Rodrigo.

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  • Rodrigo

    Quer me multar? Me multa. Mas me dê estrutura em 100% das vias para andar com segurança. Me dê integração com transporte público. Dê multas para os auto-motores que me ameaçarem. Me dê estrutura real. Ai sim posso começar a discutir sobre multas.

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    • Sergio

      [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

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  • Roger

    [Comentário oculto devido a baixa votação. Clique para ler.]

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    • Guilherme Caldas

      Tem mala usando todo tipo de meio de transporte.
      A questão, neste caso, é que a lei é para todos mas as ruas são construídas apenas para os automóveis.
      Ciclista que acreditar que vive na Dinamarca e tentar se guiar estritamente pelo CTB acaba rapidinho debaixo de um carro.

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    • alexandre

      E nao existe nenhum motorista que dirige e fala ao celular, que manda sms, que le suas notificações no facebook enquanto dirigem? há muitos motoristas irresponsaveis assim como ciclistas … Nao … a punição nem pena de morte nunca vem, nem quando a culpa é do motorista e nem do ciclista … TODOS tendem a puxar a sardinha para seu lado, motoristas defendem os motoristas … e ciclistas defendem os ciclistas … eu procuro ficar imparcial, as informações que chegam são muito distorcidas, assim como dito aqui … nao … vc provavelmente esta enxergando apenas o que quer … nao há tantos ciclistas falando no celular e pedalando … isso deve acontecer muito aos fins de semana quando colocam ciclofaixas de lazer e muitos se sentem seguros e cometem barbaries …

      Polêmico. O que acha? Thumb up 3 Thumb down 6

  • Ricardo Martinelli de Oliveira

    Uma vez assisti ao noticiário da Globo onde mancionaram as estatísticas da CET sobre os pedestres e que o número de atropelamento de pedestres também diminuiu, porém diz que ainda há pedestres que atravessam fora da faixa. O equívoco deles na minha opinião foi em esquecer de mencionar que o Art. 69 diz que a travesia na faixa de pedestres deve ser seguido se este estiver próximo até 50 metros, o que pra mim generaliza o pedestre que atravessa fora da faixa como alguém que não segue o código brasileiro de trânsito. Me corrijam se estiver errado, mas o problema tanto da mídia quanto da população é justamente: 1) Afirmar algo sem ter certeza e 2) Não procurar a informação.

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  • Rodrigo

    Coisas que eu espero:

    1. Que ciclistas cancelem a assinatura de um meio de comunicação que se opõe às suas intenções;

    2. Que estes jornalistas da velha guarda, dinossauros e conservadores tenham trombose por ficarem travados no trânsito, problemas respiratórios pela poluição e entupimentos cardíacos por sedentarismo;

    3. E finalmente que de debrucem em angústia, ao perceberem que nestes novos tempos as pessoas estão cagando para jornais, que o tempo deles criarem movimentos populares já acabou e hoje quem muda o mundo quem faz alguma coisa.

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