Monotrilho não prossegue sobre ciclovia enquanto não houver alternativa para os ciclistas

O Coordenador de Gestão Ambiental e Qualidade do Metrô, Carlos Augusto Dias de Faria, expôs detalhes da obra e explicou a necessidade de interdição. Foto: Willian Cruz

O Coordenador de Gestão Ambiental e Qualidade do Metrô, Carlos Augusto Dias de Faria, expõe detalhes da obra, esclarecendo a necessidade de interdição. Foto: Willian Cruz

Metrô e CPTM reconheceram erros e ouviram propostas dos ciclistas presentes. Foto: Willian Cruz

Metrô e CPTM reconheceram erros e ouviram propostas dos ciclistas presentes. Foto: Willian Cruz

Em reunião na manhã dessa sexta-feira, representantes do Metrô, CPTM e Consórcio Monotrilho se reuniram com ciclistas para discutir soluções para a interdição da Ciclovia Rio Pinheiros. Os ciclistas presentes representavam Vá de Bike, Bike é Legal, Ciclocidade, Instituto CicloBR e Bicicreteiros, além de um dos organizadores do protesto programado para o domingo 5 de outubro.

Promessas esquecidas

A reunião começou com um vídeo de Renata Falzoni, do Bike é Legal, com uma compilação das promessas feitas em relação à Ciclovia desde sua inauguração, incluindo declarações de representantes da CPTM.

Entre essas declarações estavam algumas promessas mais acessos, para que a ciclovia atingisse seu potencial primário de opção segura de deslocamento, e o projeto de iluminação, para que pudesse ser aberta no período noturno. Assista esse vídeo aqui.

Interditar é imprescindível

Em seguida, um representante do Metrô, Carlos Augusto Dias de Faria, fez uma apresentação mostrando detalhes da obra e explicou por que o Monotrilho terá que passar sobre a ciclovia e não sobre a margem oposta, onde há linhas de transmissão, ou sobre um “canteiro central” da Marginal Pinheiros, onde há tubulações de esgoto.

Faria explicou também sobre a dificuldade de perfuração, pois sob a ciclovia passa uma linha de transmissão de energia elétrica e ao seu lado cabos de telefonia e transmissão de dados, além da linha férrea. Tudo isso para explicar a necessidade de fechar a ciclovia para uso dos cidadãos durante todo esse período.

“Queremos mostrar o porquê dessa criticidade, o porquê dessa interdição da ciclovia, que não veio do nada, é resultado de uma série de estudos que foram feitos”, justificou o Gerente de Empreendimento da Linha 17-Ouro, Eduardo Curiati.

Mas tudo isso já sabíamos, ainda que não com tantos detalhes: não dá para passar de bicicleta em meio às obras. O que precisamos é de uma alternativa.

Sugestões e alternativas

Nesse momento houve uma troca de ideias sobre o que poderia ser feito. Chegou-se a sugerir, por exemplo, um carro para transportar as bicicletas pela Marginal de um ponto ao outro e até mesmo uma balsa que transportaria as bicicletas sobre o rio.

Mas ambas as sugestões foram descartadas, pois os ciclistas que trafegam ali a trabalho não se disporiam a utilizá-las, principalmente pelo tempo necessário para embarque e tráfego em qualquer uma delas. Um ciclista indo para o trabalho não poderia aguardar uma balsa que não sabe quanto tempo levaria para chegar, nem pode aumentar de forma significativa seu tempo de trajeto, pois seu patrão provavelmente não será muito compreensivo quanto a esse atraso…

Margem oposta

Foi feita então, por parte dos ciclistas a sugestão de utilizar a outra margem do rio, onde há uma pista de terra – algo que já havíamos sugerido no Vá de Bike (leia aqui). Para isso, será necessário criar soluções para transpor o rio e prosseguir o percurso pela margem oposta, da estação Granja Julieta da CPTM até o Usina de Traição (na altura da estação Vila Olímpia).

A sugestão de André Pasqualini, da ONG Bicicreteiros, foi de utilizar a lateral da Ponte João Dias, onde há uma passarela de pedestres, o que poderia ser aproveitado para criar ali um acesso. Uma estrutura temporária poderia ser “pendurada” na lateral ponte.

Willian Cruz, do Vá de Bike, sugeriu que o ciclista possa passar pela área da Usina de Traição ou, se isso não for possível, que se construa uma estrutura temporária por cima do rio naquele ponto, onde não passam barcaças, que pode ser até mesmo feita em madeira, permitindo a transposição do rio.

Já a pista de terra existente hoje precisaria de asfaltou ou outro tratamento, para que os ciclistas não precisem pedalar na lama em dias de chuva. “Se eu estou indo ao trabalho, não quero chegar sujo de terra”, lembrou Cruz.

Avaliação técnica

Todas essas opções ainda precisam de um estudo técnico e podem sofrer alterações. Não adianta, por exemplo, fazer uma estrutura que coloque os ciclistas em risco ao atravessar rio, tudo deve ser bem planejado e seguir certas normas técnicas e de segurança. Uma visita técnica será realizada nessa segunda-feira, 7 de outubro, para avaliar a viabilidade dessas opções e maneiras de implementá-las.

A solução não está definida ainda, mas um cenário começa a se desenhar e alternativas começam a surgir. O que está claro é que o fechamento da ciclovia está suspenso. Eduardo Curiati, do Metrô, foi taxativo: a ciclovia não será fechada enquanto não houver uma alternativa de circulação para os ciclistas.

O Vá de Bike continuará informando sobre o desenrolar da situação. Acompanhe-nos aqui pelo site, no Twitter e no Facebook.

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7 comentários para Monotrilho não prossegue sobre ciclovia enquanto não houver alternativa para os ciclistas

  • aranha

    so uma pergunta
    .é justo atrasar uma obra que vai beneficiar milhares, para agradar uma minoria? E outra questao e que ciclista paga ipva? Rua nao foi feita para carros?quer andar de bicicleta vai no ibirapuera.ou entao muda pra china.cambada de playboy sem noçao.

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    • COBRA !

      Pela sua falta de conhecimento, acho que p sem noção é você.

      Saiba, que muitos, assim como eu, utilizam a bicicleta para irem ao trabalho. Acho que playboy não faz isso, certo ?

      Aos que pensam como você, pagar IPVA é pouco, vá agendar seu controlar e ficar 3 horas no trânsito…Eu também pago IPVA !

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  • Ricardo

    Amigos,

    Primeiramente, parabéns a todos os envolvidos e pelo senso crítico dos que tomaram a decisão de bloquear a ciclovia e voltaram atrás. Acredito que nem eles sabiam da força de todos os ciclistas e da necessidade de muitos trabalhadores dessa via. Acho poderíamos utilizar toda a repercussão para incentivar o uso da via, além de buscar parceiros para emprestimos de bicicletas ( Alguns bancos, que já o fazem, inclusive com a montagem da ciclofaixa aos domingos).
    Enfim, sobre as sugestões, acho que a utilização da outra margem do rio será a solução mais viável, e a preparação da pista, para ser mais agil, pode ser provisória, sem os detalhes de uma obra definitiva.
    Já vi um video da Renata Falzoni, onde eles percorrem a outra margem do Rio até o Cebolão.

    Obrigado.
    Ricardo

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  • Alexandre

    Gostaria de saber se não existe a possibilidade de fazer as passarelas sugeridas de maneira definitiva. Afinal, são poucos os acessos atuais para a ciclovia. Outra coisa: me lembro que há alguns anos havia um interesse de tornar as margens do Rio Pinheiros um enorme parque linear (vi na internet até um material ilustrativo), com áreas verdes, despoluição das águas e ciclovias contínuas nos dois lados (inclusive com a proposta de ligações entre elas por passarelas). Esse projeto ainda existe ou se tornou inviável por algum motivo?

    E parabéns pela iniciativa! :-)

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  • marcelo_X

    Impressionante! Duvido deste acontecimento se não tivessemos redes sociais e a internet para pressionar. Parabéns!

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  • Anonimo

    Parabéns Vá de Bike, Bike é Legal, Ciclo Cidade, Br e Bicicreteiros! Vcs são “Os Caras”.

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  • OK, colocaram o elefante (monotrilho) na sala (ciclovia), agora prometem tirar o elefante (dar alternativa durante as obras).

    Mas quais foram as respostas atuais para as outras promessas, não cumpridas desde 2010, de mais acessos, extensões e iluminação?

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